Atmosfera de puro sexo no ar

Confesso que nunca dei muita bola para revistas de mulher pelada. Não que tenha algum orgulho disso, mas nunca comprei uma Playboy ou genérica dela em minha vida. Para mim valia muito mais gastar meus parcos trocados poupados do lanche em sacanagem pura. Partia logo para revistinhas eróticas, especialmente as em quadrinhos. Sempre gostei de HQ. É claro que quando uma Playboy, Ele & Ela ou alguma do gênero caía em minhas mãos não me furtava em olhá-las. Desde cedo outra coisa além de peitos, bundas e xerecas me atraíam nessas revistas: os contos. E, nenhuma delas conseguia se igualar ao material que vinha na Fórum, o suplemento literário da Ele & Ela.

Teoricamente eram aventuras reais mandadas pelos leitores. Mas, como leitor assíduo que era, mesmo sendo apenas um moleque, sacava na hora que era tudo inventado por algum redator da revista ou pelo próprio remetente, ansioso em aumentar seus feitos. Reais ou não a maioria era bem legal.

O importante era passar por cima da padronização dos textos. Mesmo uma revista de putaria tinha que ter uma certa linha, por isso os termos chulos eram vetados e as descrições eram sempre muito parecidas. "Ela sorveu gulosamente minha glande como se há muito não tivesse um membro entre suas mãos", coisas desse tipo.

Então, vencido esse obstáculo o negócio era se divertir - de todos os jeitos - com o que vinha a seguir. O proibido era sempre o mais dado naquelas páginas, fosse na figura da vizinha casada insatisfeita no casamento, na da chefe mandona mas que gostava de ser submissa após o expediente ou da daquela priminha que há muito não via e, vejam só, resolveu passar as férias na sua casa justamente quando ambos estavam para explodir com a chegada dos hormônios.

Dificilmente saiam desse esquemão. Quando muito era uma suruba. Mas, se o enredo não é lá essas coisas, restava aos redatores dar uma arrumada. Aí é que entra minha admiração com esses Bocages e Sades anônimos que mandavam ver nas descrições do rala-e-rola para compensar uma história mequetrefe.

Ficava imaginando esse carinhas em redações esfumaçadas, cheios de serviço por conta de um segundo emprego tendo que ajeitar a punhetagem de um cara que se dignou a mandar pelo correio aquela vez que deu uma rapidinha bem das suas escrotas.

Histórias como "Minha vizinha, aquela coroa feia de cara e boa de bunda, me pagou umas cervejas dia desses. Depois a gente fomos prum forró e, sabe como é, né, uma coisa leva a outra e de lá fomos prum motel muito doido. Tinha espelho no teto e banheira. Nós transamos de tudo quanto é jeito, na frente e atrás" virava "Tenho uma vizinha que é um tesão. Peitos firmes e do tipo que cabem na mão e uma bundinha eternamente arrebitada. Não ficava nada a dever às meninas de 20 anos. Nós sempre trocávamos olhares e sonhava acordado com o dia em que ela fosse minha. Certo dia nos encontramos e conversamos brevemente sobre a temperatura. Combinamos de dividir uma cerveja. Depois de uma garrafa o bar já estava fechando. O único lugar aberto era uma boate lá perto. Fomos para lá meio constrangidos, ainda mais porque a música era para ser dançada coladinhos. Lá fomos nós pro salão e depois de duas ou três músicas juntinhos meu membro de 23 cm já estava totalmente intumescido e ela sentia isso em suas ancas....". O resto vocês podem e devem imaginar.

A internet tá cheia de sites com contos eróticos ou simplesmente pornográficos, inclusive a Ele & Ela tem seu Fórum virtual. Mas, não é a mesma coisa. Um computador nunca vai trazer o mesmo prazer de se esconder num canto da casa para ler algumas lihas da mais pura sacanagem. Para o bem de milhares de crianças nesse Brasil que são expostas a drogas como NXZero, CPM22, Cláudia Leitttte ou sub-literatura de gente que gosta de arrotar vidas marginais de bar em bar sem nunca terem tomado contato com esse mundo, uma revista ou suplemento como a Fórum devia voltar ao mercado.


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"Como eu peguei a namorada do emo chifrudo" é o nome do conto que Messias Jardan escreve como ghost writer para um amigo. O retratista lascivo e literário fez o click num pasto em Mossoró, cidade cuja juventude cunhou o termo From Uk.

Deixe seu comentário. É de graça.

Comentários

Heheheh. Por falar nisso, devolve minha coleção de Fórum-89.

Ps. Se tiver "colada", esquece. Pode ficar!!

Abraços.

esse post me lembrou a Claudia Ohana.. huehueha

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