O trabalho é uma violência contra o homem *
Ao assistir o Globo Esporte dia desses, o que faço cada vez menos por falta de tempo, mais uma daquelas matérias curiosas e metidas a engraçadas começou a encher o saco. Falava sobre uma trupe de profissionais do ioiô. Isso mesmo, pessoas que ganham a vida brincando ou jogando ioiô. Achei tudo meio ridículo e bem chato. É o tipo de brinquedo que depois da infância perde o sentido. Trata-se de um disco preso num barbante que sobe e desce. Só. Mas aí veio a entrevista com o argentino Blás Ramirez e ele diz que já conheceu 60 países com o ioiô. Aí sim dei a mão à palmatória. Otário sou eu! Viajar com um trabalho baba desses deve ser muito bacana, ainda mais para mim que abomino trabalhar. Essa será uma das metas da minha vida a partir de então. Conhecer o mundo com algo bem simplório mas que, de tão inusitado, atraia gente querendo me ver.
Aí começa o problema. O que eu sei fazer além de escrever abobrinhas? Nada. E, o que faço uma pá de gente faz melhor. Só no Ressaca Moral tem uns quatro. Não sou bom em nenhum esporte, não sei dançar, mal sei nadar e quando ando tropeço à toa. O jeito é partir para a enganação. Vou ter que ser um farsante. Sem problema. Essa história do ioiô é um exemplo. Fazer uma volta completa com o disco não vale de porra nenhuma, mas a molecada adora e sempre faz cara de maravilhamento.
Fazer caricatura é tiro certo e até que levo jeito para o desenho, mas nessa função eu provavelmente ficaria mais duro do que hoje em dia. Performances estão fora de questão. Pião seria uma saída bem bacana. Assim como o ioiô ele tem prazo de validade para ser legal. Ninguém acima de 12 anos consegue continuar brincando. Mas tenho que apostar no sentimento saudosista desse povo. "Ih o cara é fera no pião, uhúúú! Mas o que é um pião?", perguntariam. É lógico que junto com as apresentações haverá palestras. Tudo para ganhar um troco e aumentar as milhagens.
O Pogobol também seria uma opção bem legal. Pra quem não se lembra era uma bola com um disco no meio. Nele colocávamos nossos pés e nos impulsionávamos para cima. Era um brinquedo até interessante. Nunca o tive nem nunca o usei. Dá pra fazer umas manobras radicais (mais uma vez, "uhúúú!"), usar umas roupas maneiras, bem coloridas e, principalmente, materiais de proteção. Capacete, joelheira, luva e tudo o mais sempre dão um ar bacana. Até um loser como eu ficaria massa ("uhúúú!") assim. Vou ter que aprender a pular de pogobol.
Carrinhos de rolimã são demais. Velocidade, capacetes, escoriações e adrenalina (Meu Pai Eterno!, esse sim merece um "uhúúú!") pra ninguém botar defeito. Seria uma equipe inteira para um show ao estilo de Evel Knievel. Empilharia alguns skates no chão, uns dez, e vinha com os caralho bem de longe, passaria por uma rampa e passaria por cima de todos, incólume, no máximo com alguns acidentes de vez em quando, mas tudo planejado. Mais uma vez terei que aprender a utilizar a outro meio de transporte.
O que me mata é a preguiça. Não fosse ela minhas outras metas na vida já teriam sido alcançadas e não teria que trabalhar.
* A frase do título não é minha. Ela me foi dita pelo meu primeiro chefe, josémariaLealpaes (ele assina assim mesmo), quando eu ainda era um estagiário de jornalismo cheio de ideais e querendo mudar o mundo. O texto também é antigo, do período que o provedor saiu do ar. Volto a ele não porque seja grande coisa, e sim por pura falta de inspiração.

Se tivesse a mínima idéia de como brincar com bilboquê esse seria o brinquedo que investiria em minha carreira. O óleo sobre tela "Dois meninos e um bilboquê" é de autoria de Messias Jardan, o retratista multimídia.
Comentários
Poxa Karina, Não vai com a minha cara!? Logo eu que gosto tanto de ti.
escrito por: Tylon em 6/12/2006 às 11:40
cara, eu não ía com atua cara mas mudei de idéia.
de onde tu tiras tanta idéia estúpida? muito engraçado!
escrito por: karina jucá em 5/12/2006 às 16:15
Trabalho é energia roubada ao amor.
É praga do Santo Pai (e praga de Pai, cai)
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto".
Quem disse que gosto de pão com suor.
Gosto de pão com manteiga, blinis com caviar.
Com suor, tô fora.
escrito por: Neil Ferreira em 26/11/2006 às 12:30