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31 de março de 2007

Tipos de mulheres com os quais você deve tomar cuidado - Parte 8

A DJ descoladona
Bonita de lado, tatuou uma tribal da qual nunca se arrependeu. Usa óculos escuros mesmo em palestras. Fala de Ibiza como quem fala de pão careca, esteve lá duas vezes e fez amizade com um hippie de apartamento muito chato, mas as fotos são legais. Gosta de comidas de padaria e enche o saco do cara que as prepara. Fala muito e é relativamente gostosa quando bem-vestida. Choraminga a morte da avó mas nem sabe com que idade mulher se aposenta nesse País. Polêmica, mandou a Igreja à merda. Tem amigos em pelo menos seis capitais brasileiras.

A ex-nadadora de sucesso
Fuma e bebe demais. Perdeu a virgindade numa competição em Florianópolis. Espalha as intimidades de alojamento como caca no ventilador e sabe de pelo menos três sapatões de quem nunca ninguém desconfiou. Usa um amigo muito chato e muito feio para acompanhá-la nas ocasiões em que não quer estar só. Fumou maconha três vezes e gosta de dizer que quem compra financia o tráfico. Lê pouco, mas recebe e-mails de uma lista de jovens literatos de sua cidade. Usa calcinhas fio dental e acredita ter total domínio do acontecimento sexual. Preocupa-se em escolher as comunidades corretas no Orkut visando ao competitivo mercado de trabalho.

A atendente de laboratório
Devora qualquer revista Seleções que aparecer pela frente, mas adora leituras sobre a guerra dos sexos e taras que ela nunca vai realizar plenamente. É cortês e assiste tevê enrolando o cabelo no indicador. Nunca viajou para o exterior. Está terminando o curso de Tecnologia da Informação em uma particular de sobrado e perdeu dois dias de aula na semana passada. Ainda curte Hello Kitty, esmalte vermelho e admira o Gustavo Borges. Não perdeu a virgindade ouvindo a música que queria.

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Messias Jardan acha esse tipo de mulher bacana e fez o clique.

29 de março de 2007

Beef & Chicken

Fazia dois dias que minha gata de estimação, uma siamesa de rabo quebrado com pinta de vira-lata, não se alimentava de nada. Meus pais viajaram e, como é de conhecimento dos leitores mais assíduos de Ressaca Moral (a pulga Amélia e o cãozinho Asdrúbal, grande abraço), eu e ela não nos falamos há um bom tempo. O resultado é que invariavelmente a encontrava com uma cara murcha, arredondada e com um olhar de quem se identifica com os meus problemas.

Fui lhe dar de comer. Mal tinha digerido o feijão e o bife do almoço quando descobri que ela se alimenta de um preparado de Beef & Chicken enriquecido com minerais orgânicos, taurina (certo), ômega 3 e 6 e que promete controlar a obstrução do trato urinário. No meu trabalho eu só como babugem e ainda sou obrigado a levar o dinheiro certo, sob risco de ficar sem troco. E não tenho trato nem com o urinário nem com essas coisas que a gente só conta em família.

Mais: a embalagem afirma que o Foster Cats Beefs & Chicken® é rico em proteínas selecionadas e de alta qualidade, como carnes, miúdos de bovinos e aves, e os "alimentos funcionais" ou nutracêuticos, nada mais que fibras, prebióticos e probióticos, antioxiadantes naturais, minerais orgânicos e ácidos graxos poliinsaturados, os tais ômega yôga fire and flame.

O que me intriga é que haja tanta firula pra um animal de instinto reconhecidamente predador no chamado reino animal de mentirinha, o dos grilos, passarinhos e baratas - que também servem de atividade lúdico-pedagógica para gatinhos na pré-adolescência. No fim das contas, enchem o bicho de coisa e eu fico me perguntando como os gatos de rua se viram tão bem sem isso. Mais ativos, esbeltos e espertos que a espécime daqui de casa - que, mesmo com dez anos de idade, ainda não tem nome -, os bichanos de vila se saem bem nas caçadas noturnas e geralmente têm sucesso nas investidas com o sexo oposto. Já as gatinhas não têm frescura em dar mesmo e geralmente o fazem numa gemedeira bem bacana pros padrões felinos.

Gatos sempre me fascinaram por seu desinteresse pela vida e por sua personalidade vingativa (minha gata me odeia, creio que por meus passatempos nos seus primeiros anos de vida, puxar o rabo, apertar a orelha). Mas daí a querer comer melhor que eu é sacanagem. As rações brasileiras seguem padrões altamente satisfatórios de fabricação (vide análise do Inmetro), com apenas duas das onze marcas analisadas consideradas "não-conforme em relação ao parâmetro fibra bruta". Eu não sei o que é isso. Lembro que não faz muito tempo o mesmo Inmetro analisou as águas minerais e descobriu que muita gente bebe o que não gosta de olhar. Vale um tema do Roda-Viva.


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Sempre em performance elegante, o gato Flávio aprecia costelas roídas e a-do-ra meias usadas em dias úmidos e de intenso calor. Messias Jardan o afagou - eu disse AFAGOU - logo após o clique

Os Papas mais históricos do mundo

Domênico III - Líder máximo da igreja durante a pós-renascença, era mais conhecido por seu nome de guerra, Dina Varejão. Era o terror da cena eletrônica romana e famoso pela raves que promovia na Capela Sistina regadas a pílulas de gengibre com mastrúcio, mistura conhecida na época como Vontadiuns Dare Rabiola et Lúcifer. A festa do papado acabou quando uma batida da PF Italiana apreendeu 400 gramas de rapé escondidas na mochila de São Chupisco de Arimatéia, grande amigo de Domenico III e que, posteriormente, foi flagrado afogando um ganso na Fontana di Trevi.

Joãozinho XXX - Conhecido como Papa Plumas & Paetês, Joãozinho XXX organizou grandes procissões caracterizadas por enooormes carros alegóricos e por adornar altares que ficavam um luuuxo. Até hoje é lembrado pela grande celebração da páscoa em 1578, que teve como tema “Constantino menino no reino do Egito é cruz de calvário, proibido anedotário, de prata é o ostensório, diga lá cristão: Pompeu, quem te comeu?”. Infelizmente, uma nota 9 em mestre-padre e porta-freira tirou o campeonato de Joãozinho e deu o título daquele ano a Agostinho da Sacristia, canonizado logo após o feito.

João, Jorge, Paulo e Rúnculo - Primeiro papa da história que na verdade eram 4. Despontaram no clero com o sucesso “Eu quero segurar sua mão”, composto para Júnior, um garoto de 8 anos que o(s) papa(s) alegava(m) ser seu sobrinho. Fizeram missas por toda a Europa e ficaram tão conhecidos que no ano 1354 de nosso senhor, João chegou a declarar que eles eram mais populares que Jesus Cristo. O mesmo João foi apontado como o causador do estopim que deu fim ao grupo eclesiástico, ao levar o ex-coroinha de origem nipo-irlandesa - Yoko Bono, para uma eucaristia particular, provocando ira, gula, cobiça e nada de luxúria nos outros membros.

Benedito I - A primeira fase de seu papado aconteceu na Itália, onde Giulia (Maria Fernanda Cândido, interpretada por Eva Wilma na segunda fase) conheceu Giuseppe (Marcelo Antony, Raul Cortez na segunda fase). O casal se apaixonou perdidamente, mas separaram-se quando Marcelo perdeu o navio das 11h que vinha para o Brasil devido à bebedeira da noite anterior. Ele resolve ficar na Itália para lutar por seu país na segunda fase, quer dizer, guerra, mas conhece Cassandra (Lázaro Ramos), travesti brasileiro que foi tentar a vida em Roma. Os dois apaixonam-se e decidem vir para o Brasil, mas o vôo de Cassandra passa 8 horas preso no Galeão graças às panes no Cindacta 1 causadas propositalmente por Giulia. Giuseppe então chega antes em São Paulo e reencontra Giulia. Os dois não se apaixonam, mas resolvem se ver ao menos uma vez por semana para manter o sexo em dia. Foi uma revolução progressista na igreja, esmagada logo após a morte de Benedito e a ascensão de Manoel II ao comando da cúria.

