Intervalo: Sharon Stone, a nova musa do brega

Volta e meia as redações de jornal são invadidas por seres estranhos em busca de suas quinze linhas de fama. São universitários semijubilados com suas pastinhas vermelhas carcomidas e fios quase brancos nos cabelos protegidos por boinas puídas. Vereadores de municípios interioranos do Pará que suam às bicas, falam muito nome de instituição pública e chamam advogado de doutor. Mas são os cadernos culturais que recebem as visitas mais chinfrins.

Eu que já me vi às voltas com mulas, laranjas, presuntos e tatus em rondas policiais, agora fuço Google atrás de assuntos femininos para cobrir as férias da repórter do caderno Mulher. Do crime ao creme, como me disse um amigo. Mas foi nos meus dias de caderno cultural que conheci um homem que se dizia apaixonado pela Sharon Stone. Dino Sena, conhecido por si mesmo como o Astro de Cametá, município pobre da região do Baixo Tocantins, no Pará, e curral eleitoral do dinossauro Gerson Peres, partido pepê. Não por maldade, fiz o rapaz ficar esperando mais de uma hora enquanto me ocupava de afazeres mais urgentes.

Simpático, um tanto ingênuo e de dentes amarelados, Dino revelou ter tido uma inspiração divina, que ele descreve como "uma luz". O vendedor de farinha decidiu então que tinha talento e gravou onze CDs. Xotes, boleros, pop e o brega na sua mais tosca, mas sincera, essência. Disse ter mais 120 composições prontas, esperando apenas serem musicadas, e se impressionava de uma forma bonita com seu próprio dom. "Não sei o que me dá, sabe? A coisa vem e de repente a música está pronta." Um esforço e uma paixão que, se por um lado comovem, por outro têm o potencial de um humor involuntário único.

Daí surgiram hits como a dramática "Sharon Stone", que em tempos mais sensíveis me fariam verter lágrimas: Me dá inveja / Do Árnou Esfacenégar / O vingador do futuro / Beijando os teus lindos lábios / Amaciando teus lindos seios / Quase morro de paixão / Daquela cena de cinema / Na televisão. E ele vai além: Queria ter muita grana / Pra chegar em Hollywood / Na terra do Tio Sam / Conhecer pessoalmente / O teu símbolo sexual. O hit dá nome a um dos seis discos lançados pelo compositor em 2005. É pouca coisa. Em 2003, ele já havia composto 60 canções, 35 das quais, boleros.

Outro sucesso de Dino, "A Cadela", ao contrário do que o nome possa sugerir, é de uma singeleza ímpar: conta a história de uma menina que, de tão apegada à cachorrinha, prejudica os seus estudos e deixa aflita a mãe, até que o drama se concretiza com a morte do animal. "Agora tenho uma meta, que é lançar 25 CDs, um DVD e escrever um livro". Tudo bancado com parte do salário de R$ 300 que consegue como feirante em Cametá.

Mas, Dino, por que a Sharon? "Por que ela é uma musa, né? Ela é um símbolo sexual." Ouça Dino Sena e chore aqui.

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Dino Sena é tão fofo que dá vontade pegar no colo e levar para tomar o primeiro banho de mar. O clique fanático é de Messias Jardan

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Comentários

Interessante o trabalho desse Dino Sena. Vou acompanhar. Parabéns por mais este post acerca do universo bregoriano

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