RESSACA * ENTREVISTA: Superguidis

Belém (Raio que o Parta) - Nos idos de fevereiro, a banda gaúcha Superguidis visitou a capital paraense para o show de lançamento do CD homônimo. Cortesia do pessoal da Dançum Se Rasgum Produciones (DSR), donos das festas de rock mais legais e alcoolizadas da cidade. Aproveitando que os músicos ainda não alcançaram fama mundial, realizamos uma entrevista descontraída, bem humorada, sincera, reveladora, emocionante e, em três momentos, realmente constrangedora.
Se alguém não conhece o Superguidis é bom saber que pra muita gente que manja de rock essa foi a banda revelação de 2006, tendo seu disco apontado como um dos melhores do ano passado. Foi quase uma unanimidade, já que até gente que não sabe porra nenhuma de música também se encantou pelo charme brejeiro dos gaúchos.
Três dos Ressacas (Tylon Maués, Paulo Guedes e Rafael Guedes) levaram a banda de Guaíba, cafundós do Rio Grande do Sul, para a Ilha Ressacum, um lote de 37 metros quadrados adquirido pelas empresas Ressaca Moral e DSR. Além deles participaram - sem serem convidados - da entrevista os amigos Marcelo "Friko" Sarmento, Esperança Bessa, Renato Reis, Renée Chalu, Leandro "Larry Cop" Ribeiro, Gil, Gustavo Rodrigues e Marcelo Damaso (estes dois últimos membros atuantes da DSR). As fotos são do jornalista multi-uso Fabrício de Paula.
Andrio, guitarra e vocal dos Guidis, mostrava-se extremamente falante antes da entrevista, mas foi só ligarmos o gravador para ele ficar lacônico. Tivemos que acordar o outro guitarrista, Lucas Pocamacha (bacana esse sobrenome), para que as revelações bombásticas fossem feitas. Marco e Diogo, batera e baixo respectivamente, fizeram uma puta desfeita, ficaram dormindo e não experimentaram o nosso kibe de açaí, uma comida típica paraense.
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Rafael - Belém. O show. As groupies que vocês pegaram. Tuas impressões.
Andrio – Não teve groupie. A gente não pega ninguém, cara.
Tylon – Isso é uma frustração na história da banda, não pegar ninguém?
A – Sei lá, não sei qual é das meninas...
Paulo – Acho que o rock'n'roll não está mais em alta.
A – Acho que nós é que não estamos em alta.
R – Mas bandas boas costumam pegar muita mulher. As bandas boas.
A – Aí é que está, nós não somos uma banda boa.
R – Ai, eu vou desligar o gravador
T – Mas, se não pegam mulher, tão pegando grana então.
A – (Silêncio)
R – Mas sim, bicho, o lugar, a cerveja, a Nova Schin.
A – A Cerpa é muito boa.
P – Mas qual, a grande ou a Cerpinha?
T - Bebeu a grande?
A – Não, não, a Cerpinha, só.
P – Se tu bebesses a Cerpa grande tu não dirias isso que tá dizendo agora. (Paulo não explicita, mas o comentário é sobre a famosa diarréia que o Cerpão dá no dia seguinte.)
R – Tomaste açaí, essas coisas?
A – Não, não.
R – Então tu vens pra cá e não valoriza o que é nosso?
A – Lá no sul tem a Polar.
R – Aqui vende a Polar.

Discussão séria sobre os possíveis pontos de venda da cerveja Polar, que mesmo sem provar sabemos que não presta. Gente falando mal da Cerpa. Andrio dá sinal de vida e mexe uma sobrancelha. Os Se Rasguns decidem acordar Lucas, o guitarrista que nunca comeu ninguém.
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T – Um comentário que rolou quando vocês conseguiram lançar o CD é que houve um teste do sofá com o Fernando Rosa. O pessoal do Stereoscope fala que a coisa ocorreu normalmente. Aconteceu, realmente?
A – Tem que ser, né, cara? Pra entrar no showbizz...
R – Como é o sofá dele?
A – É um sofá aveludado, assim, vermelho. Bonito.
T – Mas ele é um velho jeitoso?
R – Ele que é o Veio Máximo?
A – É uma mistura de Peter Sellers com Gepetto.
R – Trabalho novos.