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É grande a expectativa pela canonização do gato Flávio quando o Papa Bento 386 chegar ao Brasil. Meowlhares de devotos aguardam um bom trocadilho redigido por este blog. O clique, a princípio, é do terrestre Messias Jardan.

A Vida Bitinique de Paulo Nazareno

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Paulo Nazareno é um insistente colaborador de Ressaca porque a vida assim o quis. Mas ele quer mais. Misto de jornalista, cartunista e ogondoblondo, desenvolveu uma exclusiva técnica de ficar em casa e procura agora um trampo que se molde completamente às suas exigências.

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Confira mais no horroroso sítio de Nazareno.

28 de março de 2007

Um texto sem graça para um assunto mais sem graça ainda

Semana passada teve o Dia Internacional de Combate ao Racismo. Algo do gênero. Acho essas datas comemorativas meio babacas, mas é um motivo louvável. Existem vários tipos de racismo, mas a idéia que vem à mente é sempre do branco contra o negro. Apesar de preto (afrodescendente é o caralho!) nunca dei muita trela para isso. Nunca passei por nenhum constrangimento nesse sentido. Pelo contrário. Algumas meninas acham que os da boa raça são os cara no rala e rola. Acho que nesse sentido dei minha parcela para desmistificar o mito. Foi aí que na terça-feira (ontem, dia 27/03) pipocou na internet um pronunciamento sobre o assunto dado por Matilde Ribeiro, afirmando considerar aceitável o preconceito de negros contra brancos. Aceitável?! Mas quem diabos é Matilde Ribeiro?

Pois Matilde Ribeiro é ministra do Governo Federal da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade. Nem sabia da existência da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade (Sespolprode). Aliás, nem faria menor diferença para mim a existência dela não fosse uma declaração dada à sucursal brasileira da rede de TV Britânica BBC. Perguntada se no país existe racismo também de negro contra branco, ela se saiu com a pérola abaixo.

"Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco (...) A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou".

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Isaiah Sanchez: cão, negro, vira-lata e muito orgulhoso da ascendência. O click é do retratista gangsta Messias Jardan.

Que a dona tenha essa opinião pior para ela. Acredito num mundo em que haja liberdade até para um biltre achar que a cor da pele valha alguma coisa. O que é inaceitável é uma autoridade, no caso um ministro de Estado, vir a público e dizer uma asneira dessas. Racismo é racismo seja pra que lado for - embora o conceito de raça para separar as pessoas de mesma cor seja do tempo do ronca. O que sempre vi no Brasil, mesmo não sendo um estudioso do assunto, é preconceito quanto aos mais pobres.

Toda essa enrolação pseudo-humanista é reflexo da patrulha que existe a alguns anos quanto ao que é ou não "politicamente correto". O termo já entrou nos anais da chatice mundial, mas acho que ele é correto no sentido de tratar o semelhante como o igual. No meu caso e no das pessoas que perdem tempo nesse blog quer dizer: tratar o outro como adulto.

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Sho'Nuff, o Shogum do Harlem: fashion, maior lutador que já existiu e orgulho da negritude morena. Messias Jardan, retratista Shaolim, fez o click.

No meu círculo de amizade as pessoas se tratam assim, com respeito e ao mesmo tempo com ironia; com sinceridade e na mais extrema sacanagem. Zoar com a cara do outro é uma regra, mas para os mais sensíveis isso virou ofensa. Eu fico ofendido quando dizem que sou a quota afrodescendete do Ressaca Moral. Sou nada. Sou a quota preta. Afrodescendente é o caralho!

PS1: Vale uma lida numa abordagem mais séria do assunto feita por Reinaldo Azevedo e uma mais sarcástica pela Sarah - cada dia mais uma leitura obrigatória.

PS2: Escrevendo essas coisas aí em riba me toquei de uma coisa. Da formação inicial do RM já mandaram embora o judeu que tinha lá. Se resolverem mandar o preto vai ter onda.

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Mumu da Mangueira: gênio, beberrão e motivo de eterna saudade. O clickis só no forevis é de Messias Jardan.

27 de março de 2007

Dê o seu pitaco

Comentários (0) nunca mais. Depois de alguns meses de salários atrasados e ameaças de despejo por parte do Gardenal, finalmente o Ressaca Moral pôs as contas em dia. Por causa disso voltamos a usar a porta da frente do Coletivo Digital e, principalmente, a ter direito a comentários no blog. Quem passava por aqui nos últimos dias e sentia aquela irresistível vontade de deixar de deixar um singelo xingamento se via frustrado. Sempre dava erro na página. Agora não. Tá tudo chuchu beleza de novo.

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Seis dos oito membros do Ressaca Moral trabalharam diuturnamente por duas semanas atrás de uma solução para os problemas técnicos do blog. Mal sabiam que o problema era de ordem financeira. O click laborioso é de Messias Jardan, responsável pelo empréstimo que quitou a dívida com o Gardenal.

26 de março de 2007

Exclusivo: Ressaca Moral tem acesso às exigências de camarim do papa Bento 386 no Brasil!

Vaticano (In Eternum Gloria) – Depois de subornar um segurança do Vaticano com uma cópia pirata do DVD Vivi.com.vc. Finalmente Anal, a equipe de jornalismo investigativo do Ressaca Moral teve acesso exclusivo à lista de exigências de camarim do papa Bento 386 no Brasil. Segundo Renivaldo Maravalho, cabelereiro, carnavalesco e diretor de palco dos shows de Bento em nosso país, a produção do evento deve fazer um bingo beneficiente e um livro de ouro para arrecadar dinheiro para cumprir os 666 itens pedidos pelo papa. “Esse Bento é uó”, declarou Renivaldo antes de sair para maquiar o elenco do show de transformismo “Focas, Leoas e Pregas Soltas”, encenado todo domingo às 20:00 horas na boate Le Boy, em Copacabana.

Confira aqui as principais exigências de Bento 386:

1 - 140 grades de Guaraná Jesus.
2 – Um altar tunado com roda de magnésio, freio a disco, cruz de néon, genuflexório diamantado, DVD portátil com tela de cristal líquido e siri fosforecente na caixa de marcha.
3 – Uma assinatura do canal Al Jazira.
4 – Uma assinatura do canal ESPN Internacional (para o papa acompanhar os Jogos Episcopais de Inverno de Gstad).
5 – Uma assinatura do canal E! Entertainment (para o papa acompanhar Girls of the Playboy Mansion, o seu reality show preferido).
6 – Cardápio em latim com 19 opções de hóstias e saladas.
7 – Uma camisa do Íbis.
8 – 370 caixas de água benta Perrier.
9 – Um passaporte para o Playcenter.
10 – Três meninos cantores de Petrópolis (sem capa de gordura).

