junho 11, 2008

Gays no exército: Betão nega homofobia

Nas paredes descascadas de sua sala de acesso restrito, um pôster do Guarani, a imagem de Nossa Senhora e um antigo recorte de revista, com a foto de um másculo Nuno Leal Maia com uma prancha de surf em Saquarema. O retrato, que por tantos anos depôs contra a sexualidade do delegado Maria Bethânia, o Betão, nas conversas de corredor da 26ª DP, hoje lhe serve de aliado quando tenta se defender das acusações de preconceito que ganharam a mídia após o caso dos sargentos gays. Ao lado de Jussara, o fuzil AR-15 que não discrimina ninguém e atira para todos os lados, Betão é porta-voz do movimento que pretende calar os que questionam o trabalho da Lei.

Suspeitas de preconceito sempre pairaram sobre a 26ª DP. Nos últimos anos, quatro cabos e um faxineiro foram exonerados após saírem do armário. O delegado garante que os demitiu por questões profissionais, embora dois dos cabos tenham acusado Betão de assédio sexual. "Depois que assumi minha homossexualidade, [o delegado] passou a dormir todas as noites no meu alojamento", garante um deles, que não quer ter o nome revelado. "Ele se sentava ao pé da minha cama e ficava alisando o cabo da Jussara", afirma. Maria Bethânia, o Betão, evita falar sobre o episódio, mas reforça que "nunca houve discriminação contra afeminados" dentro de sua delegacia.

"Não vou permitir que digam que tenho algo contra essa gente", protesta o delegado. "O único preconceito que aceitamos aqui é contra os argentinos", brinca, comentando a prisão de seis turistas do país vizinho na última semana. O grupo caminhava pelo centro da cidade e cruzou com Betão, que voltava de um churrasco no morro, onde assistiu ao jogo Brasil x Venezuela. O delegado explica que deixou a garrafa de uísque em um lugar seguro e apontou Jussara para os estrangeiros. Todos foram algemados e levados para a delegacia, onde passaram 18 horas. "Nós sabíamos que haveria aquela confusão depois da vitória da Venezuela, então trancamos os dieguitos para protegê-los", justifica.

Apesar das numerosas acusações de truculência e discriminação feitas por diversas entidades que defendem os direitos dos homossexuais, o delegado Maria Bethânia, o Betão, garante que não irá diminuir seu empenho no combate ao crime. "Às vezes somos mesmo enérgicos", admite. "Mas nada disso seria necessário se esses rapazes não tivessem sido criados pelas avós", brinca.

06cb040amaio.jpg
Para reforçar sua postura em relação ao assunto homofobia, o delegado Maria Bethânia, o Betão, tem agora em sua sala uma moldura com a charge acima, com a qual garante se identificar. O presente bélico é de Messias Jardan, fã do blog Rasura Livre.

setembro 6, 2006

Betão desiste de candidatura e declara apoio a Eymael

Após reuniões com militantes em São Paulo e no Rio de Janeiro, Betão desiste da campanha eleitoral e anuncia apoio a José Maria Eymael. “Ah, cansei”, alega.

O Delegado Maria Bethânia, o Betão, anunciou na noite desta terça-feira, após concluir seu comício com uma salva de tiros em sua homenagem, que desistiu da candidatura a presidente do Brasil. Ao lado de Jussara, seu fuzil AR-15 que não tem margem de erro, Betão estava em campanha desde o início de setembro. No período de pouco mais de uma semana, visitou presídios em São Paulo, onde se encontrou com líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) para “discutir os rumos da segurança no País com quem entende”, e favelas no Rio de Janeiro, onde dialogou com a liderança do CV (Comando Vermelho) em busca de soluções para o tráfico de drogas. “Tem que acabar com esse negócio de classe média subir o morro atrás de droga. O governo precisa investir em infra-estrutura para melhorar a distribuição”, defende Betão.

Embora tenha durado pouco tempo, a campanha emocionou o delegado Maria Bethânia. Em um dos maiores presídios de São Paulo, onde tinha encontro marcado com Morde-Faca, um dos generais do PCC, Betão foi cercado por inúmeros prisioneiros que, agitando facas, lanças e armas caseiras, exigiam melhores condições carcerárias e ameaçavam exterminar diversos agentes penitenciários — além do próprio delegado. Betão teve, então, a oportunidade de colocar em prática um de seus principais projetos de governo, o “Jussara Para Todos”, que consiste na distribuição de fuzis AR-15 para todos os policiais. Com uma breve demonstração de vontade política, Betão atingiu diversos detentos e em segundos a rebelião estava controlada com o saldo de apenas 16 mortos. “Imagina um programa desse no Brasil inteiro. Acabava o problema carcerário no mesmo dia”, explica. “Foi lindo. Eu nunca pensei que fosse gostar tanto de trabalhar com política”, diz, sem esconder o sorriso.

Pipa, Foguete e Morteiro — Foi no Rio de Janeiro, entretanto, que o delegado Maria Bethânia viveu o ponto alto de sua busca por votos. Em apenas quatro dias, participou de seis protestos pela paz, nove fechamentos de túneis e dezessete invasões a morros — em uma delas, ficou encantado com a receptividade dos moradores. “Assim que cheguei ao morro com Jussara os pirralhos favelados começaram a empinar pipas para me receber. Em pouco tempo o céu estava lotado de papagaios”, emociona-se Betão. “Em seguida soltaram vários foguetes e morteiros. Me senti como jogador em final de campeonato”. Em reunião com alguns dos comandantes do CV, Betão prometeu empenho na questão do tráfico de drogas. “Já vivi disso e sei como é difícil essa vida. Traficante merece cuidado, não pode ficar à mercê de bandido”, discursou.

