Exportação de frentes frias é solução para crise argentina
Buenos Aires (Boca) – Na última segunda-feira, após quarenta e dois dias de panelaço em uma avenida larga e comprida, a presidente argentina Cristina K. anunciou uma medida polêmica para enfrentar a atual crise rosada. A partir de maio, os brasileiros pagarão mais pelas frentes frias e zonas de inversão térmica fabricadas na Argentina, o que deverá onerar ainda mais o trabalho dos já penalizados meteorologistas no Brasil. Desde o advento da televisão, o país é o principal mercado consumidor desse produto.
Os argentinos apóiam a medida. Elviro Matildo, comissário do Ministério das Relações Argentinas Queridas (MIRAQUERICO), critica a postura do Itamaraty. “Os brasileiros não podem pensar que somos como os paraguaios, que vendem energia e muamba a preço de banana ao Brasil”. E completa: “O Ronaldinho é um saco”. A decisão gerou desconfiança em Mossoró (RN), onde não existem argentinos vivos. Para o vereador sem partido Aupatino Ribeiro, a cidade tem capacidade suficiente para rivalizar com os portenhos exportando frentes quentes, muito mais procuradas no mercado, principalmente por turistas chineses.
Na semana passada (no fim de semana), uma convenção reuniu 775 milhões de empresários em Beijing interessados na produção pirata de frentes quentes para abastecer Gru, o dragãozinho chinês. “A Globo e todos os canais de televisão são cúmplices ocultos, porque fazem propaganda disfarçada das frentes frias, embutida na previsão do tempo”, explica Aupatino. “Nunca pedi frente fria”.
Mas o discurso brasileiro destoa no cenário da opinião pública internacional. O guru americano Al Gore, 73, lembra que o planeta nunca esteve tão perto do colapso ambiental e profetiza que o mercado de frentes frias será a solução para a problemática do aquecimento global. A cada 24 horas, observa o palestrante, uma área equivalente a 56 circos do Marcos Frota é derretida nas Calotas Polares. “Meu próximo documentário será sobre isso, eu acho”, explica.
Mesmo no Brasil, a política de Cristina K. tem sido incentivada em alguns setores. A traficante de classe média carioca Mara, que mora na Barra, defende a importação das frentes frias argentinas e as considera agradáveis para se reunir com amigos surfistas em volta da fogueira em Angra. “Nada a ver esse lance”, observa.

Atualmente sem cobertor e dormindo num canto escuro da sala, o gato Flávio comemora a alta das frentes frias e espera que o Brasil invista mais no clima quentinho. “No momento não quero falar sobre o assunto”, comenta. Messias Jardan roçou sua barriga e fez o clique.
* Com Paulo Guedes
Comentários
O Guedes menor também tava na marcha da maconha?
escrito por: Gustavo Rodrigues em 5/05/2008 às 13:50