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28 de setembro de 2007

Uma blogueira na Playboy - Sexo e Glamour no Diário de Dulce Skatistinha

dulce_skatistinha2.jpg

Uma polêmica abalou as estruturas da blogosfera nos últimos meses. A notícia de que uma blogueira havia sido convidada a posar nua para um revista de sacanagem mexeu com a imaginação da macacada que possui endereços virtuais na World Wide Hebe. Depois de muitos boatos, mal-entendidos e conclusões maldosas, Ressaca Moral revela o que todo mundo já sabia - a verdadeira musa dos weblogs, na realidade, já havia sido sondada há tempos para exibir seus atributos como veio ao mundo. A verdade sobre o episódio mais importante da blogosfera brasileira do ponto de vista do Deus me Livre você confere no diário de Dulce Skatistinha.

"Sempre evitei me expor em público. O que é meu é meu, principalmente a minha nascida na barriga que estou tratando desde a adolescência. Mas isso vem mudando desde que me tornei uma garota de programa. Toda mulher gosta de ser observada, desejada tal qual um diamante fascinante e raro, e isso sempre acontece comigo porque moro em frente a uma revenda de pneus. Há alguns meses, porém, recebi uma proposta inédita e que obviamente causaria inveja em muitas pretendentes a musa: posar nua para uma revista com tiragem limitada, capa dura e edições acabadas à mão por estudantes de um centro acadêmico. Confesso que meus olhos brilharam. Mesmo acostumada ao glamour da vida de garota de programa de luxo, minha fama havia se estendido apenas aos catálogos de hotéis e às festinhas de família.

A princípio neguei o convite, até mesmo porque ele foi feito através de um telefonema anônimo. Conversando com Itamar, meu amigo cabeleireiro que tentou se matar ontem, descubro que o assédio é fruto do diário virtual que escrevo da lan house que funciona embaixo da minha kitnet. Lisonjeada, decido sair para comemorar, celebrar minha condição de mulher, mas com a greve de ônibus acabo comprando três pacotes de salgadinho Torcida e levo um espumante para casa.

Duas semanas depois, um repórter de um conhecido jornal brasileiro me contacta para saber se quero posar nua numa jaula com três macacos-aranhas. O ensaio teria a participação daquele repórter da Globo que faz matérias sobre bichos em extinção e lugares que não vão existir mais em 2036. Recusei, pois não sei o que aquele homem poderia fazer comigo dentro de uma jaula. Ainda receberia três e-mails insistindo com a proposta, um deles oferecendo também uma enciclopédia completa em CD-Rom. Para finalizar, recebi uma proposta para morar junto com outras blogueiras num loft, onde jogaríamos pif-paf e falaríamos de Sex And The City até alguém nos contratar. Mas não largaria meu cafofo por nada, inclusive porque Itamar saiu com a minha chave e me deixou trancada há três dias.

Fico meio confusa com tanto assédio. Eu sabia que, como uma garota popular, fatalmente acabaria passando por isso. Mas não imaginava que o caso repercutiria tanto a ponto de eu precisar andar disfarçada nas ruas para não ser reconhecida e levar pedradas de rapazes misteriosos em carros peliculados no meio da madrugada. Aprendi muito com a vida, principalmente depois que concluí o supletivão do ensino médio numa maratona de seis meses virando noites sobre livros, pois faço ponto em frente ao depósito de uma editora.

A poeira baixou e consegui um pouco de paz depois desses episódios, e soube que, por causa disso, estão agora à procura de uma outra musa. Decidi renunciar ao estrelato e me tornar uma pessoa reclusa, em nome de uma vida tranquila e de um prazo maior para saldar três prestações de uma sanduicheira que comprei no Ponto Frio e que ainda não paguei. Soube também que uma blogueira receberia 30 mil para posar nua. Muita gente duvida, mas eu posso dizer que me ofereceram um valor parecido e uma viagem para a Suíça, onde teria moradia garantida e a oportunidade de estourar em uma casa de espetáculos. Mas não quero luxo nem lixo, quero gozar no final porque eu nunca fiz isso."

