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31 de outubro de 2006

Tempo bom não volta mais

Garotos, garotos.

Metade da minha vida passei em puteiros, bares e entre amigos que viviam na esbórnia e luxúria. Aos 12 anos comecei a beber, um ano depois de ter experimentado o primeiro de muitos cigarros. Mal freqüentava a escola. Preferia sumir para o meio do mato com as coleguinhas da mesma idade, imberbes, mas com os mesmos pensamentos pecaminosos. Não demorei a experimentar outras coisas. Era a época das bolinhas, artanhe principalmente. Anos de loucura.

Alucinógenos eram queridos a mim. Quando tomava um chá que meu primo Margarido fazia eu via - juro de pé junto - discos voadores, animais extintos há anos, a aura das pessoas, duendes e conversava com uma estátua de papel marché de 12 metros. Uma doideira só. Não tinha freios. Lembro certa vez quando, depois de uma farra, acordei em Mossoró apenas com a roupa do corpo, dois mil cruzeiros, um frasco de Polvilho Antisséptico no bolso e um bilhete escrito "Ti (sic) amo seu danado. Ass: Waldem...". O restante do papel estava rasgado e gosto de pensar que era Waldemira.

Envolvi-me com as melhores e as piores mulheres que já existiram, com predominância para o segundo grupo. Certa vez vivi dois anos com Gerusa "Pantanal", striper dublê da Cláudia Ohana nos anos 80. Dividíamos um quarto e sala imundo num prédio igualmente fétido. Era nosso templo de amor, só que o álcool, as drogas e as empadinhas de vento que comíamos todos os dias praticamente impediu que a gente transasse mais de três vezes enquanto vivemos juntos. Lembro certa vez que tentei defender sua honra e briguei com Manoel Catraca. Perdi os dentes da frente e a sensibilidade da perna esquerda por causa da peleja. Tudo em vão. Honradez era coisa que Gerusa não tinha. Ela se casou com Catraca e ainda devem estar juntos, isso se um não matou o outro.

O álcool foi minha grande paixão e meu pior tormento. Durante mais de uma década meu café-de-manhã foram duas doses de conhaque Presidente e a já citada maldita empada de vento frio. Mal acordava e pegava meu copo. Meu fígado reclamava a todo instante e eu não dava bola. Às 9 horas, depois de mais um cochilo, chegava ao bar do amigo Feijão para mais uma rodada de conhaque vagabundo, dessa vez entremeadas de uma cerveja aguada que ele mesmo preparava na banheira da casa dele. Hoje em dia me arrependo de ter encarado aquelas cervejas. Só depois de ficar sóbrio é que lembrei que Feijão não dispensava um banho matutino na dita banheira.

Quando a tarde chegava ao fim eu já estava bebaço. Era a hora de ir às putas. Perto de casa tinha uma zona do meretrício das antigas, onde as cansadas de guerra davam ponto mais por costume do que por clientela, que era escassa e da pior qualidade. Não saía daqueles lupanares. Um em especial era meu favorito. O Xibiu's, de propriedade da Nazica, era um prostíbulo da melhor qualidade, onde as mocinhas se apaixonavam e tinham casos tórridos com os clientes. Era tão tradicional que as putanas paravam de trabalhar quando o amigo e DJ Tangerino colocava Bienvenido Granda na vitrola.

No começo dos anos 90 a Nazica, quase uma santa, morreu de tédio e o Xibiu's fechou as portas. No local hoje funciona um templo da Igreja Evangélica Setentrional do Santo Cavalinho (Igrevsentolinho). Soube pelo Tangerino, atualmente pastor por lá, que a putaria é quase a mesma.

Foi então que descobri o nicho do Hidrovácuo e mudei de vida.

Metade da minha vida passei em puteiros, bares e entre amigos que viviam na esbórnia e luxúria. A outra metade fiz coisas muito ruins.

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Texto em homenagem a Ramón Gómez Valdés Castillo, o Don Ramón, Seu Madruga para nosotros brasileños. O ator mexicano morreu aos 62 em agosto de 1988, vítima de câncer no pulmão causado pelo cigarro. "Gostava muito dele, principalmente do Racha Cuca e do Super Sam", disse Messias Jardan antes de fazer o click direto da tela do SBT.

29 de outubro de 2006

Mico-Leão que lindo faz careta, dou-lhe logo um tiro de escopeta

Na caixa de concreto para ar-condicionado (não utilizada) do meu quarto uma pomba fez seu ninho. Lá ela pôs três ovos. Apesar de simbolizarem a paz, Las Palomitas são consideradas pragas urbanas pelo fato de serem hospedeiros de diversos organismos que causam prejuízos à saúde. Além disso, causam danos materiais decorrentes da deposição de suas fezes. Ou seja, são ratos de asas. "Mas são tão graciosas". Foda-se! Odeio esses bichinhos. Aliás, odeio qualquer tipo de bichinho. Se tivesse uma pontaria que prestasse já teria acertado uma pedrada nos ovos da passarinha.

