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31 de dezembro de 2006

Shake your money maker, baby

Dois mil e seis será lembrado por mim como o ano em que o mundo perdeu o Poderoso Chefão da Música Soul, o Homem Mais Trabalhador do Show Business. Na derradeira semana eis que James Brown prega uma peça num ano em que ficou notável pela perda de menos gente ruim (Pinochet, Saddam, Milosevic e Fidel, esse já com os obituários prontos nos jornais) do que boa (Altman, Palance, Valadão, Puskas, Telê Santana entre outros). Pra mim a perda de uma pessoa do bem vale mais do que a de mil pilantras. No momento em que soube da morte do Senhor Dinamite, há quase uma semana atrás, por coincidência ouvia uma coletânea de música dos anos 70 em que ele figurava com um dos seus vários sucessos. Se ainda fosse adolescente estaria, invariavelmente, sacolejando no quarto tentando imitar o maior garoto propaganda da chapinha de todos os tempos. Mas com 2006 já são 31 e, embora a seriedade continue adiando esse encontro, a agilidade já não é mais a mesma.

O ano que termina daqui a algumas horas foi de extrema calmaria para mim em todos os sentidos. Não que no restante do mundo as coisas não continuassem acontecendo, coisas como desmatamento, guerras, golpes militares, chacinas no Rio de Janeiro e o Ronaldinho Gaúcho na seleção gelando na hora H. Mas, isso, infelizmente, já virou rotina. Ninguém comenta no dia seguinte sobre notícias como essa nos telejornais. Para a minha geração judeus e árabes vêm se matando desde que eu me entendo por gente. Acho isso é horrível, assim como é horrível a gente se acostumar a ouvir sobre isso, mas nos acostumamos.

Poderia dizer que 2006 não me deixará nenhuma saudade porque nada de impressionante aconteceu comigo. Mas, aí me coloco em uma situação. Com exceção dos escritores de auto-ajuda, para todos os outros e para mim mesmo eu não sou nada de impressionante. Fora plantar uma árvore e garantir meu quinhão na perpetuação da espécie nunca fiz nada de relevante. Olha só onde escrevo, no Ressaca Moral. Sacou?

Sou absolutamente normal. Não chamo atenção em nada. Até minha barriga já foi maior. Por isso mesmo ao notar que o ano foi totalmente ordinário para meu lado entendi que ele foi bom. Não sou de maiores ambições e minha total antipatia ao trabalho é prova disso, embora eu bata ponto seis dias por semana (contra a vontade, que fique registrado). Então, tendo o que fazer o que mais gosto e não passar nenhum aperreiro me basta.

Nunca tive e continuei sem ter problemas com minha família. Meus moleques ainda são muito pequenos para ter alguma dificuldade para passar de ano. Saio regularmente com meus amigos, divirto-me, de vez em quando me dou bem (menos do que gostaria) e tomo cerveja numa quantidade exagerada de boa. Na verdade, quanto a esse último tópico é que passei pelo único problema no ano que finda. Novembro. Passei 30 dias sem por uma gota de álcool e isso eu não recomendo para ninguém. Não faz bem. Mas esses dias já passaram e voltei a ser uma pessoa agradável.

Enfim, com as obras na sede do RM já em estado adiantado e com uma nova estagiária boazuda contratada espero que tudo volte ao normal nos próximos dias. Ninguém tá a fim de muito trabalho, nunca estivemos, mas alguém tem de tirar de onde para pagar pensão alimentícia.

Que 2007 seja melhor. Sempre espero isso dos anos que começam. Um dia isso acontece.

PS1: Desde o começo do mês a sede do Ressaca passa por reformas. Por conta disso os textos escassearam. Vim escrever esse porque prometi a uma garota. É claro que ela é linda. Se fosse apenas bacana - e ela é - teria dado uma desculpa qualquer.