A – A gente tava em Brasília gravando o segundo disco.
P – Mas quantas músicas vocês já têm novas? Têm suficiente pra um CD?
A – Tem. Doze.
R – De novo, bicho?
A – Sim, porque doze é um número cabalístico.
R – Já conheciam alguma coisa de alguma banda paraense?
A – A gente conheceu o trabalho do Stereoscope, que são nossos colegas de cena. E os guris do La Pupuña, também.
R – Aquele material que vocês lançaram, "Profundo e Feio". É o que estou pensando?
A – Era pra ser, era pra ser.
P – Não é mais?
A – Não, não. Mas era pra ser. Isso é de um poema do Galdério que fala da buceta, que é um lago profundo e feio.
T – A gente pode falar buceta na matéria?
R – Não, a gente substitui por outra palavra. Por um nome, Luana21.
R – A gente aqui teve acesso ao material de vocês logo que despontaram. Nos surpreendemos com o público, que foi muito bom para o que temos nas festas aqui. Foram 700 pessoas prum lugar que virou um inferninho realmente.
P – Vocês esperavam encontrar isso aqui? Ou vieram imaginando que vocês iriam tocar num lugar pequenininho, com pouca gente?
A – Surpreendeu ao mesmo tempo em que a gente já sabia que tinha uma cena emergente roqueira local. Então, ao mesmo tempo em que surpreendeu, a gente já tava esperando pela organização, pelas outras edições do festival.
T - E o que vocês ouvem falar lá em Porto Alegre sobre essa cena rock de Belém?
Lucas – Vim te salvar!
É Lucas, que acabara de acordar, quem diz isso a Andrio. Não sabemos se a cara amassada o torna um rapaz mais feio ou mais bonito. São umas 3 da manhã. A interrupção custou a resposta da pergunta anterior.
Damaso – Eu tenho uma pergunta pro Lucas. Não pensa muito. Tu acabaste de acordar. Qual foi o teu último sonho?
L – Eu não lembro.
R – Qual é o último sonho que tu lembras?
A – Não era aquele do...
R – Tu contas teus sonhos pra ele, bicho?
L – Não, é que aconteceu esse sonho muito estranho, que era com um capacitor! Eu sonhei que eu não encontrava o capacitor, eu tinha que consertar alguma coisa que tava errada num carro e tinha que arrumar um capacitor, que era um valor ridículo, era um capacitor eletrolítico de tipo 1 "picofired's". Não fazem capacitor eletrolítico de 1 "picofired".
Todos se olham dando a entender que sabem o que é um "picofired".
R – Lucas, a gente quer as tuas impressões gerais sobre ontem.
L – Ontem? A gente acordou cedo pra caralho, aí fomos pegar não sei o que. Tu quer a impressão do dia inteiro, assim?
R – Eu tava perguntando do show, cara.
T – Começa a partir de quando tu tinhas oito anos, conta pra gente.
R – A gente quer saber de vocês em Belém.
L – Aaah. Foi divertido, a gente foi lá ver o mercado do Ver-O-Peso .
R – Fede pra caralho, não?
L – É, a gente só passou na frente, não deu pra sentir o cheiro, o vidro tava fechado. Aí fomos lá ver os Forte (do Castelo, enclave turístico da cidade) que tem os canhães e os alemões.
T – Sic na entrevista.
A - Tem a Catedral, que tá em reforma
R – Vocês usam bombacha, essas coisas? Trouxeram chimarrão e o pessoal pensou que era maconha?
A – A gente trouxe, não pra cá, ficou em Brasília.
T - E esse episódio da prisão de vocês?
L – É, a gente tava com uns quatro quilos, mas era pra consumo próprio.
R – Quatro quilos? Tu entrou nessa, bicho?
T – É porque o chimarrão, até 750 gramas, não é considerado crime.
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P – A relação de vocês com as bandas gaúchas. Durante muito tempo a gente ouviu falar do Bidê ou Balde, que sumiu, não se ouviu mais falar. Qual é a relação de vocês com essa galera?
L – Tem gente que acha que a gente é parecido com os caras do Cachorro Grande.
Renato Reis – Vocês tem um fã-clube de groupie também?
L - Não, cara, isso é uma das piores coisas que aconteceram com a gente. Não temos fã-clube de groupie.
