abril 18, 2008

Indie & Pessoal: uma coleção de verbetes

O selo independente
Ainda jovem saiu da casa dos pais e ganhou o mundo vendendo discos ruins e farejando novas revelações musicais dispostas a posar para fotógrafos da escola gaúcha de fotografia de bandas.

A cena alternativa
Garota de classe média alta que não saiu tão bonita quanto a irmã e que por isso começou a vestir roupas de brechó e montou um blog. Até ontem amava pegar os caras de barba que usam calça xadrez, mas agora o roçar dos pelos no pescoço já incomoda e ela gostaria de ao menos uma vez jantar em um restaurante bom (e de carro).

O trabalho solo
A internet facilitou muito sua vida. Agora ele não passa mais pelo constrangimento na locadora alugando os filmes que lhe inspiram na frente de estropiadas mães de família que estão levando Harry Potter e Os Incríveis para casa pela enésima vez.

O clipe no Youtube
Menino prodígio, talentoso e performático, virou assunto em todas as rodinhas no recreio da escola na segunda-feira depois de mexer o cotovelo de um jeito que ninguém conseguia. Pela tarde mal conseguia chegar em casa tamanho o batalhão de jornalistas que queriam saber tudo a respeito daquele garoto de quem nunca ninguém tinha ouvido falar. Ganhou caixas de bombom, rolos de cartas com mil metros de "eu te amo", convites das garotas mais lindas para andar de bicicleta no parque. Dormiu como um anjo. Foi pra escola de táxi na terça-feira, mas ninguém deu bola pra ele. Repetiu algumas vezes o gesto com o cotovelo mas as garotas preferiam assistir à aula. Hoje, dois anos depois, ainda treina diariamente truques com o joelho, as orelhas e as narinas, mas ninguém vê nada de especial em nenhum deles.

*Com a colaboração de Paulo Guedes.

ressaca_artista_alternativo.jpg Só se fala de outra coisa no eixo Mossoró-Taperoá: Lélio Boucinhas é a revelação do indie-folk-alternativo nacional. Cantando, compondo e cozinhando, Lélio encanta a todos com o seu jeitinho tímido e retardado. Seu primeiro hit, Tocomcuruba, uma balada deprê-animada sobre micoses de pele, conquistou o sertão e agora ameaça chegar ao mar. O clique destemperado e possuidor de rara maciez é do poético Messias Jardan.

março 14, 2008

Dia Internacional do Rim passa batido

Instituído para homenagear o aniversário do rim, o Dia Internacional do Rim deste ano foi um pouco mais animado do que de costume, embora ninguém tenha notado. Por todo o mundo, o 13 de março foi marcado por eventos sociais e ações coordenadas para chamar atenção para o fato de que quase ninguém sabe onde fica o rim. Entre uma pedra e outra, Ressaca Moral cobriu alguns dos mais eventos importantes pelo Brasil.

Crato (CE) - Liderado por Neguinho do Rim, o grupo circense Rim é o Melhor Remédio realizou sua tradicional apresentação no centro da cidade. Com a ajuda de voluntários que passavam pelo local, a trupe encenou de forma descontraída o “golpe da banheira”, em que incautos são envenenados e têm um dos rins roubados após dormirem em uma banheira cheia de gelo. Elielton Maués, 26 anos, faleceu no local após ter seu rim esquerdo retirado. Neguinho do Rim minimiza o incidente: “Todo mundo tem dois rins, como eu ia saber que esse cara só tinha um?”, brinca.

Mossoró (RN) - Sempre à frente de seu tempo, o MIT (Mossoró Institute of Technology) aproveitou a data para anunciar que pesquisa o desenvolvimento do terceiro rim. Embora já possuam a tecnologia necessária para implantá-lo, os pesquisadores ainda não sabem como lidar com a cobaia Roberval, o primeiro brasileiro a receber o rim extra. “Ele fica roubando minha água e mijando no laboratório”, explica o nefrologista Lupércio Vrikt. “Cara chato”, conclui.

Rocambole (MA) - Com a doação de 135 milhões de reais da prefeitura, a organização não-governamental NEFRO? (Não Estamos Furtando Rins, Ok?) exibiu o espetáculo "Eu Vou Até o Rim". Através de coreografias inspiradas no funcionamento do sistema excretor, a ONG mostra à sociedade que seus integrantes não roubam rins, já que a entidade ainda não dispõe de contatos entre traficantes de órgãos.

Rio de Janeiro (RJ) - Milhares de rins da URINA (União dos Rins Autônomos) se vestiram de branco e entoaram a canção "Menino do Rim" para dar um basta à violência da Nova Schin – a sociedade Viva Rim estima em oito milhões o número de rins desaparecidos por causa da cerveja. Faixas e cartazes exibiam os dizeres “O Rim continua lindo”. Houve tumulto e os policiais atiraram pedras nos rins, que sofreram muito e precisaram se submeter a uma espera de oito horas no SUS.

Hermógenes Caladinho
Hermógenes Caladinho foi um dos populares que prestigiou a XXIV Rim, Ri e Renci, em São Paulo. Em uma das barracas de serviços gratuitos, Caladinho tatuou o nome da namorada no próprio rim, já que não havia mais espaço disponível na pele. O clique nefrológico é de Messias Jardan.

Colaborou Rafael Guedes

fevereiro 19, 2008

Imprensa mundial repercute pití de Fidel

Clipping heroicamente produzido por Doda Vilhena e Paulo Guedes

Planeta
"Morte de Fidel Castro é anunciada para 2010"

Quatro Rodas
"Revelado novo Fidel com motor 1.4"

Revista Saúde
"Fidel Castro: cozido, mexido ou cru?"

Casa Claudia
"Como utilizar um Fidel Castro para aproveitar a luz do sol"

Seleções
"A emocionante história do garoto que passou trote para Fidel Castro"

Superinteressante
"Há 60 milhões de anos um asteróide quase acabou com os Fidels"

Nova
"63 maneiras de conquistar o seu próprio Fidel Castro"

Atrevida
"O que fazer quando ele mostrar o Fidel pra você?"

Playboy
"Tiramos o uniforme e revelamos as barbas do ditador!"

Lance
"W.O. tira Fidel do campeonato"

Folha Universal
"Satanás perde mais uma"

UFO
"Mancha barbuda vista no céu do Pará pode mesmo ser Fidel Castro"

Boa Forma
"O último comunista explica como manter a forma comendo apenas criancinhas"

Folha de São Paulo
"Infográfico: entenda Fidel"

Veja
"O fim do monstro barbudo"

Caras
"Eliana e Fidel: novo casal é flagrado em Angra"

ressaca_fidel3.jpg

Após a renúncia de Fidel Castro, o novo síndico cubano deve ser Preta Gil Castro, irmã do ex-ditador que vivia em Miami e recentemente passou por uma operação para ficar mais parecida com Michael Jackson. O bariátrico momento foi registrado pelas flácidas lentes de Messias Jardan.

dezembro 5, 2007

Expressões que você deve evitar II – o ambiente corporativo

“Nosso objetivo pode ser resumido em três palavras: crescer, crescer e crescer”
Repetir três vezes a mesma palavra quando você avisou antes que irá citar três palavras é uma das coisas mais idiotas para se fazer no ambiente corporativo. Se você achou que ia ser engraçadinho, surpreender, ganhar moral com seus subordinados, errou feio. Sua idéia não parecia ruim: “Vou avisar que tenho três palavras para citar, assim eles ficam mais atentos. Repito a mesma palavra que é pra fixar bem na cabeça deles” – mas fracassou: não tem nada de original, é previsível e pedante. O pessoal pode até ser preguiçoso, mas não é trouxa; pode até ser puxa-saco, mas ninguém tem paciência pra forçar sorriso amarelo em reuniões enfadonhas. E de qualquer forma todo mundo sabe que o objetivo da empresa é crescer, ora bolas. Da próxima vez, ou você escolhe bem as tais três palavras ou esquece essa reunião inútil e deixa o pessoal trabalhar. Assim, quem sabe, a empresa cresça mais.

