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16 de maio de 2008

Desculpas modernas para o envio de links

Todos sabemos que é humanamente impossível ler, ouvir ou ver tudo que o ócio corporativo consome na internet e chega até nós em formato de link.

Nessas, empolgado com aquele vídeo que fez você passar vergonha no escritório de tanto rir, você o enviou para o seu amigo espertão (muito mais desocupado do que qualquer outro) e recebeu uma típica resposta sabichona-arrogante do tipo “ah, isso é velho” ou “já vi”.

Essa relativamente nova situação social anda exigindo o emprego de frases de justificativa prévia, utilizadas como escudo anti-sensação de “pô, tô por fora mesmo”.

É só escolher de acordo com a sua intenção/estado de espírito:

- Não sei se você já viu, mas segue aí [link]
(estou na dúvida se você já viu, acho que provavelmente não, mas com essa frase já desarmo você de uma resposta torta que poderia cristalizar na sua cabeça a idéia de que eu sou um analfabeto digital)

- Gente, só eu ainda não tinha visto o jeremias / menina pastora / tapa na pantera / vanucci bêbado / caralho a quatro? [link]
(eu sou descolado e bem informado, vocês sabem, mas dessa vez confesso que perdi o bonde, gente! Hahaha!)

- Deve ser velho, mas tá valendo [link]
(caso seja realmente algo manjado, não to a fim de ouvir o que você tem a dizer e nem de me explicar a respeito de porque só vi isso agora)

- Já viu, né? [link]
(eu assumo a derrota, você já viu, eu sei, nem me animo mais a enviar alguma coisa, snif)

- Eu sei que deve ser velho, mas ó aí [link]
(desculpa incomodar com a minha falta de informação, mas de repente você ainda não viu e sabe...já viu? Ah, tudo bem então)

- Foda-se se alguém já tiver visto [link]
(cansei de mandar coisas e sempre ser rechaçado, experimenta falar que é velho pra você ver! Vai, experimenta!)

- Você com certeza já viu, mas eu ri tanto, sabe? [link]
(antes de responder de um jeito estúpido que sempre me deixa pra baixo, já deixo no ar que possuo a certeza de você ter visto e que também estou no clubinho dos que gostaram, ok?)

- Por que eu sempre sou o último a ver essas coisas? [link]
(que divertido, consigo passar o link e ao mesmo tempo dou a impressão que estou tirando um sarro de mim mesmo, pois sou conhecido por nunca saber de nada, hahaha!)

- O que vocês acharam do [link]?
(a maioria já deve ter visto, mas como alguns ainda devem estar por fora, dessa maneira consigo três coisas: passar o link, dar uma de descolado com os que ainda não viram e elevo a moral do grupo, pois dou a impressão de que considero todos muito bem informados e antenados com o que rola na web, já que subentendi que todos sabem do que estou falando e estou até pedindo opinião)

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A batata cozida gigante chapada de maconha apresentando um programa de TV sobre jogos de tabuleiro será o sucesso da web em 2013. Os produtores do vídeo já soltaram algumas cópias em VHS da produção e Germano Fundinhas, contador e mala de escritório, já preparou uma apresentação em PowerPoint com telas do vídeo para enviar para todos os colegas da firma. O clique viral, despretensioso e armado até os dentes é do lamurioso Messias Jardan.

13 de maio de 2008

Escândalos da política que você talvez tenha ouvido falar

O dossiê de leite
Para evitar um shortinho justo na CPI (Coceira na Pálpebra Interna) dos gastos suspeitos envolvendo cartões de aniversário do Garfield corporativo, um grupo de assessores ligados ao ex-ministro da Casa Silvícola, José Jurerê, elaborou um dossiê sobre os gastos da digestão anterior com farinha láctea e lactobacilos. Doida para criar uma picuinha, a oposição culpou a atual ministra, Dilma Sussuarana, de ser a mentora do tal documento. Os deputados convocaram então os lactobacilos para depor, mas eles foram mortos em um crime com todos os indícios de queima de laticínios. O caldo engrossou para o governo que agora terá de dar explicações sobre o leite ter amanhecido coalhado.