Pra que serve um panda? Sou totalmente ignorante nesse e em muitos outros assuntos, mas fora os donos de zôos pelo mundo não vejo outras pessoas que possam querer a preservação deles. É claro que não desejo que eles sejam extintos, muito pelo contrário, mas o furor em cima desses bichos de pelúcia vai de encontro com um fato: eles são uns totais inúteis. Pandas não têm predadores nem comem outros animais. Eles só se alimentam de bambu. Sem falar na famosa dificuldade que eles têm pra acasalar. Pô, as grandes vantagens de ser um animal selvagem é poder trepar e cagar aonde der na telha sem remorso e aparecem esses bichos cheios de frescura. Pera lá!

Outro animal nesse rol é o mico-leão-dourado. O tal deve ser o mais chato e mais esnobe dos símios. Um mono fashion. Sagüi, macaco-prego, macaco-aranha, ninguém deve suportar o dourado. Ainda mais quando ele ficou famoso. Fico imaginando as conversas na comunidade dos macacos quando começaram os projetos de preservação: "Carambas, a gente teve o maior trabalho pra se livrar daquele viadinho de ouro e agora aparecem esses desocupados pra tentar salvá-los. O próximo ambientalista que passar eu vou cagar e jogar neles. Pronto, falei!".

Sou a favor de outras medidas preservacionistas. Por exemplo, não se encontram mais meninas metidas a ripongas que sejam bonitas e limpinhas ao mesmo tempo. O que é uma pena. Gosto desse visual e aqueles saiotes são práticos que é uma maravilha. Entre os homens os que não dançam estão fadados à extinção. Incluo-me nesse rol por total falta de aptidão pra bailar. Assim como a maioria dos animais, dança pra mim só se for pra acasalar.

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"'Olha lá o panda fazendo cocô!'. Porra, esse bicho não faz nada de legal? Não pula, não rola nem faz careta? Que saco", relato do retratista mor Messias Jardan quando levava o sobrinho Glasdtone Jardan ao zoológico de Mossoró.

24 de outubro de 2006

O Dilema de Ademar

Eram 6h30. A mesa já estava posta, como de costume. Eunice falhara, havia deixado o café ralo e eu que não sou chegado a café ainda tive que virá-lo goela abaixo. Arrumei a maleta, vesti a camisa creme ainda por passar e, na hora de sair, procurei Eunice pela casa doido para não encontrá-la. Naquela noite, eu havia tentado o gesto universal de apalpar seus seios por baixo, mas ela negou fogo, e sem muito esforço, porque eu mesmo já fazia aquilo sem entender bem o porquê. Encontrei-a visitando suas plantas a dois metros da porta. Sempre fazia isso para me forçar a uma despedida.

- Estou de saída, bye bye.
- Você passou na Piso Maravilha?
- Não, vou lá na sexta.
- Hoje é sexta, Ademar. Os meninos tão caindo nos remendos aqui. Vai logo nessa loja.
- Vou na outra.
- Na outra loja?
- Na outra sexta.
- Você tinha prometido nesta.
- E você é o quê, um calendário?

Esse tipo de grosseria era fatal porque, sem base alguma, não dava margem para argumentações. Tive certa dificuldade para sair de casa mas, com um leve movimento de perna, convenci Eunice a soltar meu calcanhar. 6h50, ainda dava tempo, provavelmente chegaria antes de todo mundo. Faltavam duas estrelas para chegar ao top five do semestre, eu não perderia aquela chance de mostrar ao mundo a que vim.

Silêncio no escritório, inaugurei as luzes daquela sexta-feira pobre de alma. Para minha surpresa - e a última vez que eu me surpreendi foi com a cirurgia plástica do Higuita -, o doutor Paulo já estava lá. Foi um misto de susto com uma estranha viadagem. Confesso que me senti mal com aquilo, porque dei um grito fino e baixo.

- Bom dia, doutor Paulo. O senhor.. eu...
- Bom dia, Ademar. Não se assuste, cheguei mais cedo para ver uns relatórios.
- Mas estava escuro, doutor Paulo, a sua vista...
- Nada demais, fui criado no interior, sei ler até dentro de um caixote.

Meu herói! Paulo Madrulha Diretor do Arquivo Geral, era o seu nome. Sim, o cargo como um nome próprio, porque havia feito da carreira sua identidade. Saiu do sertão ainda garoto, descascou mandioca, foi porteiro, dono de sex shop e almoxarife. Também andou comendo umas coroas para se fazer na vida.