“Senhores colaboradores, por favor queiram estar se dirigindo ao salão nobre onde vai estar ocorrendo uma grande videoconferência”
O leitor mais escolado possivelmente balançou a cabeça e concordou que “queiram estar se dirigindo” ou “vai estar ocorrendo” são faltas graves – mas reclamar de gerundismo já é chutar cachorro morto. A questão aqui é outra, que parece passar em branco no cotidiano: de onde foi que o pessoal do RH tirou que os funcionários preferem ser chamados de “colaboradores”? Colaborador é o infeliz que manda um texto para o Ressaca Moral e fica torcendo para que ele seja aceito – sem receber nada em troca, a não ser uns comentários maldosos. Colaborador é o cara que fecha a torneira enquanto escova o dente para não aumentar o gasto com água. Colaborar é ajudar, cooperar, mas não envolve necessariamente remuneração. Nós, que batemos ponto aqui todos os dias e fazemos questão de receber nosso salário no quinto dia útil, somos trabalhadores. Empregados. Funcionários. Mão-de-obra. Operários. Proletários. O que você quiser, mas “colaboradores”, por favor, não.

“A toda a família Irmãos Gleydson S/A, um feliz ano novo”
Família uma ova. Não é porque nos vemos todos os dias e temos que nos tolerar que somos uma família. Ainda que você trate mal seus funcionários, que provoque intrigas entre pessoas do mesmo setor, que tenha preferência por uns em detrimento dos outros, que seja incoerente em relação a suas cobranças, ainda assim, eles não são parte de sua família. E nem querem ser. A menos que você pretenda encaixá-los em algum lugar de seu testamento.

dugusmavlad.jpg
Arlindo Rodrigues Dugumasvlad (primeiro à esquerda) abriu uma empresa inovadora para tunar carros. Contratou 3 colaboradores e decidiu tratar a todos como uma verdadeira família. Em um ano de empresa, Dugumasvlad conseguiu três coisas: falir, falir e falir. O clique envenenado é de Messias Jardan


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Expressões que você deve evitar

outubro 20, 2007

Bandas politicamente corretas que não deram certo

Por Paulo Guedes & Rafael Guedes

The Ianomâmis - A primeira banda indie indígena tem formação multiétnica - cada integrante vem de uma tribo diferente. Akerê (vocal), U'hunrú (guitarra, zarabatana), Kurumã (baixo, chocalho), Ybity-Exá (bateria, curimbó) e Jefferson (filmadora) alcançaram sucesso instantâneo no final dos anos 90, quando fechavam rodovias no Norte do País para protestar contra a falta de verbas para invadir terras improdutivas. Hits como "Yumamamanãa Ko Toteruaçu" ("Sting, vai procurar tua turma") e a divertida "Uyumarãka Nhe'engatu" ("Vovô aposentou o arco-e-flecha") levaram platéias ao delírio em shows que invariavelmente terminavam com o sacrifício de um curumim para o Deus Sol. No início da década, a banda mergulhou em uma sombria atmosfera de alcoolismo e drogas como a ayahuasca e o caroço de jerimum. A experiência transcendental deu origem a "H'uananaã" ("O lado preto da lua"), primeiro e último álbum conceitual dos Ianomâmis. Executado sobre o filme "O Mágico de Oz", o disco revela a receita da farinha de tapioca. O grupo encerrou as atividades pouco depois de gravar o disco por não conseguir pagar em dia os carnês do ECAD, do Ibama e da Funai.

Cansei de Ser Explorada - Sete simpáticas mães paulistanas fundaram a banda para cantar as angústias de trabalhar fora, limpar a casa, cuidar dos filhos e ainda ter tempo para seus maridos. Formado por Estela (vocal e roupas), Edilene (guitarra e almoço), Elizete (baixo e baralho), Marli (bateria e passeios no domingo), Dona Sônia, Rosângela e Fátima (backing vocals, reuniões de pais), o septeto inovou subindo aos palcos sem jamais ter ensaiado. "Nunca tivemos tempo", explica a líder Estela. Seus shows tinham duração máxima de quinze minutos, porque as integrantes ainda precisavam pegar dois ônibus e um metrô pra voltar pra casa. Fátima revela curiosos bastidores do clipe de "Panela de Pressão", hit em que protestam contra a correria do dia-a-dia: "Aquele feijão que aparece era de verdade. Quando acabou a gravação do clipe levei pros meus filhos comerem. Tava todo queimado, meu marido armou uma confusão", diverte-se. O ritmo frenético do mainstream acabou por decretar o fim da banda: as mamães roqueiras vinham se sentindo cada vez mais exploradas pelo circuito do rock'n'roll.

Renato e Seus Green Peaces - Quem disse que amor não combina com devastação, sequestro de carbono e efeito estufa? Embalados pelo derretimento das calotas polares e com um discurso engajado, os caras do Renato e Seus Green Peaces chamaram a atenção da comunidade mundial para o fato de serem muito chatos. Realizado a bordo de um helicóptero alvo de bombardeios de uma empresa produtora de soja da Amazônia, o primeiro show da banda virou hit na Polícia Federal, que prendeu todo mundo e utilizou métodos práticos de fazer falar a verdade.

E na semana que vem!

- O pessoal do Arctic Mico Leão invade São Paulo
- O trágico final do Que Fim Levou o Mogno?
- Bonde do Rolê diz não ao transporte clandestino
- Marcos Frota: "Quero conhecer Bono Vox"
- Cidadania: Engenheiros do Hawaii tiram o CREA 20 anos depois
- Inimigos do Rei desmentem desentendimento com Roberto Carlos

txucaramaes2.jpg
Presidente do Txutxucarramães, maior fã clube do The Ianomâmis, Ynhangerê ameaçou devorar a cabeça de um pássaro dócil e visivelmente entediado durante apresentação da banda na reserva Xingu, caso o grupo fosse realmente terminar por falta de grana. Desesperado, Ynhangerê vendeu uma picape e doze aparelhos de DVD que mantinha em sua oca e doou todo o dinheiro para os músicos. Poucos dias depois, os integrantes se mudaram para a casa de praia de Sting. O clique inconsolável é de Messias Jardan.

agosto 22, 2007

Grande Mapa Cartográfico da Música Brasileira (GRAMACARMUBRA)

excerto-mapa.jpg

Inspirado no que fez o cartunista Dahmer em seu mapa gerador de quiprocós, recalques, picuinhas e dores de cotovelo, Ressaca Moral realizou a cartografia definitiva até que se prove o contrário da música contemporânea brasileira. Baseado em raivinhas pessoais, o mapa reflete algumas realidades:

- As Geleiras do Esquecimento são locais onde a sobrevivência humana é insuportável;
- Fenômenos como o El Dinho não são levados em conta na composição do mapa;
- O Efeito Desestufa transformou radicalmente o arquipélago da Fat Family;
- Pedimos gentilmente ao pessoal do Google Maps que não insista mais com propostas ao site;
- Falta muita gente no mapa, como falta muito amor no mundo, portanto paciência;
- O mapa não leva em conta quem morreu, quem está vivo ou quem está na ativa, porque no fim das contas nem a gente sabe.