gatoflavio_posa_nu.jpg O gato Flávio aceitou o desafio de posar nu em uma revista reunindo os mais gatos da blogosfera brasileira. Depois de ser submetido a uma depilação exclusiva, descobriu que o cachê de 40 quilos de ração beef & chicken havia sido cancelado. "Saí prejudicado nessa história toda, porque os gatos da minha rua querem cruzar comigo de qualquer jeito", comentou. Messias Jardan fez o clique a la J.R.Duran

27 de setembro de 2007

Novos signos do zodíaco provocam furor e sexo com cavalos

A partir de 1º de janeiro de 2008 ou 2009 (a definir devido a incompatibilidade de agenda entre dois corpos celestes de grande importância), a União Austregésila Universal Quezaldo y Grossa (UAUQGROSSA) instituirá no zodíaco 4 novos signos.

A inclusão dos novos signos obedece resolução da ONU (Organização Nacional do Uivo) que estipulou metas para o aumento do número de colunas de astrologia e vida saudável na imprensa, bem como a ampliação do tempo que vendedoras de cosméticos e roupas baratas podem permanecer em escritórios.

Em colaboração especial para esta matéria, o famoso astrônomo franco-atirador João Bidu, foi convidado por Ressaca Moral para comentar as novas denominações zodiacais.

Confira agora o que muda na astrofísica a partir de janeiro do próximo ou do outro ano.

Galinha D’angola
O novo signo surge para acomodar as nativas de Virgem que já fizeram uso de suas bacurinhas para fins não urinários. As características das galináceas angolanas serão parecidas com as das virginianas, a grande diferença é que as primeiras entenderão melhor piadas de duplo sentido e responderão com maior rapidez quando questionadas sobre o cuspir/engolir do dia-a-dia.
Comentário de João Bidu: Au, au, au!

Bambolê
Desenvolvido especialmente para os que gostam de brincar com seus próprios anéis de Saturno, o novo signo será vendido em 4 cores: jambo, jumbo, jimbo e marrom-arroxeado. Para atender os mais calorentos, o Bambolê teve seu inferno astral removido e a sala ganhou mais espaço. A escolha de características será definida pelo próprio bamboliano no ato da compra.
Comentário de João Bidu (em inglês): Owrf! Owrf!

Forest Whitaker
Primeiro signo afro-descendente da história zodiacal, Forest também é o nome mais legal de pronunciar na escala Jaques Morelembaum de pronúncia de nomenclaturas bacanas. A definição de quem é ou não whitakeriano será feita através de rodízio. Às segundas serão de Forest Whitaker todos os que possuírem 1 e 2 como final da placa do carro; às terças os de 3 e 4; às quartas os de final 5 e 6; 7 e 8 nas quintas e, finalmente, às sextas, os de final 9, 0 e todos os que se chamam Carlos.
Comentário de João Bidu: arf, arf, arf!

Tom pastel
Antiga reivindicação do Sindicato dos Ativistas da Pátina (SINDÁTINA), o Tom Pastel é um signo que combinará com todos os outros, principalmente com Aquário (desde que seja aquele representado por um lindo vasinho com água jorrando). Os nativos pasteleiros serão basicamente senhoras aposentadas, viúvas de militares e caçulas criados com Vó.
O comentário de João Bidu não foi realizado pois no fechamento desta matéria ele estava ocupado deixando seu rabo ser cheirado por um Chow-Chow.

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João Bidu é um grande entusiasta da felação enquanto manifestação gastro-astrológica. Messias Jardan, pisciano recém-convertido com ascendente na casa da mãe joana, é o autor da macia fotografia.

24 de setembro de 2007

Chegou o PodCast do Ressaca Moral!

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Como fazer uma música do Cordel do Fogo Encantado, Fafá de Belém de bem com a vida, Catecismo GLS, o amor é azul e Bon Jovi não acredita em lágrimas. Tudo isso você só encontra aqui, no PodCredo Ressaca Moral!

Um beijo no coração!


Click here to get your own player.

19 de setembro de 2007

Ser cafona é...