PS2: Ficou difícil escrever essas linhas. Além da notória falta de criatividade, quando tava na metade do texto engatei uma conversa via web cam com o amigo Randy Rodrigues, atualmente em Sintra, Portugal. Ver e ouvir um amigo distante e que faz falta ganha por vários corpos de vantagem do que encher lingüiça na internet. Reclamava que passaria o reveillon em casa, sem farra, mas o amigo tá mais longe e agüentando numa boa, com o constante sorriso para todas as horas. Foi a melhor conversa do dia. Prenúncio que 2007 deve ter lá seus bons momentos.

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Se para muita gente 2006 não foi lá essas coisas, para José de Arimatéia do Socorro foi especial. Nesse ano não só foi eleito o mossoroense mais parecido com o Neo (Matrix) como conseguiu empurrar 342 canudinhos goela abaixo. "Só tenho a agradecer ao meu treinador, meus patrocinadores e ao povo de Mossoró que sempre acreditou em mim. Feliz ano novo a todos", disse o mimoso recordista a Messias Jardan, retratrista 365 dias por ano.

7 de dezembro de 2006

Universidade Vladimir Cunha Parte 3 - Como ser um colunista descolado

Lance moda, promova tendências - A sobrevivência de um colunista descolado está na sua capacidade de inventar moda. Por isso você tem que estar atento e ser criativo. Diga que na alta-roda a grande onda agora é ir de smoking para a feira da 25 tomar sopa de mocotó ou que nas boates de São Paulo a moda é sair de casa vestido igual à Perpétua, a personagem de Joanna Fonn em Tieta. Procure no Google artistas ou bandas que ninguém conhece e arrote conhecimento falando que adorou 'Goiabeira no Infinitivo', o novo filme do cineasta de Burkina Fasso Jsqhwxhws Lfrwsmpsd (pronuncia-se 'Fsqwzmx Jklq') ou o disco que a fagotista vietnamita H’n H’n gravou com versões em mandarim para as músicas da Banda de Pífanos de Caruaru. Para o colunista descolado, o céu é o limite. E se alguém entrar na onda, melhor ainda.

Qualquer coisa vira notícia - A semana está acabando e não aconteceu nada de interessante. Não importa, no mundo do colunismo social descolado tudo é notícia, do artesanato com garrafa de quiboa que você viu na estrada ao DVD do Michel Bublé que o seu amigo comprou na promoção e exibiu em um jantar na casa dele. O importante é fazer a notícia parecer maior e mais importante do que ela realmente é. Daí a necessidade de sempre inventar rótulos e expressões descoladas para pontuar as notinhas que você despeja na sua coluna quando o assunto começa a rarear. Um churrasco no quintal da casa do seu cunhado vira 'Uma turma mega-hiper-apimentada arrasou até as primeiras horas da manhã no anexo da residência de Francinaldo Sussuarana. Ele, que é figura de ponta do mundo vip, vem se firmando como o melhor hostess da cidade por sua graça, harmonia e carisma. Parabéns, Sussu!'. Ninguém precisa saber que só foram à festa você e mais uns gatos pingados e nem que o tal 'anexo' é só um acimentado com um chuveiro pro pessoal tomar banho. Mas, acredite, um monte de gente vai morrer de inveja.

Não se preocupe com o leitor - E daí que um milhão de pessoas não conheçam Brendon Tabosa e nem estão interessadas em saber que ele queimou a virilha tomando banho de água quente em Caldas Novas? E quem quer saber que Lourianny Sagarana, na Semana Santa em Punta Del Este, ganhou no bingo um boné autografado pelo Jean-Claude Van Damme? Enquanto você determinar que essas coisas são notícia, tudo bem. O que conta é a sua capacidade de fazer as pessoas acreditarem que essas coisas realmente são relevantes. O resto é só um detalhe. Como diria Ibrahim Sued, 'sorry, periferia'.

Coluna01.jpg

O casamento de Zezé Di Camargo e Zilu, em 1967, foi o mais concorrido entre os dos filhos de Francisco. O irmão do cantor, Luciano, foi quem serviu de modelo para que fossem tiradas as medidas do vestido de noiva. A foto não podia ser de outra pessoa que não Messias Jardan, que na época era retratista social e assistente do mítico Athayde Patreze, o "Homem Luxo".

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