Por Rafael Guedes & Paulo Guedes

maio 21, 2007

Gol mil meu, gol mil de todo mundo

RÉGIS
A Globo ainda não sabe o que fazer com os 12 clones de Régis Resing, adquiridos exclusivamente para cobrir o milésimo gol de Romário.

RÉGIS II
A emissora carioca teria contratado também um grupo de psicólogos para acompanhar o Régis Resing original. Teme-se que, após narrar o gol mil do baixinho — o momento mais alto da carreira de ambos —, Régis entre em depressão por jamais conseguir atingir o mesmo prazer novamente.

RÉGIS III
Desmentidos os boatos de que Régis Resing seria feito por computação gráfica. Mas os rumores de que suas reportagens seriam criadas por um gerador automático de rimas ainda estão sendo investigados.

TURISMO
O presidente vascaíno Eurico Miranda promete transformar o Gol Mil em ponto turístico. As obras já estão adiantadas: uma réplica perfeita de São Januário está sendo construída no quintal da casa de Eurico. 20 mil torcedores coadjuvantes irão receber 10 reais por semana para gritar gol e invadir o campo sempre que Romário (Gero Camilo) bater o pênalti fatídico.

EM EVIDÊNCIA
O Vasco estaria providenciando outro atacante que tem cerca de 990 gols: torcedores da cruz-de-malta ficaram mal acostumados com a superexposição na mídia.

META
Pessoas próximas garantem: Romário não sossega. O baixinho da Penha vai agora atrás do milésimo filho.

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Messias Jardan eternizou o momento exato em que o baixinho bate o pênalti consagrador. O jogador nega que tenha contado com a ajuda de algum montinho artilheiro. “Eu sou craque, valeu?”, explica.

maio 13, 2007

Visita de Bento 386 emociona o país

Gente das mais variadas idades e classes sociais por todo o Brasil tem se emocionado diariamente com a presença de Bento 386, o papa que visita o país em turnê pela América Latina. Sempre alegre, bem disposto e condenando o aborto, Bento 386 demonstra grande emoção no contato com o povo brasileiro — em especial no contato com os adolescentes branquinhos, de cabelos negros e lisos. “Viajei o mundo e conheço todas as línguas”, comenta 386 informalmente com nossa reportagem. “Mas nada como as daqui. A platéia brasileira é realmente maravilhosa”, arremata.

Se mesmo Bento 386, já acostumado com o sucesso e a histeria dos fãs, derrama lágrimas ao falar do público tupiniquim, não supreende que o povo brasileiro, famoso por sua espontaneidade, cometa loucuras para chegar perto do líder religioso. As histórias contadas por todo o país impressionam.

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abril 26, 2007

Cromoterapia aplicada ao marketing

A Casa Q-ui-t-e-r-i-a (leia-se Casa Quitéria), de Belém do Pará, inova e dá uma lição de marketing aos publicitários que se acham antenados demais só porque criam campanhas virais. Aliando o uso de todas as cores disponíveis no arco-íris — exceto o amarelo, que é sinal de mau presságio na milenar tradição publicitária — com um criativo jogo de palavras, aumentou sua receita com a venda de vales-transporte em 2.500% no último ano fiscal. Doda Vilhena, publicitário que teve o currículo recusado pelo departamento de marketing da Casa Quitéria em pelo menos três ocasiões e hoje vive de bico escrevendo em blogs, está morrendo de inveja da campanha e resolveu comentar o assunto.

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Foto: Paulo Guedes. Direção de arte: Messias Jardan. Roteiro: Casa Quitéria.

abril 23, 2007

Clipping: o mundo comenta a morte de Boris Yeltsin

MÉDICO QUE FAZIA AUTÓPSIA DE BORIS YELTSIN É INTERNADO APÓS ENTRAR EM COMA ALCOÓLICO; ESTADO É GRAVE
The Grvlдsdoиtdok кардридер News (Moscou)

RISCO DE EXPLOSÃO IMPEDE QUE CORPO DE BORIS YELTSIN SEJA CREMADO
The Funeral (Londres)

AÇÕES DE FABRICANTES DE VODKA DESPENCAM APÓS MORTE DE BORIS; DEZOITO FÁBRICAS FECHAM AS PORTAS E 300 MIL SÃO DEMITIDOS
Horror Today (Ucrânia)

EM HOMENAGEM PÓSTUMA, ALCOÓLICOS ANÔNIMOS DA RÚSSIA (AAAURRR) ELEGEM BORIS COMO MASCOTE
O Ébrio (Vladivostok)

BORIS SE NEGA A FAZER O TESTE DO BAFÔMETRO E É IMPEDIDO DE ENTRAR NO CÉU
Folha Universal (Éden)

EM NOTA OFICIAL, PRESIDENTE LAMENTA PERDA DE COMPANHEIRO DE COPO
Diário Extra Oficial da União (Mossoró)

FAMÍLIA YELTSIN FICA MILIONÁRIA EM POUCAS HORAS COM VENDA DE GARRAFAS DE VODKA RECICLÁVEIS
Универсальный Almanack (полноценный флагман)

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Um fanfarrão incorrigível, Boris era adorado por todo o elenco do Ressaca Moral, blog que conheceu enquanto procurava na internet soluções caseiras para enfrentar a ressaca. Em festas memoráveis que reuníam a nata do blog na casa de Tylon Maués em Moscou ― "que piorou muito depois que baixaram o preço da passagem de ônibus", destila ― Boris era sempre o primeiro a chegar e o último a sair. Na última delas Boris estava indisposto e por isso bebeu apenas 6 litros de vodka Natasha. O clique embriagado é de Messias Jardan, que teve um mal estar e desmaiou. Keep walking, Boris.

janeiro 13, 2007

Roupa Nova faz show beneficente para vítimas do buraco

Marginal Pinheiros (SP) — A banda vitalícia Roupa Nova será a primeira das muitas atrações programadas para o festival que deve arrecadar fundos para as vítimas do buraco que se formou em São Paulo. Organizadores do evento explicam que, diante de tragédia sem paralelo na engenharia civil brasileira, foi necessário organizar tudo às pressas. “Aí não teve jeito, só tinha a Rita Cadillac e o Roupa Nova. Preferimos o pessoal do Roupa [Nova], que cobrou cachê bem mais baixo”, admite Joseph MacNamara, síndico do buraco. A organização programa também um desfile de Dercy Gonçalves vestida de Viúva Porcina, personagem da novela Roque Santeiro bastante associada a uma das canções da banda. Dercy aguarda apenas liberação de seu médico para participar da festa. “O filho da puta tá enrolando com meu exame de diabetes faz um caralho de tempo. Mas foda-se, se ele barrar eu vou pra essa porra assim mesmo”, ameaça a longeva atriz.

matt.jpgDercy: “Buraco é comigo mesma”
Embora a formação do buraco ainda não seja assunto esclarecido — tudo o que se sabe é que ele engoliu alguns distraídos que passeavam pelo local — os integrantes do Roupa Nova acreditam que seu show deverá ajudar de forma decisiva as vítimas do acidente. “De que adianta buscar culpados? O que importa é a beleza do amor. Não há pedras no caminho, não há ondas no teu mar. Não há vento ou tempestade que te impeça de voar”, acredita Jason Richard, roadie recém-contratado pela banda em regime de experiência.

