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31 de março de 2008

Grandes aborrecimentos deste início de mês

Não bastaram as piadinhas de repartição, o humor insistentemente chato sobre o tema e os toques de celular. Muito menos a extensão, ao mundo real, dos debates acalorados daquela sala da PUC do Rio cheia de adolescentes espinhentos, malvados e brancos, que sustentam o tráfico e o crime na cidade maravilhosa. Não, meus amigos, ainda tinha que acontecer isto aqui:

Caveira Motivacional

Como as regras do Batalhão de Operações Especiais, da pm do rio, que inspirou o premiado e polêmico 'Tropa de Elite', viraram bíblia de palestras e são aplicadas no dia-a-dia de grandes empresas."

Mais:

“Storani inflama a platéia com a terminologia usada pelos policiais no filme. "E quem não está satisfeito...", provoca ele. O público reage, de pronto. 'Pede pra sair!', respondem os engravatados, usando o bordão que tomou conta do país logo após o lançamento do filme em outubro do ano passado.”

E o tiro de misericórdia da leitora assídua dos ensinamentos do papa do marketing e da revista Seleções!:

"Os mais empolgados levam os conceitos para dentro das empresas. Não falta nem a caveira, símbolo máximo dos policiais durões do batalhão. 'Quando alguém consegue bater a meta, faz no computador um bonequinho com a caveira do Bope e manda por e-mail', conta Patrícia Olivani, 36, coordenadora de vendas do Unibanco AIG. 'Nas palestras, fazemos uma auto-reflexão, buscando as características do 'caveira' dentro da gente'."

Eu adoro os picaretas. Eles conseguem ir aonde nós não temos saco nem cara de pau para chegar. Estabelecem com seus rebanhos uma relação quase paternal, embora dos nossos pais a gente pouco escute. Essa dose de oportunismo e filhadaputice deslavada por si só já é fascinante quando falamos das grandes massas. Mas quando o Felipão aparece para ensinar a megaempresários os caminhos do sucesso, o Parreira revela como o senso de liderança levou-o a ganhar a Copa de 94 e o vendedor pit-bull ensina a jovens talentos do marketing como capturar seu consumidor, o tesão é ainda maior.

O segredo da picaretagem empresarial é basicamente uma combinação de metáforas, analogias e claro, a dinâmica de grupo. Um quebra-cabeça montado em grupo representa o enfrentamento dos desafios da empresa de forma colaborativa. E aí se você não tem saco para quebra-cabeças simplesmente porque acha isso um dos passatempos mais chatos da História, está fadado ao lodo empresarial e à pecha de individualista.

Ostentar algum título bizarro ou de PhD – que, como lembra Francis Wheel em “Como a picaretagem conquistou o mundo”, seria “quase o mesmo que trazer a advertência ‘Este homem é perigoso’” -, pode garantir ainda mais status entre gente perdida e sujeita a comprar qualquer porcaria que lhes garanta revelar o segredo para fazer amigos, influenciar pessoas ou qualquer outro milagre das relações interpessoais.

Talvez porque, no fim das contas, picaretas façam realmente bem a essa gente.

niarton.JPG O vendedor Carlos Apolinário, de Mossoró (RN), era o maior palestrante empresarial do país. Líder nato e marqueteiro agressivo, incorporou o vendedor pit-bull em uma palestra e mordeu um menino de 6 anos até ser abatido por vizinhos da criança. Na foto, registrada por Messias Jardan momentos antes do ataque, Carlos mostra como vender produtos da Avon para senhoras.

Update:

Doda: http://www.elvishelder.com.br/web/
depois da apresentação, clica em "produtos"
ele dá palestras motivacionais
Sent at 10:46 AM on Wednesday

me: meu
esse cara tá ganhando dinheiro
pq o site é bom
pra grande porcaria que ele é
picareta

Doda: tá fazendo sucesso aqui na agência agora, é o hit da manhã

me: a palestra motivacional!!!
linkar o sucesso de elvis presley com o sucesso do empresário!!!
porra!!!
o cara morreu gordo e drogado!!!
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH
cara
vou fazer um update no meu post

20 de março de 2008

Mallu Magalhães fica de recuperação e desmarca show no recreio

Primeira rockstar kid destes anos 2000, considerada herdeira da magia musical do Trem da Alegria, Mallu Magalhães decepcionou em Química e Matemática e cancelou sua apresentação que aconteceria durante recreio, ao lado da lanchonete, para se dedicar às lições. “Ainda não saquei qual o papo dessas equações de segundo grau e também não curto química orgânica. Só gosto de OSPB, mas a tia Beth tá doente e não tá indo pra escola", explica a pequena notável com exclusividade para a nossa reportagem.

