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26 de dezembro de 2007

Como proceder na guerra contra as drogas

Em Belém do Pará, um condomínio dá o exemplo na luta contra as drogas. Tudo numa boa.

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Por causa de uma bronquite crônica, Messias Jardan não fuma maconha e nem anda de elevador. No entanto, ao visitar a sua tia Divinéia Jardan para pegar uma banda de porco pro Natal, não pensou duas vezes em fazer o xamânico click

23 de dezembro de 2007

Resoluções de final de ano que ninguém cumpre e nem quer

Dar um giro de 360º e crescer profissionalmente - "No ano que vem vou melhorar de vida. Estudar, me especializar, fazer um concurso, ou seja, dar um giro de 360º na minha vida". Cara, se você der uma volta como essa vai parar no mesmo lugar, ou seja, continuará na merda em que se encontra. Eu nunca quis dar uma volta em torno da minha generosa circunferência, mas já pensei em trabalhar mais para melhorar de vida. Mas, aí dormi mais um pouco e esperei essa vontade passar.,

Ser menos sedentário e ter uma vida mais saudável - Todo mundo já se falou isso um dia. A maioria esmagadora nunca cumpriu essa promessa. Na verdade, a porcentagem dos que realmente mudaram os exercícios dos botecos para as academias é ínfima. Eu já fiz exercícios na minha vida. Foram meses jogados fora. Quem já freqüentou uma academia sabe que uma das cenas mais surreais é a de pessoas se olhando no espelho, checando cada milímetro do corpo para saber se os músculos estão em forma. "E aí moleque, tô maior já, não?", uma vez perguntou pra mim o marmanjo. Não respondi, juro.

Nunca mais falar sobre o "Tropa de Elite" - Prometo não só não mais comentar sobre esse filme como nunca mais ouvir, nem incidentalmente, aqueles funks horrorosos sobre a obra. Porra, depois de mais de 30 anos o Brasil faz um filme com um policial anti-herói e a sociedade fica ou escandalizada ou glorificando o Capitão Nascimento, quanta babaquice! É um filme, porra. Só isso. Tenho amigos que já viram e dizem que é até um filme legal, mas agora já é uma questão de honra, não verei mais esse filme.

Tratar melhor meus filhos e ser mais tolerant... - "Porra, de novo? Que barulho dos infernos! Cala boca porra. Não vê que tô escrevendo? Não me enche o saco e vai pro teu quarto...".


Flavio.jpg Para ganhar um troco no Natal e passar o ano novo numa náice, Gato Flávio tratou de organizar um workshop aos seus pares sobre animação natalina. Adepto da fuzarca, ele fez o maior sucesso entre os bichanos. O click "ano que vem eu tiro o pé da merda" é de Messias Jardan.

17 de dezembro de 2007

Seu Juvenal é só astral II

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14 de dezembro de 2007

Quem é morto sempre aparece

Máquina fotográfica em mãos, todos a postos para a pose e, quando a imagem é revelada - hoje se diria quando ela é vista no computador - eis que aparece uma surpresa. Um componente a mais, algo ou alguém que não estava lá. Não é um caso raro, muito menos isolado. A tentativa de captar imagens de espíritos por meio de máquinas fotográficas ou de vídeo tem sido uma constante na história da investigação do mundo espiritual. Existem fotos clássicas a esse respeito, como a de lorde escocês Combermere. Em 1891, no mesmo momento em que Combermere era enterrado, uma foto da biblioteca de sua mansão registrava um vulto. Depois de uma hora de exposição uma figura difusa surgiu numa cadeira, sugerindo a imagem de um homem de idade. Os parentes do lorde garantiram que era o tal que aparecia na foto.