Após dez dias em campanha, surpreendeu a notícia divulgada pela assessoria de imprensa do delegado Maria Bethânia. Um bilhete, lacônico, informava que Betão se cansara das eleições e desistira da candidatura alegando entraves burocráticos. “Ah, cansei! Não quizeram (sic) me aceitar como candidato, muita frescura. Vou voltar a caçar bandido que é melhor. Meus eleitores: votem no Eymael, acho que ele é bom”, dizia a nota. Um amigo próximo do delegado acredita que Betão tenha tido problemas com a declaração de bens. “Parece que não engoliram bem a história de ele divulgar no imposto de renda que o valor do fuzil dele é sentimental”, esclarece. Ainda segundo seu amigo, Betão deixou de declarar algumas de suas propriedades, como um helicóptero de 700 mil reais, uma mansão de 18 quartos em Búzios e uma fazenda no Mato Grosso com 6 mil cabeças de gado.

Em entrevista coletiva, o próprio delegado dá sua versão do ocorrido. “Eu fui me inscrever como candidato e a mulher pediu uma declaração”, conta. “Eu nunca fui bom nisso de me declarar, mas convidei ela pra sair à noite. Deu a maior confusão. Acho que ela estava de TPM”, diverte-se. Ao fim da entrevista, Betão reforçou a idéia de que está mais disposto que nunca a atuar no combate ao crime. “Agora vocês me dão licença que eu tenho uns bandidos para exterminar”, brincou.

drunk-wine.jpg
No Rio de Janeiro, militantes do ex-candidato Betão animam comício com exibição de danças folclóricas cariocas. “As cachorra, as popozuda, os X-9, todo mundo tá com Betão aqui, demorô já é!”, avisa o DJ Mucura. “É o bonde do combate ao crime!”, completa a dançarina Shirley Raquel. Messias Jardan, que adorou usar colete a prova de balas, flagrou a alegria que permeou a campanha do delegado Maria Bethânia.

abril 17, 2006

Delegado Maria Bethânia estréia sistema de cobrança

Mossoró (RN) — Inspirado por uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo — que no dia 16 de abril mostrou restaurantes em que os clientes pagam a quantia que considerarem justa pelo que consumirem — o delegado Maria Bethânia, o Betão, estreou nesta semana seu sistema de cobrança flexível. Através do novo sistema, infratores, bandidos, traficantes e foras-da-lei em geral poderão pagar a Betão o quanto quiserem como propina ou, nas palavras do delegado, “estímulo para relaxamento de punição”. O valor cobrado anteriormente, estipulado de acordo com uma tabela e que variava de R$ 50,00 para porte de drogas a R$ 15.000,00 para homicídio em flagrante, era considerado alto e, por causa disso, muitos criminosos preferiam ser detidos a pagar pelos serviços de Betão.

Enquanto sorvia no café-da-manhã uma garrafa de uísque black label ao lado de Jussara, seu fuzil AR-15 que não aceita propina para se calar, o delegado Maria Bethânia, o Betão, recebeu em seu triplex em Mossoró (RN) um repórter do Ressaca Moral para falar sobre esta inovação no trato com os criminosos.

Continue lendo

dezembro 22, 2005

Delegado Maria Bethânia dá lição de moral em jogador argentino

Aeroporto Irmãos Wright (RJ) — De volta das merecidíssimas férias de quatro meses, muito bem curtidas no litoral de paraísos fiscais e em cassinos americanos, o delegado Maria Bethânia, o Betão, mostra que está mais ativo do que nunca em sua incansável caçada aos criminosos. Passados apenas vinte dias do retorno ao batente, Betão já encontrou serviço. Ao lado de Jussara, seu fuzil AR-15 que bate um bolão, o delegado se deslocou para o Rio de Janeiro para investigar a denúncia anônima de que um argentino estaria no Brasil.

“Pode ser em São Paulo, em Mossoró, na p... que o pariu. Onde tem argentino é só me ligar que eu vou atrás”, avisa o delegado. “Mas é claro que eu preferia que fosse no Rio, porque lá eu posso levar a Jussara pra conhecer umas amiguinhas”, brinca o delegado, que está sendo investigado por seus colegas cariocas da Polícia Federal por envolvimento com o tráfico.

Ao desembarcar na capital da bala perdida, o delegado Maria Bethânia, o Betão, imediatamente foi levado a um campo de futebol, onde um grupo de jogadores aposentados improvisava uma pelada com a participação de Maradona, o jogador mais desintoxicado do futebol argentino. Disfarçado de torcedor fanático, Betão aguardou o fim da partida para surpreender Maradona e detê-lo. A estratégia falhou, contudo, porque a torcida organizada “Fúria Sanguinária” confundiu Betão com um bandeirinha e o delegado escapou do linchamento por muito pouco. “Foi uma cagada, precisei dar uns tiros pra cima”, lembra. O incidente causou um pequeno tumulto numa favela próxima ao local. Líderes do tráfico acreditaram que os tiros eram o aviso de que a polícia estava subindo o morro e iniciaram um breve tiroteio que durou seis horas.

Torcedores se impressionam com Maradona
Messias Jardan, que nunca gostou de futebol, fez o
clicaço da torcida organizada Chico Anísio Soccer
Show, admirada com o “crack” argentino
Ágil e experiente, Maria Bethânia, o Betão, aproveitou o tumulto para tomar um táxi e dirigir-se ao Aeroporto Internacional Tom Jobim — local onde, mais tarde, esmurrou e algemou Maradona. A ação violenta causou protestos do argentino, que revidou promovendo um quebra-quebra na sala de espera do aeroporto. “O moleque era arisco”, comenta o delegado. Com a ajuda de outros policiais, Maradona finalmente foi detido por desacato e conduzido à Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Orgulhoso, Betão avisa que não irá tolerar mais atitudes como a de Maradona. “É sempre um prazer combater o crime. Mas nada é melhor do que combater os argentinos”, sentencia Betão.

outubro 25, 2005

Betão comemora o resultado do referendo

Mossoró (RN) — Tão logo as redes de televisão anunciaram a vitória do “não” no referendo sobre a venda de armas e munição, o delegado Maria Bethânia, o Betão, saiu às ruas acompanhado de Jussara, seu inseparável fuzil AR-15, e iniciou uma salva de 364 tiros para comemorar a decisão do povo brasileiro. Durante a comemoração, nove pessoas foram atingidas por balas perdidas. Duas delas estão internadas em estado grave.