Os anões do estacionamento
Após um escândalo de rotina envolvendo a compra de viaturas policiais para o corpo de ciclistas civis do município, um grupo de deputados com menos de 1,60 de altura marcou uma cervejinha no boteco do Jair para discutir amenidades e proferir algumas calúnias. Lá pelas tantas, o deputado Ezequião Baristeu (PTRON-RJ) sugeriu, “a nível de piada”, “dar uma erradinha” nas contas do seu Eurípedes, garçom mais antigo do boteco. Foi quando vossa excelência, deputado Cristóvenes Largadinho (PITTY-BA), pediu a um assessor que marcasse na comanda um pedido de 197 caixas de água sanitária e um automóvel Fiat, modelo Elba Estou de Volta Pro Meu Aconchego 1.6 ELX. Eurípedes ficou puto, mas o grupo riu bastante e no final todos foram felizes pra casa.

O empadão
Durante todo o primeiro ano de seu mandato, o ex-prefeito de Mossoró, Agrião Turiassú, comprou o apoio de vereadores da sua base de nutrição com empadas e quiches de calango feitos por sua mãe. O caso só veio à tona depois que o vereador Onivaldo Tartufo (POFT-RN) teve uma potente diarréia causada por uma empada estragada e resolveu contar tudo a um jornalista da Folha de São Roque que, em troca, passou o caderno de esportes por baixo da porta para que Tartufo completasse sua higiene íntima.

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Desde que fez um curso de confecção e maquiagem de pizzas em Brasília, o candidato americano das multidões, Buraco Obama, anda muito mais animado com a possibilidade de fritar caju com pêssego sem queimar a rosca com a oposição. O burocrático clique é de Messias Jardan, fotógrafo e estado democrático de direito.

6 de maio de 2008

Atmosfera de puro sexo no ar

Confesso que nunca dei muita bola para revistas de mulher pelada. Não que tenha algum orgulho disso, mas nunca comprei uma Playboy ou genérica dela em minha vida. Para mim valia muito mais gastar meus parcos trocados poupados do lanche em sacanagem pura. Partia logo para revistinhas eróticas, especialmente as em quadrinhos. Sempre gostei de HQ. É claro que quando uma Playboy, Ele & Ela ou alguma do gênero caía em minhas mãos não me furtava em olhá-las. Desde cedo outra coisa além de peitos, bundas e xerecas me atraíam nessas revistas: os contos. E, nenhuma delas conseguia se igualar ao material que vinha na Fórum, o suplemento literário da Ele & Ela.

Teoricamente eram aventuras reais mandadas pelos leitores. Mas, como leitor assíduo que era, mesmo sendo apenas um moleque, sacava na hora que era tudo inventado por algum redator da revista ou pelo próprio remetente, ansioso em aumentar seus feitos. Reais ou não a maioria era bem legal.

O importante era passar por cima da padronização dos textos. Mesmo uma revista de putaria tinha que ter uma certa linha, por isso os termos chulos eram vetados e as descrições eram sempre muito parecidas. "Ela sorveu gulosamente minha glande como se há muito não tivesse um membro entre suas mãos", coisas desse tipo.

Então, vencido esse obstáculo o negócio era se divertir - de todos os jeitos - com o que vinha a seguir. O proibido era sempre o mais dado naquelas páginas, fosse na figura da vizinha casada insatisfeita no casamento, na da chefe mandona mas que gostava de ser submissa após o expediente ou da daquela priminha que há muito não via e, vejam só, resolveu passar as férias na sua casa justamente quando ambos estavam para explodir com a chegada dos hormônios.

Dificilmente saiam desse esquemão. Quando muito era uma suruba. Mas, se o enredo não é lá essas coisas, restava aos redatores dar uma arrumada. Aí é que entra minha admiração com esses Bocages e Sades anônimos que mandavam ver nas descrições do rala-e-rola para compensar uma história mequetrefe.

Ficava imaginando esse carinhas em redações esfumaçadas, cheios de serviço por conta de um segundo emprego tendo que ajeitar a punhetagem de um cara que se dignou a mandar pelo correio aquela vez que deu uma rapidinha bem das suas escrotas.

