Coisas com as quais não sei lidar - Parte I
Talentos infantis da tevê
Meu tempo para o almoço se resume a alguns minutos diários em que, invariavalmente, em casa ou no trabalho, há uma tevê ligada no Videoshow - e fatalmente com uma criança carioca de seis/oito anos artista da Globo que dá conselhos aos pais na novela e soluciona tarefas aparentemente complexas do cotidiano com mais habilidade que os adultos. Não raro, esses garotos têm poderes sobrenaturais, prevêem mortes e fazem reflexões e questionamentos inverossímeis que colocam em saia-justa medalhões globais mais rodados. A reprise de "Da Cor do Pecado", novela com um moleque envolvido numa trama que eu ainda não consegui decifrar, decidiu aloprar e nos obrigou a aturar esse aqui também. De fato, o único orgulho palpável que essa turma traz é aos seus próprios pais, que estão enchendo a poupança dos guris e se livrando da responsabilidade sobre uma mensalidade caríssima que teriam de pagar para uma faculdade de esquina no futuro.
Confraternizações do trabalho
"Ei, Ferreira, parece que vão rolar umas demissões e vai ter uma reunião lá no salão às 18h30. O doutor Afrânio mandou te avisar ". E lá vai o Ferreirinha, aniversariante do dia, fingindo dificuldade mental para entender o contexto todo e se deparar com uma grande surpresa - um bolo (de farinha e sem cobertura), salgadinhos (frios, porque comprados de manhã) e refrigerantes (de marcas cuja credibilidade a humanidade desconhece). Enquanto cumprimenta efusivamente pessoas com quem nunca manteve contato além do visual (dependendo do caso, focado apenas na bunda), ouve piadinhas sobre sua nova idade e percebe que o público da festa diminui à medida que os pratos vão sendo cheios.
Pessoas do meu prédio com quem encontro na rua
Você e seu vizinho vivem há dez anos sob a mesma antena e sua amizade se restringe a comentários sobre o clima quente no elevador. Mas há uma linha tênue que separa a vontade de fingir que não o viu da culpa por não cumprimentá-lo quando vocês se encontram por aí - e não tenha dúvida: ele vive o mesmo dilema ao ver você. Minha tensão ao me ver nessa situação é tamanha que resulta em um curto-circuito na área que controla meu poder de decisão e acabo ficando sem ação por alguns segundos, sem sequer ter percebido o que fiz ao certo.
Músicas do Lenine
Preste atenção à letra: "Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma / Até quando o corpo pede um pouco mais de alma / A vida não pára". Na parte de cima do meu guarda-roupa, enfiado num saco plástico úmido dos Supermercados Jumbo, tenho um uniforme de escola de final de ano desses que os amigos assinam 'te dólo!' com caneta esferográfica e acredite: há frases com o mesmo teor, conceito e efeito lírico que a poesia de Lenine nesta canção. Não tenho nada contra este senhor se não tiver que encarar seu olhar perturbador - e talvez Lenine tenha produzido coisa bem menos apavorante. Mas, vale ressaltar, essa música tocou exaustivamente numa novela e preenche até hoje about me’s do Orkut. Não por acaso, seu nome é "Paciência".
Etiqueta
Do Bahrein a Cingapura, passando pelas Ilhas Maurício, nações possuem códigos de etiqueta específicos que precisam ser respeitados. Dicas de como evitar determinadas gafes nesses lugares sempre vêm estampadas em tips de revistas de turismo, companhias aéreas e afins – mas, reflita-se, qual é a etiqueta do brasileiro? “Olha, evita falar mal do Djavan e também do Los Hermanos, uns barbudos que lembram o Fidel doente”. Quando o filme "Turistas" propagou que “num país onde vale tudo, tudo pode acontecer”, muita gente se ofendeu. Mas eu bato palmas pro estagiário que bolou essa frase pros caras, porque não consigo vislumbrar um manual de etiqueta mínimo num país onde celebridades podem jogar televisores pela janela do hotel, bater em fotógrafos ou compor músicas ruins impunemente. Não sei lidar com essas coisas.
Celebridades como Marcos Frota se mantêm impunes porque o Brasil ainda não possui um código de etiqueta severo contra esse mal. Messias Jardan cumpriu uma função social e fez o clique.
Comentários
brasilero é escoria disso e e daquilo mesmo.
Samos o cocô do mundo mesmo.
quem disse que não?
tudo viado e sapatao
escrito por: Vagal em 12/09/2007 às 15:22
brasilero é escoria disso e e daquilo mesmo.