...ler a Veja e achar o Diogo Mainardi "polêmico".
...citar o Arnaldo Jabor em mesa de bar
...ir de galera, ou de caravana, para o Programa do Jô e dizer "ahhhh"
quando uma entrevista com um convidado "legal" chega ao fim.
...comprar livro da Fernanda Young.
...ler "O Caçador de Pìpas".
...ver filme dirigido pelo Daniel Filho ou por qualquer outro diretor
global que não sabe que televisão é uma coisa e cinema é outra.
...achar que música instrumental é jazz.
...assistir musical da Broadway e depois comprar a camiseta.
...torcer pelo Brasil no Pan, mesmo quando o que está em jogo é a
medalha por Salto Ornamental Aquático Mirim Sub-13 e a gente esteja
concorrendo com Trinidad Y Tobago, Suriname e São Tomé e Príncipe.
...tomar café na Starbucks.
...achar que "Peixe Grande" é "filme de arte".
...gostar de Franz Ferdinand, The Shins, Arcade Fire e The Fratellis
só até eles começarem a fazer sucesso.
...ver o Vídeo Show.
...achar o Miguel Falabella "super cabeça".
...ler a Lya Luft.
...ouvir heavy-metal.
...gostar do Luciano Huck.
...a essa altura do campeonato achar rave a maior novidade do mundo.
...comprar disco do Padre Marcelo.
...comprar camisa do Padre Marcelo.
...ser o Padre Marcelo.
...ter 30 anos e ainda ser fã da Xuxa.
...ter 30 anos e ser fã da Sasha.
...ter 30 anos e ser a Sasha.
...fazer solo de guitarra.
...ainda chorar quando a Rachel beija o Ross em Friends.
...fazer tatuagem tribal.
...ser sócio de clube.
...comer sushi frito.
...comer no Spolletto.
...beber chope de vinho.
...comer fondue.
...ir à micareta.
...ir à micareta "para pegar mulher".
...ir à micareta "para pegar mulher" e não pegar ninguém.
...assistir a Hebe.
...ir ao programa da Hebe.
...sentar no sofá do programa da Hebe.
...usar calça jeans com tênis de corrida.
...usar boné de fórmula um.
...usar chaveiro de fórmula um.
...assistir fórmula um.
...votar no Alckmin.
...votar no Serra.
...votar no Lula.
...falar mal do Lula.
...falar bem do Lula.
...atacar o PT.
...defender o PT.
...dizer que "o problema do Brasil é a educação".
...citar opiniões do Manhattan Connection

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Messias Jardan sempre desliga a TV quando o Arnaldo Jabor aparece. No entanto, como bom profissional que é, não titubeou ao retratá-lo neste pandemônico click

*Colaborou Gustavo Godinho

Ser cafona é... (Parte 2)

...gostar muito de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças
...querer fazer curso em São Paulo
...ser de comissão organizadora de formatura
...se interessar por festa de formatura
...se formar
...curtir fotografia
...ser eclético
...ir em excursão pra show do U2
...ir de turminha pra congresso universitário
...ir pra Disney
...ir pra Paris e querer viver como um nativo
...achar que tudo em francês é mais bonito
...ser louco por Nutella
...usar sunga
...achar o Amarante lindo
...tirar foto em Salinas agarrando a namorada na barriga pro umbigo
dela não aparecer
...ter celular muito moderno
...fazer curso pra entender de vinho
...praticar esportes radicais
...entender de charutos
...enviar spams com textos do Luis Fernando Veríssimo que não foram
escritos por ele
...usar camisa Armani Exchange
...estar em comunidades de marcas de roupa no orkut
...ser cinéfilo
...usar corrente grossa de prata no pescoço
...querer ser amigo de mendigos, flanelinhas e congêneres pra parecer
um "homem das ruas"
...fumar maconha pra "curtir a neura"
...ir na corda do Círio pra passar no vestibular
...dizer que prefere "ser essa metamorfose ambulante..."
...assistir show do J Quest com a namorada e abraçar ela por trás, dançando juntinho, na hora das músicas mais lentas
...sintetizar a vida em uma frase do Chico Buarque

jquestcaf.jpg

O ano era 1997 e o J Quest se preparava para a sua primeira aparição televisiva fazendo playback no Domingo Legal enquanto Rodriguinho dos Travessos catava sabonete na prova da banheira. Messias Jardan, que acha a banda a coisa mais cafona do mundo, quase se recusa a fazer o rebolativo click.