Em Belém, em 1921, o então advogado e futuro desembargador Nogueira de Faria lançou "O Trabalho dos Mortos (O Livro do João)", livro com nome de ficção científica de última qualidade que relata as experiências mediúnicas da família de Eurípedes Prado, " guarda-livros da firma Albuquerque & Cia., desta praça, e cavalheiro muito conceituado nesta Capital", tal como explica a reportagem de 20 de maio de 1920 da Folha do Norte, jornal que já não existe. Os fenômenos de materialização foram fotografados pelo maestro Ettore Bosio. Considerado o primeiro documento de prestígio do fenômeno no Brasil e um dos pioneiros no mundo, a publicação ganhou o país entre os adeptos do Espiritismo. A fama das médiuns da família paraense ganhou corpo por conta das fotos que mostravam vários espíritos materializando-se através do ectoplasma. O João do título refere-se ao espírito de mesmo nome, o mais assíduo das sessões entre os Prado.

O ectoplasma, aí um aposto para o tecnicismo, é uma substância amorfa e vaporosa com tendência à solidificação e que, por influência de um campo organizador específico, a mente dos encarnados (vivos) e desencarnados (mortos), pode tomar diversas formas. Podendo ser fotografado, tem cor branco-acinzentada, pode ser desde uma névoa transparente até a uma forma tangível. O Ectoplasma é doado pelo médium depois da moldagem pelo processo de condensação e, posteriormente, retorna à sua fonte (o médium) por mecanismo inverso.

O fotógrafo e artista-plástico paulista Mário Ramiro estudou em 1991 na Alemanha a técnica fotográfica Schlieren, que permite registrar as emanações de calor em volta de corpos quentes. Lá se aprofundou nas pesquisas sobre a fotografia e conheceu os muitos estudos que já haviam sido realizados não só na Alemanha, mas também na França, nos EUA e no Canadá sobre o registro do invisível. Ao retornar ao Brasil, percebeu que aqui ainda não havia sido feito nenhum trabalho sobre esse universo chamado da "Fotografia dos Espíritos no Brasil". Foi então que chegou ao trabalho dos paraenses.

"A minha tese é a de que essas fotografias, produzidas no contexto do espiritismo ou ainda da chamada parapsicologia (hoje conhecida como "psi"), apresentam uma gramática visual, uma composição fotográfica muito semelhante à chamada "Fotografia encenada" (em inglês "staged photography"), estética artística muito em voga ao longo dos anos 80 do último século e que foi, em grande parte, responsável pela conquista definitiva do estudo da fotografia como arte", explica Ramiro.

Os fenômenos na casa dos Prados foram amplamente relatados pelos jornais mais importantes da época, a Folha do Norte e O Estado do Pará. A primeira vista, tanto para quem é cético quanto aos leigos, as imagens aparentam ser montagens ou simples sobreposições de negativos. No entanto, as fraudes sempre estiveram sob a ferrenha ótica do Espiritismo, doutrina que sempre teve um pé fortemente fincado na legitimação científica. Até hoje, com todas as técnicas avançadas de análise fotográfica não se provou nenhuma fraude do caso paraense.

E esse controle se faz necessário porque uma fraude pode acontecer propositalmente ou não. No caso dos espíritos que mal aparecem, simples borrões, a explicação mais corriqueira que se trata do excesso de tempo de exposição das chapas à luz. É bom lembrar que no começo do século passado o tempo para que fosse feita uma foto era muito maior que hoje em dia. Quanto maior tempo que o obturador (que regula o tempo da entrada da luz) e o diafragma (que regula o tamanho da abertura da entrada de luz) ficarem aberto maior será a chance de uma pessoa que não está no foco sair borrada. Já a aparição de um corpo estranho pode ser explicada pela reutilização de uma mesma chapa ou negativo. Em tempo, esses são exemplos de erros que podem acontecer, contudo, é bom reforçar novamente, nunca foi provado nada que desautorizasse as fotos do maestro.