Betão admite não estar de fato preocupado com o resultado do referendo — “Pra mim não faz a menor diferença se vai vender munição ou não. Eu nunca compro em loja”, brinca — mas garante que adorou o clima de debate que o precedeu. “Não tem coisa que eu gosto mais que um bate-boca saudável”, explica Betão, que chegou a agredir violentamente um amigo de quem discordava.

O delegado considera o referendo uma vitória do povo e garante ter ficado bastante satisfeito com o fato de que a eleição transcorreu com tranqüilidade em todo o País. Sua única frustração foi ter ficado de fora da festa da democracia. Betão foi detido por desrespeitar acintosamente a lei seca, que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em dia de eleição. “Eu não sabia que era eleição de ninguém. Achei que era só pra resolver essa parada dos tiros”, justificou.

julho 15, 2005

A semana do delegado

INFORME PUBLICITÁRIO

Segunda-feira, dia 11: De volta de La Paz, Bolívia, onde gerenciou a equipe responsável pela segurança do Bolívia Fashion Week, o delegado Maria Bethânia, o Betão, declara em coletiva que os bolivianos são "um pueblo hermano" e, em tom de blague, cospe no chão. "Me dá nojo falar que nem argentino", brinca. Após garantir mais um Bolifashion sem registro de qualquer incidente — "se aparecesse alguém pra registrar reclamação, eu fazia mudar de idéia rapidinho", afirma enquanto lustra Jussara, seu fuzil AR-15 que não reclama de altitude — o delegado não disfarça a saudade da cidade boliviana. "Vocês sabiam que lá eles mascam pó direto da folha?", recorda.

Terça-feira, dia 12: Após intensas negociações com alguns dos mais importantes traficantes na região onde se localiza a 26ª DP, o delegado Maria Bethânia, o Betão, decreta ponto facultativo para todos os seus funcionários para comemorar a vitória sobre a Argentina na Copa das Confederações, que aconteceu duas semanas antes, no dia 28 do mês passado. Betão rebate as denúncias de vizinhos da delegacia, que alegam ter testemunhado um grande número de homens entrando e saindo do local carregando malas cheias de dinheiro. "A vizinhança aqui é só maricota. Quando eu botar a Jussara pra cantar, quero ver quem vai querer testemunhar", ameaça.

Quarta-feira, dia 13: O delegado Maria Bethânia, o Betão, é responsável por uma das maiores operações de busca e apreensão da história fashion brasileira. Ao lado de Jussara, seu fuzil AR-15 que não sai de moda, Betão leva à prisão a dona de uma grande butique em São Paulo. Inspirado em recentes acontecimentos políticos no Brasil, Maria Bethânia foi à loja para comprar uma nova cueca. Diante do mau atendimento de uma funcionária — "só tinha roupa de fresco, e o preço era um verdadeiro crime", reclama — Betão decide encarcerar a proprietária do estabelecimento, além de recolher diversos computadores e mercadorias. Os equipamentos e produtos estão retidos por tempo indeterminado em sua própria casa, por segurança.

Quinta-feira, dia 14: Embora seja tímido e conservador, o delegado Maria Bethânia, o Betão, aceita convite para posar nu para uma revista alternativa policial. "Vou ter a oportunidade de fazer um ensaio sensual com Jussara", justifica.

Sexta-feira, dia 15: Através de sua assessoria de imprensa, o delegado Maria Bethânia, o Betão, emite nota de repúdio à crise recente que assola o Governo Federal. "Tá faltando autoridade nesse país. Alguém que cumpra a lei e combata o crime com vigor. Se eu interrogar esse pessoal, garanto que não sobra um inocente", promete. Todos os funcionários da 26ª DP são liberados às 13:00 para descansar no final de semana.

junho 16, 2005

Tolerância zero: cerveja ruim dá cadeia

Hip Hip (Hurra) - Após meses de investigações cinematográficas cercadas de mistérios, perigos e propinas, o delegado Maria Bethânia, o Betão, anunciou ontem a prisão de mais de 60 envolvidos na fabricação da cerveja Nova Schin, condenados por, entre outros crimes, fabricar a pior cerveja que o Brasil conheceu desde a invenção da loira com biquini. Betão explica que decidiu efetuar as prisões depois de implantar a política de tolerância zero dentro da 26ªDP, seu escritório, segunda casa e eventual ponto de encontro entre amigos.

A idéia surgiu durante uma reunião entre Maria Bethânia, o Betão, e alguns dos mais

Eu bebo sim, estou vivendo

O clique ébrio de Messias Jardan denuncia o prejuízo
no combate ao crime causado pela Nova Schin

importantes criminosos da região. "Estávamos discutindo uma nova técnica de combate ao crime quando o [responsável pela distribuição de armas no bairro] Racha-Crânio trouxe uma caixa daquela tal Nova Schin. Na hora foi uma alegria só, toda a bandidagem desatou a abrir latinha. Foi só dar as primeiras goladas pra perceber que tinha maracutaia da braba no meio. Tive que fuzilar o Racha", emociona-se Betão. Apesar do abalo psicológico, o delegado diz que não se arrepende de ter perdido a amizade do contrabandista. "Dos outros a gente espera qualquer coisa, mas vindo de amigo a casa cai. Foi traição, sim", justifica.

O episódio acabou deflagrando uma verdadeira guerra contra a Schincariol, fabricante da cerveja Nova Schin. Minutos após desovar o corpo de Racha-Crânio, Betão e seus companheiros invadiriam a fábrica da Nova Schin utilizando granadas, pistolas e armas de uso exclusivo do exército israelense. Maria Behânia, o Betão, teria ordenado a ação ao lado de Jussara, seu inseparável fuzil AR-15 que quebra o coco e destroça a sapucaia.