Cantando juntos há décadas, tendo percorrido todos os rincões do País, os integrantes do Roupa Nova refutam as acusações de que tenham aceitado participar do evento “só pra tirar um troco”, como alegam alguns moradores do buraco contrários à sua contratação. “Nossos corações são muito maiores que nossos bolsos”, afirma um dos dezesseis tecladistas do grupo. A maior parte do público, entretanto, não está preocupada com questões financeiras. “Adoro novela, adoro o Roupa Nova. Eu tatuei na minha batata da perna a letra daquela música ‘nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia’, sabe?”, empolga-se a dona de casa Miriam Uq, sócia remida do Clube dos Fã-Clubes de São Paulo. Miriam, que atualmente não tem onde morar, já que sua casa foi engolida pelo buraco, considera-se “realmente feliz” pela oportunidade de ver o Roupa Nova tocar. “Se cada buraco que se formar eles vierem, isso aqui pode virar um queijo suíço que eu vou adorar”, brinca, enquanto exibe as fraturas expostas causada pelos tremores ocorridos durante a formação do buraco.

Serviço:
Apresentação da banda Roupa Nova
(presença ainda não confirmada da atriz Dercy Gonçalves)
Dia 14 de janeiro, dentro do buraco (cerca de 38 metros de profundidade), às 8:00
Ingressos: R$ 4,50
Promoção: Moradores do buraco que provarem que sua casa foi destruída pagam apenas R$ 1,50
Obs: levar capa de chuva

matt.jpg
Rodrigo Santoro, astro catapultado do Projac para Hollywood, não se fez de rogado e já garantiu presença no Festival do Buraco. “Pelo menos nessa festa sei que não vão me barrar”, brinca. Na foto, Santoro toma chá de sirigüela durante a pausa na busca por sobreviventes. “Não encontrei ninguém. Foi bom, porque também não precisei falar nada”, explica. O clique das profundezas é de Messias Jardan.

novembro 10, 2006

A nova internet brasileira

Como será a internet do senador Eduardo Azeredo.

Agradecimento ao Rubens.

agosto 31, 2006

Crescimento de Eymael anima comitê de campanha

Plutão - A semana começou agitada no quartel general do PSDC, partido do candidato à presidência José Maria Eymael. A notícia que movimentava dez entre dez rodas de conversa — embora o comitê tenha apenas três funcionários — era a do fabuloso crescimento das intenções de voto no candidato. De acordo com as pesquisas mais recentes, Eymael saltou de 0,2% para 0,4% em apenas sessenta dias. O candidato, que tem o apoio das Organizações Ressaca Moral, anda animado. “Nunca estive tão bem numa eleição”, comemora.

Pelas ruas das cidades brasileiras, a notícia ecoa e dá nova feição à campanha presidencial. “Há vinte anos voto no Eymael pra tudo. Dessa vez vai”, acredita a dona de casa Solange Fifi, de Diadema, na Enorme São Paulo. “A música dele nunca muda, é a única que eu consigo aprender. Ê, ê, Eymael...”, cantarola. Em Mossoró (RN), um showmício atravessou a tarde e reuniu cerca de 18 pessoas em apoio a Eymael. O agricultor Vladisvlak José, que caminhou por cerca de doze horas de sua lavoura até o centro da cidade para ouvir as propostas do candidato, é um dos eleitores que optou por Eymael. “Andei pra peste pra ver o cabra falar”, diz, emocionado. “Eu pensava que ele era o Moacir Franco. Mas já que eu vim até aqui vou votar nele”, garante.

Em Altamira (PA), o comício de Eymael durou pouco mais de dez minutos. No final, quando o candidato se colocou à disposição para perguntas sobre seu programa de governo, uma dona de casa protestou. “Ele tá usando uma meia marrom e uma preta”, apontava Hercilourdes Frias, 75 anos. Já a aposentada Basiléia Gibraltar, 82 anos, aplaudia cada gesto do candidato. “Bote fé no velhinho, o velhinho é demais”, cantava. A animação ficou por conta do show dos irmãos mímicos Otacílio e Jesus Clay, foragidos de uma cadeia em Manaus. “Nós vamos votar no Eymael. Ele é um homem bom”, diz Otacílio. “A gente não tem dinheiro nem lugar pra dormir. O pessoal do ônibus do Eymael pelo menos dá batata frita pra gente. Ele vai fazer muito mais pelo Brasil”, aposta Jesus Clay.

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Por todo o Brasil, dezenas de pessoas organizam festas em apoio a Eymael. Em Mucuralândia (SE), a descontração dos militantes chamou a atenção de Messias Jardan, que está indeciso entre Luciano Bivar e José Maria Eymael.

maio 10, 2006

Dercy Gonçalves faz greve de bom senso em apoio a Garotinho

Purgatório (RJ) - Às vésperas de entrar no livro dos recordes ostentando o título de idosa mais desbocada do mundo, a centenária atriz Dercy Gonçalves deixa de lado o bom senso que lhe é peculiar e, em apoio a Anthony "O Faquir" Garotinho, ameaça se vestir de noiva. Mesmo depois de quase um século de sacanagem, Dercy Gonçalves garante se sentir à vontade trajando as vestes associadas à castidade. "Ah, caralho, essas vagabundas de hoje casam tudo arrombada (sic), porque eu não posso?", questiona a musa da oitava idade. Nem a malícia de seus netinhos, que a apelidaram de noiva-cadáver, a fizeram mudar de ideía. "Eu encho esses pivetes filhos da puta de porrada que acaba a putaria", brinca.

noiva-cadaver.jpg
Dercy, a noiva-cadáver, não poupa elogios a seu vestido de noiva. "Essa porra tá do caralho!", comemora entusiasmada. O clique fúnebre é de Messias Jardan.

maio 9, 2006

Expressões que você deve evitar

“Meus dezessete leitores” – Essa é uma expressão marota, metida a engraçadinha, que no fundo quer dizer algo como “sei que não tenho tanta audiência assim, mas um dia chego lá”. Perdeu a graça que tinha no início e hoje não passa de uma bobagem pretensiosa. Afinal de contas ninguém perderia tempo escrevendo para apenas dezessete pessoas e, francamente, não há escritor que aceite orgulhoso o triste fato de que a internet tem milhões de usuários e somente dezessete deles se dão o trabalho de lê-lo. Referir-se aos seus leitores, sejam dezessete, sejam 500, como “meus dezessete leitores” é uma falta de respeito. Mais ainda: falta de criatividade. Também é mesquinho, pois significa que você está o tempo todo aferindo com precisão (ou fingindo aferir) a medida de seu sucesso. Deixe essa tarefa pro Gugu. Por fim, é completamente sem graça. Se você pensa que as pessoas riem ao ler isso está redondamente enganado. Fuja dessa expressão. Prefira algo como “meus bilhões de leitores”; além de cínico é mais divertido. Ou, melhor, esqueça a quantidade de leitores e concentre-se em escrever. Você pode.