Histórias como "Minha vizinha, aquela coroa feia de cara e boa de bunda, me pagou umas cervejas dia desses. Depois a gente fomos prum forró e, sabe como é, né, uma coisa leva a outra e de lá fomos prum motel muito doido. Tinha espelho no teto e banheira. Nós transamos de tudo quanto é jeito, na frente e atrás" virava "Tenho uma vizinha que é um tesão. Peitos firmes e do tipo que cabem na mão e uma bundinha eternamente arrebitada. Não ficava nada a dever às meninas de 20 anos. Nós sempre trocávamos olhares e sonhava acordado com o dia em que ela fosse minha. Certo dia nos encontramos e conversamos brevemente sobre a temperatura. Combinamos de dividir uma cerveja. Depois de uma garrafa o bar já estava fechando. O único lugar aberto era uma boate lá perto. Fomos para lá meio constrangidos, ainda mais porque a música era para ser dançada coladinhos. Lá fomos nós pro salão e depois de duas ou três músicas juntinhos meu membro de 23 cm já estava totalmente intumescido e ela sentia isso em suas ancas....". O resto vocês podem e devem imaginar.

A internet tá cheia de sites com contos eróticos ou simplesmente pornográficos, inclusive a Ele & Ela tem seu Fórum virtual. Mas, não é a mesma coisa. Um computador nunca vai trazer o mesmo prazer de se esconder num canto da casa para ler algumas lihas da mais pura sacanagem. Para o bem de milhares de crianças nesse Brasil que são expostas a drogas como NXZero, CPM22, Cláudia Leitttte ou sub-literatura de gente que gosta de arrotar vidas marginais de bar em bar sem nunca terem tomado contato com esse mundo, uma revista ou suplemento como a Fórum devia voltar ao mercado.


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"Como eu peguei a namorada do emo chifrudo" é o nome do conto que Messias Jardan escreve como ghost writer para um amigo. O retratista lascivo e literário fez o click num pasto em Mossoró, cidade cuja juventude cunhou o termo From Uk.

3 de maio de 2008

Exportação de frentes frias é solução para crise argentina

Buenos Aires (Boca) – Na última segunda-feira, após quarenta e dois dias de panelaço em uma avenida larga e comprida, a presidente argentina Cristina K. anunciou uma medida polêmica para enfrentar a atual crise rosada. A partir de maio, os brasileiros pagarão mais pelas frentes frias e zonas de inversão térmica fabricadas na Argentina, o que deverá onerar ainda mais o trabalho dos já penalizados meteorologistas no Brasil. Desde o advento da televisão, o país é o principal mercado consumidor desse produto.

Os argentinos apóiam a medida. Elviro Matildo, comissário do Ministério das Relações Argentinas Queridas (MIRAQUERICO), critica a postura do Itamaraty. “Os brasileiros não podem pensar que somos como os paraguaios, que vendem energia e muamba a preço de banana ao Brasil”. E completa: “O Ronaldinho é um saco”. A decisão gerou desconfiança em Mossoró (RN), onde não existem argentinos vivos. Para o vereador sem partido Aupatino Ribeiro, a cidade tem capacidade suficiente para rivalizar com os portenhos exportando frentes quentes, muito mais procuradas no mercado, principalmente por turistas chineses.

Na semana passada (no fim de semana), uma convenção reuniu 775 milhões de empresários em Beijing interessados na produção pirata de frentes quentes para abastecer Gru, o dragãozinho chinês. “A Globo e todos os canais de televisão são cúmplices ocultos, porque fazem propaganda disfarçada das frentes frias, embutida na previsão do tempo”, explica Aupatino. “Nunca pedi frente fria”.

Mas o discurso brasileiro destoa no cenário da opinião pública internacional. O guru americano Al Gore, 73, lembra que o planeta nunca esteve tão perto do colapso ambiental e profetiza que o mercado de frentes frias será a solução para a problemática do aquecimento global. A cada 24 horas, observa o palestrante, uma área equivalente a 56 circos do Marcos Frota é derretida nas Calotas Polares. “Meu próximo documentário será sobre isso, eu acho”, explica.

Mesmo no Brasil, a política de Cristina K. tem sido incentivada em alguns setores. A traficante de classe média carioca Mara, que mora na Barra, defende a importação das frentes frias argentinas e as considera agradáveis para se reunir com amigos surfistas em volta da fogueira em Angra. “Nada a ver esse lance”, observa.

gato Fávio
Atualmente sem cobertor e dormindo num canto escuro da sala, o gato Flávio comemora a alta das frentes frias e espera que o Brasil invista mais no clima quentinho. “No momento não quero falar sobre o assunto”, comenta. Messias Jardan roçou sua barriga e fez o clique.

* Com Paulo Guedes

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