Em compensação, o pai de Mallu já solicitou a sexta e o sábado no salão de festas do prédio para duas apresentações da filhota, desde que ela decore a tabuada e arrume o quarto. A única exigência do seu Álvaro, síndico do prédio, é que a música termine antes das 20h, pois “tem muita gente de idade no condomínio”.

E os fãs que comparecerem ao edifício podem ficar tranquilos, pois sim, teremos pipoca e algodão doce. “Agora só falta um palhaço bom, no último show chamamos o Tio Bolota e ele me chegou aqui só cachaça, aí não dá, né? Vocês tem o telefone de algum outro?” perguntou ao nosso repórter a mãe da popstar mais kid do país.

ressaca_mallu.jpg

Cogitada para compor a trilha do próximo DVD da apresentadora Xuxa (Xuxa só para folkinhos), Mallu Magalhães descartou a proposta e preferiu se dedicar exclusivamente ao seu próximo disco, “Math? No matter, mom”, no qual fala da sua conturbada relação com a matemática e de todos os problemas que enfrentou ao esconder dos pais o boletim da quarta avaliação. O clique caramelizado e com flocos crocantes é de autoria do achocolatado Messias Jardan.

18 de março de 2008

O pau da poesia

Tá dando pau
Vou refreshar
Pau que cravas em minha tela como se fosse a pele de um animal.
Downloads que sinto ocuparem as entranhas do meu HD em uma busca
por algum prazer fálico, flash, memory, card.

MACs, HPs e IBMs
Como se o império das siglas pudesse me formatar!
Mas há quand'alg'há de ser feito no reboot
Só te peço que me escute
No meu nickname

Em minha memória externa chegam posts e mais posts
Penso, por que não me feeds?
Comento em anonymous que we can't stay like this
Teríamos cometido uma operação ilegal?
Em uma arroba de paixão avançamos algum terreno proibido?
Nossa paixão termina em uma tela
Azul

Na tábua rasa de meu samsung
No desktop que me entope
Na cpu do desterro me traz ansiosa um recado de error
(e que dela faço meu renome)
Não me venha com spams de sentimento
Se violei o lacre foi porque me garantias...
Porque por você eu baixaria a lua
Faria o download do céu
E colocaria, minha máquina, na tua

Scrap, scrap, roço meus seios em tuas costas
Se queres
Vem em minha home
Testemunha meus desafetos
Come do pão das minhas comunidades
Se delicia - olha como tenho amigos
Vê que em pouco tempo construí um império

Gostou? pega a senha e entra na fila!
Tudo bem, cala a boca e beija logo!
Adoro dormir de conchinha, odeio acordar cedo
Sou fã do Diogo Mainardi

---

*Texto resgatado por Doda Vilhena e Rafael Guedes de um antigo blog-cabeça mantido por ambos no qual, além de poesias, os dois também criavam periquitos, samambaias e roteiros para filmes iranianos.

ressaca_poeta_marginal.jpg

Poeta cybermarginal roots, Glório 486 faz dinheiro construindo perfis para meninas que buscam algo além de um Los Hermanos para compor seu Orkut. O autor da fotografia, com todo o respeito, é o taciturno Messias Jardan, ainda absorto em seu solilóquio.

16 de março de 2008

Presente brasileiro não passa na alfândega americana

Mais importante secretária de estado atualmente nos Estados Unidos, Condoleezza Rice recebe presente de grego no Brasil e a relação entre os países está estremecida.

El Salvador - Em recente visita a Salvador, maior cidade mais próxima a Mossoró, a secretária de estado norte-americana Condoleezza Rice se encantou com a capital baiana. Ela visitou os pontos turísticos, provou da comida típica, foi atrás de dois trios elétricos, teve uma breve mas sentida infecção intestinal e assinou vários projetos de cooperação entre USA e Brasil.