“A rede mundial de computadores” – Ora, faça-me o favor. Alguém que, a essa altura, não conhece o significado da palavra “internet” provavelmente não sabe nem ler. Expressão ainda bastante utilizada por revistas semanais, ao invés de informar subestima os leitores. Sem contar que é desnecessária, já que não se fala em, por exemplo, “rede brasileira de computadores”. Da mesma forma que não se vê expressões como “o aparelho que transmite imagens” para explicar o que é um televisor, o fim do “a rede mundial de computadores” já devia ter sido decretado há bastante tempo.

“O Orkut já registra 398 comunidades sobre o assunto” – Sabe-se lá porque, a mídia largou de mão o Ibope e outras ferramentas mais confiáveis para citar exclusivamente o número de comunidades no Orkut para medir a popularidade de qualquer coisa. Talvez porque seja mais barato. Ou porque dá menos trabalho. Ou, ainda, porque os repórteres passam o dia acessando o Orkut e não conseguem falar de outro assunto. Seja como for, o Orkut não serve de base para estatísticas sobre absolutamente nada. Recheado de falsos perfis, personagens fictícios e usuários engraçadinhos que teimam em dizer que nasceram no Camboja, falam iídiche, seguem a cientologia e não perdem o programa Vídeos Incríveis, o Orkut é um antro de desinformação e dados estatísticos fantasiosos. Matérias que confiam no site não merecem um pingo de confiança.

Faça como Romeu Orlando
Romeu Orlando Macambira possuía um blog na internet, a rede mundial de computadores, em que falava sobre sua operação de redução de estômago e sempre fazia a gracinha de citar seus “dezessete leitores”. O blog era um fracasso, e Romeu desistiu definitivamente dele quando descobriu que tinha apenas quatro leitores. Desde então, faz contorcionismo em sinais de trânsito e já possui mais de dezessete admiradores. No Orkut não há nenhuma comunidade dedicada a ele. O clique acrobático é de Messias Jardan.

março 20, 2006

Torcida organizada estréia gritos politicamente corretos

Mossoró (RN) — Nesses tempos de guerras infindáveis entre torcidas organizadas, racismo no futebol e violência dentro e fora de campo, a torcida organizada Sangue e Ódio Tetracolor, gigante das arquibancadas nos jogos do Sociedade Esportiva Clube Mossoró Sport Regatas, o Mossorão das Araucárias, deu o exemplo e mudou radicalmente suas atitudes durante as partidas do clube.

Após acalorado debate que culminou com uma pancadaria entre a oposição e a atual diretoria, os dirigentes da torcida decidiram mudar seu nome e modificar seus gritos de guerra — agora chamados de “Incentivos Exaltados” — para aliviar a pressão sobre o time, evitar confrontos com torcedores rivais e tornar o futebol um esporte muito mais justo e empolgante. A antiga Sangue e Ódio Tetracolor, que hoje atende por “Carinho e Paciência Tetracolor”, apresenta ao público os novos incentivos com os quais pretende conscientizar a massa de torcedores brasileiros.

“Á, á, á, á,
Não tem problema
Se o time não ganhar”

“Ê, ê, ê, ê,
O adversário é osso
Duro de roer”

“Í, í, í, í,
Eu não me importo
O importante é competir”

“Ó, ó, ó, ó,
Sou otimista
Mas que vença o melhor”

“Ú, ú, ú, ú,
E se perder
Eu que não fico jururu”

Além destes, outros incentivos foram criados com base em adaptações de gritos de guerra famosos e utilizados por outras torcidas.

Grito antigo:Novo incentivo:
“Sou
Da Gaviões eu sou
Vou dar porrada eu vou
E ninguém vai me segurar
Nem a PM!”
“Sou
Tetracolor eu sou
Carinho e amor eu dou
E quem quiser pode chegar
Até PM!”
Grito antigo:Novo incentivo:
“A Força Jovem
Pequeninha
Leva porrada
E cabe dentro de um Fusquinha”
“A Força Jovem
Sensacional
Quando eles chegam
O jogo fica mais legal”
Grito antigo:Novo incentivo:
“Puta que Pariu
Cadê a Jovem Flu
Ninguém sabe
Ninguém viu”
“Nossa, caramba!
O pessoal da Jovem Flu
Ficou em casa
Descansando”

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A Carinho e Paciência Tetracolor incentiva o esquete do Mossorão em mais uma partida decisiva do campeonato municipal. Messias Jardan, que praticava o futebol de várzea quando era rapazote e virou casaca depois da adolescência, garantiu o clique moleque.

março 8, 2006

As piores coisas pra se dizer no Dia das Mulheres

“Mulheres, obrigado por existirem”. Essa é uma das maiores bobagens pra se dizer pra qualquer pessoa. Não faz o menor sentido agradecer a alguém por algo completamente involuntário. Elas existem e pronto. Além disso, agradecer a existência das mulheres é o mesmo que dizer que elas só existem para agradar você e mostra o quanto você é machista.

“Todo dia é dia da mulher”. Quem você pensa que é pra contestar uma convenção mundial, meu amigo? Se você diz isso pensando em agradar as mulheres, errou feio. Em primeiro lugar, porque você jamais se lembra de homenageá-las todos os dias. E, cá entre nós, isso seria um saco. Em segundo lugar, esnobar um dia criado especificamente para presenteá-las enfatiza seu lado mão-de-vaca e egoísta.

“Mulheres, eu não seria nada sem vocês”. À exceção da sua mãe e de uma ou outra professora do primário, é pouco provável que aquilo que você é ou deixa de ser tenha a ver com as mulheres. Atribuir ao sexo feminino ou à ausência dele seus fracassos pessoais mostra o quanto você é uma pessoa dependente, insegura e, acima de tudo, cínica.

“Desejo a você um feliz dia das mulheres”. Desejar um dia feliz é muito fácil, mas o que você fez de concreto pra isso? Absolutamente nada. Sua atitude não poderia ter sido mais cínica e aproveitadora: se o dia da mulher em questão for ruim, você alegará que fez sua parte desejando um dia feliz. Se o dia dela for bom, os méritos são seus, não é mesmo? Agindo assim você demonstra toda a preguiça e esperteza de sua mente doentia.