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Sobrinho de Wilson Cremonse, o bad boy Orlandinho Cremonese é presidente da ala jovem e bombada da Igreja Messiânica Hebraica Ortodoxa Teológica Paranormal (Imhotep). Ele conta que está tão ansioso com a passagem de Bento 386 pelo Brasil que, para se acalmar, está fazendo três mil abdominais por dia e tomando um pote de megamass de oito em oito horas. "Porra bróder, esse papa é da hora", disse Orlandinho antes de tentar aplicar um mata-leão em Messias Jardan. Nosso fotógrafo, que tem curso de crowd control na polícia de Los Angeles, lhe aplicou um maguiri e lhe pôs em seu lugar antes de fazer o encefálico click

22 de março de 2007

EXCLUSIVO: Mossoró (RN) aguarda visita do Papa

Vale do Silício (Mossoró) - Falta pouco para a primeira visita ao Brasil da autoridade máxima da Igreja Católica no planeta, o Papa Bento 386, que chega em maio ao País. Enquanto o sumo pontífice não vem, às cidades do roteiro oficial da visita somam-se os esforços dos cidadãos de Mossoró (RN), que iniciaram este mês uma bilionária campanha para levar o Papa até a megalópole norte-rio-grandense. Os investimentos já ultrapassam R$ 2 bilhões e incluem medidas como a construção de uma réplica em tamanho natural do Vaticano e a segurança de todo e qualquer material relativo à visita. Na manhã de ontem, técnicos do MIT (Mossoró Institute Of Technology) finalizaram a blindagem de igrejas, veículos, hóstias e de um coroinha loiro e de olhos azuis chamado Gleyderson.

A classe empresarial mossoroense já declarou total apoio às medidas. Durante encontro da Federação de Desenvolvimento de Mossoró (FEDEMOSSO), Seu Jair, magnata mossoroense do setor de limpa-fossas, afirmou ter cedido dois terrenos estéreis para a construção de um mega-aquário, onde o Papa poderá ser observado em seu habitat natural. "As obras mais polêmicas, no entanto, dizem respeito à demolição de um prédio da Microsoft e de duas montadoras de veículos para que não impeçam a passagem do ar necessário ao sistema de ventilação do organismo de Bento 386", avalia Jair.

O Vale do Silício, área próspera do setor industrial de Mossoró composta de duas mercearias, uma lotérica, um lava-jato e um serviço de telemensagem, também sofrerá intervenções. "A área será toda reestruturada para abrigar o Papa nos 7 minutos previstos para a sua permanência na cidade", afirma Seu Silício, proprietário do vale. Ele acrescenta que um estádio será construído para sediar um concerto de Claudinho Mississipi, expoente do blues tradicional de Mossoró, e da banda Teatro Mágico, que promete fazer uma bem-humorada encenação dos casos de pedofilia envolvendo padres católicos ao longo da História.


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Mossoró (RN) vive a expectativa de receber o Papa Bento 386, aqui bem à vontade para o clique beatificante de Messias Jardan

As palavras legais mais fora de moda do mundo

Tafetá
Tecido brilhoso e outrora considerado nobre, o árabe Tafetá anda sumido da mídia por razões que não fazemos a mínima questão de saber. O fato é que com seu enfraquecimento no universo têxtil, perdemos uma palavra cotidiana que era muito bacana de pronunciar com a boca cheia de farofa. Experimente em casa.

Pout-pourri
Caiu no limbo das palavras associadas ao patrimônio brego-social brasileiro, assim como croquete e puxadinho, para ficar só em dois exemplos. Hoje, um artista que faz um “pout-pourri” de músicas em show ou é banda cover de formatura ou é o Reginaldo Rossi. Gente chique como Ivete Sangalo e Los Hermanos fazem “versões”, “medleys” ou um antenado “mashup”.

Soviete Supremo
Era a mais poderosa câmara legislativa da antiga União Soviética. Assistir o Jornal Nacional na década de 80 era quase certeza de ouvir Cid Moreira pronunciar ao menos uma vez o imponente nome que também batizava um personagem russo dos quadrinhos DC e, possivelmente, nomeou bandinhas universitárias engajadas. Hoje em dia ficaria ótimo como nome de sobremesa em rede de fast food ou designando algum forte drink em casa noturna de inspiração comunista.

Matilde Mastrangi
Presença constante em pornochanchadas dos anos 70 e 80, a atriz atuou em 24 sugestivos sucessos da grande tela nacional, tais como Bacalhau (1975), A Cafetina de Meninas Virgens (1981 - ah, doce época onde o nome do filme explicava tudo) e o conhecido, mas pouco visto Amor Estranho Amor (1982 – aquele mesmo onde Xuxa promove uma pouca vergonha danada com um rapaz de 13 anos). Hoje em dia só quem confere se a depilação da moça está em dia é o marido, e também ator ruim, Oscar Magrini.

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Gerânio e Gervásio são apenas bons amigos. Conheceram-se em um show da antiga Sandra Sá, ainda na época em que ela se chamava Vera Vou e fazia sucesso com a música “Vou jogar cloro no bicho”, onde relatava sua tentativa em assassinar o então desconhecido gato Flávio. O clique com reboco e todo pintadinho é de Messias Jardan.

Três idéias para levantar o cinema nacional

CSI Mossoró – O dia-a-dia dos investigadores Quaresma, Jorginho e Márcio Barriga, os maiores investigadores forenses da metrópole da caatinga. Com um kit cientifico que inclui um cortador de unha, um rolo de papel contact e uma máquina xereta, o trio percorre as ruas da cidade em sua kombi modelo 85 e se depara com os casos mais violentos e intrigantes da crônica policial paraense. No primeiro episódio, "Um passinho, por favor", o CSI Mossoró desvenda o caso da Mulata Mascarada, a madrinha de bateria da Escola de Samba Unidos do Preá Molhado (E.S.U.P.M.). Conhecida por jamais mostrar seu rosto, seu corpo foi encontrado decapitado no bairro de Berro Preto, sendo reconhecido apenas por ostentar na região glútea uma tatuagem de corpo inteiro de Frei Damião. Junto com CSI Mossoró, serão lançadas ainda as séries CSI Garrafão do Norte, CSI Tarauacá e CSI Ponta do Bacurizal.

Saliência no setor – Versão brasileira para a consagrada série Sex & The City. Cleyze, Rai, Nilse e Jacy são quatroestudantes de Gerenciamento de Informação em Tecnologia de uma faculdade particular do Rio de Janeiro. Como a média na faculdade é cinco o que menos fazem é estudar, preferindo gastar seu tempo malhando, caindo na balada e dando o rabo. No episódio de estréia, Cleyze vai a um baile funk, bebe além da conta e acorda em um quarto de motel junto com um ex-integrante da Falange Vermelha, uma cabra, três freiras da ordem das Carmelitas Descalças e um famoso político baiano cujas letras do seu nome, quando somadas, dão 666. Depois de amargar uma senhora crise de consciência, Cleyze aprende uma lição e descobre o amor da sua vida. O episódio termina com ela e a cabra trocando alianças de noivado.

Ondauq a Avuhc Rassap – É o primeiro filme de arte feito em Divino de Virgolândia, interior de Minas Gerais, e rodado e exibido ao contrário como forma de combater o acomodamento e o monopólio da indústria hollywoodiana. Um anjo que é a cara do Costinha aparece na praça matriz da cidade e pétalas de rosas e perfume começam a cair do céu. Simultaneamente, todas as rádios da cidade passam a tocar músicas do Palhaço Carequinha enquanto Genciana - uma vendedora de pamonha cega, surda e muda - sente Odnalro, o seu periquito de estimação, ter um orgasmo. E então o sertão vira mar, o mar vira sertão, o leão se deita com a ovelha e a Besta abre o Sétimo Selo. Genciana não só começa a enxergar como também desenvolve a incrível habilidade de assobiar pelo ouvido. Uma jaca pega fogo e de repente vemos a cena de um corcunda vestido de Mickey Mouse dançando a macarena. O fim está próximo. Visivelmente irritado, o anjo diz "Arrop Es-ueduf" e todos os atores voltam à posição fetal. Ao ler o primeiro tratamento do roteiro os formadores de opinião locais se dividiram. Teve quem dissesse que é arte. Teve quem dissesse que é falta de surra.