14 de setembro de 2007

Ressaca Entrevista - The Feitos ou Vem Aí Mais Um Festival

Ano passado escrevi aqui sobre o primeiro festival de música independente Se Rasgum no Rock. Tentei até botar emoção porque trabalhei no evento e, por contrato, tinha que fazer isso. Pois nesse final de semana, dias 15 e 16, Belém recebe a segunda edição do evento e eu, mais uma vez para não ter que pagar ingresso, sujeito-me a trabalhar com os caras. Por mais que esse ano o local não seja o charmoso Parque dos Igarapés e sim uma casa noturna do centro da cidade a qualidade das bandas continua a mesma. Móveis Coloniais de Acaju, Cabaret, Nashville Pussy, MQN, Sarapatel do Cor.... ôpa, Cordel do Fogo Encantado são atrações para ninguém torcer o nariz.

Quem esteve no evento de 2006 sabe que diversão não faltou, sendo que agora há o diferencial de que os shows serão, como já citado, bem no centro da cidade, o que facilita e tanto o acesso. Algumas das melhores bandas locais estarão lá mais uma vez, como Johny Rockstar (só um "n" mesmo), Madame Saatan, Norman Bates, Delinqüentes, Cravo Carbono, La Pupuña e mais uma penca delas.

Nós do Ressaca Moral tentamos durante a última semana entrevistar os organizadores do festival, mas sem sucesso. Um misto de falta de tempo, estrelismo e baitolagem (por parte deles) impediu o encontro. Sem saber o que fazer dona Magda, a contínua da redação nos lembrou que fizemos uma entrevista com o pessoal do The Feitos meses atrás e a engavetamos por total falta de graça. Mas, a situação faz o homem. O trio niteroiense foi uma das grandes revelações do festival do ano passado e voltou a Belém para a festa de lançamento do Se Rasgum 2007.

Ramon, Alexandre (Alê Poser) e Andrei foram de uma simpatia ímpar e contaram histórias do arco da velha sobre o mundinho fashion brasileiro, aquecimento global, a alta sociedade da cidade com a vista mais bonita do Rio de Janeiro e de como se conquistar uma boneca inflável. Nada que fizesse muito sentido, mas ficou um bate-papo pândego.

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(Da esquerda) Alê Poser entediado com a entrevista, Andrei rabiscando obscenidades e Ramon feliz da vida com mais um copo de cerveja. O click rupestre bem que poderia ser de Messias Jardan, mas na verdade é do amigo Marcel Arêde.

TUNAK TUNAK TUN / TUNAK TUNAK TUN / TUNAK TUNAK TUN / DA DA DA / TUNAK TUNAK TUN / TUNAK TUNAK TUN / TUNAK TUNAK TUN / DA DA DA / TUNAK TUNAK TUN / TUNAK TUNAK TUN / TUNAK TUNAK TUN / DA DA DA (N.R.: Ramon passou a noite cantando o clássico "Tunak" de Daler Mehndi ao notar que sou uma versão melhorada do cantor galã indiano)

Tylon - Tá bom de Tunak, por favor. Contaê o papo do escorpião...

Rafael - Que papo do escorpião?

Tylon - Calma aê que vem coisa boa.... eu acho.

Ramon - Foi um caso verídico onde provei que não temo o Mal e nem escorpiões. Fui guardar minhas coisas na mala e fui picado duas vezes. O dedo ficou imobilizado. Os bombeiros olharam e disseram: foi um escorpião. Isso só de olhar o ferimento. Mas não me abalei e fiz o show mesmo assim, com a mão inchada e dolorida.

Vlad - Porra, era essa história do escorpião? Sem-graça...

Tylon - Vlad, tu não tava lá. Na hora foi dramático.