As fotografias de fantasmas são consideradas por alguns pesquisadores dos fenômenos parapsíquicos e espirituais como uma fonte confiável de informação e contato com outras dimensões, desde que devida e criteriosamente analisadas. Por conta de seu pioneirismo as fotos sempre foram alvos de olhares enviesados. Mas, nos anos que se seguiram vários outros relatos semelhantes foram registrados. Alguns, inclusive, com a presença de Chico Xavier, o mineiro considerado o principal médium brasileiro.

"Não havia técnicas suficientes pra manipulações das fotos. Fraudes existem, isso é fato, mas, fato é fato e enquanto o homem ver apenas o corpo não verá a alma", comenta Heitor Lacerda, terceiro vice-presidente da União Espírita Paraense. Hoje tais fraudes são facilmente feitas e, da mesma forma desmontadas. Os recursos à mão são enormes e acessíveis até para quem não é profissional da área.

Desde o ano passado, por exemplo, o inglês Richard Wiseman, da Universidade de Heartfordshire, encabeça uma força-tarefa científica para tentar desvendar os mistérios que cercam fotografias que há décadas desafiam a ciência. Considerado o "inimigo número um dos fantasmas", tornou-se célebre após coordenar, em 2003, uma pesquisa que derrubou a aura fantasmagórica dos castelos de Hampton Court (Inglaterra) e South Bridge Vaults, na Escócia, então alguns dos casos mais famosos que se tinha notícia.

A Materialização, segundo a doutrina espírita, se dá com a união de dois componentes do espírito, a alma e o perispírito (o terceiro é o corpo). É um fenômeno material, como é classificado o espírito, que estaria numa freqüência diferente da nossa e que pos isso precisa de um receptáculo humano - os médiuns - para aparecerem. "O espírito tem poderes que o corpo não tem. O corpo é um escafandro abafador desses poderes. Nos sonhos fazemos coisas impossíveis ao corpo, como voar. É o espírito em ação", explica Lacerda.

Mário Ramiro ressalta que seu interesse é puramente científico, sem entrar no mérito religioso dos fenômenos registrados nas fotografias. Isso é assunto para religiosos e estudiosos do assunto. "Eu não tenho nenhuma experiência pessoal nesse campo e não estou interessado em discutir se tais registros de fenômenos são ou não 'verdadeiros'. Eu não estou habilitado a falar sobre isso, pois sou um artista-pesquisador que, por conta do doutorado, está sendo levado a conhecer de perto a história do espiritismo no Brasil".


Matéria publicada na edição de junho, a inaugural, da revista de.lovely, de Belém do Pará. Não acredito em nada dessas coisas, sejam espíritos ou virgens que dão à luz, mas procuro respeitar as crenças dos outros. A minha editora, que também é minha amiga, me esculhambava dia sim e dia sim para eu colocar mais molho na matéria - "cadê humor nessa porra? - me dizia num dos raros momentos de delicadeza. No final ela gostou. Curiosidade: o título foi o mesmo do email que mandei a ela com a matéria para ser editada. Gostaram do chiste e ficou. Vai entender o que se passa na cabeça desse povo.


Ettore Bosio.jpg Messias Jardan garante que já tirou foto de tudo que é vivo ou não nesse mundo, mas esse click é do começo do século e, naquela época, quem mandava ver nas objetivas era seu bisavô Ficário Jardan. A foto ao lado é do maestro Ettore Bosio. O registro mostra o aparecimento de um espírito (de preto) fantasiado de boneca velha... ou quase isso

O Natal sacal da TV - Reportagens que você vai ter que aturar até o dia 25

"Quem deixou para comprar na última hora enfrentou filas e precisou de muita paciência para estacionar."
Repórteres de tevê têm a incrível capacidade de retratar - e até exaltar - de forma engraçadinha idiotices do brasileiro médio, como o hábito de ficar devendo Deus e o mundo e sua disposição em se meter em cagada. As "filas de última hora" são uma espécie de tema genérico de datas festivas e podem ser aplicadas à Páscoa, ao Dia dos Pais, ao Dia das Mães e até mesmo ao inédito Dia do Marcos Frota, instituído pela prefeitura de Mossoró (RN), onde é ídolo local. Quem já se aventurou a fazer compras de Natal depois do dia 20 conhece o horror de ter que se esfregar em desconhecidos na escada rolante e ver o toilette de shopping, santuário do banheiro como instituição pública e limpa no Brasil, ser transformado em mictório de estádio paraense.

