Assim como não há ficção mais brutal que a realidade, não há também nenhuma mais engraçada. Ressalte-se que na maioria das vezes o que nos faz rir nem sempre é algo bacana, haja visto o interesse até mórbido para vídeo-cassetadas e afins. Em matéria do Estadão do dia 16 ficamos sabendo dos possíveis candidatos para a eleição do segundo semestre em São Paulo. Na reportagem há listado Sérgio Mallandro, Ronaldo Ésper, Renata Banhara (?), Rafael Ilha, entre outros. Não que uma pessoa pública não possa concorrer a um cargo eletivo, vide vultos internacionais como Cicciolina, Jesse Ventura, Clint Eastwood e Ronald Reagan. Não é um fenômeno nosso ter Frank Aguiar, Clodovil, Lula ou Agnaldo Timóteo, mas que é curioso, é.
Dos citados acima a única exceção que mereceria meu voto (grande coisa) é Eastwood. Um homem que dirigiu clássicos como Os Imperdoáveis, Menina de Ouro, Cartas Para Iwo Jima, entre outros, e interpretou "Dirty" Harry Callahan, Philo Beddoe, Joe/Monco/Blondie, etc., merece o voto de qualquer um. Mas e os outros? O próprio Reagan não tinha nada que garantisse que faria um bom governo. Vá lá que entrou na paranóia da Guerra Fria, mas eram outros tempos e, pelo menos, ajudou na derrocada das ditaduras comunistas no leste europeu.
Na matéria da Folha lemos que Rafael Ilha, ex-vocalista do Polegar e que ficou notório pelos problemas com drogas pesadas, hoje é proprietário de uma clínica de reabilitação. Acredito e sempre torço pela recuperação das pessoas, de que podem se redimir de seus erros. Mas, qual a credibilidade dele nesse caso? Tem todo o direito de se candidatar. A lei lhe garante isso, mas duvido muito que consiga os votos necessários para exercer qualquer cargo.
Sérgio Mallandro se filiou ao PTB e deve concorrer a uma vaga na Câmara Municipal paulista. São Paulo já elegeu o Maluf várias vezes, assim como meu estado mantém Jader Barbalho na vida pública há décadas, por isso não duvido que o homem do Gluglu possa se dar bem. Em tempo, foi ele quem fez uma pegadinha com o citado Ilha, na época em tratamento para se livrar do vício, na qual lhe oferecia drogas. Não era piada. Não teve graça. Tomara que assim como seu programa ele seja ignorado mais uma vez.
É claro que por trás de um personagem bizarro pode existir um artista que, como cidadão, tenha idéias interessantes. Simplesmente descartá-lo beira o preconceito. Na mesma reportagem do jornalão paulista há, por exemplo, o mesa-tenista Hugo Oyama, maior medalhista brasileiro em jogos Pan-Americanos e que convive com as dificuldades do esporte amador desde que aprendeu a dar as primeiras raquetadas. Pode ser que de venham boas ações para o esporte, assim como pode ser que não.
Mas a lista é pobre em nomes inspiradores. Renata Banhara, uma dessas modelos que vive de posar nua, inspira muita coisa em mim, mas nada que a abone a receber um voto. Já Netinho de Paula, ex-vocalista do Negritude Júnior e apresentador de um programa dominical (acho que na Record), não inspira nada que não seja asco pela música de péssima qualidade que nos proporcionou por anos. Pode até ser que seja gente boa. Sabe como é, um cara de suíngue, bom papo, namorou a Taís Araújo, essas coisas. Mas, na boa, não dá.
Se em São Paulo é assim, fico imaginando como é no resto do Brasil. Isso é assunto para o próximo post. Vou escolher um candidato bem batuta para poder mudar meu domicílio eleitoral.

Amanda Silver era uma candidata honesta, proba e com algumas boas idéias. Mas bastou começar a campanha na rua para não angariar nem um voto. Nem o do marido. O click cheio de sufrágio é de Messias Jardan.