Um dia após a empreitada, Betão ainda se divide entre comemorar o sucesso da operação e lidar com terríveis dores de cabeça. "Ainda não consegui me livrar de toda aquela porcaria que eu bebi", queixa-se. O importante, no entanto, segundo o delegado, é manter a ordem na sociedade. "Depois da conversinha que a gente teve ontem, quero ver aqueles filhos da puta voltarem a vender aquela merda. Experimentem!", ameaça Betão.

junho 10, 2005

Delegado Betão lança arma não-letal

Cotriguaçú (MT) - Acumulando por décadas condecorações, hematomas e processos por abuso de autoridade, o delegado Maria Bethânia, o Betão, se considera um dos policiais mais experientes e eficientes do Brasil. A certeza é tanta que, após a tragédia de 11 de setembro de 2001, durante o auge da guerra de George Bush contra o terrorismo, enviou seu currículo para o FBI (Federal Bureau of Investigation), onde esperava seguir carreira após décadas de combate ao crime canarinho. Maria Bethânia, o Betão, jamais recebeu uma resposta do órgão americano, o que credita à tradicional proteção de mercado da maior economia do mundo. "Os gringos morrem de medo de que alguém melhor que eles tome seus empregos", argumenta. Para Kayleigh Dishwasher, funcionária do departamento de relações humanas no FBI, o motivo é outro. "Quando recebemos aquele monte de garranchos pensamos que fosse Anthrax. Foi direto pro lixo", explica.

A recusa do governo americano marcou a vida de Maria Bethânia, o Betão. Durante meses, o delegado esteve tão deprimido que passou a tomar todos os remédios de tarja preta que apreendeu em diversas operações contra a falsificação de medicamentos. "Era Prozac, Gardenal, Lithium, LSD, bala, o que viesse eu metia pra dentro, até Viagra e rebite (risos)", conta. O trauma foi superado recentemente, e hoje o consumo de Betão se limita a pequenas doses diárias de Benzitrat. Betão conta que recebeu o incentivo de muitos amigos para melhorar, mas nada foi tão importante quanto enfrentar o problema de frente. "Resolvi montar meu próprio FBI", revela.

No pequeno apartamento que divide com Jussara, seu fuzil AR-15 que não distingue raça, sexo ou classe social, Betão mantém um modesto escritório em cuja porta se lê "MBI - Maria Bethânia Investigatiom (sic)". Patrocinado por investidores anônimos ("Se eu contar quem me banca, amanheço com a boca cheia de formiga", brinca o delegado), o MBI reúne algumas das mais conceituadas personalidades do crime da região onde se situa a 26ªDP. "Cooptei a bandidagem. Afinal, quem entende melhor de crime que os criminosos?", questiona Betão.

E foi do MBI que saiu, há poucas semanas, uma das mais revolucionárias invenções na área do combate ao crime desde a invenção do estilingue. Betão apresenta o que garante ser uma das armas não-letais mais eficientes de todos os tempos: a técnica da "balinha sabor água-por-favor". Consiste numa

Em seu laboratório caseiro,
Betão pesquisa tecnologia
para combater o crime
pequena guloseima feita de goiabada e doce de leite e uma garrafa de água. "O segredo é o recheio. Tem mais de 100 gotas de pimenta por dentro da goiabada", confidencia. O uso da arma, ensina, é extremamente simples. Com a ajuda involuntária de um rapaz argentino detido durante uma blitz no centro da cidade ("Desacatou, vai pro xadrez", justifica Betão), Maria Bethânia, o Betão, mostra o funcionamento da balinha.

Após três dias trancado numa cela escura, sem alimentação, o argentino está faminto e aceita o doce. Em poucos segundos, o suspeito, desesperado, implora por água. É nesse momento que Maria Bethânia faz justiça. "Pode chorar o quanto quiser, que enquanto não confessar não toma a água", ameaça Betão.

A técnica é tão eficiente, assegura o delegado, que só na última semana foi possível solucionar mais de 20 assassinatos ocorridos na região nos últimos trinta anos. "Quase todos quem matou foi o moleque argentino", surpreende-se o delegado. "E usando uma das minhas armas!", revolta-se. Orgulhoso, Betão vê em seu invento uma nova era na guerra contra o crime. "A partir de agora ninguém mais precisa ficar se preocupando em não deixar hematoma, queimadura, fratura, trauma psicológico, essas bobagens", comemora. "Afinal de contas, que bandido vai querer dizer pros comparsas que apertaram ele usando água?", conclui com uma estrondosa gargalhada.

maio 13, 2005

Delegado Maria Bethânia garante segurança de chefes de Estado

Avesso a publicidade, o delegado Maria Bethânia, o Betão, sempre foi tão tímido que precisou apanhar de cinta do pai para tirar uma foto 3x4 para sua cédula de identidade. Sua timidez foi terrivelmente abalada nesta semana, após receber um convite enviado diretamente pelo Governo Federal para liderar a segurança dos chefes de Estado que se reuniram para uma cúpula envolvendo a América Latina e o Oriente Médio em Brasília. A convocação foi considerada pela imprensa mundial como um reconhecimento tardio pelos serviços prestados por Betão no combate ao crime. Sempre ao lado de Jussara, seu fuzil AR-15 turbinado, capaz de disparar mais de 1200 tiros por minuto, Betão possui um currículo tão extenso quanto sua ficha policial. Em 25 anos de carreira, desmantelou treze quadrilhas de traficantes, muitas delas formadas por amigos de infância — "Continuamos amigos", garante. Estourou o cativeiro de mais de trinta sequestros, mesmo que para isso tenha sido necessário tirar a vida dos reféns — "Não dá pra agradar gregos e troianos", consola-se. Orgulha-se de ter matado por engano apenas doze inocentes no último ano: "Um deles era argentino, então nem conta", brinca.