"Em Crato, no Ceará, este aposentado produziu o maior presépio da América apenas com garrafas pet. Uma idéia que enche os olhos e respeita o meio ambiente."
Foda-se o meio ambiente: nada que seja feito de garrafa PET reaproveitada, tampinhas e outros plásticos escrotos têm efeito estético positivo. Que algum arquiteto desocupado arranje um jeito de construir moradias populares com os restos de nossos aniversários de criança - beleza. Mas os presépios de hoje em dia produzem variações tão indigestas que Cristo pediria o auxílio de um personal stylist pra ajeitar o negócio.

"Convidamos três estudantes de Publicidade a comprar presentes para a família com apenas cinqüenta reais. O que será que elas conseguiram?"
Uma bela merda - a não ser que elas decidam apenas cumprir tabela e comprem brindes fajutos e supostamente modernos como a praga dos pen-drives de 256 kb, preferido entre profissionais anacrônicas de RH organizadoras de festinhas com brindes e mais recentemente de blogueiros empenhados em criar promoções inúteis. Pen-drive é a meia da revolução tecnológica e somente outsiders de nossa era o têm valorizado, porque se impressionam ao lembrar de como era o disquete. No mais, com cinquenta reais só se faz a festa no Paraguai, na 25 de março ou em puteiro - os mesmos locais onde vez ou outra a tevê vai parasitar notícia e condenar maus costumes.

natal3.JPG As cagadas de Natal se transformaram em um problema de saúde pública no Brasil depois da entrada do pen-drive e do MP4 player - interpretado por incautos como uma evolução do MP3 - no mercado. Em fulgural e empolgante momento jornalístico, Messias Jardan flagrou a luta de uma mulher para trocar o presentinho bobo e rasteiro em Mossoró (RN) .


13 de dezembro de 2007

Tipos urbanos que você conhece muito bem

Boêmio de shopping
Difícil entender quem vê prazer em tomar um chope em praça de alimentação de shopping. O ambiente geralmente está lotado, existem crianças gritando por todo canto, o banheiro fica longe, não é permitido fumar, a cerveja é servida em copo de plástico e você só tem duas opções de trilha sonora: MPB bunda ou música internacional total eclipse of the heart style. Um cervejeiro de shopping é tudo que a cultura de bar não precisa, está quase no mesmo nível das pessoas que bebem em lava-jato ao som de música de porta-mala.

Analista político de amigo secreto
O amigo secreto parece com aquelas manifestações religiosas que consistem em subir a pé o morro do Quixodó até a gruta do Irerê carregando a imagem de São Gustavo da Boa Bisnaga: uma tradição idiota, mas que ninguém questiona sua falta de sentido por simples comodismo. E no escritório, para não ser taxado de antipático, mais uma vez você será socialmente obrigado a participar da brincadeira. Antes mesmo do sorteio dos nomes, uma figura emerge do limbo: o analista político de amigo secreto. Aquela pessoa que, por meio de análises comportamentais, fofocas de bastidores e sondagens secretas, prioriza em sua vida a descobrir quem tirou quem e o que as pessoas darão de presente umas às outras. Esse analista obtém prazer quase que sexual quando, na entrega dos presentes, suas previsões se confirmam, “Ah! Eu sabia que o amigo da Mirtes era o Olavo!”. Outra satisfação obscura dessas pessoas é obter a condução política da cerimônia: “Ei gente, fechou! O Glédsner tirou a Dona Elza que foi a primeira a falar! Quem quer começar de novo? Xande, pode ser você, vai lá!”