Sentindo-se em casa, a afro-negrinha gringa estava como pinto no lixo até que o cerimonial brazuca aprontou das suas. Em retaliação por causa do embargo a Cuba e à carne de calango mossoromita, o governo petista tratou de mandar bombas de efeito retardado. Primeiro foi o acarajé, depois uma apresentação de 40 minutos de Carlinhos Brown - o que é proibido pelo Protocolo de Kioto - e, para arrematar, deram-lhe de presente um espécime de Preta Gil.

- What is this?, perguntava insistentemente a parda que mais manda nos Estates depois da Beyoncé.

Aparentemente o regalo estava fora do prazo de validade, já que não parava no lugar, esperneava, beijava os presentes e ameaçava a todos com poses "sensuais". Fontes do Serviço Secreto dos Estados Unidos (Sesedos) garantem que o raro exemplar - infelizmente fora da lista dos que estão em processo de extinção - foi mandado para Guantánamo.

Protesto - Mas, nem tudo foram flores na visita soteropolitana da mandatária estrangeira. Uma caravana de uma famosa cidade nordestina com cartazes com os seguintes dizeres "Ianque, gol rômi! O petróleo de Mossoró é nóço"

"É, esses americano só gostam de petróleo que eu sei. Eles devem bem tá querendo invadir Mossoró pra ficar com nossas riquezas. Nem sei como é ou pra que serve o petróleo, mas é coisa nossa como a Dança da Cabrita Manca e o sarapatéu de calango", comentou Jebedão Pantoja, presidente do Sindicato dos Amansadores de Bode de Mossoró e Adjacências (Sinabomias).

Preta.jpg

Educada, Condoleezza aceitou o presente e levou consigo o exemplar de Preta, mas tirou do cartão corporativo do Ministro Gil o excesso de bagagem. O click cheio Meu Rei é do retratista Messias Jardan.

14 de março de 2008

Dia Internacional do Rim passa batido

Instituído para homenagear o aniversário do rim, o Dia Internacional do Rim deste ano foi um pouco mais animado do que de costume, embora ninguém tenha notado. Por todo o mundo, o 13 de março foi marcado por eventos sociais e ações coordenadas para chamar atenção para o fato de que quase ninguém sabe onde fica o rim. Entre uma pedra e outra, Ressaca Moral cobriu alguns dos mais eventos importantes pelo Brasil.

Crato (CE) - Liderado por Neguinho do Rim, o grupo circense Rim é o Melhor Remédio realizou sua tradicional apresentação no centro da cidade. Com a ajuda de voluntários que passavam pelo local, a trupe encenou de forma descontraída o “golpe da banheira”, em que incautos são envenenados e têm um dos rins roubados após dormirem em uma banheira cheia de gelo. Elielton Maués, 26 anos, faleceu no local após ter seu rim esquerdo retirado. Neguinho do Rim minimiza o incidente: “Todo mundo tem dois rins, como eu ia saber que esse cara só tinha um?”, brinca.

Mossoró (RN) - Sempre à frente de seu tempo, o MIT (Mossoró Institute of Technology) aproveitou a data para anunciar que pesquisa o desenvolvimento do terceiro rim. Embora já possuam a tecnologia necessária para implantá-lo, os pesquisadores ainda não sabem como lidar com a cobaia Roberval, o primeiro brasileiro a receber o rim extra. “Ele fica roubando minha água e mijando no laboratório”, explica o nefrologista Lupércio Vrikt. “Cara chato”, conclui.

Rocambole (MA) - Com a doação de 135 milhões de reais da prefeitura, a organização não-governamental NEFRO? (Não Estamos Furtando Rins, Ok?) exibiu o espetáculo "Eu Vou Até o Rim". Através de coreografias inspiradas no funcionamento do sistema excretor, a ONG mostra à sociedade que seus integrantes não roubam rins, já que a entidade ainda não dispõe de contatos entre traficantes de órgãos.

Rio de Janeiro (RJ) - Milhares de rins da URINA (União dos Rins Autônomos) se vestiram de branco e entoaram a canção "Menino do Rim" para dar um basta à violência da Nova Schin – a sociedade Viva Rim estima em oito milhões o número de rins desaparecidos por causa da cerveja. Faixas e cartazes exibiam os dizeres “O Rim continua lindo”. Houve tumulto e os policiais atiraram pedras nos rins, que sofreram muito e precisaram se submeter a uma espera de oito horas no SUS.