Exibição de danças folclóricas encantou o delegado Maria Bethânia. O clique alegre de Messias Jardan flagra casal do Suriname
Betão foi convocado às pressas para ir a Brasília. Jamais visitara a capital nacional. Conservador, só aceitou o convite quando o governo lhe prometeu um quarto com cama de casal. "Não durmo longe da Jussara de jeito nenhum", explica. Em poucas horas, Betão arrumou suas malas, vestiu seu calção de banho e uma blusa florida, lustrou Jussara e partiu para o Planalto Central. A 26ª DP permaneceu fechada durante a semana. Na única cela do local, com capacidade para 20 presos, 108 detentos ficaram sem alimentação ou banho de sol. "A bandidagem vai sentir minha falta", ironiza Betão.

A experiência de Betão foi fator decisivo para que a segurança do evento transcorresse com sucesso, de forma completamente transparente para o público. "A turcada não tem do que reclamar. Arranjei até uma cabocla pra balançar a barriga com eles", confirma Betão. De fato, a comitiva árabe não esboçou qualquer comentário negativo em relação à segurança. A exceção ficou por conta do sheik Adib Sadin Al Badan, que reclamou logo no primeiro dia do excesso de cachaça consumida por Betão. O problema, no entanto, foi resolvido em poucos minutos. "Dei uma coronhada no turco e ele não encheu mais o saco. Se ele continuasse falando bobagem eu ia fazer ele engolir todo o petróleo do meu quintal", desabafa Betão.

Os representantes dos países da América do Sul receberam atenção especial do delegado Maria Bethânia. Seu trabalho foi fundamental para que os outros integrantes do Mercosul não corressem qualquer risco na visita ao Brasil. Como nem tudo são flores, contudo, Maria Bethânia, o Betão, precisou por em prática alguns de seus conhecimentos bélicos ainda no segundo dia da reunião. Uma confusão envolvendo Betão e o presidente argetino, Néstor Kirchner, poderia ter resultado em sérios problemas diplomáticos com o Itamaraty se não fosse a perspicácia do delegado.

Segundo Betão, que não participou das cerimônia de apresentações formais no primeiro dia devido a uma pesada ressaca, o problema ocorreu porque o presidente argentino não teve espírito esportivo. "Fiz umas piadas pra animar a turma e o imbecil resolveu dar chilique. Quem ele pensa que é?", reclama Betão. A solução encontrada pelo delegado foi tirar o presidente de circulação. Betão trancafiou Kirchner no porta-malas de um carro, mas não pode revelar mais detalhes "por motivos de segurança". O delegado garante, ainda, que o argentino permanecerá detido enquanto o país vizinho não pedir desculpas formalmente para o Brasil. "Só libero o maradonito quando o presidente daquela mierda vier aqui se explicar. Duela a quien duela", conclui Betão. A ausência de Kirchner na cúpula foi considerada bastante deselegante pelos organizadores do evento.

abril 29, 2005

Literatura: Manual do Bom Policial

Embora venha atuando há muitos anos no mercado como delegado, Maria Bethânia, o Betão, é na verdade um workaholic multimídia. Entre suas diversas atividades diárias, Betão lidera a banda romântica Fratura Exposta (cujo ápice foi a gravação de "Oh Karol", em homenagem a João Paulo II), organiza toda a logística por trás do sucesso de vendas da Terceiro Mundo Mapas Geográficos ("Fique por dentro do mundo" é seu lema), arrecada fundos para a organização não-governamental Papinha Quente (que alimenta diariamente mais de 200 marginais responsáveis por todo o tráfico de drogas de sua jurisdição), coordena a campanha Quero Ver Jussara Dar Sua Risada (arrecadou mais de 80 fuzis AR-15 só em 2005) e, como se não bastasse tudo isso, ainda compila um inovador manual com técnicas para um dia-a-dia feliz e saudável para policiais, o Manual do Bom Policial. RessacaMoral teve acesso exclusivo a alguns trechos desta obra singular baseada em anos de corporação, e publica aqui em primeira mão algumas dicas selecionadas.


Manual do Bom Policial

Manual do Bom Policial
por: delegado Maria Bethânia

Dica nº 13: Violência só gera mais violência
Cada vez que você agride alguém, corre o risco de ser agredido também. O ciclo de violência é danoso e poderá lhe custar muitos hematomas. Você deve, portanto, evitar ao máximo ser agredido. E a melhor forma de conseguir isso é agredir de forma decisiva. Ou seja, não adianta apenas dar um tabefe. É necessário dar uma coronhada com força para deixar sua vítima inconsciente. Só assim você garante que ela não reagirá com mais violência.

Dica nº 17: Saiba trabalhar em grupo
Trabalhar em grupo significa produzir com harmonia. Compartilhar é o ponto fundamental dos relacionamentos no trabalho. Você deve saber dividir tudo com parcimônia. Durante o linchamento de um detento, por exemplo, jamais dê mais botinadas do que seus colegas. Cada policial deve ter direito à mesma quantidade de agressões. Se qualquer um dos seus comparsas falhar neste quesito, não hesite em puní-lo de forma exemplar, acertando seu joelho com uma calibre 38.

Dica nº 21: Aceitar propinas manchará sua carreira
Um policial que aceitar propinas ficará eternamente com sua carreira manchada frente a seus colegas. Afinal de contas, aceitar a propina oferecida por um criminoso nada mais é do que se sujeitar às vontades dele. E você, como policial, deve manter a autoridade e jamais agir como um frouxo. Por isso, antes que um criminoso lhe ofereça qualquer espécie de suborno, seja pró-ativo: tire dele todo o dinheiro que achar necessário, sem lhe dar satisfação. Seus colegas irão admirá-lo e seus subordinados irão temê-lo.