- Ademar, quero conversar com você, mas sem formalidades.
- Pois não, doutor. Sinta-se em casa - arrisquei, numa prova cabal de como eu sou um cara sem graça.
- Estive pensando, sabe?
- Hum.
- Sério. Você tem sido um bom funcionário. Todos te elogiam, até a Vilmara.
Aquela vaca, sempre perseguindo os inocentes. Dizem que demitiu um arquivista porque fungava muito, o pobre do Cleberson.
- E eu também vejo por esse lado, mas penso além. Você é um exemplo de homem, de pai, de ser humano.
Eu não entendi mais nada, do que ele estava falando? Eu roía as unhas, batia nos moleques à toa e ainda mandava eles comprarem cigarro.
- Ademar, isso me fez pensar em algumas coisas, e gostaria de lhe propor o seguinte.
Meu herói! Também te considero tudo isso!
- Estive pensando e, bem, eu queria comer o seu cu.


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Eleito três vezes para o top five do arquivo geral do INSS, Ademar Vigário sempre foi adepto da pescaria anti-esportiva, principalmente nos momentos mais conturbados da vida. E assim fez ao receber a proposta do doutor Madrulha. O que aconteceu depois disso é segredo - afinal, o que acontece no arquivo geral do INSS fica no arquivo geral do INSS, gente. Messias Jardan foi ao pesque-pague e fez o clique.

21 de outubro de 2006

EXCLUSIVO: Rodrigo Santoro morre em "Lost"

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Lost (Mossoró/RN) - O que era para ser a estréia de uma celebridade brasileira na mais famosa série de TV do planeta terminou em pancadaria essa semana. Escalado para interpretar Paulo, um sobrevivente com síndrome de Down do vôo 815 da Oceanic Air, Rodrigo Santoro irritou o elenco de "Lost" e foi convidado a se retirar via nado da ilha perdida. Embora os motivos do tumulto ainda sejam obscuros, fontes confirmam que ele insistiu em uma roda de violão com canções de Renato Russo e Ana Carolina. Messias Jardan conquistou o elenco e fez o clique.

18 de outubro de 2006

Sabendo Usar Não Vai Faltar*

Com o lançamento do filme "La Conga Sex", estrelado pela cantora Gretchen, o mercado de filmes de sacanagem se consolida como uma espécie de Retiro dos Artistas Interessados em Putaria. Na produtora Brasileirinhas há um abrigo certo para celebridades de 15 minutos ou aquelas que teimam em negar o ocaso de suas carreiras. Foi assim que as "modelos" Vivi Fernandes e Márcia Imperator estrelaram filmes desse naipe, tal qual os ex-globais Alexandre Frota e Mateus Carrieri. Depois foi a vez da produtora em questão apostar na velha guarda. Primeiro foi a Rainha do Bumbum Rita Cadillac, que sempre mexeu com nossos corações e outros órgãos também. Depois foi a vez da já citada Gretchen em sua enésima plástica, agora com a cara do Coringa do Jack Nicholson. Nessa rastro também fizeram uma película com Márcia Ferro, atriz da última fase da Boca do Lixo e que, entre outros, especializou-se em filmes voltados aos direitos dos animais como "Júlia e os Pôneis" (1987), "Viciadas em Cavalos" (1987) e "Meu Cachorro, Meu Amante" (1986).

É até interessante ver pessoas que já estiveram em alta (mais ou menos) na grande mídia terem que se sujeitar a mais degradante forma de se fazer cinema. Não me levem à mal, eu como a maioria das pessoas normais gosta de um filme de sacanagem, seja explícito ou não. Esses casos só mostram o quanto uma pessoa pode ir para ter que pagar o aluguel. De todos, a Cadillac foi a que teve mais honestidade ao dizer que só topou a dureza (sem trocadilhos) do meio para poder pagar as contas do mês. Fez dois filmes e disse que se aposentou. Os fãs choram por onde sentem mais saudade.

É aí que entra o meu protesto. Produtoras com a Brasileirinhas e outras que trabalham com o pornô deviam investir os tubos em estrelas um pouco mais em alta. Se os DVDs do Frota, da Imperator e da Vivi - todos grandes zeros à esquerda - venderam bem, imaginem com uma aspirante à novela das seis? Por isso conclamo os leitores do Ressaca Moral que gostam de sacanagem a deixar aqui suas sugestões sobre quem gostaria de ver num homevideo com muito suor, entra-e-sai e vários YEAHS. Só vale quem realmente tem chances.