R - Vocês não gostam de groupie?
L - Eu gosto de groupie, só que elas não gostam de mim.
Renato - O Cachorro Grande é um bando de feios, vocês são até bonitinhos.
L - Porra, os caras fedem!
R - Tá gravando, tem problema?
L - Todo mundo sabe que eles fedem.
A - Bem, isso aí...
L - É público e notório!
Conversas sobre Vitor Ramil, o Vitinho. Lucas diz que Vitinho não liga de madrugada. Rafael Guedes faz a pergunta mais longa do mundo, acerca de uma maior atenção ao que está sendo produzido fora do eixo sul/sudeste e a realização de festivais.
L - A gente nota que, de uns tempos pra cá, a coisa tem caminhado pra esse lado - Rio e São Paulo é um troço que acontecia quando as grandes gravadoras abraçavam isso. Acabou aquela coisa do cara ser descoberto. Ninguém mais descobre ninguém e faz a banda acontecer. Tipo, o que aconteceu com os Raimundos nos anos noventa. Isso não existe mais.
P - Quando vocês perceberam que estavam chamando a atenção, que deixaram de ser uma bandinha de fundo de quintal?

Superguedes versus Superguidis: Paulo Guedes (cabelo chanel, à esquerda de Lucas) se explica sobre o termo "fundo de quintal". Ressacas convencem o Superguidis de que a banda é conhecida e virou assunto em salas de espera de consultórios e em supermercados.
L - Os guris tinham uma banda, eu tinha outra chamada Chico Xavier e Os Psicógrafos. E aí a banda acabou por motivos de ordem psíquica e eu fiquei um tempo sem banda. Os guris me chamaram pra tocar com eles, sempre fui amigo do Andrio e do resto do pessoal. Mas nessa época que eu entrei as coisas eram diferentes, a gente meio que tinha influências do Cachorro Grande.
Damaso - Mas fala a verdade, eles só te chamaram porque tu sabias fabricar pedal?
L - Não!, nessa época eu não sabia, isso que era o pior. E aí a gente começou com essa pilha meio anos sessenta e viu que isso não levava ninguém a nada.
T - Tem essa história que as bandas do Rio Grande do Sul seguem essa escola da Jovem Guarda, e foi uma coisa que citaram sobre o som de vocês, que tenta sair dessa linha.
L - Pois é, cara, a gente nunca tentou sair dessa linha, a gente só viu que, tipo, não era o que a gente tava a fim de fazer. E nessa mesma época a gente conheceu o Pavement.
P - Então o som tem muito menos a ver com o RS do que com algo mais...
L - É, cara, é que tudo que é do RS tem a ver com Rolling Stones, cara. E eu não gosto nenhum pouco de Stones. Então não é que a gente tenta fugir, a gente só tenta não ir pra esse lado.
R - Fora o Pavement, que bandas vocês curtem mas que acabam não entrando na sonoridade de vocês?
L - Porra, Sigur Ros.
R - Fala um pouco sobre o que vocês já tem para o novo trabalho, se tem alguma música em especial que vocês gostem. A "música de trabalho".
L - Tem umas com potencial, como uma música chamada "Mais do que isso", e fala sobre...
A - O refrão nega esse "mais do que isso". Mais do que isso não tem como.
R - Bandas nacionais?
L - A gente curte pra caralho o Los Porongas (AC), cara.
R - O show deles aqui foi do caralho!
A - Os caras são muito bons.
Alguém pergunta se eles conhecem o Amapá. Larry Cop informa que em Oiapoque a Coca-Cola custa cinco reais. Perguntamos sobre boas bandas novas e eles citam o Stratopumas, mas as pessoas entendem Gadopumas.
T - A partir de 2000, quando houve um recomeço do rock paraense, uma coisa interessante que não tinha antes e passou a ter foi uma união maior, uma banda ajudando outra. Rola isso em Porto Alegre?
A - Treta não tem.
L - A gente pelo menos tem um grupo meio fechado, umas três ou quatro bandas que sempre tocam junto e a galera se ajuda.
R - E o que tu indicas pra gente?
A - Walverdes já vieram aqui, não?
R - Ainda não. Mas é até mais conhecido, já tem alguma projeção. Mas queríamos alguma que vocês apostam.