Dica nº 26: Cuide bem de sua arma. Ela pode tirar uma vida
Não existe momento mais frustrante na vida de um policial do que ver sua arma sendo mal utilizada. Jussara, meu fuzil AR-15, é mais bem cuidada que muito filho de madame que eu vejo por aí. Não é à toa: se estou vivo, devo isso a Jussara. Por isso, digo e repito: cuide bem de sua arma. Ela pode tirar uma vida. E, na nossa profissão, tirar vidas é a melhor forma de continuar vivo.

abril 26, 2005

Delegado investiga redação do site Ressaca Moral

Machadinha d'Oeste (RO) - Em mais uma ação pró-ativa de combate ao crime, o delegado Maria Bethânia, o Betão, invadiu na manhã da segunda-feira a redação do site RessacaMoral. Segundo o delegado, a invasão teria ocorrido em função de diversas denúncias de favorecimento e nepotismo na premiação da promoção De um Lúbio para o Delúbio. "No mesmo dia da premiação, recebi mais de mil ligações pra DP de gente se queixando", relata o delegado. "Não contei conversa. Meti a Jussara no braço e destruí tudo", explica Betão, que garante ter atirado apenas quatro vezes durante toda a operação. Durante mais de duas horas, Betão, Jussara e o cabo Nogueira trouxeram pânico e desespero à redação do site. Todos os empregados foram revistados à procura de armas e entorpecentes. Quatro computadores foram destruídos, documentos importantes foram rasgados, a privada não funciona mais e dois funcionários do site estão internados com queimaduras de terceiro grau.

A confusão só foi resolvida quando, pendurado num pau-de-arara, o jornalista Doda Vilhena, responsável pela promoção, presenteou Betão e o cabo Nogueira com cópias do CD "As preferidas do RessacaMoral", um dos prêmios oferecidos na promoção.

Em entrevista coletiva concedida na terça-feira, Betão garantiu não ter abusado de sua autoridade. "Só fiz o que tinha que ser feito. Se é pra cumprir a lei, eu passo por cima de tudo", concluiu, enquanto ouvia pela quarta vez a faixa "O telefone toca", do cantor Márcio José.

Maria Bethânia e Nogueira revistam Vladimir Cunha
Maria Bethânia e cabo Nogueira revistam o jornalista Vladimir Cunha. Com ele, foram encontradas diversas piadas roubadas.

abril 19, 2005

Um dia na vida do Delegado Maria Bethânia

Após insistentes tentativas malsucedidas de reservar um espaço na agenda do Delegado Maria Bethânia, o Betão, a equipe do RessacaMoral conseguiu, finalmente, acompanhá-lo durante um dia inteiro. Betão, idade não revelada, ama sua profissão acima de tudo e se dedica a ela com afinco. Delegado concursado há mais de 20 anos, fez da polícia a sua casa, e de sua casa um cortiço. Combate o crime como quem combate a caspa: "Bandido a gente tem que caçar, tirar e esfarelar", diz. Inseparável de Jussara, seu fuzil AR-15 adquirido no Paraguai durante uma operação contra o contrabando na fronteira, Betão abriu sua privacidade com exclusividade para a equipe do RessacaMoral.

