Expressões que você deve evitar II – o ambiente corporativo
“Nosso objetivo pode ser resumido em três palavras: crescer, crescer e crescer”
Repetir três vezes a mesma palavra quando você avisou antes que irá citar três palavras é uma das coisas mais idiotas para se fazer no ambiente corporativo. Se você achou que ia ser engraçadinho, surpreender, ganhar moral com seus subordinados, errou feio. Sua idéia não parecia ruim: “Vou avisar que tenho três palavras para citar, assim eles ficam mais atentos. Repito a mesma palavra que é pra fixar bem na cabeça deles” – mas fracassou: não tem nada de original, é previsível e pedante. O pessoal pode até ser preguiçoso, mas não é trouxa; pode até ser puxa-saco, mas ninguém tem paciência pra forçar sorriso amarelo em reuniões enfadonhas. E de qualquer forma todo mundo sabe que o objetivo da empresa é crescer, ora bolas. Da próxima vez, ou você escolhe bem as tais três palavras ou esquece essa reunião inútil e deixa o pessoal trabalhar. Assim, quem sabe, a empresa cresça mais.
“Senhores colaboradores, por favor queiram estar se dirigindo ao salão nobre onde vai estar ocorrendo uma grande videoconferência”
O leitor mais escolado possivelmente balançou a cabeça e concordou que “queiram estar se dirigindo” ou “vai estar ocorrendo” são faltas graves – mas reclamar de gerundismo já é chutar cachorro morto. A questão aqui é outra, que parece passar em branco no cotidiano: de onde foi que o pessoal do RH tirou que os funcionários preferem ser chamados de “colaboradores”? Colaborador é o infeliz que manda um texto para o Ressaca Moral e fica torcendo para que ele seja aceito – sem receber nada em troca, a não ser uns comentários maldosos. Colaborador é o cara que fecha a torneira enquanto escova o dente para não aumentar o gasto com água. Colaborar é ajudar, cooperar, mas não envolve necessariamente remuneração. Nós, que batemos ponto aqui todos os dias e fazemos questão de receber nosso salário no quinto dia útil, somos trabalhadores. Empregados. Funcionários. Mão-de-obra. Operários. Proletários. O que você quiser, mas “colaboradores”, por favor, não.
“A toda a família Irmãos Gleydson S/A, um feliz ano novo”
Família uma ova. Não é porque nos vemos todos os dias e temos que nos tolerar que somos uma família. Ainda que você trate mal seus funcionários, que provoque intrigas entre pessoas do mesmo setor, que tenha preferência por uns em detrimento dos outros, que seja incoerente em relação a suas cobranças, ainda assim, eles não são parte de sua família. E nem querem ser. A menos que você pretenda encaixá-los em algum lugar de seu testamento.

Arlindo Rodrigues Dugumasvlad (primeiro à esquerda) abriu uma empresa inovadora para tunar carros. Contratou 3 colaboradores e decidiu tratar a todos como uma verdadeira família. Em um ano de empresa, Dugumasvlad conseguiu três coisas: falir, falir e falir. O clique envenenado é de Messias Jardan
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Comentários
Devido à minha personalidade pró-ativa, não pude resistir à tentação de comentar esse texto, que foca claramentre os oito hábitos das pessoas bestialmente eficientes e a incrível ciência exata dos gerentes de RH. Apesar de ter escrito mais de trinta palavras sem dizer absolutamente nada, resta a pergunta: quem mexeu no meu queijo?
escrito por: Gomes em 10/12/2007 às 02:35
Ei... A gente pode mandar textos para vocês? E torcer pra publicarem?
escrito por: Anarcoplayba em 6/12/2007 às 15:26
Perfeito. Nas imortais palavras do profeta: colaborador de cu é rola!
escrito por: helena em 5/12/2007 às 15:50