L - Eu gosto de Fantomáticos, uma banda de lá que antigamente se chamava Flying Circus. É bem legal, música própria. Antigamente cantavam em inglês, agora cantam em português.
P - Vocês tem música em inglês?
L - Não...
P - Pensam em fazer?
L - Já pensei, mas só pra minha carreira solo.
Gil - Em que lugares vocês costumam tocar lá em Porto Alegre?
R - Ei, qual lugar vocês costumam comprar pão?
L - A gente compra na padaria Nirvana, lá perto de casa.
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R - Lucas, uma cor.
L - Azul turquesa
R - Um sentimento.
L - Amor pela humanidade!
P - Um tipo de maconha.
L - Aquela que não seca a garganta.
T - Uma palavra. Defina-se em uma palavra.
L - Podem ser duas?
R - Não. Sempre é uma. Nunca foram duas.
P - Capacitor?
R - Um gaúcho.
L - Tony da Gatorra é um gaúcho notório.
T - E aquela estrela diferente no escudo do time do Grêmio, vocês sabem o que ela significa?
L - Uma representa o campeonato nacional.

A interrupção não deixou Tylon lembrar que a estrela é uma homenagem póstuma ao lateral-esquerdo Everaldo, campeão da Copa de 70 e que era tricolor. A homenagem é póstuma pois logo depois de recebê-la o jogador morreu em um acidente de trânsito. Ninguém sabe por que Tylon fez essa pergunta sem propósito.
R - Lucas, me conta o teu dia-a-dia.
L - Acordo com aquela ereção involuntária.
R - Porra, isso acontece direto comigo. O que você faz?!
T - Isso não me acontece mais, cara. Parou.
P - Depois de uma certa idade...
L - Bom, eu faço alguma coisa pra deter essa ereção. Alguma providência que qualquer rapaz na minha idade faria.
R - Mas aos 30 anos, ainda?
R - Algum de vocês é casado, tem filhos?
L - Não tenho. Nunca terei. Porque eu acho que ninguém me ama.
R - Vamos falar sobre isso um pouquinho?
L - Vamos! Porque todas as músicas são sobre esse fato.
R - Tu nunca comeste ninguém?
L - Já, algumas vezes. Mas não foi muito, não.
R - Quando o cara diz "comi uma pessoa", não diz que é mulher, é foda. Não, tudo bem.
T - Alôôôôô, século vinte e um, Rafael! É uma banda de rock, tu sabes o que rola no rock'n'roll.
R - E o que acontece quando vocês vão para o camarim?
L - Nada.
(O que acontece no camarim do Superguidis fica no camarim do Superguidis.)
R - Cadê os caras da banda?
L - Tão dormindo.
R - Vocês têm medo do microfone?
L - Depende do tamanho da bitola.
R - Gente, Amazônia. O que vocês acham?
T - É o pulmão do mundo?
L - Amazônia é a insônia do mundo.
R - Alguma situação de show que tenha sido a mais absurda que vocês viveram.
L - Teve uma que a gente se deu muito mal, era um troço do partido político que não convém mencionar agora, e era pra gente tocar antes duma banda de reggae, e a banda de reggae pediu pra tocar antes da gente, e a gente deixou. Os caras falaram que iam tocar quatro músicas. Quando eu vi tinha dado uma hora e meia e os caras não tinham saído ainda.
T - Existe banda de reggae em Porto Alegre?
A - Existe.
Damaso - Qual a pior banda de Porto Alegre?
L - Difícil falar sem se comprometer.
R - Mas é pra se comprometer.
T - Dá só as iniciais.
L - Tá aqui, ó, TNT.
Silêncio.
L - Engenheiros é chato também.
R - Engenheiros é chato pra caralho.
L - TNT é muito mais Rolling Stones.
A - Isso é pior.
R - Rolling Stones é chato?
L - Rolling Stones é chato. Segundo a minha opinião.
Silêncio.
R - É, pesou o clima, gente.
T - Depois que vocês lançaram o disco, o que mudou? A freqüência de shows aumentou?
R - A freqüência sexual aumentou?
L - Nenhum pouco.
T - E de show, pelo menos?
L - De show aumentou um montão pra tocar em festival. Mas geralmente os caras não pagam a passagem, então fica ruim pra gente.