Samos o cocô do mundo mesmo.
quem disse que não?
tudo viado e sapatao
escrito por: Vagal em 12/09/2007 às 15:21
Erm, Isabella, a etiqueta trata justamente dos visitantes... Quanto ao orgulho de ser brasileiro, eu acho o máximo. Não sei como tem gente que fica puto com esse país, viu?
escrito por: Rafael em 31/08/2007 às 16:07
Eu estou saturadíssima desse negócio de que brasileiro é a escória disso ou daquilo, que somos o cocô do mundo etc. Acho que já é tempo de, pelo menos alguns de nós, começarmos a evidenciar a nossa diferença (ou será que somos todos, incluíndo eu e você) essa merda que dizem?
Ah,e quanto às celebridades não são justamente os gringos os mais aprontadores?
escrito por: Isabella em 31/08/2007 às 14:33
O Camelo é muito amigo do júnior, que já foi capa de uma edição da editora Mossoerense. Esse papo de sensível não engana ninguém.
Essa música aí do Lenine é mesmo horrorosa. Fãs de Ana Carolina, manifestem-se
escrito por: Emanuel em 30/08/2007 às 01:25
Com as pedras que me atiram construo um puxadinho.
escrito por: Rafael em 29/08/2007 às 22:25
Essa é nova.
escrito por: Glória em 29/08/2007 às 22:18
O Tato usou a velha manobra do "como tu" e o Rafael nem se defendeu indignado (a única reação aceitável). Prova cabal de que ele é viado.
escrito por: Michel em 29/08/2007 às 21:46
Ah, gelou! Tava sabendo. Esses Ressacas não são de nada. Tudo viado.
escrito por: Gabriel em 29/08/2007 às 14:10
é! e agora seu otário, como é que fica, heim?
escrito por: doda em 29/08/2007 às 13:50
Tato,
Por motivos que incluem agradar o sexo oposto, conheço bem mais coisa do Lenine porque tive que ir a dois shows dele. Não foi de todo o mal (eu até ensaio um gingado em 'Lavadeira do Rio'). Mas 'Paciência', ao meu ver, é uma música muito ruim e não tem 20 anos de carreira que dêem jeito. E o resto não me satisfaz, é a MPB da poética fácil e cabeçuda.
Não entendi o que você quis dizer com 'bloqueio anti-pernambucano' - até porque se Lenine fosse a representação dos pernambucanos, eles estariam perdidos.
Gabriel, hoje não.
escrito por: Rafael em 29/08/2007 às 13:46
E aí, ô tal de Rafael, quero ver se defender agora.
escrito por: Gabriel em 29/08/2007 às 10:55
Deixa ver se eu entendi:
A única música do Lenine que você escutou em toda a sua vida foi "Paciência", e você está julgando todo o cara por causa de algum caso adolecente mal resolvido seu. Me corrija se eu estiver errado, já que não te conheço e talvez eu esteja tecendo um comentário (no mínimo) tão preconceituoso quanto o teu, mas qual o teu problema, na boa? Não quero enfiar goela abaixo opiniões particulares, mas meio que torço o nariz quando leio algo desse tipo, ainda mais vindo de alguém que já acompanho há um certo tempo, como tu. Essa semana já fizestes 2 comentários sobre essa música do Lenine, o que só deixa a perceber que teu problema é realmente com essa música, e tu levantaste algum bloqueio pessoal anti-Pernambuco, e se recusa a perceber qualquer coisa além daqueles 3 acordes e letra minimalista.
Nada contra. Também tenho algumas coisas que simplesmente não consigo entender, e admito que sou meio xiita nisso, mas eu queria entender exatamente o porque de tu julgar mais de 20 anos de carreira e uma obra musical vastíssima, por causa de uma única canção.
escrito por: Tato Pedrosa em 29/08/2007 às 09:32
Caroline,
Eu nem me incomodo se o Marcos Frota correr, o problema é ele voltar.
E o Camelo até que estava ganhando a minha simpatia até fazer isso aqui: http://www.youtube.com/watch?v=9pGRjHeaj-I
Nada contra a Sandyjunior (nem a favor), mas eu quase morri de depressão ouvindo isso, é sério!
Um beijo e tente não bater em mim.
escrito por: Rafael em 28/08/2007 às 18:09
Ahhh, eu estava me divertindo tanto com o texto, até você falar mal dos Hermanos. Eu sei que eles não são beldades, poxa. Mas agora, eu quero bater em você. Hahahahahhahha...
Parabéns pelo texto! E vê se deixa o Marcos Frota correr em paz! Tem tanta coisa pior pelas ruas... podia ser o Marcelo Camelo, pensa bem! Grande beijo!
escrito por: Caroline Montagner em 28/08/2007 às 16:34
Concordo plenamente em relação aos vizinhos de apartamento,pelo menos no seu, comentam sobre o calor do elevador,enquanto,no meu nem isso.
abraços.
escrito por: Jefferson em 28/08/2007 às 15:16
Realmente, as marcas de refrigerante dão medo. Já vi um que se chamava "Dinamite" :)
escrito por: Joel Ciprianno em 27/08/2007 às 11:42