Rafael - Quem chupou o dedo dele pra tirar o veneno?

Vlad - Deve ter sido a mesma groupie que, dizem, atendeu o Cachorro Grande atrás do palco.

Rafael - Não é o escorpião que a gente tem que mijar em cima para cortar o efeito?

Ramon - Isso! Mas não foi preciso nem mijar e nem chupar. Milagrosamente eu me recuperei sozinho e fiz o show mesmo assim. Nem precisei de ajuda dos bombeiros. Agora eu conto essa história para todo mundo. Dando uma de macho, né? "Porra, quase gangrenou e tal".

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Os Ressacas presentes. Eu com sorriso contido, Rafael Guedes rindo não se sabe do quê e Vladimir Cunha bebendo parece um gambá. O click etílico mais uma vez é do Arêde.

Rafael - Eu queria que vocês falassem dos shows daqui. Fala do show do festival, porque esse de ontem...

Ramon - Ninguém assistiu?

Vlad - Eu não assisti...

Rafael - Eu não lembro.

Tylon - Eu sou surdo-mudo. Mas como leio lábios adorei as letras.

Ramon - A história do The Feitos no Pará...porra, tem fita suficiente pra eu contar essa história?

Vlad - Duas caixas de TDK.

Ramon - Então...eu entro naquele serviço chamado "gâgou" (N.R: Ramon se enrola todo na pronúncia).
Tylon - Ah, rapaz, esse Google é uma novidade. Diz que tá arrebentando.

Vlad - Eu prefiro o Cadê...

Ramon - Eu gosto de sala de chat. Já viu como é? Dá pra conversar com gente do mundo inteiro. É uma das grandes novidades da internet. Voltando: em 2005 eu digitei "The Feitos" no "gâgou" e apareceu uma matéria de um jornal chamado Diário do Pará. Diário do Pará, que porra era essa? Era uns caras vendendo um disquinho safado, uma coletânea pirata que tinha e uma porrada de banda, entre elas o The Feitos. Até Flamming Lips os safados colocaram. Depois descobri que era um disco com as músicas que mais tocavam nas festas da Dançum Se Rasgum. E na maior cara de pau, os caras da Dançum tavam vendendo a nossa música sem nem me avisar. "Vou processar", pensei.

Vlad - Igual ao Lars Ulrich, do Metallica.

Ramon - Exatamente. Eu queria fechar o Soulseek, o Emule e a Se Rasgum de uma vez só (risos).

Tylon - Só com o que tu ia ganhar processando a Se Rasgum já dava para garantir uma aposentadoria confortável.

Ramon - Pois é. Mas aí ao mesmo tempo achei do caralho a doidice dos caras. Tanto que quando viemos para o festival, o Se Rasgum no Rock do ano passado, foi uma loucura. Todo mundo conhecia as nossas músicas por causa das festas da galera e por causa do tal disco. Tava espalhado geral, tipo um veneno de escorpião.

(Nessa hora, os entrevistadores protestam contra a tentativa de Ramon de criar uma metáfora para explicar o seu sucesso underground no norte do país)

Vlad - Só a Bruna Surfistinha desceu tão baixo.

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Um dos vários desenhos imorais do baixista Andrei. Em breve à venda no Mercado Livre.

Rafael - Não vai falar do show?

Tylon - Que show?

Rafael - O daqui.

Ramon - Aqui em Belém foi foda. O festival foi do caralho, o público foi insano. E quando chamaram a gente pra tocar de novo aqui achei do caralho. Você não foi, você não lembra e você é surdo. Mas posso dizer que foi sensacional. Sempre que a gente toca aqui em Belém é foda.

Vlad - Nas outras cidades é assim também?

Ramon - Em Duque de Caxias foi massa.

Rafael - Vocês já tocaram em Mossoró?

Ramon - É a próxima parada da turnê. Estamos fazendo Niterói/Belém/Mossoró.

Tylon - Depois de Niterói qual foi o lugar mais estranho que vocês tocaram?

(N.E: Ramon se enrola todo e não consegue parar de rir)

Tylon - Poser, como foi substituir o velhinho na banda?

