
Paraíba (Peixeira na mão) - 23 de abril de 2007 é uma data que entra para os anais de milhares de fãs do conjunto melódico Dois Hermanos, um dos mais populares de Mossoró. Em seu site oficial, o grupo informou que entrará em “recesso” por tempo indeterminado para que seus integrantes dediquem-se a outros projetos paralelos. Mas, Ressaca Moral sabe que não é bem assim.
O conflito que culminou na capitulação dos Hermanos começou em 4 de outubro de 2005. Neste dia, nosso renomado e anti-oxidante crítico de música, cinema e afins, Cruzmaltino Bandeco, publicou sua resenha acerca do (pretensiosamente chamado de) disco “4”, da banda mossoroense. Inteligente e possuidor de vasto conhecimento, Bandeco formulou uma de suas mais bem elaboradas análises ao deixar de escutar o tal álbum. Foi o que bastou para que o perverso Marcelo Campello, líder da banda e geneticamente modificado para ter seu lado bocó aflorado, declarasse guerra a este prestigioso veículo de informação.
Durante meses, a sede do Ressaca Moral e seus funcionários foram alvos de diversos protestos e atos terroristas perpetrados pelos totalitários fãs do conjunto musical. Mastruz Leite, Gerente de Casa & Jardim do blog e personagem pouco aproveitado, relata o horror a que foi submetido naqueles dias: “durante mais de uma semana um grupo de fãs apertava a campainha da minha casa e saía correndo, você não sabe o que é viver assim”, completa entre um Lexotan e um vaso de porcelana chinesa (lindo!) que adquiriu recentemente pela Internet.
Acuados e discriminados por serem machos à moda antiga, os jornalistas desta publicação eletrônica resolveram contra-atacar, lançando uma ofensiva bruto-intelectual contra a sensibilidade loser-depressiva que Marcelo Campello e Ronildo Amarante tentavam implantar na milenar e bem sucedida cultura caminhoneira nacional.
Uma série de reportagens especiais mostrou ao mundo o terror que estava por vir. As previsões dos cientistas mais otimistas diziam que, caso a banda não acabasse até 2010, poderiam ser consideradas extintas espécies como a gata-cachorra, o cafajeste de papo bom, o macho da conversa fiada e, o mais alarmante, todas as variedades de pessoas divertidas.
O fenômeno, chamado de Embananamento Global, ainda ameaça a humanidade, pois mesmo que sejam mantidos os níveis de emissão de depressão da era pré-Los Hermanos, gases como o BocÓ2 não conseguem quebrar o gelo ensacado para colocar no isopor, trocar pneu, matar barata e nem dar duas com a patroa na mesma noite.
Felizmente, devido ao trabalho sério de veículos como Ressaca Moral, músicos, atores e mulheres que sabem das coisas, o recuo dos Hermanos foi inevitável. Perdendo cada vez mais espaço na mídia, nos corações e mentes dos que se rebelaram contra essa vidinha mané, o grupo decidiu por fim às suas atividades ontem, dia de São Jorge, aquele que era macho de verdade e não fugia de dragão, não!
Ressaca Moral está cobrindo com exclusividade o fim da banda Losermanos. Mais informações a qualquer momento.

Marcelo Campello e Ronildo Amarante são colegas desde os tempos da faculdade de arquitetura, onde liam poemas, juntos, à sombra de uma jaboticabeira. Foram obrigados a fugir do Rio de Janeiro quando mataram de tédio um passarinho de rua e um cachorro da raça maltês, pertencente à aluna Ana Júlia, acadêmica de direito, também conhecida na época como Alegria do Campus e nos finais de semana como Consolo da Torcida Jovem do Botafogo. Messias Jardan, consciente de seu papel social, não teve dúvidas e flagrou o momento.