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Na pele do investigador Jorginho, o ator mossoroense Genivaldo Tremembé (dos filmes A Praia dos Biquinis e Gandaia na Serra) protagoniza cenas de pura adrenalina na versão local de CSI. Ao seu lado, a bela Marinalda Tabosa, que interpreta Cleide, a irmã mais nova da Mulata Mascarada. Messias Jardan, que tem em VHS todas as temporadas do Baretta, nao perdeu tempo e fez o perfectibilizado click

19 de março de 2007

Sofisticados, nós?

Almoço todos os dias no mesmo lugar: um restaurante por quilo metido a besta ao lado do meu trabalho e que aceita meus tíquetes-refeição. Localizado em Nazaré, supostamente um dos bairros mais nobres de Belém, sua clientela é formada basicamente pelas classes A e B. Embora um pouco caro, a comida é honesta, mesmo que não seja brilhante e não apresente grandes novidades. Na verdade, pode-se dizer que ela quebra o galho numa boa.

Como se trata de um restaurante sem personalidade, que serve de reminiscências da cozinha italiana à comida típica paraense, a decoração é genérica e sem charme algum. E o mais engraçado de tudo: o som ambiente parece ser controlado por um esquizofrênico. Ora toca-se a trilha de 'O Fantasma da Ópera', ora um disco do Calcinha Preta. Ou então uma música dos Detonautas seguida de 'New York, New York' versão teclado de churrascaria. Um detalhe que passa desapercebido ou é ignorado pelos clientes, que se comportam e comem como se estivessem em um restaurante de luxo.

É interessante ver que, na falta de lugares realmente vips, o paraense toma por sofisticado qualquer coisa que tenha pintura salmão, um prato que não seja redondo e demais frescuras decorativas, ainda que eles não passem de bufês por quilo ou mesmo franquias de praça de alimentação de shopping center. O tipo de lugar que em cidades onde existe uma elite financeira de verdade e estabelecimentos comerciais realmente exclusivos – como o Masa, de Nova Iorque, onde um prato custa cerca de mil dólares – seria apenas um restaurante comum.

A moda do sushi é um exemplo disso. Há alguns meses me surpreendi ao ler um colunista local comemorar o fato de que a cozinha japonesa estava na moda entre a 'galera vip' de Belém e mesmo quem odiava sushi acabou aderindo só para não ficar fora da onda. Agora vejam só: o sujeito se dispõe a por um pedaço de salmão gelado goela abaixo só porque alguém disse para ele que isso era legal. Como se comer peixe cru com arroz, ainda que num quiosque de supermercado, fosse sinal de sofisticação. Acreditem: aqui em Belém é.

Nessa história toda, o que mais me espanta é que o cara que freqüenta os restaurantes e come sushi, ainda que tenha nojo de atum e salmão crus, é o mesmo que, depois, acaba suas noitadas de final de semana nas barracas de cachorro quente da cidade, que mal têm espaço para comportar tantos carros de luxo. São os papéis sujos de maionese e ketchup jogados pelo chão, os restos de pão na calçada, os meninos de rua pedindo dinheiro e a gordura escorrendo pelo braço enquanto o sujeito abocanha um x-tudo que revelam a verdadeira cara da nossaburguesia. Confusa em seu senso de valores e divertidamente brega.

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Para Messias Jardan, retratista e mestre-cuca do Ressaca Moral, nada melhor do que um almoço no Pindaíba's. "Meu preto, pede ovo cozido com recheio de ovo de codorna. É o que há", explica Jardan, não por coincidência o autor desse click.

15 de março de 2007

Waldez: viva o esporte brasileiro

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Waldez é um colecionador de vultosos prêmios internacionais e também de tricofitobezoares dele mesmo. Cartunista diletante por ser um dos maiores latifundiários do interior paraense, nessa charge ele mostra que também entende - e muito - de moda, esporte e segurança pública. Um desenhista fashion.

12 de março de 2007

RESSACA * ENTREVISTA: Superguidis

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Belém (Raio que o Parta) - Nos idos de fevereiro, a banda gaúcha Superguidis visitou a capital paraense para o show de lançamento do CD homônimo. Cortesia do pessoal da Dançum Se Rasgum Produciones (DSR), donos das festas de rock mais legais e alcoolizadas da cidade. Aproveitando que os músicos ainda não alcançaram fama mundial, realizamos uma entrevista descontraída, bem humorada, sincera, reveladora, emocionante e, em três momentos, realmente constrangedora.

Se alguém não conhece o Superguidis é bom saber que pra muita gente que manja de rock essa foi a banda revelação de 2006, tendo seu disco apontado como um dos melhores do ano passado. Foi quase uma unanimidade, já que até gente que não sabe porra nenhuma de música também se encantou pelo charme brejeiro dos gaúchos.

Três dos Ressacas (Tylon Maués, Paulo Guedes e Rafael Guedes) levaram a banda de Guaíba, cafundós do Rio Grande do Sul, para a Ilha Ressacum, um lote de 37 metros quadrados adquirido pelas empresas Ressaca Moral e DSR. Além deles participaram - sem serem convidados - da entrevista os amigos Marcelo "Friko" Sarmento, Esperança Bessa, Renato Reis, Renée Chalu, Leandro "Larry Cop" Ribeiro, Gil, Gustavo Rodrigues e Marcelo Damaso (estes dois últimos membros atuantes da DSR). As fotos são do jornalista multi-uso Fabrício de Paula.

Andrio, guitarra e vocal dos Guidis, mostrava-se extremamente falante antes da entrevista, mas foi só ligarmos o gravador para ele ficar lacônico. Tivemos que acordar o outro guitarrista, Lucas Pocamacha (bacana esse sobrenome), para que as revelações bombásticas fossem feitas. Marco e Diogo, batera e baixo respectivamente, fizeram uma puta desfeita, ficaram dormindo e não experimentaram o nosso kibe de açaí, uma comida típica paraense.

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Rafael - Belém. O show. As groupies que vocês pegaram. Tuas impressões.
Andrio – Não teve groupie. A gente não pega ninguém, cara.
Tylon – Isso é uma frustração na história da banda, não pegar ninguém?
A – Sei lá, não sei qual é das meninas...
Paulo – Acho que o rock'n'roll não está mais em alta.
A – Acho que nós é que não estamos em alta.
R – Mas bandas boas costumam pegar muita mulher. As bandas boas.
A – Aí é que está, nós não somos uma banda boa.
R – Ai, eu vou desligar o gravador
T – Mas, se não pegam mulher, tão pegando grana então.
A – (Silêncio)
R – Mas sim, bicho, o lugar, a cerveja, a Nova Schin.
A – A Cerpa é muito boa.
P – Mas qual, a grande ou a Cerpinha?
T - Bebeu a grande?
A – Não, não, a Cerpinha, só.
P – Se tu bebesses a Cerpa grande tu não dirias isso que tá dizendo agora. (Paulo não explicita, mas o comentário é sobre a famosa diarréia que o Cerpão dá no dia seguinte.)
R – Tomaste açaí, essas coisas?
A – Não, não.
R – Então tu vens pra cá e não valoriza o que é nosso?
A – Lá no sul tem a Polar.
R – Aqui vende a Polar.

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Discussão séria sobre os possíveis pontos de venda da cerveja Polar, que mesmo sem provar sabemos que não presta. Gente falando mal da Cerpa. Andrio dá sinal de vida e mexe uma sobrancelha. Os Se Rasguns decidem acordar Lucas, o guitarrista que nunca comeu ninguém.

