Universidade Vladimir Cunha parte 1 - Como fazer teatro
A história é que menos importa – E daí que a sua peça termina com um bolinho de gente de braços para cima se jogando no chão enquanto um sujeito de túnica lê uns poemas do Paulo Leminski em voz alta? No teatro uma história coerente não é o principal. O que vale mesmo é ter uma explicação boa. Por exemplo: você pôs umas mulheres de colant cor da pele se remexendo e correndo para lá e para cá enquanto alguém declama a letra de 'Fogo e Paixão', do Wando, enquanto leva umas chicotadas de um travesti vestido de paquita da Xuxa. Ao dar a entrevista para aquele caderno de cultura descolado, faça uma cara séria e diga que a obra (veja bem: 'a obra') é 'uma análise pan-semiótica sobre a interrelação do gênero na mercantilização da cultura e na colonização inconsciente do homem pós-moderno a partir dos arquétipos do macho ocidental na obra de Jean Baudrillard, Umberto Eco e Mestre Biroba de Maracanã, que canta acompanhado de uma capivara e um garotinho buchudo que toca uma enxada velha usando um rabo de arraia seco'. Claro que são só umas gostosas de colant com uma música brega. Mas quem liga?
Contrate atrizes gostosas – Teatro é igual a filme brasileiro dos anos 70: se não tiver mulher pelada, não tem graça. Eu mesmo, sempre que entro em um teatro, vou logo na expectativa de um peito ou de uma bunda de fora. Então, mesmo que você esteja encenando a vida da Irmã Letícia de Goiô-Erê, dê sempre um jeito de pôr mulher nua. Só nessa você já garantiu um bafafá na mídia, porque provavelmente a Igreja vai querer proibir e, lógico, por conta disso todo mundo vai querer ver a sua peça, que na estréia deu sete pessoas, incluindo a sua mãe e duas amigas dela da hidroginástica. Além do mais, se tiver nudez ninguém vai reparar que a sua história é ruim e sem sentido e você ainda vai tirar onda de moderno, como se umas gostosas sacudindo a peitaria fosse o cúmulo da vanguarda.
Grite, grite muito – Não sei por que, mas a maioria dos atores de teatro gosta de gritar. Quanto mais cafona a fala, mais eles abrem os braços e a garganta e se derramam todos na frente do espectador. É quando você está cochilando, aproveitando a cadeira confortável e o friozinho do ar-condicionado, e o sujeito lhe acorda, dando um susto ao gritar coisas como 'Ó SEIVA DE MINH'ALMA QUE REPELE E REVELA O REDUNDANTE SEMBLANTE DE SER SÓ, SOMENTE SOFRENDO A SEQÜELA DA SARJETA. DEIXO A TI MINHA DESDITA DAMA DA FECUNDA FERRAMENTA DO LABOR LEGADO'. Aí você fica meio sem-jeito e espera a luz se apagar para limpar aquela baba que escorreu pelo canto da boca enquanto você sonhava com a Cicarelli na praia.

Tudo pela arte. Na performance "Teatro Del Mar", três dos melhores atores de Mossoró foram empalados ao ar livre para o delírio da platéia. Kayanã Webbo, artista de longa data (no centro), deu tudo de si. Ainda hoje colhe os frutos e as seqüelas por causa da apresentação. O click é do retratista da ribalta Messias Jardan.
Comentários
isso que voces mostram e ridiculo
escrito por: rafaela em 13/06/2008 às 14:32
Sem comentários....
Eu gosto de teatro,mas não gosto de atuar...
escrito por: Erica Camila em 24/05/2008 às 21:42
muito legal a dica do 1 paraga. mas descordo do segundo se mulheres verem nao vao gostar sou diretora e sei disso parabens a quem escreveu pois gritar e fundamental continue a estudar teatro e aprnda pois teatro nao e apenas uma apresentação é uma riqueza
escrito por: flavia em 8/04/2008 às 22:24
sou um atoe amador,e preciso de algo sobre teatro,pois meu trabalho e de professor,emboranao ser professor
escrito por: adenilson das gracas vitorino em 5/02/2007 às 09:33
Cara, tuas idéias são perfeitas, parabéns, pena a gente não ter poder pra acabar com essas porcarias de teatro, artistas-plásticos de merda e colunistas socias nesse país...
escrito por: Eduardo em 14/12/2006 às 08:26
Puta merda, é tudo o que eu acho, principalmente de ator de teatro gostar de gritar. Eu me indagava a uns anos atras com minha mãe o porquê de tanta gritaria, eu realmente ainda não encontrei a resposta.
escrito por: moara em 10/12/2006 às 15:02