Fã de classic rock
Acha-se superior por somente escutar bandas com mais de 30 anos de existência. Com profundo desconhecimento de causa, dá risadinhas sarcásticas toda vez que alguém tenta lhe indicar algo mais novo, “ah, dessas bandas novas eu só gosto de Nirvana”. Na escala evolutiva musical, o fã de classic rock pertence ao mesmo nível dos xiitas que se vangloriam de somente escutar “música brasileira de qualidade”, ou seja, nada além de Chico, Milton, Caetano, Gil, Maria Betânia e afins. Ambas as categorias têm pavor de sair da sua zona de conforto e gostar de um artista sem que a Veja tenha aprovado.

ressaca_gelda_karloff.jpg

Gelda Karlöff foi a primeira Analista de RH a organizar um amigo secreto cujo sorteio deu certo na primeira tentativa. Ela também levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima após ter sido pisoteada na entrada do último show do Roupa Nova em Macambira D’oeste, na região metropolitana de Mossoró (RN). Messias Jardan, meio trololó após ter tomado uns gorós no Mossoró World Shopping Center, com sagacidade e uma dose extra de licor de sururu, fez deste clique uma ode ao gineceu enquanto integrante do caos urbe-antropomórfico dos nossos dias.

6 de dezembro de 2007

Coleçõezinhas bobinhas da blogosfera

Em agosto de 2007, André Dahmer, velha-guarda da web boêmia, lança o Grande Mapa Dahmer da Blogosfera Brasileira. A sacada, sob medida para criar piadas e raivinhas volúveis, como toda idéia genial, gerou filhotes. O primeiro foi o já famoso Super Trunfo Blogs, do Treta, que não foi uma cópia descarada, mas apenas uma piada com a mesma espinha dorsal: brincadeira com blogs conhecidos para gerar tráfego e - pelo amor de São Post do Vale - cliques.

Depois do Super Trunfo, a idéia mastigada estava na cara de todos os sedentos por links, citações e reconhecimento. Entraram em campo então uma sucessão de esforços preguiçosos para criar coletâneas de blogs. Foram exploradas várias possibilidades, inclusive com objetos improváveis ou temas esdrúxulos, capazes ou não de abrigar nomes de blogs conhecidos ou obscuros.

Aliás, nem é preciso falar desse assunto no passado: os “objetinhos da blogosfera” continuam a pipocar por todos os lados, causando calafrios nos criadores do Photoshop e provocando constrangimento entre os blogs citados, pois a essa altura do campeonato ninguém agüenta mais ser obrigado a agradecer a “homenagem” ou ver sua querida marquinha aplicada em coisas cada vez mais estranhas.

Para os próximos meses, podemos prever alguns novos temas. Os Vasinhos Sanitários da Blogosfera, por exemplo, reunirão os blogs com maior quantidade de comentaristas imbecis da internet, com o vaso fazendo alusão direta às caixas de comentários dos endereços citados.

Já os Rolinhos de Papel Higiênico da Blogosfera serão dedicados aos blogs que necessitam de uma bela limpeza em seu conteúdo. Para os casos extremos, também está sendo preparada a coletânea de Remedinhos Estomacais da Blogosfera, englobando blogs que embrulham o estômago só de ler.

Teremos ainda os Chuchuzinhos de Blog reunindo blogs sem graça, os Quiabos da Blogosfera para blogs que todo mundo já ouviu falar, mas nunca teve coragem de experimentar e, finalmente, as Pretas Gilzinhas da Blogosfera, coleção de blogs que na realidade são uma droga, mas que se acham o último biscoito do pacote.

