Várias vitórias, uma derrota no final, um adeus

Tão logo o jogo acabou um time tratou de comemorar e o outro saiu de campo o mais rápido possível. O clássico paraense do último domingo (22/04) terminou com a vitória de 2 a 0 para o Clube do Remo sobre o Paysandu. O placar foi justo, não houve erro do árbitro, nada que pudesse manchar a partida. E venceu quem estava melhor no momento. Por conta disso a comemoração pela vitória, que deu ao Leão Azul o segundo turno do campeonato local, foi mais do que justa. No entanto, a cena mais marcante da tarde-noite foi protagonizada por um dos derrotados. Só, sentado no banco de reservas, o principal jogador do campeonato olhava a tudo aquilo pela última vez. Provavelmente nunca mais ele jogará profissionalmente.

Aos 37 anos e artilheiro do campeonato com 13 gols, o atacante Róbson do Papão afirmara que, assim que acabasse a competição para seu time, pararia de jogar. Aquela foi a última partida do Paysandu. Durante cerca de 20 minutos ele ficou lá, impassível, na maior parte do tempo só. Depois foram chegando os fotógrafos e posteriormente os repórteres para entrevistá-lo. Após confirmar que estava se aposentando ele desejou sorte ao time que defendera, mas que pra ele já não dava mais.

"Tenho que parar e agora é a hora certa. Me preparei para isso, o que não quer dizer que não está sendo difícil. Minha vida toda foi dentro do futebol", comentou o jogador.

Deve ser mesmo complicado parar. Róbson já teve oportunidades anteriores para isso. Bem ou mal ele continuou em campo, mesmo tendo sido eleito deputado estadual em 2006 e já não ter tempo para treinar em tempo integral. Falta de treinos faz falta para qualquer atleta profissional, para um veterano mais ainda. Mesmo assim, já no ocaso de sua carreira, e sem atuar em todas as partidas, ele consegui assegurar a artilharia da competição que disputou e defendendo um time fraco tecnicamente.

O jogador paraibano chegou a Belém em 2002 e, de lá pra cá, entre idas e vindas do Paysandu, defendeu o Oita Trinita (Japão), Santos-SP, Sport Recife-PE e Juventude-RS. Mas, foi principalmente no Papão e no Bahia-BA que ele fez sua história. Nesses dois clubes ele fez valer o apelido que ganhou ainda quando defendia o Náutico-PE no começo da carreira: Robgol.

Interessante que aqui ele ganhou apenas um título, o estadual do ano passado. Mesmo assim ele conquistou um latifúndio no coração dos torcedores do Papão. A bem da verdade esse era um espaço vago desde que o gaúcho Chico Spina deixou o clube no começo da década de 1980. Alguns anos atrás o baiano Vandick chegou a ocupar espaço semelhante. Mas, por mais que tenha estado presente nas conquistas mais significativas da história do clube (Série B e Copa Norte em 2001 e Copa dos Campeões em 2002) a simpatia que angariou junto a Fiel se deve muito mais à correção de seu caráter e seus atos humanitários a seu trato com a bola.

Robgol foi muito melhor tecnicamente. Chutava com as duas pernas, cobrava falta, cabeceava com perfeição e tinha um bom passe. Mas, como já citei acima, veio para cá para encerrar a carreira. Ainda durou bastante. Já não tinha a mesma agilidade de outrora. É mais um entre vários casos no futebol de um bom jogador que, por uma circunstância ou outra, não vingou em grandes clubes nacionais.

Mas, voltando à derrota do dia 22, muita gente achou que foi um golpe de marketing ele ter permanecido solitário em campo. Estaria ele esperando a adulação da imprensa? Talvez. Talvez não. Comento com os amigos que minha visão pessimista de mundo serve para me surpreender positivamente quando vejo algo de bom. Por isso dessa vez prefiro ver tudo com entusiasmo. De que ele realmente sentia um peso descomunal sobre os ombros ao notar que provavelmente nunca mais jogaria futebol pra valer. De resto ele deixou uma resposta para os néscios que o atacavam e o atacam a partir de motivos pessoais ao afirmar que "muita gente me deu por acabado antes mesmo do início do Campeonato Paraense, mas dei a resposta e provei meu valor".

PS: No futebol e na vida as histórias trágicas são sempre melhores de serem ouvidas ou contadas. Pelé é amado, mas nunca como foi Garrincha. O maior ídolo do Remo teve uma das vidas mais erráticas possíveis e teve a última passagem de sua vida descrita aqui.

Robgol04.jpg

Messias Jardan é um pé frio dos Diabos e por isso tem a entrada proibida nos estádios de futebol. Por causa disso recorremos a quem sempre nos socorre nessas ocasiões. A caricatura acima é do craque Waldez.

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Comentários

É, de fato é degradante relembrar a cena do matador da Curuzu chorando a sua despedida inglória mas fazer o que, afinal de conta o dito se tornou politico e agora tá em outra. Falando em outra isto lembra o gol mil (não falo do carro) do tal baixinho, genialmente clicado pelo Messias Jordan, é de supor que o arqueiro pernanbucano não tenha sido dos mais cuidadosos no mmento do penal, afinal ninguém aguentava mais a ansiedade e a situação daquele senil jogador a clamar por um tal milésimo de misericordia.

Claro que foi puro marketing, e que essa coluna foi escrita por um paissandu.

Parece que ídolos são necessários. O único problema é que a torcida do Paysandu gosta de dar cargos públicos para eles.

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