R - O pessoal da Se Rasgum, você quer dizer, né?
R - Vamos falar do Homem Fernando Rosa.
L - Fernando Rosa em uma palavra?
R - Não, em várias, muitas, milhares.
P - Três.
T - Seis.
R - Escreve um artigo e manda pra gente.
L - Pô, o Fernando Rosa é o cara que, junto com essa galera que faz esses festivais e tudo, ele é um dos caras que faz a coisa andar pra frente. Acho válida pra caralho essa iniciativa dele de fazer o selo, e a gente vê isso como meio o início de alguma coisa que tá acontecendo, que já aconteceu la fora há muito tempo, de banda independente conseguir se manter com o próprio trabalho, tá ligado?
R - Vocês hoje ainda têm que trabalhar ou com a banda já conseguiram comprar carro, casa, sítio?
A - A gente trabalha ainda. Trabalho numa secretaria de escola pública.
R - Mas tu fazes o que lá?
A - (Erm). Secretário.
T - E tu, Lucas, trabalhas com o que?
L - Eu faço Engenharia Elétrica.
Um aaaaah coletivo preenche o espaço da Ilha Ressacum. Está explicada a origem do capacitor.
R - O que se faz de legal em Guaíba?
L - Não se faz nada em Guaíba.
A - Só se ensaia final de semana.
L - É a cidade mais bunda que existe. Fede.
R - Cheiro de chimarrão?
L - Não, cara, é cheiro de geladeira com coisa podre dentro.
R - Malevolosidade. Eu não sei se existe essa palavra. Já procurei no dicionário. Rá!!
Damaso - Quem foi que se perdeu da mãe no centro?
L - Fui eu. Na verdade eu acho que não fiquei perdido da mão da mãe no centro, mas é que eu imagino como seja difícil.
R - Malevolosidade, não mudem de assunto. Existe essa palavra?
D - Vai no Google, só tem o site de vocês.
R - Política. Lucas, votaste no Lula?
L - Votei.
T - O bigode do Olívio Dutra é de verdade?
A - Acho que é, já ouvimos falar que é verdadeiro.
T - Já puxaram?
Friko - Uma última pergunta...
R - Uma última pergunta tua! Tu não vais falar mais nada hoje. Já usaste a tua cota.
L - Acabaram tuas perguntas hoje.
Friko - Brizola vive?
L - Lá em casa não.

Lucas revela que Andrio, segundo da esquerda para a direita, é um índio indie. Tylon, o representante afro-descendente da cota racial de Ressaca Moral, entra em questões étnicas complicadas e fica meio emburrado.
R - Não aparecem aqueles indies chatos nos shows de vocês?
L - Aparece.
R - Aqueles indies depressivos?
L - Não, indie depressivo até que é legal, o pior são aqueles indies tipo Franz Ferdinand.
A - Mas Franz Ferdinand não é depressivo.
L - Não mesmo. A gente é indie depressivo.
R - Mas o show de vocês foi divertido. Eu falo mais no sentido daquele cara que vai pro show curtir aquela liga meio torta.
T - Ah, cara, eu ri o show inteiro. Eu gargalhava.
R - Vocês são filiados à Ordem dos Músicos?
L - Eu sou filiado à "Ordem dos Come-Ninguém".
T - Ei, cara, qual é o teu número de inscrição? Eu sou o 003. Mas eu me sinto primeiro, porque o 001 e o 002 já morreram.
R - Cinco grandes discos da História.
L - Pode ser os cinco do Pavement?
R - A banda toda?
A - O primeiro é o "In Utero", do Nirvana.
(Tylon, cochichando: "Quem é Nirvana"? Rafael: "É aquele estágio que tu atinges".)
A - O segundo é "Munki", do Jesus and Mary Chain.
Friko - O terceiro seria o "Wowee Zowee", do Pavement?
L - Eu acho que o "Crooked Rain".
A - Ou o "Brighten the Corners".
L - Ou o "Terror Twilight".
A - Ou o "Slanted and Enchanted".
R - São só cinco, bicho.
L - Acho que tinha que ter um do Yo La Tengo.
R - O "And Then Nothing Turned Itself Inside-Out", do cara sendo abduzido. Esse é do caralho.
A - O "Summer Sun" é bom. Esse último do Sonic Youth é bom, "Rather Ripped".