06:00 - O despertador do aparelho celular toca. Maria Bethânia, o Betão, aperta no botão Soneca, vira para o outro lado da cama, e volta a dormir.
06:15 - O despertador toca novamente e, incomodado, Betão desliga o celular.
07:19 - Zuleide, sua faxineira, toca a campainha algumas vezes, mas Betão não acorda para atendê-la.
07:38 - Zuleide bate um pedaço de pau nas rodas da bicicleta de Betão, simulando o barulho de um carcereiro batendo nas grades de uma cela de prisão. Betão se levanta assustado, abraça Jussara e, após alguns minutos de reflexão, abre a porta para Zuleide.
08:13 - Betão comenta comigo que "tempo é dinheiro, para os policiais mais ainda" e em poucos minutos entra no banho.
09:22 - Betão sai do banheiro já vestido com sua farda oficial. Deixa seu frasco de creme rinse em cima da cama para ligar o celular. Ouve as mensagens deixadas em sua secretária, e me conta que "o governador desistiu do café da manhã". Retorna a ligação, desculpando-se por não ter comparecido ao café agendado para as 8 horas por causa de um problema em casa.
09:35 - Betão fecha a casa e caminha até a viatura. Recebo um colete a prova de balas e sou convidado a assumir o papel de co-piloto. Pergunto se não haveria nenhum problema em deixar a viatura da polícia estacionada em sua própria garagem, e Betão responde calmamente que isso não é da minha conta.
10:02 - Recebemos pelo sistema de comunicação da polícia um chamado: a pouca distância de onde estávamos, um carro é assaltado e o ladrão mantém um refém sob ameaça de morte. Betão liga a sirene de sua viatura, acelera fundo e comenta que bandido bom é bandido torturado. "Vamos fazer justiça nessa porra!", se anima.
10:17 - Observo os instrumentos da viatura quando, repentinamente, o carro dá uma freada brusca. Assustado, me abaixo. Após alguns segundos de tensão, percebo que o carro parou em frente a um boteco. Betão desce, encosta no balcão, e pede uma dose de cachaça.
10:29 - Betão toma sua segunda dose de cachaça.
10:41 - Enquanto degusta sua terceira dose de cachaça, Betão nota uma estranha movimentação do lado de fora do bar: dois homens carregam um pé de cabra e uma chave mestra. "Esses caras tão de onda!", comenta. Sai correndo do boteco. Ao chegar à calçada, nota que não há nenhuma confusão, como havia imaginado. "Bora, bora, que a gente tá atrasado, moleque", me ordena gentilmente.
10:42 - Betão percebe que sua viatura sumiu.
10:45 - Ao notar uma moça de aparentes 18 anos abrindo seu Kadett marrom, Betão lhe mostra seu crachá e pede que ceda o carro em nome da lei. Como a menina não acredita ao ler "Maria Bethânia" em sua identificação, ele lhe mostra Jussara.
11:22 - A bordo do Kadett de Mariana, que nos acompanha no banco de trás, chegamos ao local onde um bandido fizera um refém horas antes. Betão desce do carro empunhando Jussara. Aparentemente, o assalto já acabara. Betão entra em uma loja de calçados parcialmente fechada para perguntar o que houve por ali. É recebido por uma senhora que chora copiosamente e explica que seu marido acabara de ser morto. "Ainda chamamos a polícia, mas ninguém veio. Nossa polícia é muito incompetente", reclama. O delegado Betão algema a senhora por desacato à autoridade.
11:26 - Rumamos à 26ª DP. Sou convidado pelo delegado a empunhar uma arma em direção à cabeça da senhora que o havia desrespeitado, para garantir que ela não faça nenhuma gracinha. Mariana parece pouco à vontade participando do combate ao crime.
11:55 - Já na 26ª DP, Betão entrega a senhora mal educada à carceragem, e saímos para o almoço no carro de Mariana.
12:38 - Vamos ao restaurante "A Kilo Roxo", onde, segundo Betão, se faz a melhor comida do comércio da cidade por apenas um real. Betão faz um prato de um quilo e meio, misturando macarrão, purê de batata, peixe, almôndegas, feijão e alguns sushis. Faço um prato com arroz, feijão e bife. Mariana prefere não comer.
13:17 - Após lamber o prato, Betão se levanta e, educadamente, diz que vai ao banheiro "controlar uma rebelião". Divido uma Coca-cola com Mariana enquanto o aguardamos.
14:22 - Betão volta à mesa. Saímos do restaurante e, ao entrarmos no carro, ele comenta que a vida de delegado não é nada fácil e mal dá tempo para se envolver com garotas. Betão me pede para dirigir o carro, e opta por sentar no banco de trás, ao lado de Mariana.
14:31 - Quando o carro pára em um sinal, Mariana abre a porta e, aos gritos de "socorro" e "me larga", foge em disparada da viatura improvisada.
14:49 - O celular do delegado toca: outro chamado urgente a ser atendido. Um idoso com mais de sessenta anos acaba de ser assaltado e espancado em uma agência bancária. Pergunto se devo acelerar em direção à agência, mas o delegado, pensativo, leva alguns minutos para responder. "Meu filho", raciocina, "se o velho tá morrendo, o que a polícia tem pra fazer lá? Nada! Ele tem que parar de encher meu saco e chamar uma ambulância!". O delegado me manda continuar dirigindo sem rumo.
15:03 - Quando passo em frente a uma praça, o delegado me manda parar o Kadett de Mariana. Vejo uma confusão a menos de 50 metros: dois rapazes esmurram uma criança para roubar sua bicicleta. Separo a máquina fotográfica para não perder a oportunidade de registrar a prisão dos dois delinquentes.
15:04 - Betão desce do carro e vai direto a uma barraca hippie, onde compra um anel de caveira e uma soqueira por apenas 15 reais. "Rapaz, isso aqui vai ser uma beleza pra quando eu pegar um argentino", comenta. E volta para o carro. Assume o comando do Kadett me dizendo que eu não tenho habilidade para dirigir como policial.
15:38 - Enquanto passeamos pela cidade, Betão comenta que está entediado. A vida de delegado, além de desprovida de emoções, é cansativa para um homem com a idade dele. Pergunto sua idade, e o delegado me responde com uma coronhada.
15:59 - Voltamos à 26ª DP. O delegado me leva para conhecer seu gabinete: na parede, há um pôster de campeão brasileiro do Guarani de Campinas, uma foto do Ayrton Senna e uma capa de um disco do Michael Jackson. Em sua mesa, um telefone de disco, uma velha Olivetti e várias fotos de armas do mundo inteiro. Na estante, apenas a Bíblia Sagrada. Betão me deixa ler algumas linhas do papel estacionado em sua máquina de escrever. E me explica que este é o início de sua autobiografia, cujo título será "Pena de morte pra bandido é pouco". Já está na segunda página.
16:12 - O soldado Nogueira pede audiência com o delegado Betão. Conta que uma senhora presa em uma das celas da delegacia alega inocência e diz que foi detida injustamente. Seu marido teria sido morto durante um assalto pela manhã. O delegado, revoltado, manda investigar e prender o responsável por tamanha truculência.
16:17 - O telefone da mesa do delegado toca. Um novo chamado o excita: um argentino foi visto xingando um rapaz negro de negro no centro da cidade. "Ah, agora o couro vai comer", comemora Betão. O delegado termina de lustrar Jussara e saímos rapidamente para combater o crime.
16:19 - Como o Kadett de Mariana havia sido guinchado por estacionamento em local proibido — ele estava parado em frente à garagem da delegacia — somos obrigados a utilizar uma das viaturas oficiais. Betão liga a sirene e dispara em alta velocidade.
16:29 - Chegamos ao local de onde partira a denúncia. Empunhando Jussara no braço esquerdo e sua nova soqueira na mão direita, Betão anda alucinado pelas ruas perguntando "cadê o argentino filho da puta?".
16:35 - Betão pergunta a um rapaz que tocava uma música dos Beatles em uma flauta se ele sabia alguma coisa a respeito de um argentino. Ao responder "No hay argentino aquí", o garoto leva um murro de Betão, perdendo todos os quatro dentes da frente. O delegado o derruba no chão e o domina colocando o joelho por cima do peito do rapaz. "Tu vai aprender a ser gente, seu argentino filho da puta", comenta o delegado enquanto esbofeteia o flautista.
17:12 - Betão promete ao rapaz não mais lhe bater, desde que ele concorde que é argentino e que prometa nunca mais ter atitudes racistas. O flautista apenas balbucia.
17:38 - Betão larga o corpo inerte do flautista peruano no chão, e entramos na viatura. "Esse desgraçado mereceu o pito que eu dei", argumenta.
17:42 - Com a certeza de mais um dia de dever cumprido, Betão diz que, apesar das dificuldades, gosta de seu ofício. E que não trocaria sua profissão por nada, a não ser uma viagem para o Nordeste — desde que pudesse levar Jussara com ele. Estressado, alega que precisa descansar, enquanto passeamos por uma das avenidas mais movimentadas da cidade. "Ser policial", ensina, "não é mole, não. Tem que ter muita cabeça fria", conclui enquanto acende um baseado para relaxar.

abril 15, 2005

Delegado homenageia o Papa

Codó (MA) - O astuto delegado Maria Bethânia, o Betão, aproveitou a coletiva em que esclarecia os detalhes sobre a libertação do prisioneiro de guerra Vladimir Cunha - "foi bom pra exercitar a panturrilha", declarou - para divulgar sua homenagem ao Papa João Paulo II. Betão, além de delegado, surfista e vendedor de mapas, é também líder da banda Fratura Exposta, que gravou a música "Oh, Karol" para enaltecer o Santo Padre. O delegado explica que ainda não teve a oportunidade de apresentar nenhum show com a canção, mas que tem cantarolado a melodia todos os dias antes de começar a trabalhar. "Nada melhor que ser abençoado antes de começar a matança", explica.