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T – Um comentário que rolou quando vocês conseguiram lançar o CD é que houve um teste do sofá com o Fernando Rosa. O pessoal do Stereoscope fala que a coisa ocorreu normalmente. Aconteceu, realmente?
A – Tem que ser, né, cara? Pra entrar no showbizz...
R – Como é o sofá dele?
A – É um sofá aveludado, assim, vermelho. Bonito.
T – Mas ele é um velho jeitoso?
R – Ele que é o Veio Máximo?
A – É uma mistura de Peter Sellers com Gepetto.
R – Trabalho novos.
A – A gente tava em Brasília gravando o segundo disco.
P – Mas quantas músicas vocês já têm novas? Têm suficiente pra um CD?
A – Tem. Doze.
R – De novo, bicho?
A – Sim, porque doze é um número cabalístico.
R – Já conheciam alguma coisa de alguma banda paraense?
A – A gente conheceu o trabalho do Stereoscope, que são nossos colegas de cena. E os guris do La Pupuña, também.
R – Aquele material que vocês lançaram, "Profundo e Feio". É o que estou pensando?
A – Era pra ser, era pra ser.
P – Não é mais?
A – Não, não. Mas era pra ser. Isso é de um poema do Galdério que fala da buceta, que é um lago profundo e feio.
T – A gente pode falar buceta na matéria?
R – Não, a gente substitui por outra palavra. Por um nome, Luana21.
R – A gente aqui teve acesso ao material de vocês logo que despontaram. Nos surpreendemos com o público, que foi muito bom para o que temos nas festas aqui. Foram 700 pessoas prum lugar que virou um inferninho realmente.
P – Vocês esperavam encontrar isso aqui? Ou vieram imaginando que vocês iriam tocar num lugar pequenininho, com pouca gente?
A – Surpreendeu ao mesmo tempo em que a gente já sabia que tinha uma cena emergente roqueira local. Então, ao mesmo tempo em que surpreendeu, a gente já tava esperando pela organização, pelas outras edições do festival.
T - E o que vocês ouvem falar lá em Porto Alegre sobre essa cena rock de Belém?
Lucas – Vim te salvar!

É Lucas, que acabara de acordar, quem diz isso a Andrio. Não sabemos se a cara amassada o torna um rapaz mais feio ou mais bonito. São umas 3 da manhã. A interrupção custou a resposta da pergunta anterior.

Damaso – Eu tenho uma pergunta pro Lucas. Não pensa muito. Tu acabaste de acordar. Qual foi o teu último sonho?
L – Eu não lembro.
R – Qual é o último sonho que tu lembras?
A – Não era aquele do...
R – Tu contas teus sonhos pra ele, bicho?
L – Não, é que aconteceu esse sonho muito estranho, que era com um capacitor! Eu sonhei que eu não encontrava o capacitor, eu tinha que consertar alguma coisa que tava errada num carro e tinha que arrumar um capacitor, que era um valor ridículo, era um capacitor eletrolítico de tipo 1 "picofired's". Não fazem capacitor eletrolítico de 1 "picofired".

Todos se olham dando a entender que sabem o que é um "picofired".

R – Lucas, a gente quer as tuas impressões gerais sobre ontem.
L – Ontem? A gente acordou cedo pra caralho, aí fomos pegar não sei o que. Tu quer a impressão do dia inteiro, assim?
R – Eu tava perguntando do show, cara.
T – Começa a partir de quando tu tinhas oito anos, conta pra gente.
R – A gente quer saber de vocês em Belém.
L – Aaah. Foi divertido, a gente foi lá ver o mercado do Ver-O-Peso .
R – Fede pra caralho, não?
L – É, a gente só passou na frente, não deu pra sentir o cheiro, o vidro tava fechado. Aí fomos lá ver os Forte (do Castelo, enclave turístico da cidade) que tem os canhães e os alemões.
T – Sic na entrevista.
A - Tem a Catedral, que tá em reforma
R – Vocês usam bombacha, essas coisas? Trouxeram chimarrão e o pessoal pensou que era maconha?
A – A gente trouxe, não pra cá, ficou em Brasília.
T - E esse episódio da prisão de vocês?
L – É, a gente tava com uns quatro quilos, mas era pra consumo próprio.
R – Quatro quilos? Tu entrou nessa, bicho?
T – É porque o chimarrão, até 750 gramas, não é considerado crime.

::

P – A relação de vocês com as bandas gaúchas. Durante muito tempo a gente ouviu falar do Bidê ou Balde, que sumiu, não se ouviu mais falar. Qual é a relação de vocês com essa galera?
L – Tem gente que acha que a gente é parecido com os caras do Cachorro Grande.
Renato Reis – Vocês tem um fã-clube de groupie também?
L - Não, cara, isso é uma das piores coisas que aconteceram com a gente. Não temos fã-clube de groupie.
R - Vocês não gostam de groupie?
L - Eu gosto de groupie, só que elas não gostam de mim.
Renato - O Cachorro Grande é um bando de feios, vocês são até bonitinhos.
L - Porra, os caras fedem!
R - Tá gravando, tem problema?
L - Todo mundo sabe que eles fedem.
A - Bem, isso aí...
L - É público e notório!

Conversas sobre Vitor Ramil, o Vitinho. Lucas diz que Vitinho não liga de madrugada. Rafael Guedes faz a pergunta mais longa do mundo, acerca de uma maior atenção ao que está sendo produzido fora do eixo sul/sudeste e a realização de festivais.

L - A gente nota que, de uns tempos pra cá, a coisa tem caminhado pra esse lado - Rio e São Paulo é um troço que acontecia quando as grandes gravadoras abraçavam isso. Acabou aquela coisa do cara ser descoberto. Ninguém mais descobre ninguém e faz a banda acontecer. Tipo, o que aconteceu com os Raimundos nos anos noventa. Isso não existe mais.
P - Quando vocês perceberam que estavam chamando a atenção, que deixaram de ser uma bandinha de fundo de quintal?

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Superguedes versus Superguidis: Paulo Guedes (cabelo chanel, à esquerda de Lucas) se explica sobre o termo "fundo de quintal". Ressacas convencem o Superguidis de que a banda é conhecida e virou assunto em salas de espera de consultórios e em supermercados.

L - Os guris tinham uma banda, eu tinha outra chamada Chico Xavier e Os Psicógrafos. E aí a banda acabou por motivos de ordem psíquica e eu fiquei um tempo sem banda. Os guris me chamaram pra tocar com eles, sempre fui amigo do Andrio e do resto do pessoal. Mas nessa época que eu entrei as coisas eram diferentes, a gente meio que tinha influências do Cachorro Grande.
Damaso - Mas fala a verdade, eles só te chamaram porque tu sabias fabricar pedal?
L - Não!, nessa época eu não sabia, isso que era o pior. E aí a gente começou com essa pilha meio anos sessenta e viu que isso não levava ninguém a nada.
T - Tem essa história que as bandas do Rio Grande do Sul seguem essa escola da Jovem Guarda, e foi uma coisa que citaram sobre o som de vocês, que tenta sair dessa linha.
L - Pois é, cara, a gente nunca tentou sair dessa linha, a gente só viu que, tipo, não era o que a gente tava a fim de fazer. E nessa mesma época a gente conheceu o Pavement.
P - Então o som tem muito menos a ver com o RS do que com algo mais...
L - É, cara, é que tudo que é do RS tem a ver com Rolling Stones, cara. E eu não gosto nenhum pouco de Stones. Então não é que a gente tenta fugir, a gente só tenta não ir pra esse lado.
R - Fora o Pavement, que bandas vocês curtem mas que acabam não entrando na sonoridade de vocês?
L - Porra, Sigur Ros.
R - Fala um pouco sobre o que vocês já tem para o novo trabalho, se tem alguma música em especial que vocês gostem. A "música de trabalho".
L - Tem umas com potencial, como uma música chamada "Mais do que isso", e fala sobre...
A - O refrão nega esse "mais do que isso". Mais do que isso não tem como.
R - Bandas nacionais?
L - A gente curte pra caralho o Los Porongas (AC), cara.
R - O show deles aqui foi do caralho!
A - Os caras são muito bons.