L - Rather Ripped é bonito. Ouve que é bacana.
T - Vocês não acham que falta distorção ao Sonic Youth?
L - Acho que eles são muito harmônicos, são meio emo demais.
T - Acho um som muito limpo, então fico agoniado.
R - Eu acho canção de ninar, na boa.
R - Eu tava lendo sobre o lance do nome da banda de vocês e da gafe que cometeram com ele. Aquilo é sério ou foi putaria?
L - Ah, é, os caras botaram outra banda que não era a gente. Tinha outra banda com o mesmo nome (Dissidentes) e os caras fizeram uma matéria com uma reportagem com os caras e meses depois a gente descobriu que o cara tava querendo fazer uma matéria com a gente, cara, e não com os outros Dissidentes. Mas aí a gente já tinha trocado pra Superguidis.
R - Lucas, tu fazes pedal?
L - É, agora eu vou fazer amplificador, um Fender Bassman com aquelas válvulas 6L6 e tem três válvulas de pré, que são a 12AX7...
R - Nosso público são donas de casa. Fala em uma linguagem menos técnica.
L - É um troço grande, que junta poeira, que não dá pra varrer embaixo, mas se passar um Perfex com Ajax em cima fica cheirosinho.
T - Quem é o Véio Máximo?
L - Véio Máximo é o meu vô! É Máximo João Protti (não sabemos a grafia).
R - E cabelo na orelha? A gente queria ver a tua orelha.
L - Não é a minha!, é a dele. A orelha dele é que tem cabelo, porque na verdade eu corto o cabelo dele com a máquina.
R - Mas tu cortas o cabelo da orelha dele?
L - Claro.
R - Com a máquina?
L - Sim! Eu maltrato o véio, porque eu boto naquelas máquinas gigantes, hhióóuunn (Lucas imita com perfeição o barulho) dentro do ouvido dele.
T - Ele gosta da banda ou acha que rock'n'roll é coisa de viado, drogado?
L - Eu não sei bem se ele sabe o que é.
Esperança - Ele gostou da música?
T - Acho que ele ouviu, mas não entendeu.
Esperança - Ele ouve?
L - Ele ouve um pouco.
T - Quanto corta os cabelos aí ele ouve que é uma maravilha.
R - Qual é a música que o pessoal mais pira no show?
T - O hit acabou virando "O Banana", por causa do clipe, não?
L - É, não sei bem, difícil pra gente saber, porque depende do lugar.
R - Em São Petersburgo, como é?
A - Lá eles preferem o Sigur Rós.
R - Numa versão mais lenta, né?
L - A galera curte mais em São Petersburgo o nosso cossaco. Você não gosta do nosso cossaco?
R - Não quero falar sobre isso.
T - E o jeito do pessoal de Belém falar, vocês não estranharam?
L - Eu já conhecia, uma tia minha tem uma amiga que é daqui e tem essa coisa do 'NH' junto, "ainda", tipo, "amaniã".
Conversas sobre sotaques. Alguém lembra que Rafael quando bebe fica com sotaque de paulista. Ninguém sabe o porquê. A versão mais aceita é que se trata de frescura. Lucas admira a forma como o paraense conjuga os verbos, o "tu fizeste", e diz que é mais correto que o "tu fez" dos gaúchos. Alguém se mete e diz que o jeito dos integrantes falar é sensual.
Silêncio. Constrangidos, todos dão por encerrada a entrevista.
*'Por que cargas d'água os cabelos que cresciam na cabeça agora crescem nas orelhas?'
Coincidentemente e para a tristeza dos fãs da banda, o Véio Máximo, João, avô de Lucas, faleceu semana passada. Ele, que tinha 90 anos, foi homenageado durante um show no Garagem Hermética, em Porto Alegre. Vá em paz, Véio.
Comentários
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escrito por: live nude webcams em 20/09/2007 às 02:28
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escrito por: sex cam free em 19/09/2007 às 15:22
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escrito por: MEDVED2322 em 19/09/2007 às 00:14
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Estávamos sem comments durante um mês. Problemas no servidor. Culpa do Cindacta.
escrito por: Rafael em 29/03/2007 às 23:07
putaria não comentarem. ficou do caralho.
escrito por: gumonstro em 29/03/2007 às 23:04