Hermógenes Caladinho
Hermógenes Caladinho foi um dos populares que prestigiou a XXIV Rim, Ri e Renci, em São Paulo. Em uma das barracas de serviços gratuitos, Caladinho tatuou o nome da namorada no próprio rim, já que não havia mais espaço disponível na pele. O clique nefrológico é de Messias Jardan.

Colaborou Rafael Guedes

5 de março de 2008

Que cozinha eu quero pra mim?

Ressaca Moral analisa os reflexos da gastronomia masculina numa vida a dois.

Bife com feijão – Demonstra insenbilidade e tendência a comportamentos primitivos, como usar o vaso de porta aberta e fazer piadas com parentes dela. Se o bife for frito em frigideira previamente utilizada para outros fins, pode indicar também descuidos como badalhoca e feijão nos dentes.

Sanduíche natural – Sem pestanejar, você sabe responder o nome dos diretores e protagonistas de pelo menos 13 comédias românticas. Acredita em auto-ajuda e resenhou ‘O Segredo’ para um blog de seu município. Manda cartas para jornais porque acredita estar contribuindo com a sociedade e participa de rodízios de veículos com um sorriso no rosto. É fã do Biquíni-Cavadão e bunda-mole por natureza.

Kedgeree de salmão à francesa – O recente contato com programas televisivos matinais está fazendo mal para você, que passou a freqüentar lugares antes abomináveis, como shows de sapateado, teatro de rua e lojas de presentes regionais. Comprou a última temporada de Sex And The City e, mais, participou de uma promoção para conhecer a Sarah Jessica-Parker com tudo pago.

Cozidão – Seu jeito pegador e suas advertências verbais garantem o equilíbrio na relação. Sua garota não se importa se você deixá-la sozinha em casa num sábado à noite – na verdade, ela sabe que não possui outra opção se ainda quiser ter um sorriso bonito na vida. A janta a dois tem o charme da luz de velas, embora isso aconteça porque você esqueceu de pagar a conta de luz e fez um gato que funciona apenas de madrugada.

Ovo – Você é um homem prático, dinâmico e que prefere não perder tempo agora que seu relacionamento acabou.

rage against the machine2.jpg Uma das exigências de camarim da banda Calypso em seu shows é o kibe de açaí com granola, iguaria típica de Belém (PA). É a forma que Chimbinha (primeiro à esquerda) encontrou para agradar Joelma (ao fundo) nas longas turnês da banda. Messias Jardan invadiu o camarim disfarçado de libélula, apanhou, mas fez o clique

3 de março de 2008

Os shows que eu não assisti: Iron Maiden

Por Cruzmaltino Bandeco*

Se existe um estilo musical que nunca fez sucesso mas sempre encheu o saco é o Heavy Metal, uma mistura esdrúxula de mitologia de araque, caveiras e rapazes de cabelo comprido com calças pra dentro da bunda. Em geral, grupos de Heavy Metal são compostos por algo entre doze e dezoito integrantes. O número exagerado de músicos tem uma explicação óbvia: quanto mais gente zanzando em cima do palco, mais fácil esconder do público a falta de intimidade com os instrumentos musicais.

Um dos ícones do gênero é o conjunto estrangeiro Iron Maiden, cujo nome em português quer dizer “moça de ferro” — onde eu nasci, homem com essas manias apanha de cinta do pai. Na última semana, eles estiveram no Brasil para se apresentar em um estádio de futebol abandonado. Não pude ir ao show por causa de um terçol que me obriga a fazer compressas o dia inteiro. Mas não tenho do que reclamar: pelo que me disse meu amigo Décio, que é metalúrgico e entende tudo de metal enferrujado, a apresentação foi um fiasco.

Para o Décio, o que torna estes senhores de calça de couro uma referência para os metaleiros é uma incógnita. Mas um olhar superficial sobre seu show e como age seu público dá algumas pistas: no palco, uma caveira de isopor anda de um lado pro outro tal qual o Robocop, e isso leva às lágrimas gordos cabeludos na platéia. Ao mesmo tempo, panos com esfinges e pirâmides surgem e somem sem motivo aparente atrás do vocalista, fazendo-o uivar e gargalhar como uma bruxa do desenho do Pica-pau.

