Pensamentos desempregados
A vida dos vizinhos – Se antes o meu tempo de observação da vizinhança era praticamente nulo, agora já sei que no apartamento na altura do meu, no outro lado da rua, habita uma família de são-paulinos composta pelos pais, uma senhora que provavelmente é mãe de um dos cônjuges e 3 filhos, dois meninos e uma menina. Os moleques passam a tarde jogando videogame e, pelos gritos, é de futebol, o que odeio. Não o futebol, esporte que só não amo mais que o Clube do Remo, o Leão Azul, rebento da Glória e do Triunfo. Mas cá entre nós, videogame de futebol é um pé no saco. Os primeiros eram até bacanas - era um botão do chute e outro do passe - mas agora complicaram tudo, são zilhões de comandos, alterações táticas, escolha do cabelo do jogador, contratações e o escambau a quatro. Quem gosta de videogame de futebol gosta de tudo, menos de videogame. Vou tentar arremessar da minha janela um jogo de verdade para tentar salvar a vida desses garotos, só espero que o arremesso do CD não provoque nenhuma escoriação nos meninos. Se bem que, depois daquela gritaria toda no último jogo do São Paulo na TV, esses delinqüentes merecem.
Os comerciantes – Como não faço a mínima idéia do que seja cozinhar, sou obrigado a comer nos restaurantes e padarias próximas da minha casa, ou seja, além de não ter uma única opção de comida decente, ainda sou obrigado a estabelecer laços de amizade compulsórios com pessoas que eu não faria a mínima questão de conhecer: o caixa da padaria, o garçom do Habib’s e a dona do restaurante de comida caseira (repare que “comida caseira” é sempre um eufemismo para comida ruim). Também dou bom dia/boa tarde para os comerciantes chineses do térreo do prédio, para o simpático dono do tenebroso boteco onde compro cigarros e para o balconista da videolocadora. No fundo são pessoas de bem, eu sei, mas bom dia por bom dia, eu prefiro o das estagiárias de agências de publicidade.
Negócios – Sem pressa para chegar na agência, até porque não tenho nenhuma agência para chegar, reparo na variedade dos produtos oferecidos por camelôs e analiso a possibilidade de fazer parte da categoria. Pretendo montar uma barraquinha de venda de soluções rápidas em comunicação. Preciso apenas de um diretor de arte para compor a equipe, já que sou redator. Deixaremos dezenas de anúncios pré-cozidos em exposição, o cliente compra e nós aplicamos a logomarca. Ah, você não tem logomarca? Sem problemas, escolha pelo número: o pacote marca + cartão de visita + anúncio sai muito mais barato do que o similar vendido nas multinacionais dos prédios espelhados. Ainda tenho dúvidas sobre como vender sites, talvez eu pendure os exemplos de homepage em um varal.
Mulheres – Com a grana da farra contada, as possibilidades de conhecer novas conquistas na noite diminuem consideravelmente, fora que na pindaíba e sem ter uma atividade economicamente rentável para relatar, fica difícil impressionar qualquer mulher, logo, sua vida sexual resume-se a você e sua mão direita (ou esquerda no caso de canhotos e homens de maior destreza). Porém, o desânimo não pode tomar conta da vida do desempregado neste momento difícil. O breve (ou não) intervalo sexualmente inútil pode e deve ser aproveitado como um período de entendimento e busca, sim, buscas no Google e demais mecanismos facilitadores de pornografia que a internet oferece, pois a sacanagem virtual é muito, mas muito mais do que um simples e-mail com “Fotos da Scheila Carvalho na Playboy”. Após adquirir técnica, experiência e links, não seja ganancioso e repasse suas descobertas para os amigos, inclusive eu.

A animação de festas infantis é um ramo promissor para desempregados em geral. Messias Jardan, fotógrafo dos melhores momentos da vida, tem emprego estável em nossos corações e ainda é autor deste desocupado clique.
Comentários
bom ainda ñ tenho stresses com o trabalho pk ainda estudo, mas espero sinceamente nunca ter problemas com isso.
escrito por: ana lopes em 12/01/2007 às 08:29
Também acho mais interessantes as estagiárias, mas... Meu ex já trabalhou em locadora. O que é muito facilitador na hora de pegar um filme, ele sabe dentre todos quais são ótimos, péssimos e quais dão sono. Estou curtindo a marca que o pé dele fez na minha bunda, este natal... E achei vocês aqui.
Pretendo voltar.
See ya.
;)
escrito por: Illa Cavita em 29/12/2006 às 05:14
Não tenho nenhuma sugestão de sites, mas passar tardes dando voltas pela cidade pra procurar o que fazer é sempre uma boa pedida, reunir os desempregados e locar um série bem longa pra ficar se noiando pra assistir ao próximo dvd, beber no meio da tarde e conseguir ver o pôr-do-sol em plena segunda-feira é também uma experiência bacana... Hummm... Numa cidade "cheia das opções" como a nossa, ser desempregado pode se tornar bastante interessante!!
Beijos
escrito por: Thalya em 14/12/2006 às 10:49
hahahahahahah. minha época de desemprego foi coroada por "Casos de Família", no SBT. Trevas!
Aliás, muito prazer, Danielle.
:-)
E sorte nas buscas!
escrito por: Danielle em 5/12/2006 às 21:37
Desculpe os posts repetidos..
deu eco na minha internet
escrito por: Rondi em 29/11/2006 às 19:05
Qto ao período de entendimento e busca, atinja o "Nirvana" acessando:
www.sexolandia.org e www.diariodaputaria.com
Auêi
escrito por: Rondi em 29/11/2006 às 17:06
Tb estou no time dos desempregados.
Qto ao período de entendimento e busca, eu atingi o Nirvana :
www.sexolandia.org e www.diariodaputaria.com
Auêi
escrito por: Rondi em 29/11/2006 às 17:02
Seguindo sua sugestão de links de pornografia....
www.mommia.com - pornografia por atacado, para todos os gostos e mãos...
A. Castro
escrito por: Alexandre Castro em 28/11/2006 às 16:30
Eu nem estou desempregada e já me rendi ao SBT...Não importa o q aconteça nesses seus dias desocupados, NÃO LIGUE NO SBT!!!
escrito por: Georgia Martins em 25/11/2006 às 10:24
Sempre imaginei que o cúmulo do desemprego cronico seria assistir ao programa da Ana Maria Braga
escrito por: Moziel T.Monk em 23/11/2006 às 17:13