Ale Poser (mais pra lá do que pra cá) - Foi massa...andei de avião...tomei refrigerante...comi maniçoba...provei tapioca...estou amarrado.

Vlad - Uau...

Tylon - E a história da maniçoba?

Ramon - Eu sou de uma região em que a gente não come veneno.

Rafael - De onde vocês são mesmo?

Vlad - Ele tá com vergonha de dizer.

Ramon - De Niterói.

Vlad - (para Rafael) Tá vendo por quê?

Tylon - (tentando retomar a entrevista) "Eu sou de uma região..."

Ramon - Você é de uma região...

Vlad - (para Ramon) Ele não, tu é de uma região.

Ramon - (para Tylon) Qual região que você é?

Vlad - Ele é de Abaeté...

Rafael - A Medellín brasileira.

Tylon - A maniçoba...

Ramon - A maniçoba...Então. Quando eu tive aqui no festival as pessoas diziam "você tem que comer as comidas típicas". Entre elas a maniçoba. Mas, porra. A maniçoba era uma delícia, mas era veneno. Tacacá era uma delícia, mas era veneno. Além de ter uma porra de uma goma que parecia...porra. Eu falei "caralho, não vou comer nada disso aí". Mas comi uma mousse de chocolate no hotel que eu faço questão de recomendar. Foi a melhor comida típica que provei aqui. Eu não consigo entender como um prato demora sete dias para ficar pronto. E se houve desleixo da cozinheira e ela só cozinhou seis dias e meio? E se acabou o gás no meio do processo? Eu não vou arriscar! Acho que nem se a minha mãe fizer maniçoba eu como.

Tylon - Mas comeu...

Ramon - O negócio foi que eu tirei um barato com a Marisa, da banda Euterpia, dizendo que se ela levasse uma maniçoba pro show eu comeria no palco. A merda foi que a doida levou a sério e levou a maniçoba. Aí eu tive que comer. Gostoso pra caralho.

Vlad - Tylon, tu que é o único que conhece a banda, pergunta alguma coisa.

Tylon (para Andrei) Porque no site da banda, na parte onde está a descrição dos integrantes, não tem nenhuma informação sobre ti?

Ramon (para Andrei) - Descreva-se em poucas palavras.

Rafael - Uma cor...

Ramon (interrompendo) - ROSA REDLEY! (risos)

Tylon - Dia ou noite? (risos)

Andrei - (sem nenhuma vontade de responder a pergunta) Er...noite.

Vlad - Um sonho...

Andrei - Mais cerveja.

Tylon - Copacabana ou Leblon? (risos)

Andrei - Niterói.

Leonardo Aquino (um penetra na entrevista, mas como tem a tatuagem mais legal de Belém foi aceito) - A perna mecânica do Roberto Carlos é a esquerda ou a direita?

Tylon - No filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventura ele dá uma topada com o pé direito e não solta um "ai".

Vlad - Porra, depois dessa vai ser foda dar um rumo pra essa entrevista...

Rafael - Ah, o Mengão...

Ramon - Obina é uma entidade. Sou apaixonado por ele.

Vlad - Obina Shock, grande banda dos anos 80...

Rafael - Como é essa coisa de compor?

Ramon - É ali...pá! (batendo a mão na mesa).

Rafael - Como?

Ramon - Ah, porra, sei lá. Tem músicas que eu lembro como eu fiz, tem músicas que eu não lembro. É uma cagada explicar isso.

Ramon (apontando com cara de poucos amigos para Rafael) - Que porra de camisa é essa que você tem que tem desenhado um porco e um número de telefone?

Rafael - É que a minha mãe levou pra casa uma peça de porco...

Ramon - Uma peça de teatro?

Vlad - É. Faz parte de um projeto de arte-educação com porcos de rua em situação de risco. É a ressocialização dos porcos através da arte e da cultura. Além disso, eles fazem artesanato e dinâmica de grupo.

Rafael - Enfim...o cara que vende o porco é o Edno - O Rei do Suíno. Ele mandou fazer essas camisetas.