“Dia da mulher: Maria quedava-se aos pés do Senhor ao ouvir-lhe os ensinamentos” Lc10:39b. Como é que é? Quem você pensa que está homenageando com isso?

fevereiro 17, 2006

Manifestações que não deram em nada e por isso ninguém se lembra

A Terrível Greve de Fome - Mossoró (RN) 1977
Castigados por uma seca que já durava dois anos, Jessié, Jedeão, Jérson, Jeremias, Jênesis e Pablo, caçulas de uma família de dezoito irmãos, anunciaram que protestariam contra o descaso do poder público fazendo greve de fome sem tréguas até que alguém os alimentasse. Entoando o grito de guerra "Não quero nem saber / Passo fome até morrer", os seis irmãos chocaram os habitantes da cidade, que estavam mais preocupados em andar 100 km até a cidade mais próxima atrás de água e achavam aquilo tudo uma falta do que fazer. A greve acabou subitamente 40 dias após seu início quando uma terrível tempestade inundou o barraco onde a família morava. Todos morreram afogados e famintos.

A Assustadora Batalha do Tráfico - Rio de Janeiro (RJ) 2002
Irritados com a péssima mania carioca de fazer intermináveis passeatas pedindo paz, um grupo de traficantes do movimento "Chora que eu Rio" que brigava pelo direito de praticar o livre comércio de drogas nos morros da cidade entrou em conflito com um grupo de manifestantes pró-paz que insistiam na tese de que o tráfico é a causa da violência e prejudica o turismo. Armados com pedras, paus e facões, os pacifistas enfrentaram os traficantes desarmados durante várias horas. A pancadaria terminou quando alguns dos pacifistas passaram a encomendar maconha com os traficantes. Ambos os lados se declararam vitoriosos: os pacifistas por fumarem o cachimbo da paz e os traficantes por fornecê-los.

O Estrondoso Festival de Samba - São Paulo (SP) 1995
Anos suportando brincadeiras e piadas maldosas sobre seu pouco traquejo para dançar incitaram a revolta do grupo "Samba, Sampa, Samba Já", que organizou um grande festival com o objetivo de mostrar ao mundo que o túmulo do samba é coisa do passado. A festa reuniu cerca de duzentos manos e minas e contou com a participação de grupos de rap da periferia. Cerca de duas horas após o início, entretanto, o festival precisou ser cancelado porque ninguém se inscreveu para o concurso de samba-enredo e duas mulatas quebraram a bacia tentando imitar a Globeleza.

O Profano Ataque Terrorista - Belém (PA) 1984
A rivalidade entre amazonenses e paraenses chegou ao seu limite quando os amigos Otacílio e Jesus Clay saíram da periferia de Manaus em um ônibus com destino a Belém para tirar do papel seu plano terrorista: passar cerol na corda utilizada para proteger a imagem da Santa durante o Círio de Nazaré. Para realizar a empreitada sem despertar suspeitas, Otacílio e Clay alugaram uma casa em Belém e montaram uma venda de açaí para servir de fachada. Durante três semanas, moeram dezesseis toneladas de vidro e produziram vinte e dois mil litros de cola artesanal na falsa loja. Dois dias antes do Círio, contudo, um grupo de jovens turistas de Manaus que promovia pequenos atos de vandalismo em Belém confundiu Otacílio e Jesus Clay com caboclos paraenses e os espancou até a morte, impedindo involuntariamente o ataque terrorista.

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Messias Jardan adora uma festança e por isso não perde o carnaval de São Paulo, onde fotografou essas duas belas passistas.

dezembro 22, 2005

Delegado Maria Bethânia dá lição de moral em jogador argentino

Aeroporto Irmãos Wright (RJ) — De volta das merecidíssimas férias de quatro meses, muito bem curtidas no litoral de paraísos fiscais e em cassinos americanos, o delegado Maria Bethânia, o Betão, mostra que está mais ativo do que nunca em sua incansável caçada aos criminosos. Passados apenas vinte dias do retorno ao batente, Betão já encontrou serviço. Ao lado de Jussara, seu fuzil AR-15 que bate um bolão, o delegado se deslocou para o Rio de Janeiro para investigar a denúncia anônima de que um argentino estaria no Brasil.

“Pode ser em São Paulo, em Mossoró, na p... que o pariu. Onde tem argentino é só me ligar que eu vou atrás”, avisa o delegado. “Mas é claro que eu preferia que fosse no Rio, porque lá eu posso levar a Jussara pra conhecer umas amiguinhas”, brinca o delegado, que está sendo investigado por seus colegas cariocas da Polícia Federal por envolvimento com o tráfico.

Ao desembarcar na capital da bala perdida, o delegado Maria Bethânia, o Betão, imediatamente foi levado a um campo de futebol, onde um grupo de jogadores aposentados improvisava uma pelada com a participação de Maradona, o jogador mais desintoxicado do futebol argentino. Disfarçado de torcedor fanático, Betão aguardou o fim da partida para surpreender Maradona e detê-lo. A estratégia falhou, contudo, porque a torcida organizada “Fúria Sanguinária” confundiu Betão com um bandeirinha e o delegado escapou do linchamento por muito pouco. “Foi uma cagada, precisei dar uns tiros pra cima”, lembra. O incidente causou um pequeno tumulto numa favela próxima ao local. Líderes do tráfico acreditaram que os tiros eram o aviso de que a polícia estava subindo o morro e iniciaram um breve tiroteio que durou seis horas.

Torcedores se impressionam com Maradona
Messias Jardan, que nunca gostou de futebol, fez o
clicaço da torcida organizada Chico Anísio Soccer
Show, admirada com o “crack” argentino
Ágil e experiente, Maria Bethânia, o Betão, aproveitou o tumulto para tomar um táxi e dirigir-se ao Aeroporto Internacional Tom Jobim — local onde, mais tarde, esmurrou e algemou Maradona. A ação violenta causou protestos do argentino, que revidou promovendo um quebra-quebra na sala de espera do aeroporto. “O moleque era arisco”, comenta o delegado. Com a ajuda de outros policiais, Maradona finalmente foi detido por desacato e conduzido à Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Orgulhoso, Betão avisa que não irá tolerar mais atitudes como a de Maradona. “É sempre um prazer combater o crime. Mas nada é melhor do que combater os argentinos”, sentencia Betão.

novembro 25, 2005

Fã-clubes que não deram certo

O fã-clube esquecido da Adryana e a Rapaziada

A euforia tomou conta de uma turma de 30 estudantes após a apresentação da banda de forró, música eletrônica, brega e axé Adryana e a Rapaziada em uma festa de formatura, e logo o "Fã-Clube Tudo Passa" distribuía dezenas de cartazes, fotografias autografadas, CDs piratas e outras bugigangas alusivas à banda pela noite de São Paulo. Uma semana após sua criação, entretanto, o fã-clube foi desfeito pois seus membros não se lembravam mais porque estavam se reunindo.

O fã-clube reflexivo dos Los Hermanos

Barbudos, carrancudos e aborrecidos, um grupo de amigos de Mossoró-RN montou um dos clubes mais carismáticos de admiradores da banda carioca Los Hermanos. No QG improvisado em uma antiga plantação de cactos, os "Los Hermanossorós" ouviam discos da banda, criavam palíndromos, pesquisavam poesias e protestavam contra a vida. O fã-clube foi sumariamente fechado pelo próprio presidente quando ele, após refletir sobre a letra da canção Anna Julia, declarou que nem a música, nem os Los Hermanos, nem o fã-clube faziam sentido e mandou todo mundo ir pra casa.