Trecho da canção:

Oh, Karol (Delegado Betão)

"Oh Karol
Sem o teu louvor
Tudo é tristeza
Meu dia é um horror"

abril 14, 2005

Delegado Maria Bethânia prende argentino metido a besta

Morumbi (SP) - A onda racista não tem mesmo limites. Na quarta-feira, logo após o jogo São Paulo x Kill Mes, pela Copa Libertadores da América, o prestativo delegado Maria Bethânia, o Betão, saiu de casa, deixou seu televisor da National ligado e, dirigindo sua viatura acima da velocidade permitida pela lei, invadiu o estacionamento do estádio Morumbi, atropelando e matando instantaneamente quatro senhoras que faziam um protesto pela paz no trânsito. A tragédia, felizmente, não foi em vão. Betão realizaria, alguns minutos depois, mais um de seus importantes feitos: espancar e deter um argentino acusado de racismo.

Segundo o delegado Betão, o argentino Miguél Rojas Gonzales, jogador do time do Kill Mes, teria praticado atos racistas contra o jogador Grafite, do São Paulo. Grafite, cujo nome significa "aquele que chamou o elevador e não teve paciência pra esperar" em um dialeto oriental, relata que, após um lance normal de jogo, esmurrou o argentino, deu-lhe dois cascudos, desferiu-lhe quatro pontapés, aplicou-lhe um tacle e o chamou de "argentino viado". Miguél teria lhe respondido "tu eres un panaca", o que foi considerada uma grave ofensa racista. "Ele só me chamou de panaca porque eu sou negro", acusa o jogador brasileiro. O delegado Betão, que assistia a tudo pela televisão, no conforto de seu modesto lar, não contou conversa: tirou do armário seu fuzil AR-15 e em menos de 10 minutos já estava com a gola do argentino entre as mãos.

"Ele vai ver o que é bom pra tosse", garantiu o delegado, em uma coletiva na 26ª DP, exibindo um vidro de veneno para ratos. "Vamos fazer justiça. Ninguém vai ser torturado mais que o necessário", prometeu. O argentino deverá ser liberado logo após o procedimento de acariciação com outros detentos.

abril 2, 2005

Quadrilha procurada por 2 mil anos é detida

Niterói - Foram detidos na tarde deste sábado, enquanto cruzavam a ponte Rio-Niterói, os bandidos Zico do Santos, Edson Arantes e Roberto Carlos, o Perna-Manca, quadrilha conhecida pela polícia com "Os Três Reis". Perna-Manca e seus comparsas eram procurados havia mais de 2 mil anos pela polícia, mas jamais puderam ser detidos por contarem com proteção do Vaticano, que sempre lhes fornecia habeas-corpus. "Com a morte do Papa", explica o Delegado Maria Bethânia, o Betão, "eles perderam sua força". A quadrilha era acusada de diversos crimes, entre eles o de haver oferecido mirra para uma criança recém-nascida. No momento da apreensão, a polícia encontrou 213 quilos de barras de ouro, 31 pacotes de incenso e muita maconha. "A mirra era para consumo próprio", defende-se Perna-Manca.

Tag Cloud

Quanto maior o tamanho da fonte, mais frequente o assunto.
007 2.0 abalo sismico aborrecimentos ACM Ades-Ades Babawana Alcione Amar é amasso Ambientalismo amigo_secreto Ana Carolina anões aquecimento Argentina arnaldo jabor arte artes plásticas astrologia astrologia joão bidu astronauta auto-ajuda avó assexuada axé Azaração bafo bahia baianidade bandidagem banheiro BBB behaviorismo belem Belém Bento 386 Betão Bill Clinton Biotônico Fontoura Blog do Doda blogosfera boca do lixo Bola de Praia Boneca Inflável Boteco Brasil Brasil 2014 Brasileirinhas brega Britney Spears Caetano Veloso calcinha Calypso calça cáqui calça xadrez carnaval cartoons cartuns caçador de pipas celebridades cerveja Charles Bronson Chico Buarque China Ciganos cinema Cirque du Soleil ciência Clint Eastwood Clodovil comportamento condominio conspiração Contos Copa do Mundo Copa2014 Cordel do Fogo Encantado Coroas Cosplay cotovelo covardia cpi crianças criminalidade crítica crônica cultura curumim cárcere cáries cãozinho Rogério Flausino Deborah Blando decoração dentes Dercy Gonçalves dicas Didi Mocó Dignidade dilma roussef diogo mainardi Djavan Drogas economia eleições Emprego Encosto engarrafamento entretenimento entrevista escola Escorpião escândalo esportes Espíritos ET EUA evolução expressões exército Eymael Fafá de Belém fantasias fenômenos fernanda youg Ficção Científica Fidel filmes trash Flamengo Flash folk forró Fotografia fracasso Freddy Krueger Frutas Cítricas Futebol futebol Futebol Arte futuro Gael García garotas de programa Garotinho gastrite gastronomia gato Flávio Gato Flávio gay gengivite gente batalhadora Geração de Renda Geração de renda Gilberto Gil glamour Glande GLBT Globo GLS Guarda-Livros guia Guitar Wolf Hello Kitty Hermes Trimegisto heróis Higuita hinos Hollywood Hugo Chávez imprensa indie ingenuidade insetos internet iphone IPod Iron Maiden j_quest chico_buarque armani verissimo nutella u2 amarante jabá James Bond Java jegue Jesus te ama Jogos Pan-Americanos John Wayn Jorge Vercilo jornalismo lado negro da força laika Lenine Lhama