Alguém pergunta se eles conhecem o Amapá. Larry Cop informa que em Oiapoque a Coca-Cola custa cinco reais. Perguntamos sobre boas bandas novas e eles citam o Stratopumas, mas as pessoas entendem Gadopumas.

T - A partir de 2000, quando houve um recomeço do rock paraense, uma coisa interessante que não tinha antes e passou a ter foi uma união maior, uma banda ajudando outra. Rola isso em Porto Alegre?
A - Treta não tem.
L - A gente pelo menos tem um grupo meio fechado, umas três ou quatro bandas que sempre tocam junto e a galera se ajuda.
R - E o que tu indicas pra gente?
A - Walverdes já vieram aqui, não?
R - Ainda não. Mas é até mais conhecido, já tem alguma projeção. Mas queríamos alguma que vocês apostam.
L - Eu gosto de Fantomáticos, uma banda de lá que antigamente se chamava Flying Circus. É bem legal, música própria. Antigamente cantavam em inglês, agora cantam em português.
P - Vocês tem música em inglês?
L - Não...
P - Pensam em fazer?
L - Já pensei, mas só pra minha carreira solo.
Gil - Em que lugares vocês costumam tocar lá em Porto Alegre?
R - Ei, qual lugar vocês costumam comprar pão?
L - A gente compra na padaria Nirvana, lá perto de casa.

::

R - Lucas, uma cor.
L - Azul turquesa
R - Um sentimento.
L - Amor pela humanidade!
P - Um tipo de maconha.
L - Aquela que não seca a garganta.
T - Uma palavra. Defina-se em uma palavra.
L - Podem ser duas?
R - Não. Sempre é uma. Nunca foram duas.
P - Capacitor?
R - Um gaúcho.
L - Tony da Gatorra é um gaúcho notório.
T - E aquela estrela diferente no escudo do time do Grêmio, vocês sabem o que ela significa?
L - Uma representa o campeonato nacional.

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A interrupção não deixou Tylon lembrar que a estrela é uma homenagem póstuma ao lateral-esquerdo Everaldo, campeão da Copa de 70 e que era tricolor. A homenagem é póstuma pois logo depois de recebê-la o jogador morreu em um acidente de trânsito. Ninguém sabe por que Tylon fez essa pergunta sem propósito.

R - Lucas, me conta o teu dia-a-dia.
L - Acordo com aquela ereção involuntária.
R - Porra, isso acontece direto comigo. O que você faz?!
T - Isso não me acontece mais, cara. Parou.
P - Depois de uma certa idade...
L - Bom, eu faço alguma coisa pra deter essa ereção. Alguma providência que qualquer rapaz na minha idade faria.
R - Mas aos 30 anos, ainda?
R - Algum de vocês é casado, tem filhos?
L - Não tenho. Nunca terei. Porque eu acho que ninguém me ama.
R - Vamos falar sobre isso um pouquinho?
L - Vamos! Porque todas as músicas são sobre esse fato.
R - Tu nunca comeste ninguém?
L - Já, algumas vezes. Mas não foi muito, não.
R - Quando o cara diz "comi uma pessoa", não diz que é mulher, é foda. Não, tudo bem.
T - Alôôôôô, século vinte e um, Rafael! É uma banda de rock, tu sabes o que rola no rock'n'roll.
R - E o que acontece quando vocês vão para o camarim?
L - Nada.

(O que acontece no camarim do Superguidis fica no camarim do Superguidis.)

R - Cadê os caras da banda?
L - Tão dormindo.
R - Vocês têm medo do microfone?
L - Depende do tamanho da bitola.
R - Gente, Amazônia. O que vocês acham?
T - É o pulmão do mundo?
L - Amazônia é a insônia do mundo.
R - Alguma situação de show que tenha sido a mais absurda que vocês viveram.
L - Teve uma que a gente se deu muito mal, era um troço do partido político que não convém mencionar agora, e era pra gente tocar antes duma banda de reggae, e a banda de reggae pediu pra tocar antes da gente, e a gente deixou. Os caras falaram que iam tocar quatro músicas. Quando eu vi tinha dado uma hora e meia e os caras não tinham saído ainda.
T - Existe banda de reggae em Porto Alegre?
A - Existe.
Damaso - Qual a pior banda de Porto Alegre?
L - Difícil falar sem se comprometer.
R - Mas é pra se comprometer.
T - Dá só as iniciais.
L - Tá aqui, ó, TNT.

Silêncio.

L - Engenheiros é chato também.
R - Engenheiros é chato pra caralho.
L - TNT é muito mais Rolling Stones.
A - Isso é pior.
R - Rolling Stones é chato?
L - Rolling Stones é chato. Segundo a minha opinião.

Silêncio.

R - É, pesou o clima, gente.
T - Depois que vocês lançaram o disco, o que mudou? A freqüência de shows aumentou?
R - A freqüência sexual aumentou?
L - Nenhum pouco.
T - E de show, pelo menos?
L - De show aumentou um montão pra tocar em festival. Mas geralmente os caras não pagam a passagem, então fica ruim pra gente.
R - O pessoal da Se Rasgum, você quer dizer, né?
R - Vamos falar do Homem Fernando Rosa.
L - Fernando Rosa em uma palavra?
R - Não, em várias, muitas, milhares.
P - Três.
T - Seis.
R - Escreve um artigo e manda pra gente.
L - Pô, o Fernando Rosa é o cara que, junto com essa galera que faz esses festivais e tudo, ele é um dos caras que faz a coisa andar pra frente. Acho válida pra caralho essa iniciativa dele de fazer o selo, e a gente vê isso como meio o início de alguma coisa que tá acontecendo, que já aconteceu la fora há muito tempo, de banda independente conseguir se manter com o próprio trabalho, tá ligado?
R - Vocês hoje ainda têm que trabalhar ou com a banda já conseguiram comprar carro, casa, sítio?
A - A gente trabalha ainda. Trabalho numa secretaria de escola pública.
R - Mas tu fazes o que lá?
A - (Erm). Secretário.
T - E tu, Lucas, trabalhas com o que?
L - Eu faço Engenharia Elétrica.

Um aaaaah coletivo preenche o espaço da Ilha Ressacum. Está explicada a origem do capacitor.

R - O que se faz de legal em Guaíba?
L - Não se faz nada em Guaíba.
A - Só se ensaia final de semana.
L - É a cidade mais bunda que existe. Fede.
R - Cheiro de chimarrão?
L - Não, cara, é cheiro de geladeira com coisa podre dentro.
R - Malevolosidade. Eu não sei se existe essa palavra. Já procurei no dicionário. Rá!!
Damaso - Quem foi que se perdeu da mãe no centro?
L - Fui eu. Na verdade eu acho que não fiquei perdido da mão da mãe no centro, mas é que eu imagino como seja difícil.
R - Malevolosidade, não mudem de assunto. Existe essa palavra?
D - Vai no Google, só tem o site de vocês.
R - Política. Lucas, votaste no Lula?
L - Votei.
T - O bigode do Olívio Dutra é de verdade?
A - Acho que é, já ouvimos falar que é verdadeiro.
T - Já puxaram?
Friko - Uma última pergunta...
R - Uma última pergunta tua! Tu não vais falar mais nada hoje. Já usaste a tua cota.
L - Acabaram tuas perguntas hoje.
Friko - Brizola vive?
L - Lá em casa não.