O fã-clube perseguido da Jane Duboc

Formado por cerca de 8 garotas com idades entre 13 e 87 anos, e contando com uma infra-estrutura capaz de gravar 25 mil fitas K7 e imprimir 6 milhões de cópias de um caprichado fanzine por dia, o fã-clube mais bem organizado da cantora Jane Duboc foi obrigado a fechar as portas pouco antes de completar um mês de existência. O motivo, segundo a ex-presidente do clube, foi a perseguição da ditadura, que implicou com o nome "Clube das Duboquetes".

outubro 14, 2005

Radicais de esquerda fundam novo partido

A ala mais à esquerda dos partidos de esquerda brasileiros, que já não tolera mais o neoliberalismo do P-SOL e do PSTU, decidiu se reunir e fundar um novo partido, ainda mais esquerdista e radical, para defender seus interesses e expressar sua frustração com o governo Lula.

O P-TIRIASE (Partido dos Trabalhadores Irritados com a Roubalheira Infiltrada e a Administração Sem Ética) ganhou nesta semana a adesão de personalidades importantes, como o delegado Maria Bethânia, o Betão. “Quando eu soube que eles eram a favor da luta armada me filiei logo, já que com esse tal reverendo (sic) eu não vou mais poder atirar”. Outro que fez questão de se envolver foi o crítico de cinema e música Cruzmaltino Bandeco, que também escreve para o blog Ressaca Moral. Cruzmaltino era filiado ao P-SOL, mas resolveu largar o partido ao saber dos boatos que davam conta da filiação de Clodovil à agremiação. “Acho o Clodovil muito espalhafatoso e indiscreto. Ia me causar problemas”, declarou Cruzmaltino, que preferiu não entrar em detalhes a respeito de sua relação com Clodovil.

Recentemente, o partido recusou a filiação de celebridades por não seguirem a filosofia ou simplesmente por considerá-las inconvenientes. O cantor Serguei é um dos barrados no baile. Diretores do P-TIRIASE ficaram chocados depois que Serguei admitiu ser pansexual. “Ele é liberal demais”, esclarece Lita Ree, secretária xiita que só entrou no partido depois de muita insistência. “Pensavam que eu era cantora cover e ia encher o saco nas reuniões. Mas o nome é só uma homenagem infeliz que meus pais fizeram”, diverte-se Lita.

Projeto — O programa de governo com o qual o P-TIRIASE pretende brigar pela presidência já nas eleições de 2006 está praticamente formulado. Além de empunhar bandeiras tradicionais de esquerda, como o calote, a ojeriza ao FMI e a tradicional pausa para greves sempre que um feriado se aproxima, o P-TIRIASE também pretende mudar a geografia do Brasil para acelerar seu desenvolvimento. Um dos projetos mais ousados previsto no documento é a transposição do Oceano Atlântico para Brasília, que tornaria a cidade muito mais agradável para os parlamentares. Segundo o petiriasista Pedro Rocha, a obra é complicada, mas não é impossível. “Brasília tem o formato de um avião. Se projetarmos bairros em formas de turbinas nas asas norte e sul...”, sugere, sem completar o raciocínio. Pedro Rocha ficou famoso na década de 70 por ter sido detido mais de quarenta vezes por porte de maconha e LSD.

Serviço
A sede do P-TIRIASE fica em Mossoró-RN, na Passagem do Olho Murcho, sem número, altos e está aguardando a instalação de um telefone público nas redondezas. Não tem horário fixo de funcionamento.

julho 15, 2005

A semana do delegado

INFORME PUBLICITÁRIO

Segunda-feira, dia 11: De volta de La Paz, Bolívia, onde gerenciou a equipe responsável pela segurança do Bolívia Fashion Week, o delegado Maria Bethânia, o Betão, declara em coletiva que os bolivianos são "um pueblo hermano" e, em tom de blague, cospe no chão. "Me dá nojo falar que nem argentino", brinca. Após garantir mais um Bolifashion sem registro de qualquer incidente — "se aparecesse alguém pra registrar reclamação, eu fazia mudar de idéia rapidinho", afirma enquanto lustra Jussara, seu fuzil AR-15 que não reclama de altitude — o delegado não disfarça a saudade da cidade boliviana. "Vocês sabiam que lá eles mascam pó direto da folha?", recorda.

Terça-feira, dia 12: Após intensas negociações com alguns dos mais importantes traficantes na região onde se localiza a 26ª DP, o delegado Maria Bethânia, o Betão, decreta ponto facultativo para todos os seus funcionários para comemorar a vitória sobre a Argentina na Copa das Confederações, que aconteceu duas semanas antes, no dia 28 do mês passado. Betão rebate as denúncias de vizinhos da delegacia, que alegam ter testemunhado um grande número de homens entrando e saindo do local carregando malas cheias de dinheiro. "A vizinhança aqui é só maricota. Quando eu botar a Jussara pra cantar, quero ver quem vai querer testemunhar", ameaça.

Quarta-feira, dia 13: O delegado Maria Bethânia, o Betão, é responsável por uma das maiores operações de busca e apreensão da história fashion brasileira. Ao lado de Jussara, seu fuzil AR-15 que não sai de moda, Betão leva à prisão a dona de uma grande butique em São Paulo. Inspirado em recentes acontecimentos políticos no Brasil, Maria Bethânia foi à loja para comprar uma nova cueca. Diante do mau atendimento de uma funcionária — "só tinha roupa de fresco, e o preço era um verdadeiro crime", reclama — Betão decide encarcerar a proprietária do estabelecimento, além de recolher diversos computadores e mercadorias. Os equipamentos e produtos estão retidos por tempo indeterminado em sua própria casa, por segurança.

Quinta-feira, dia 14: Embora seja tímido e conservador, o delegado Maria Bethânia, o Betão, aceita convite para posar nu para uma revista alternativa policial. "Vou ter a oportunidade de fazer um ensaio sensual com Jussara", justifica.

Sexta-feira, dia 15: Através de sua assessoria de imprensa, o delegado Maria Bethânia, o Betão, emite nota de repúdio à crise recente que assola o Governo Federal. "Tá faltando autoridade nesse país. Alguém que cumpra a lei e combata o crime com vigor. Se eu interrogar esse pessoal, garanto que não sobra um inocente", promete. Todos os funcionários da 26ª DP são liberados às 13:00 para descansar no final de semana.

julho 6, 2005

Edinho sofre abusos na prisão

Santos (Eliminado) - Detido no início do mês de junho, após gravações revelarem um suposto envolvimento com o tráfico de drogas, Edinho, o Filho do Rei, vem sofrendo maus-tratos na penitenciária. Segundo apurado por Ressaca Moral, Edinho teria sido obrigado, entre outros abusos, a dançar tango vestindo uma camisa da seleção platina durante uma


Messias Jardan não conseguiu fazer Edinho falar
festa erótica alusiva à final da Copa das Confederações entre Brasil e Argentina. Os detentos apelidaram o evento de "Copa das Confedereções".

O ex-goleiro teria sido forçado, ainda, a participar de uma encenação realizada por alguns detentos durante o banho de sol do último domingo. "A gente tava só brincando de Domingo Legal", ameniza Chico Tripé, que cumpre pena de 267 anos de prisão por atentado ao pudor, se referindo a um programa popular de televisão. Na brincadeira, Edinho deveria imitar a apresentadora Preta Gil fazendo poses sensuais na disputa por um sabonete com outros presidiários dentro de uma banheira.