E, nos bastidores, corre à boca pequena que os Dildos King Size da Blogosfera serão criados por algum blogueiro ressentido, muito a fim de fazer com que seus desafetos passem por desconfortos sexuais (se bem que vários podem gostar).

ressaca_blogosfera.jpg

A blogosfera tomou mingau, comeu frutas, legumes e verduras, crescendo com força e energia em 2007. A lista de celebridades confirmadas para estrear blogs em 2008 é grande e já conta com grandes nomes como os cantores Nelson Ned (Blograndão) e Kátia Cega (Braile Blog), o apresentador de TV Gilberto Barros (Isto é um blog, Brasil!) e a CNBB - Confederação Nacional dos Bispos Bichas com o blog ‘Vinde a mim os internautinhas`. O clique para chamar de seu é de Messias Jardan, agora com abas e uma exclusiva camada de gel protetora.

5 de dezembro de 2007

Expressões que você deve evitar II – o ambiente corporativo

“Nosso objetivo pode ser resumido em três palavras: crescer, crescer e crescer”
Repetir três vezes a mesma palavra quando você avisou antes que irá citar três palavras é uma das coisas mais idiotas para se fazer no ambiente corporativo. Se você achou que ia ser engraçadinho, surpreender, ganhar moral com seus subordinados, errou feio. Sua idéia não parecia ruim: “Vou avisar que tenho três palavras para citar, assim eles ficam mais atentos. Repito a mesma palavra que é pra fixar bem na cabeça deles” – mas fracassou: não tem nada de original, é previsível e pedante. O pessoal pode até ser preguiçoso, mas não é trouxa; pode até ser puxa-saco, mas ninguém tem paciência pra forçar sorriso amarelo em reuniões enfadonhas. E de qualquer forma todo mundo sabe que o objetivo da empresa é crescer, ora bolas. Da próxima vez, ou você escolhe bem as tais três palavras ou esquece essa reunião inútil e deixa o pessoal trabalhar. Assim, quem sabe, a empresa cresça mais.

“Senhores colaboradores, por favor queiram estar se dirigindo ao salão nobre onde vai estar ocorrendo uma grande videoconferência”
O leitor mais escolado possivelmente balançou a cabeça e concordou que “queiram estar se dirigindo” ou “vai estar ocorrendo” são faltas graves – mas reclamar de gerundismo já é chutar cachorro morto. A questão aqui é outra, que parece passar em branco no cotidiano: de onde foi que o pessoal do RH tirou que os funcionários preferem ser chamados de “colaboradores”? Colaborador é o infeliz que manda um texto para o Ressaca Moral e fica torcendo para que ele seja aceito – sem receber nada em troca, a não ser uns comentários maldosos. Colaborador é o cara que fecha a torneira enquanto escova o dente para não aumentar o gasto com água. Colaborar é ajudar, cooperar, mas não envolve necessariamente remuneração. Nós, que batemos ponto aqui todos os dias e fazemos questão de receber nosso salário no quinto dia útil, somos trabalhadores. Empregados. Funcionários. Mão-de-obra. Operários. Proletários. O que você quiser, mas “colaboradores”, por favor, não.

“A toda a família Irmãos Gleydson S/A, um feliz ano novo”
Família uma ova. Não é porque nos vemos todos os dias e temos que nos tolerar que somos uma família. Ainda que você trate mal seus funcionários, que provoque intrigas entre pessoas do mesmo setor, que tenha preferência por uns em detrimento dos outros, que seja incoerente em relação a suas cobranças, ainda assim, eles não são parte de sua família. E nem querem ser. A menos que você pretenda encaixá-los em algum lugar de seu testamento.

dugusmavlad.jpg
Arlindo Rodrigues Dugumasvlad (primeiro à esquerda) abriu uma empresa inovadora para tunar carros. Contratou 3 colaboradores e decidiu tratar a todos como uma verdadeira família. Em um ano de empresa, Dugumasvlad conseguiu três coisas: falir, falir e falir. O clique envenenado é de Messias Jardan


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