Rafael - E o festival, o primeiro festival independente realizado em Belém.

Vlad - Porra, de novo essa história...

Rafael - Vai te fuder.

Ramon - E daí?

Rafael - Era isso.

Ramon - Era isso?

Rafael - Era.

Ramon - E você quer que eu diga o que?

Rafael - Já falei.

Ramon - Hmm...

Tylon - Já deu pra pegar mulher com o rock?

Ramon - Você já teve banda de rock?

Tylon - Eu já fui roadie.

Ramon - Mas roadie não pega ninguém. Pegar mulher é o objetivo. Não dá pra ganhar dinheiro com música no Brasil. Não tentem me pagar, me apresentem suas irmãs!

Tylon - De onde surgiu a Emanuelle?

Ramon - Eu fiz uma propaganda de uma sex-shop. E para os anúncios eu fiz uma série de fotos com uma boneca inflável. Eu e a boneca no motel, eu e a boneca jantando, eu e a boneca namorando. Só que a dona da sex-shop espalhou fotos pela cidade toda. Tinha foto em outdoor, em ônibus, em tudo que era lugar. Me fodi e fui sacaneado pra caralho, mas pelo menos saiu uma música.

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Ramon e Emanuelle contemplando o que há de melhor em Niterói: a vista.

Tylon - Como o Alexandre entrou pra banda?

Andrei - A gente tava fazendo testes com a galera e o Alexandre apareceu. Ele tocou pra caralho no ensaio. Aí de repente sumiu e deixou o baixo dele no meio da rua. Ficamos eu e o Ramon olhando praquele baixo no meio da rua. Aí ele voltou e saiu de novo para ligar para um amigo dele. E o baixo ficou lá. Quando ele voltou, pegou o baixo e saiu de novo. E, porra, o cara era do caralho, nem pediu pra gente olhar o baixo dele e sumiu, deixando o baixo lá no meio da rua. Um sujeito desses só podia ser tão doente quanto a gente. Por isso ele entrou pra banda.

Rafael - No Rio a recepção do público é tão legal quanto aqui?

Vlad - Porra nenhuma, rapaz, ninguém sabe quem eles são lá...

Ramon - Em Niterói a gente é famoso...

Tylon - Ainda dá pra fazer mais perguntas?

Ramon - Pergunta tudo o que você quis perguntar quando olhou nos meus olhos pela primeira vez... (pintou um clima e ninguém fez questão de esconder)

Vlad - Ai, Jisus!

Rafael - Alôô, século XXI.

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Mais um dos impublicáveis desenhos do mais degenerado dos The Feitos. Ao todo foram feitos 53 durante a entrevista.

Tylon - Pra finalizar, deixem uma mensagem para os leitores do Ressaca Moral.

Ramon - Hmmm

Alexandre - Belém tem xotas...

Ramon - Porra, você não tem que descrever Belém, tem que deixar uma mensagem. Xota tem no Brasil inteiro!

Vlad - Até na Antártida tem buceta.

Ramon - Como?

Vlad - Lá tem mulher também, nos centros de pesquisa.

Ramon - Não vai mulher pra Antártida.

Vlad - Claro que vai, porra.

Ramon - Não pode! Não vai mulher pra lá!

Rafael - Como não? Se vai até pro espaço. Porque tu achas que vai mulher pro espaço? Direitos iguais o caralho, é pros caras não se acabarem de bater punheta. Oito meses no espaço, porra, que nem aquele recordista.

Vlad - Que recordista?

Rafael - Aquele que ficou oito meses. Bateu o recorde de ficar mais tempo no espaço.

Ramon (rindo) - Onde saiu isso?

Rafael - Todo mundo conhece o recordista.

Tylon - Tu tá inventando esse papo de recordista.

Rafael - Caralho, eu vou provar pra vocês que tem um recordista que ficou oito meses no espaço. Vocês tão fodidos na minha mão.

Andrei - Qual era a pergunta mesmo?

No dia seguinte Rafael provou que o tal cosmonauta onanista realmente existe.