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Lucas revela que Andrio, segundo da esquerda para a direita, é um índio indie. Tylon, o representante afro-descendente da cota racial de Ressaca Moral, entra em questões étnicas complicadas e fica meio emburrado.

R - Não aparecem aqueles indies chatos nos shows de vocês?
L - Aparece.
R - Aqueles indies depressivos?
L - Não, indie depressivo até que é legal, o pior são aqueles indies tipo Franz Ferdinand.
A - Mas Franz Ferdinand não é depressivo.
L - Não mesmo. A gente é indie depressivo.
R - Mas o show de vocês foi divertido. Eu falo mais no sentido daquele cara que vai pro show curtir aquela liga meio torta.
T - Ah, cara, eu ri o show inteiro. Eu gargalhava.
R - Vocês são filiados à Ordem dos Músicos?
L - Eu sou filiado à "Ordem dos Come-Ninguém".
T - Ei, cara, qual é o teu número de inscrição? Eu sou o 003. Mas eu me sinto primeiro, porque o 001 e o 002 já morreram.
R - Cinco grandes discos da História.
L - Pode ser os cinco do Pavement?
R - A banda toda?
A - O primeiro é o "In Utero", do Nirvana.

(Tylon, cochichando: "Quem é Nirvana"? Rafael: "É aquele estágio que tu atinges".)

A - O segundo é "Munki", do Jesus and Mary Chain.
Friko - O terceiro seria o "Wowee Zowee", do Pavement?
L - Eu acho que o "Crooked Rain".
A - Ou o "Brighten the Corners".
L - Ou o "Terror Twilight".
A - Ou o "Slanted and Enchanted".
R - São só cinco, bicho.
L - Acho que tinha que ter um do Yo La Tengo.
R - O "And Then Nothing Turned Itself Inside-Out", do cara sendo abduzido. Esse é do caralho.
A - O "Summer Sun" é bom. Esse último do Sonic Youth é bom, "Rather Ripped".
L - Rather Ripped é bonito. Ouve que é bacana.
T - Vocês não acham que falta distorção ao Sonic Youth?
L - Acho que eles são muito harmônicos, são meio emo demais.
T - Acho um som muito limpo, então fico agoniado.
R - Eu acho canção de ninar, na boa.
R - Eu tava lendo sobre o lance do nome da banda de vocês e da gafe que cometeram com ele. Aquilo é sério ou foi putaria?
L - Ah, é, os caras botaram outra banda que não era a gente. Tinha outra banda com o mesmo nome (Dissidentes) e os caras fizeram uma matéria com uma reportagem com os caras e meses depois a gente descobriu que o cara tava querendo fazer uma matéria com a gente, cara, e não com os outros Dissidentes. Mas aí a gente já tinha trocado pra Superguidis.
R - Lucas, tu fazes pedal?
L - É, agora eu vou fazer amplificador, um Fender Bassman com aquelas válvulas 6L6 e tem três válvulas de pré, que são a 12AX7...
R - Nosso público são donas de casa. Fala em uma linguagem menos técnica.
L - É um troço grande, que junta poeira, que não dá pra varrer embaixo, mas se passar um Perfex com Ajax em cima fica cheirosinho.
T - Quem é o Véio Máximo?
L - Véio Máximo é o meu vô! É Máximo João Protti (não sabemos a grafia).
R - E cabelo na orelha? A gente queria ver a tua orelha.
L - Não é a minha!, é a dele. A orelha dele é que tem cabelo, porque na verdade eu corto o cabelo dele com a máquina.
R - Mas tu cortas o cabelo da orelha dele?
L - Claro.
R - Com a máquina?
L - Sim! Eu maltrato o véio, porque eu boto naquelas máquinas gigantes, hhióóuunn (Lucas imita com perfeição o barulho) dentro do ouvido dele.
T - Ele gosta da banda ou acha que rock'n'roll é coisa de viado, drogado?
L - Eu não sei bem se ele sabe o que é.
Esperança - Ele gostou da música?
T - Acho que ele ouviu, mas não entendeu.
Esperança - Ele ouve?
L - Ele ouve um pouco.
T - Quanto corta os cabelos aí ele ouve que é uma maravilha.
R - Qual é a música que o pessoal mais pira no show?
T - O hit acabou virando "O Banana", por causa do clipe, não?
L - É, não sei bem, difícil pra gente saber, porque depende do lugar.
R - Em São Petersburgo, como é?
A - Lá eles preferem o Sigur Rós.
R - Numa versão mais lenta, né?
L - A galera curte mais em São Petersburgo o nosso cossaco. Você não gosta do nosso cossaco?
R - Não quero falar sobre isso.
T - E o jeito do pessoal de Belém falar, vocês não estranharam?
L - Eu já conhecia, uma tia minha tem uma amiga que é daqui e tem essa coisa do 'NH' junto, "ainda", tipo, "amaniã".

Conversas sobre sotaques. Alguém lembra que Rafael quando bebe fica com sotaque de paulista. Ninguém sabe o porquê. A versão mais aceita é que se trata de frescura. Lucas admira a forma como o paraense conjuga os verbos, o "tu fizeste", e diz que é mais correto que o "tu fez" dos gaúchos. Alguém se mete e diz que o jeito dos integrantes falar é sensual.

Silêncio. Constrangidos, todos dão por encerrada a entrevista.

*'Por que cargas d'água os cabelos que cresciam na cabeça agora crescem nas orelhas?'
Coincidentemente e para a tristeza dos fãs da banda, o Véio Máximo, João, avô de Lucas, faleceu semana passada. Ele, que tinha 90 anos, foi homenageado durante um show no Garagem Hermética, em Porto Alegre. Vá em paz, Véio.

Ressaca Moral Movies & Motion (Remomomo)

Você já ouviu falar no Tylon Maués? Gosta dos textos dele? Ainda não viu mais gordo, embora fofinho?

Então Conheça Tylon, o mais novo lançamento das Organizações Ressaca Moral (ORROR), produzido com capital cem por cento interior.

8 de março de 2007

"Coisas que não tenho peito pra fazer" ou "Um plágio descarado"

Garotos, garotos.

Hoje em dia sou um quase recluso. Poucas vezes saio da minha rotina casa-trabalho-casa. Vivi bastante e não me faz falta as outras coisas (vejam bem, algumas coisas vêm a mim, aí sim fica bem legal). Com a internet - idéia que tenho certeza vingará num futuro próximo - meu dia-a-dia ficou mais fácil. Pornografia, notícias, esporte, pornografia, humor, músicas, pornografia e tudo mais que gosto está ali, bem ao alcance da minha conexão discada. Uma das coisas legais, além da pornografia, é encontrar blogs de pessoas que saibam escrever e tenham senso de humor. A maioria se limita a fazer um diário virtual ou a escrever como se fosse a dona da verdade. Fujo desses.

Foi fuçando num deles, o do garoto Doda, confrade aqui do Ressaca Moral, que encontrei o da Sarah (ela não coloca o sobrenome e nem sei se ela se chama assim de verdade). Pouco importa, ela escreve bem e é mal humorada no ponto de ser um charme. Um dos posts dela foi um dos mais engraçados que vi recentemente. Não agüentei e resolvi escrever um no mesmo feitio, logicamente não tão bom. Uma homenagem a uma idéia simples e das mais legais.

O que gostaria de fazer e que não faço porque não é simpático, é ilegal ou poderia me machucar? São muitas coisas, mais aí vai uma listinha.

* Daria um pé na bunda de tudo quanto é cão mais bem alimentado que a média nacional. Odeio cachorro. Pra mim certos estão os chineses que os colocam na panela. Já não me agüento e ainda tenho que sustentar um vagabundo que não me serve pra nada? Nem pensar! Companhia? Isso me cheira a papo de derrotado. Vai prum bar que a companhia é quase sempre melhor.

