Visita de Bento 386 emociona o país
Gente das mais variadas idades e classes sociais por todo o Brasil tem se emocionado diariamente com a presença de Bento 386, o papa que visita o país em turnê pela América Latina. Sempre alegre, bem disposto e condenando o aborto, Bento 386 demonstra grande emoção no contato com o povo brasileiro — em especial no contato com os adolescentes branquinhos, de cabelos negros e lisos. “Viajei o mundo e conheço todas as línguas”, comenta 386 informalmente com nossa reportagem. “Mas nada como as daqui. A platéia brasileira é realmente maravilhosa”, arremata.
Se mesmo Bento 386, já acostumado com o sucesso e a histeria dos fãs, derrama lágrimas ao falar do público tupiniquim, não supreende que o povo brasileiro, famoso por sua espontaneidade, cometa loucuras para chegar perto do líder religioso. As histórias contadas por todo o país impressionam.
Em Mossoró (RN), a parteira Olga Torra, mãe de 16 filhos, esperava pela visita de Bento 386 desde a infância. A devoção é tão grande que Olga tirou férias e cancelou o parto de trigêmeos de uma amiga para viajar até São Paulo e assistir na primeira fila o discurso de 386 condenando o aborto. “Acho lindo tudo o que ele diz. Minha amiga vai entender. De qualquer jeito ela não ia ter como criar três pestes, mesmo”, brinca Olga, que não economiza nas palmas a cada frase de Bento 386.
Já no Rio de Janeiro (RJ), um dos exemplos mais bonitos de fé e amor ao papa partiu do traficante Rodriguinho Cu de Pato, atual proprietário de uma das bocas de fumo mais movimentadas da Zona Sul. Pela primeira vez em doze anos, Cu de Pato atrasou em meia hora o início do tiroteio das 5, tradicional ritual em que os bandidos cariocas tomam chá e trocam impressões sobre o mercado ilegal, armas e novelas do Manoel Carlos. “Pior que nem adiantou nada. Ele nem passou por aqui, ficou preso no tiroteio da linha vermelha”, decepciona-se o criminoso.
Na cidade de Paragominas (PA), o trabalhador escravo Neto Souza de João, especialista na área de carvoaria desde os 6 anos de idade, foi liberado pelo patrão para visitar Bento 386 e prestigiar a cerimônia de canonização de Frei Galvão. “Quando soube que ia ter carbonização, pensei logo em assistir pra melhorar meu currículo”, explica Neto. Vítima de um mal entendido, Neto foi surrado pelo patrão e deverá fazer horas extras para compensar o tempo perdido na viagem. Ainda assim, acha que valeu a pena. “Ah, fui pra São Paulo, tomei refrigerante, andei de ônibus... me diverti muito”, recorda.
Apesar de a visita de 386 ser considerada um sucesso de crítica e público, há quem tenha entrado em conflito com o velhinho. Em Codó (MA), um grupo de homossexuais se revoltou com 386. Ao saber da visita do papa, líderes do grupo, descontentes com a posição da igreja em relação à união homossexual, organizaram um protesto pacífico com faixas, camisetas e balões de todas as cores. Seguranças de Bento 386 impediram a manifestação, alegando que aquilo não passava de frescura. Após muitas discussões, troca de ofensas, empurra-empurra e esfrega-esfrega, os seguranças permitiram que a passeata continuasse, mas apenas com os rapazes com idade entre 12 e 14 anos — ordem acatada com o maior prazer pela molecada. “A visita do 386 mexeu com eles. Estão todos com a religiosidade à flor da pele”, resigna-se um dos organizadores.

Embora tenha se convertido recentemente à cientologia, Gato Flávio é um dos maiores entusiastas de Bento 386. Foi aclamado mascote do movimento Galvanize Já, que defende a legalização do uso medicinal dos milagres de Frei Galvão. O clique espiritual é de Messias Jardan.
Comentários
égua...
é muita besteira pra eu começar meu dia... a foto do gato fechou com chave de ouro o post.
[]'s
escrito por: Márcel em 14/05/2007 às 10:00
Ele poderia ter vindo à Belém. Discursaria do alto do trio elétrico ReBENTÃO.
escrito por: Pedrox em 14/05/2007 às 00:47
emocionante esse texto... gato flavio, bento, a parteira...
nao pude evitar uma pequena lágrima de emoção...
kakakkakakak
escrito por: Renato Medina em 13/05/2007 às 21:57
VOCÊS VÃO TODOS PRO INFERNO
escrito por: [Anônimo] em 13/05/2007 às 18:01