6 de setembro de 2007

O Brazilian Day só podia acontecer no domingo

Sempre quis conhecer Nova Iorque, mas teria passado longe de lá por esses dias. Em tempos de terrorismo em escala planetária e de ambições diplomáticas aguçadas nas embaixadas brasileiras, a Globo Internacional decide jogar tudo pro alto com uma dose cavalar de artistas meia-boca sobre os americanos. Com exceção das belas Grazi Massafera e Fernanda Lima, que não precisam falar inglês para convencer os americanos de que somos tudo boa gente, o casting que embalou a Sexta Avenida no domingo (02) é não apenas um contra-senso, se pensarmos na variedade de bandas que surgem atualmente em todo o país. É reduzir o pop à prateleira mais acessível do mercado.

Você pode pensar no Brasil como um país continental, multifacetado, que transborda cultura a ponto de não tê-la ainda decifrado e todas aquelas definições prosaicas com as quais nos habituamos a conviver, mesmo que sem entendê-las por completo. Ou traduzir tudo isso em alguns nomes fajutos em pleno coração econômico do planeta, apresentados por André Marques, o Mocotó, numa indigesta sopa cultural. Quando começarem a conspirar sobre o evento, vão querer saber o porquê. Em 2007, o 11 de setembro chegou a Nova Iorque com uma semana de antecedência.

As atrações

Jota Quest
Entre o soul e o funk acrílicos, Jota Quest - corruptela do herói da Hanna-Barbera, abrazileirada após um processo movido pelo estúdio - botou a classe média do final dos anos 90 pra dançar black music em salões assépticos com consumação e bebidas ice. É um mérito indiscutível, manchado por composições como “Fácil”, “Telefone” e “O vento”. Mas dizer que Rogério Flausino e companhia são a tradução da brasilidade nos remete a uma triste realidade – a das subcriações brasileiras. Contentar-se com Jota Quest é como ganhar palheta de artista cover.

Asa de Águia
Vítima de uma síndrome que acomete pessoas que andam sempre com a mãozinha-pra-cima-e-quero-ver-todo-mundo-batendo-na-palma-da-mão-simbora, Durval Lelys - artista cujo nome, em tese, o inviabilizaria para todo o sempre a ser um ídolo da juventude - é o piloto a comandar o Asa de Águia. É dele as danças da manivela, da tartaruga, do vampiro, do Satanás, do pit bull e de um leque de perversões sórdidas produzidas enquanto Deus tirava um cochilo de 20 anos.

Mais intrigante é saber que este senhor que já deve beirar os 50 (Durval Lelys esconde a idade em seu site, nunca tinha visto homem fazer isso) mas se comporta como pré-adolescente é arquiteto formado pela UFBA (pronuncia-se ‘u-fubá’), tendo ajudado a projetar agências do Banco Econômico em todo o Brasil. O banco, com o perdão do trocadilho, foi à bancarrota. Já os CREAs comemoram o fato de que Durval Lelys tenha passado a fazer micaretas e não prédios.

Bruno & Marrone
"Dormi na praça", uma das mais brilhantes canções sobre losers da história da música brasileira, trabalha a favor de Bruno & Marrone. Sua participação no Brazilian Day não ofende ninguém, mas dá a impressão de que o Brasil é um país ainda agrário, caipirão, adepto do gel e que se veste mal – o que é absoluta verdade, mas que ninguém mais precisava saber. No mais, diverte a comunidade brasileira que adora chorar de saudade quando se acendem os holofotes. Penso diferente; com tanta coisa pra fazer em Nova Iorque, assistir Bruno & Marrone me traria uma terrível lembrança dos domingos em que ficamos reféns do Faustão. Não é motivo pra saudade.

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Viciado em rações beef & chicken, o gato Flávio sofreu uma overdose ao tomar conhecimento da programação do Brazilian Day e quase morreu afogado em seu próprio refugo de uma refeição da madrugada. "Estou tentando sobreviver!!", emocionou-se, ao relatar a experiência de um show do Jota Quest. Messias Jardan fez o clique e o levou para viver uma nova vida (a quinta) numa chácara no interior de São Paulo.

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