* Por outro lado tenho certa inveja dos cães. Eles não precisam fazer muita coisa para ganhar o coração de algum mané que lhe dará casa, comida e ainda vai lhe dar banho. Tem mais, cagar e mijar onde quiser e de vez em quando cheirar o traseiro das cadelas deve ser o máximo. Eu faria isso se não fossem as leis deste país. Malditas!

* Tenho vontade de fazer dança da chuva para que um raio atinja quem resolve colocar um som ultra-potente na mala do carro e resolve mostrar aos amigos até onde o volume vai. Antes de qualquer coisa, aquilo é um carro, não uma boate. Tudo bem que dar uma catracada no banco de trás é muito bom, mas ele não foi feito para animar uma festa. Invariavelmente, para deixar tudo mais sofrido, a música é um pagode-mauricinho, um axé fora de moda ou um funk-patricinha.

* Vontade também não me falta de mandar pra Cuba todo mundo que defende Fidel Castro. Vai pra lá, vai morar num país sob uma ditadura. Ah, "ser de esquerda é legal". Tirania é tirania seja qual for o partido, se é de direita ou de esquerda. Sentirei tanta falta de El Comandante quanto senti de Pinochet. Ah, "mas ele encara os EUA". Até parece. Os norte-americanos devem estar cagando pra essa situação. Quando a ditadura é aqui, como foi décadas atrás, e a liberdade é tolhida e a violência estatal vira política usual, não presta. Quando é sob a égide do Partidão, beleza. Vai lá, vai viver lá. As praias são lindas, mas fique calado, lá quem abre demais a boca vai em cana.

* Queria peidar num elevador lotado e acusar alguém ao lado. Podia ser uma senhora, em executivo ou uma cocota. O sentimento de se safar de uma traquinagem é dos melhores. A sede da Hidrovácuo's tem apenas dois andares, mas tô mandando fazer uma laje para construir o terceiro e chegar ao meu sonho de ter um elevador lá. Ficarei impossível.

Poodle.bmp

Domesticados há cerca de dois mil anos, os cães viraram os "melhores amigos do homem". Esse poodle aí de cima deve estar doido pra morder os colhões de quem o tosou. "Aí, tu é negão ou neguinha?", sacaneou Gato Flávio, bicho de estimação do retratista Messias Jardan enquanto ele fazia o cinológico click.

6 de março de 2007

Fim da Internet ganha força e massa muscular

Mossoró (NY) – O sonho de valsa não acabou, o Movimento pelo Fim da Intenet (Mofinet), iniciado no século IV A.C. na mesopotâmia, ganhou força no último final de semana na sede da ONU (Oswaldo Nabos e Umbanda – organização não-governamental típica da caatinga) em Mossoró. O Grêmio Recreativo 29 de Fevereiro dos Blogueiros que Não Deram Certo aderiu à causa do fim da rede mundial de computadores graças ao seu articulado presidente, o jornalista e garoto esperto, Telmo Presença.

Segundo Telmo, a Internet é feia, boba e enxerida. “A Cleize, filha do seu Rélvio da oficina, corneou o Jodimar mecânico e ele espalhou fotos dela com a ventuinha exposta por e-mail, ninguém me contou, eu que vi!”, comenta indignado. O caso das fotos de Cleize foi parar no blog de Telmo Presença, o Hoje é dia de Babaçu, o maior blog da região, duas vezes finalista da Honraria Narjara Turetta do Mérito Virtual dos Últimos Dias.

O próximo apoio ao Movimento pelo Fim da Internet deve sair do vencedor de Atlético Piriapoca X Retífica São Gabriel. Quem também cogita aderir é o Primeiro Comando dos Homens com Fotolog (PCHoF), a decisão será anunciada após o paredão de hoje do Big Brother.

ressaca_caveira.jpg
A festa de lançamento do site do Movimento pelo Fim da Internet (Mofinet) contou com a presença de políticos, religiosos, formadores de opinião e uma Arara macho de dois anos. Na foto, Ulisses Guimarães não resiste ao rebolado da bela Francine de Curitiba, vice-presidente da ONG Constrangimento Já Era. O clique esfuziante nos foi relevado por Messias Jardan, o fotógrafo do talco no salão.

1 de março de 2007

E o Aquaman?

Depois do expediente, Batman e Super-Homem batem papo na cozinha da Liga da Justiça. Logo chega o Aquaman.

- Fala, galera. Eu tenho uma parada pra falar com vocês..

- Opa, sentaê, responde Batman oferecendo um café.

- Então..a Mulher Maravilha tá na patrulha noturna, o Marciano tá resolvendo o caso das enguias lésbicas de Alfa Centauri. E eu fiquei de novo no rádio e na sala de controle. Pô, toda vez que a gente se reúne para dividir as tarefas a pior parte sempre sobra pra mim. Todo mundo pega um caso bacana e o babaca aqui fica jogado.

- Pô, cara, não faz drama, argumenta o Super-Homem.

- Drama? Quem saiu pra cuidar do ataque dos homens-capivara? Tu e o Batman! E a luta contra a gangue do Ostra da Montanha? Gavião Negro e Mulher Maravilha! Já eu sempre fico no rádio.

- É, eu sei – retruca o Super – mas é que, às vezes, as coisas não são como a gente quer..

- Lá vem..

- Bem, tenta consertar Batman, é que tem vezes que a gente batalha, batalha e só muito depois descobre que o nosso caminho pode estar em outra direção. E que no grande plano do papai do céu o Universo conspira para que..

- Hã?

- É..vê bem. Aqua.

- Aqua é o c..

- Tá, ta..o que eu quero dizer é que o que importa é aquilo que somos por dentro e que cada um de nós carrega uma coisa bonita chamada..

- P.., Batman, tu virou viado? Que papo é esse?

- Ah, ta bom! O negócio é que gente nunca te chama pra nada porque os teus poderes não servem pra p..nenhuma! Pronto, falei!

- Ah, seus filhos da..

- Mas é verdade, bicho, a única coisa que tu sabe fazer é conversar com peixe. O que a gente vai fazer com isso aqui no centro de Nova Iorque? E nas missões no espaço, que nem água tem?

- Ah é? E o assalto que o Homo-Sapiens fez ao banco?

- Que que tem?

- Eu participei..

- Fazendo um bando de girino voar da vala em cima dele. Bela m..

- Mas ajudou em alguma coisa.

- Ô.

- Cara, se mete o Super-Homem, aqui é todo mundo teu amigo, ninguém quer teu mal. Mas é que você tem que entender que esse papo de herói pode não ser pra ti. De repente é o caso de tu tentar o circo. Ou fazer uma terapia, sei lá..

- Terapia é o c..bando de traíra.

Aquaman sai batendo pé. Batman e Super-Homem ficam sozinhos, em silêncio, morrendo de vergonha. Passam-se alguns minutos. De repente, o Aquaman mete a cara na porta da cozinha.

- Er..esse papo de circo aí que vocês falaram.. - Humm..o que é que tem? - Pois é..eu dei uma pesquisada e queria saber uma coisa.. - Fala, pô. - Vocês conhecem um tal de Marcos Frota?

Aquaman4.jpg

Repórter investigativo dos bons, o retratrista Messias Jardan passou três dias à procura do herói aquático até encontrá-lo. Outrora imponente soberano do reino submerso de Atlântida, Aquaman foi deposto por improbidade administrativa e por ser um total zero à esquerda. Ironicamente hoje ele é sub-gerente da Fish and Palls, empresa que processa alimentos baseados em pescado. Chegou a pensar em largar o emprego quando teve que destrinchar Rubens, uma barracuda que era seu amigo de infância.