O mundo será sempre dos covardes *

Nos filmes épicos ou de guerra é comum a figura do grande líder. É ele quem toma à frente de suas tropas. Invade cidades ou resiste a cercos diante de exércitos muito mais numerosos. No final ele é comemorado e, invariavelmente, fica com uma mocinha que é uma belezura só. Mas cinema não é realidade. Se Aragorn tivesse existido ele seria lembrado pelos homens de Gondor como o grande herói morto na batalha contra o mal. Caso a história de Luke Skywalker fosse verídica, ele morreria na explosão da Estrela da Morte só para deixar de ser besta por querer bancar o herói.

Na vida real herói morre no final, quando não no começo. "Vamos companheiros de armas, vamos arrasar com essa horda de biltres!". "Pode ir otário. Vai morrer pro teu lado". Deve ser mais ou menos esse os diálogos que rolam num batalhão de pessoas de carne e osso. Nunca servi o exército, mas acredito que a primeira lição dos sargentos seja de que os covardes é que sobreviverão. São os pusilânimes que voltam para casa e ainda dão uma cavucadas com as viúvas dos heróis. Quando me tornei jornalista (ô vantagem!) logo me disseram: "Não tente ser herói. Mantenha uma distância da notícia para não virar notícia". Nem precisava. Sempre primei pela total e absoluta covardia. Nunca briguei na minha vida. Minha cara já é feia suficiente para neguinho deixar ela mais amassada.

Não me envergonho disso. Tenho e cultivo quase todos os defeitos que um homem pode reunir. Sou avarento, sedentário, pouco higiênico, bebo e fumo demais, sou chato, meus amigos são chatos, tenho chatos. Mas, quando os Incas Venusianos invadirem o planeta, serei eu um dos sobreviventes. Isso porque, com certeza, haverá uma resistência humana. Virarei delator por meros trocados. Eu sobreviverei. Enquanto os heróis estiverem servindo de cobaias nas experiências dos ETs, com sondas pela boca, umbigo e o rabo, estarei curtindo com as alienígenas de quatro peitos, tomando todas e dando um foda-se para quem me pintar de traidor.

* Texto das antigas, de junho de 2005. Como tava escondido no site antigo e gosto dele resolvi resgatá-lo. Ainda espero a chegada dos ETs.

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"Vem cá Etezinha, vem cá", dizia Messias Jardan, quase sem controle, enquanto fazia o click do outro mundo com Barbarella. Quem há de culpá-lo?

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Comentários

Legal, o post! Vou mandar o link pro e-mail do Lúcio Flávio Pinto. Vai ver ele muda o perfil do Jornal Pessoal...

Legal é a terra batida na sola da bota esquerda...
Sim, eu notei isso.

Ah, Cris, gostei de ti, isso sim (espero que seja Cristina e não Cristiano).

Cara...ser normal não é ser covarde...
nesse mundo hoje onde todo mundo quer ser diferente, aparecer...ser normal aí como vc diz (chato, com amigos chatos) é que é ser corajoso.
A vida já uma luta, e ser normnal não é covardia.
Mas é bom ter uns dias de Mel Gibson em Brave Heart.
Gostei do post.

Beijocas!

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