O Encontro 2 - Panqueique, Mengão e o indefectível som de fritura
Ronsley era uns dois anos mais velho que eu e uma espécie de ídolo de todos na passagem Coelhinho. Bom de bola, bonitão, gente da melhor qualidade, era muito querido, em especial pelas meninas. Curiosamente, nunca se viu com nenhuma delas por mais de uma noite. "Esse aí não quer compromisso, quer apenas 'cortir'", diziam os mais velhos. O único defeito do mancebo é que não era afeito aos estudos. Achava que a esperteza lhe bastaria para ganhar a vida.
Lá estávamos nós dois, frente à frente num banco desconfortável de ônibus. Eu com a cara melada de um dia de trabalho. Ele com o rosto branco de tanto pó compacto e os lábios cuidadosamente contornados por um batom magenta-tropical. Ronsley mirava a mim com um espanto poucas vezes visto num homem maquiado. Confesso que o sentimento era o mesmo do meu lado. Ao mesmo tempo em que não conseguia desviar o olhar das marcas de chupões do pescoço dele, as reminiscências da juventude vinham a mim como uma pá de panqueique de baixa qualidade.
O Ronsley fazia o tipo magrelo, mesmo assim as meninas se encantavam. Ele, tal como um Chico Buarque que teve o bom senso de não se meter a cantar, era dito como um bom entendedor do sexo oposto e tinha um olho verde - era de vidro, mas verde. Ele passava horas com elas. Nunca ninguém desconfiou dele, nem quando foi ao show do Information Society num estádio de futebol aqui perto. Lembrei de uma época em que ele desapareceu por uns dois meses e voltou diferente. O nariz, antes achatado e parecido com uma bola, voltou que era uma beleza, fininho como o de um cantor pop que deixasse a negritude de lado.
Eu já não tinha mas nenhuma dúvida de que era meu velho conhecido e ídolo de juventude. Aquela tatuagem quase apagada do Mengão não tinha igual. Beque central de responsa nas peladas e torcedor fanático do rubro-negro carioca, ele costumava dizer que nada no mundo era mais refinado que o Moser. "Esse aí joga bonito. Repara só na posição das pernas dele. É um cara que anda ereto. Muito bem", Ronsley era dado a comentários mais profundos quando assistia a TV.
- Errr..aahhh... - não conseguia puxar papo com ele.
Não era para menos. Outrora orgulho viril da Coelhinho, ele agora era uma caricatura mal feita de uma mulher sofrida. E, amigos, vou lhes contar, ele não tinha muito bom gosto para as combinações. Usava uma saia mais justa que o Altíssimo e que deixava a bochechinha da bunda para fora, o que denotava uma vulgaridade que em nada deixa alguém atraente. O salto era tão alto e fino que uma desequilíbrio equivaleria a uma queda do segundo andar. O top era de um tecido de nome engraçado como tafetá e parecia mais uma sobra de cortina de motel barato, tudo com muita cor e brilho. Era uma combinação que tinha tudo para dar errado e deu. Mesmo assim ele não devia estar desprovido de algum atrativo. Antes de conversar com ele dois outros caras passaram ao lado e fizeram com a boca aquele indefectível som de fritura para demonstrar cobiça. Ele estava quase irreconhecível e mal sabia o que falar. Quando o estupor inicial passou eu consegui puxar um papo para quebrar o gelo.
- Ronsley, tu tá diferente mas não sei no quê.
Conclui na próxima quinta-feira.
"Fiz um desenho novinho pra vocês", não sei quem o Waldez tenta enganar. Tá na cara que ele só recortou e colou o desenho antigo. Mas, como ele não ganha nada aqui no blog, nem bom dia, não podemos reclamar.
Comentários
Brenda, Brenda.
Essa semana, ainda, juro.
Beijos.
escrito por: Wilson Cremonese em 1/12/2007 às 23:17
Em breve, quando?!
escrito por: Brenda em 1/12/2007 às 19:03
Cade o resto da historia?
escrito por: Rafael Mauro em 30/11/2007 às 13:29
Em breve.
escrito por: Wilson Cremonese em 30/10/2007 às 17:44
Cadê a conclusão?
escrito por: Rafael em 30/10/2007 às 15:47
Adorei o desenho.
escrito por: Brenda em 22/10/2007 às 21:52
no proximo desenho prometo fazer um desenho diferente o que eu não gosto é de gente metendo a faca. desculpem é que eu tava cheio de coisa pra fzer e eles ficaram me pedindo o desenho, ai já viu. bye
escrito por: waldez em 11/10/2007 às 21:52