Um texto sem graça para um assunto mais sem graça ainda
Semana passada teve o Dia Internacional de Combate ao Racismo. Algo do gênero. Acho essas datas comemorativas meio babacas, mas é um motivo louvável. Existem vários tipos de racismo, mas a idéia que vem à mente é sempre do branco contra o negro. Apesar de preto (afrodescendente é o caralho!) nunca dei muita trela para isso. Nunca passei por nenhum constrangimento nesse sentido. Pelo contrário. Algumas meninas acham que os da boa raça são os cara no rala e rola. Acho que nesse sentido dei minha parcela para desmistificar o mito. Foi aí que na terça-feira (ontem, dia 27/03) pipocou na internet um pronunciamento sobre o assunto dado por Matilde Ribeiro, afirmando considerar aceitável o preconceito de negros contra brancos. Aceitável?! Mas quem diabos é Matilde Ribeiro?
Pois Matilde Ribeiro é ministra do Governo Federal da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade. Nem sabia da existência da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade (Sespolprode). Aliás, nem faria menor diferença para mim a existência dela não fosse uma declaração dada à sucursal brasileira da rede de TV Britânica BBC. Perguntada se no país existe racismo também de negro contra branco, ela se saiu com a pérola abaixo.
"Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco (...) A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou".

Isaiah Sanchez: cão, negro, vira-lata e muito orgulhoso da ascendência. O click é do retratista gangsta Messias Jardan.
Que a dona tenha essa opinião pior para ela. Acredito num mundo em que haja liberdade até para um biltre achar que a cor da pele valha alguma coisa. O que é inaceitável é uma autoridade, no caso um ministro de Estado, vir a público e dizer uma asneira dessas. Racismo é racismo seja pra que lado for - embora o conceito de raça para separar as pessoas de mesma cor seja do tempo do ronca. O que sempre vi no Brasil, mesmo não sendo um estudioso do assunto, é preconceito quanto aos mais pobres.
Toda essa enrolação pseudo-humanista é reflexo da patrulha que existe a alguns anos quanto ao que é ou não "politicamente correto". O termo já entrou nos anais da chatice mundial, mas acho que ele é correto no sentido de tratar o semelhante como o igual. No meu caso e no das pessoas que perdem tempo nesse blog quer dizer: tratar o outro como adulto.

Sho'Nuff, o Shogum do Harlem: fashion, maior lutador que já existiu e orgulho da negritude morena. Messias Jardan, retratista Shaolim, fez o click.
No meu círculo de amizade as pessoas se tratam assim, com respeito e ao mesmo tempo com ironia; com sinceridade e na mais extrema sacanagem. Zoar com a cara do outro é uma regra, mas para os mais sensíveis isso virou ofensa. Eu fico ofendido quando dizem que sou a quota afrodescendete do Ressaca Moral. Sou nada. Sou a quota preta. Afrodescendente é o caralho!
PS1: Vale uma lida numa abordagem mais séria do assunto feita por Reinaldo Azevedo e uma mais sarcástica pela Sarah - cada dia mais uma leitura obrigatória.
PS2: Escrevendo essas coisas aí em riba me toquei de uma coisa. Da formação inicial do RM já mandaram embora o judeu que tinha lá. Se resolverem mandar o preto vai ter onda.

Mumu da Mangueira: gênio, beberrão e motivo de eterna saudade. O clickis só no forevis é de Messias Jardan.
Comentários
Grande Tylon, reconheço a relevância de postura critica frente a pronunciamentos como este, que costumam aparecer sem causar reação nenhuma – seja positiva/favorável ou negativa/contraria – na sociedade respectivamente mencionada; quando deveriam levantar discussões desse povo acerca da postura que o estado adota ao tratar de questões relativas ao mesmo povo. Mas acredito que se deva tomar algum cuidado a mais na interpretação das palavras de Matilde; que sem a mínima duvida, não são as melhores; porém me levam a entender que:
“O negro, o preto,o afro descendente e também o escuro” ocasionalmente são levados a sentirem-se mal com a proximidade de um branco, por que seu contexto histórico/social o tendência a pensar que: DEVO SAIR DE PERTO DESSE BRANCO, QUE AO LADO DELE VOU SER ENXERGADO/TRATADO COMO PRETO, NÃO COMO SER HUMANO ( não que o negro não seja simplesmente um ser humano -assim como o branco-; mas nossa conhecida ideologia racista traçou “linhas divisórias” entre esses legítimos e dignos representantes da espécie humana )
Reconheço que o péssimo texto de “nossa querida Matilde” facilmente nos leva a conclusão que você expôs; contudo, considerando esse texto “mal escrito”, devemos buscar analise mais fina que não tenha como centro só as más palavras da ministra, mas um silogismo entre o texto ruim e o contexto histórico, cultural, social comentado dentro dele(e como terceira premissa, a não ignorância diplomática da ministra ao falar com a BBC) . Assim chegando a interpretação ao menos aproximada da que expus no parágrafo acima.
Como critica negativa à Matilde, só lhe cabe a de péssima oradora. Devendo-se mencionar os grifos encontrados em minha tese para idéia da ministra(ocasionalmente e tendência) cuja falta em seu texto aponta regra, generalizando a visão do negro quanto a proximidade do branco.
Ps.: por favor, que não deixemos de extender essa discussão.
Grande abraço
Igor
escrito por: Igor Diniz Gonçalves em 6/04/2007 às 12:44
poutz...
a semnoçãozisse brasuca chega a extremos como esse...
nunca ouvi falar da tia ae...
mas esse p... dessa tia me deixou bem p... da vida...
não bastasse estar em um cargo q naum tem nada de real a acrescentar ao brasil, tbm tem as manias do presidente molusco de falar asneiras(de asno mesmo)
eu como NEGÂO! PRETRO (alguns podem dizer pardo, em minha falta de melânina em ser preto), tenho tdo direito e dever.... e ateh prazer em dizer...
branco, rosa, afro/negro, preto, vermelho, indígena( e o tal do caudasiano do orkut q eu naum descobri oq eh), faz diferença?...
nenhuma estou certo...
a naum ser pelo tamanho falico e a ascendência musical!!!
mas tom de pele, aki nesse sol q queima tdu?!
ah faça-me o favor...
ah tia preta q nem q nóis: vá à p.q.p... e quando voltar lembra-se
preto com branco, arroz com feijão, goiabada com queijo, coca com gim, e samba-rock não fazem mal a ninguém, pelo contrário.... tdo mundo gosta!
escrito por: Kaká em 28/03/2007 às 21:58
Vale lembrar que a tal ministra é negra.
escrito por: Netinho em 28/03/2007 às 08:15