Ao receber a denúncia sobre os maus-tratos sofridos pelo filho de Pelé, Ressaca Moral infiltrou o fotógrafo Messias Jardan no presídio onde está Edinho num dia de visitações. Disfarçado de empregada doméstica visitando o patrão, Jardan tirou fotos chocantes do momento em que um grupo de presos forçava Edinho a engolir uma lata de cerveja de péssima qualidade. Ressaca Moral exibiu a foto a Pelé, que reagiu chorando. "Eles não podem fazer isso com o filho do Pelé, entende?", emociona-se Édson Arantes. "Vamos apurar os fatos e prender os culpados", ameaça Reginaldo Cramulhão, diretor da prisão. Edinho não se pronunciou sobre o assunto.

junho 21, 2005

Golinhos de sabedoria

A Skol é o Chico Buarque das cervejas.
Você pode até não gostar do Chico Buarque, nem gostar de MPB, mas jamais vai ter bons argumentos pra falar mal dele.

Djavan é a Nova Schin da MPB.
Todo mundo sabe que é horrível mas, na falta de qualquer coisa melhor, e não havendo como escapar, acaba escutando. E ainda cantarola junto.

Paulo Coelho é a Kaiser da literatura.
"A Kaiser é uma grande cerveja". O slogan todo mundo conhece, mas até hoje ninguém conseguiu explicar.

junho 1, 2005

Ex-BBB se queixa de abandono

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Jean discursa para o alegre Messias Jardan
São Paulo (Pelotas) - Durante a concorridíssima Parada Gay de São Paulo, em que quase dois milhões de pessoas chamavam atenção por seu visual descolado e comportamento liberal, pelo menos uma pessoa passou completamente despercebida. O professor baiano Jean, ex-BBB, foi ignorado por todos os foliões. Cabisbaixo, Jean ainda tentou — em vão — ser entrevistado por qualquer uma das inúmeras equipes de reportagem que acompanhavam o evento, sendo desdenhado até pelo repórter Vesgo. Por fim, o professor, que virou celebridade ao assumir publicamente que empurrava a janta, decidiu ler um discurso em que se queixava de preconceito. "Vocês me ignoram só porque eu sou BBB", acusava. O protesto acabou gerando uma pequena confusão, que durou pouco mais de 15 segundos. Para Jannette Veruska, drag-queen que participava da organização da festa, o problema com Jean não tem nada a ver com preconceito, e sim com a superexposição à mídia. "O pessoal cansou. O Jean é pior que bagalhota! Ele já deu o que tinha que dar", explica a bela.

maio 23, 2005

Remake de Carrossel poderá contar com Michael Jackson

Neverland (26ª corte) - Para deleite dos fãs do dramalhão mexicano Carrossel, novela exibida na década de 80 no Brasil pela TVS — Televisão do Silvio —, a produtora Televisa anuncia a intenção de iniciar ainda neste mês as gravações do remake do pastelão. A nova produção, diferente da original, seria voltada especificamente para o público adolescente e adulto.

Michael brinca no set:
"mas eu só quis dizer..."
"Pretendemos fisgar o pessoal que curte a nova onda de nostalgia das produções de qualidade dos anos 80. As crianças de hoje em dia são bem mais espertas, basta ver a bilheteria do último Star Wars", explica Robledo Gonzalez, diretor do novo Carrossel.

Voltada especialmente para o público brasileiro, a versão atualizada da novela deverá se adequar aos novos padrões televisivos impostos pela Globo. "Teremos muita barriguinha de fora. A escolinha da professora Helena sofrerá grande influência de Malhação", admite Gonzalez. O grande trunfo da produtora, no entanto, é a participação do popstar Michael Jackson. O cantor, inicialmente, faria o papel de Cirilo. Após meses de negociação, contudo, ficou acertado que Michael representará Maria Joaquina. "Tivemos que mudar a personagem de Maria Joaquina para adequá-la ao físico do Michael. Ela agora será muito mais loira e preconceituosa do que na versão original", afirma Gonzalez. O diretor revela, ainda, que os outros personagens da trama serão interpretados por atores acima de 21 anos. "Depois que fechamos com o Michael, sabe como é, não deu pra deixar nenhuma criança por perto", brinca Gonzalez.

maio 17, 2005

Filas para Star Wars cada vez maiores

Brasil (mostra tua cara) - As filas formadas pelos fãs da série Star Wars, produzida pelo holocausto-descendente* George Lucas, têm se tornado cada vez maiores pelo país. A estréia mundial de Star Wars: Episódio III — A Vingança dos Sith, prevista para esta quinta-feira, promete ser um dos eventos mais disputados do país em todos os tempos. Segundo especialistas, o congestionamento nas filas já ultrapassa 103km, ficando atrás apenas da fila por um balde de água no Piauí em 1982 (141km) e da espera por um papelote de cocaína no Rio de Janeiro durante o racionamento em 2001 (312km).

Aguardar vários dias por um ingresso pode ser uma tarefa estafante, mas não para os fãs de Anakin Skywalker. O adolescente R.2.D.2, de Rolim de Moura, Rondônia, já está na fila há 41 dias. Embora a cidade não possua nenhuma sala de cinema — a última foi transformada em um escritório de contabilidade por uma tribo de ianomamis —, ele aguarda ansiosamente pelos efeitos especiais elaborados pela Industrial Light & Magic. "Acredito na Força. Sei que, na última hora, esse obstáculo será superado", confia R., que garante ter encontrado a razão para viver na religião jedi.

Messias Jardan capta toda a descontração dos fãs de Quixadá
Em Moita Bonita, Sergipe, o lavrador Vandicleison "Wan Kenobi" Nonato se prepara para assistir o Episódio III desde a última chuva. Ao saber da estréia, Vandicleison abandonou a esposa e os quatorze filhos, vendeu sua casa e iniciou uma solitária caminhada até o cinema mais próximo, distante 8 mil léguas. "Todo mundo aqui vai embora pro Sul atrás de dinheiro e nunca mais volta. Eu vou embora atrás da Força", declara Vandicleison. O lavrador pretende, um dia, levar toda a família para assistir à super-produção.

No interior do Pará, na cidade de Altamira, as filas têm se tornado ponto de encontro dos adolescentes da elite. Enquanto aguardam pela exibição de A Vingança dos Sith, os jovens espantam o tédio com brincadeiras e competições em que elegem a fantasia mais bonita. "A gente fica jogando peteca paga-cú que é pra passar o tempo", explica Washington "Yoda" Queiroz, citando uma tradicional brincadeira local. Washington gastou mais de 6 mil reais em uma fantasia feita de veludo que lembra de longe o mestre Yoda, personagem da série que é uma espécie de guru da auto-ajuda. "Ficou linda. Vou usar toda vez que sair pra balada", brinca Washington.

* Seguindo recomendação da cartilha politicamente correta do governo, o termo "judeu" foi retirado desta matéria por ser considerado ofensivo. Sugere-se a utilização de "holocausto-descendente" ou "indivíduo territorialmente prejudicado".