Se o show do Iron Maiden já é um espetáculo de circo de mau gosto, musicalmente a moça de ferro lembra um daqueles LPs coloridos que se usa para distrair crianças no recreio: as músicas são basicamente sequencias de notas iguais, e os vocais se resumem à repetição em diferentes tonalidades de um tal “ô, ô, ô, ô” — o que torna mais fácil rimar e permite que o público cante junto com a banda sem o trabalho de decorar. Em algumas composições mais trabalhadas, as letras falam sobre as típicas angústias do metaleiro de meia-idade, como o medo de escuro em Fear of the Dark ou a obrigação de voltar cedo pra casa em Two Minutes to Midnight (“2 minutos para a meia-noite”).

É difícil entender o que faz alguém sair de casa para ver algo desse nível. Pra piorar, ao final da apresentação, Bruce Dickinson, o vocalista do conjunto, prometeu voltar ao Brasil no ano que vem. Eu espero que isso não passe de mais uma encenação da banda feita sob medida para acalmar um público mimado, mas em todo caso estou descuidando de meu terçol para garantir minha ausência novamente.

Nota: zero.

eddie_im.jpg

Desgastado e fora de forma, o boneco Eddie circula pelo palco sem saber para onde ir e acaba tropeçando por cima da bateria, que pára de funcionar. Na platéia, ninguém notou qualquer diferença na música. O clique carnavalesco é de Messias Jardan.

* Cruzmaltino Bandeco tem 53 anos e é crítico de música e cinema há 22. Publicou, nos anos 70, diversas reportagens sobre as pornochanchadas que não pôde assistir. É autor de quatro ensaios sobre o prêmio “Kikito de Ouro” e do livro de contos “Memórias do Mercadinho”. Sofre abusos sexuais de seu tio Milton Osvaldo desde a adolescência.

1 de março de 2008

Separados venceremos

Com a proclamação da Independência do Kosovo várias outras repúblicas espalhadas pelos quatro cantos começam a reivindicar mais autonomia. Aqui, ali e acolá pipocam movimentos separatistas, revoluções ou simplesmente passeatas a favor da meia-passagem nos ônibus. Sempre na crista da onda dos acontecimentos internacionais, o departamento de Jornalismo e Hortifrutigranjeiro do Ressaca Moral lista alguns desses territórios mimados e cheios de vontade que querem se separar.

Mossoró - Principal centro industrial, cultural, financeiro e dona da maior jazida de pedra-pome do mundo, a capital informal do Brasil há muito merece ser um país. Semana passada, como estava sem nada para fazer, o vereador Jonatas Aissimíler - batizado assim em homenagem ao nadador olímpico e primeiro Tarzan do cinema -, o Ziquizira, propôs que os mossoromitas mandassem o Brasil às favas e criassem ali um estado Independente. De presto foi ovacionado. O problema começou quando o líder da oposição, vereador Tito das Dores, quis oficializar o Baraúnas ("Leão do Oeste") como representante local na próxima Copa do Mundo. Os torcedores do Potiguar (Time Príncipe) depredaram o prédio de 28 andares da assembléia legislativa e o assunto foi adiado. Por enquanto.

Glurutão - Se conseguir a independência será a menor república do mundo. Localizada no quintal de um apicultor em Strblsklwyvski (pronuncia-se "óia"), interior da Polônia, essa nação é constituída por 45 famílias de ciganos muito simpáticos que dividem um quarto e sala. Ninguém nunca deu muita bola para eles, até porque nem mão eles sabem ler direito, e, justamente por causa disso resolveram que era a hora do basta. Marcaram o ato de independência para o próximo mês, assim que conseguirem descolar um troco com a venda de quinquilharias na venda de Dona Zoraide.

Piauí - Tão logo soube das intenções separatistas dos dirigentes desse brioso estado da federação o governo central mandou paralizar as obras de transposição do Rio São Francisco - o Velho Chiquinho - e enviou todos os tratores, os trabalhadores, toda a verba e os voluntários para lá. "Cava esse estado todinho e joga ele nu mar di vez", teria dito um político lá de Brasília que tem apenas nove dedos e possui gramática tatibitate.

ressaca.JPG

Foto de 1975 do grupo separatista mossoroense Alossondro Sotomayor da Silva, que desde então luta na clandestinidade pela independência da Cidade-Estado. Sem o apoio popular de outrora desde o atentado terrorista que derrubou as torres triplas de Mossoró, hoje os membros do ASS sobrevivem com apresentações de danças folclóricas ou tocando azabumbas nos shows do Cordel do Fogo Encantado. O click revolucionário é de Messias Jardan, o retratista que endurece pero no perde la ternura, jamás.

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