Eu queria ver a Luana Piovani. Na boa, o que ela já fez de relevante na TV, no teatro ou no cinema para credenciá-la a um cucesso que não seja como gostosa da vez? Espero que a carreira dela seja breve nesses meios para logo aceitar o convite do rala-e-rola. Danielle Winits também parece ter sido talhada para isso. Só faz papel de mulher vulgar. Ela tem os atributos necessários e com o talento cênico que possui não vai muito longe. Luciana Vendramini é um sonho meu, do Cremonese e todos os homens de bem. Mas, nesse caso me daria uma dor no peito porque a Luciana é pra casar.

Dê sua sugestão.

* O título é o mesmo da pornochanchada de 1976 estrelado pela eterna Helena Ramos.

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Retratista das antigas, Messias Jardan não abre mão de ver Matilde Mastrangi num pornozão pra valer. "Aquilo é que é mulher", afirma o vetusto jornalista. Acima o click vibrante durante as filmagens do clássico Bacalhau, de 1975.

17 de outubro de 2006

Ressaca é saúde

A dieta do tipo de cabelo
Revolucionária invenção do tarólogo e optometrista americano Thomaz Pandolf, a nova dieta adapta seu cardápio de acordo com seu tipo capilar, prometendo uma vida mais esbelta e um corpo mais saudável e vice versa. Seu cabelo é liso e seco? Então fuja das gorduras trans, mas abuse do quiabo. Oleoso e ondulado: esqueça as frutas cítricas, sorvetes ou chocolates que tenham cookies. Crespos leves ou moderados devem evitar mariscos e gelatina, já os crespos agressivos devem evitar sair de casa.

Eletrocardiofunk
Sensação nas academias americanas, é a primeira modalidade de exercício aeróbico de alto impacto para cardíacos. Totalmente seguro devido ao acompanhamento constante de eletrodos e máquinas especiais que apitam imediatamente em caso de arritmias ou princípio de ataques do coração entre os participantes da aula. Até hoje só foi registrado um caso de morte durante sua prática, em 1972, na Carolina do Norte. A vítima foi o metalúrgico irlandês Esperidião Benson. Ninguém escutou a máquina apitando o início de sua parada cardíaca, pois foi justamente na hora do “Piririn, piririn, piririn
Alguém ligou pra mim” no funk da atoladinha.

A cura pelas cascas
Nova mania entre artistas cariocas descolados, a terapia das cascas combate o cansaço, as dores e o estresse do dia a dia através da combinação de diferentes cascas de frutas espalhadas sobre o corpo do paciente. Para quem busca relaxamento e paz no amor, nada melhor que casca de cupuaçu. Quem está atrás de dinheiro e sucesso podem se entregar aos prazeres das raspas de sapotilha. Problemas de diarréia você cura com coco. Já corrimento e perebas nas pernas não são páreo para umas boas lascas de melancia.

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A dona de casa Dora Krysman Sputnik, 112 anos, segue há doze anos a Dieta do Amanhecer, que consiste em substituir todos os alimentos e bebidas por cascas de ovo de codorna cruas. De acordo com estudos de uma clínica estética paquistanesa, a dieta fortalece as unhas e torna os cabelos maiores e mais vivos. Dora Sputnik aprova: "Meu visual rejuvenesceu quase 100 anos e meu marido nunca mais me bateu", comemora. O clique cheio de garra é de Messias Jardan.

16 de outubro de 2006

Novelas espíritas

Como sabemos, de tempos em tempos as mesmas histórias se repetem nas novelas: a trama envolvendo a pequena cidade nordestina, os imigrantes italianos, a classe média alta do Leblon, as novelas ambientadas no mundo da moda e também as que se passam em pequenas cidades praianas. Mudam os cenários, mas a história é sempre a mesma: fulano se apaixona por beltrana, ela dá pra ele no começo da novela, mas durante uns 6 meses eles farão merchandising do Boticário e de bancos privados, além de interagir com outros núcleos da trama até mais ou menos os últimos 5 capítulos, onde o couro volta a comer entre o casal principal.

No caso das tramas espíritas, o roteiro é basicamente o mesmo, a diferença é que o mocinho ou mocinha enxerga almas penadas, tem de medo do escuro e os personagens que morrem continuam na novela até o final, mas com efeitos de eco na voz.

Se as bobagens pseudo-religiosas (céus, um pleonasmo) que essas novelas pregam ao menos fossem sinceras, sua exibição seria no mínimo perdoável. “Ei, o cara enxerga pessoas mortas, mas é apenas uma desculpa para que a história filosofe a respeito da vida, da situação política do país e do caráter superficial dos relacionamentos cotidianos no contexto opressor das grandes cidades”. Mas não, a emissora, o autor, os atores, todos acreditam (ou fingem) que estão passando uma bela mensagem de paz e amor para todos nós, baseada em pesquisas e livros religiosos, experiências e casos supostamente reais, uma excelente contribuição para a consolidação de pensamentos medíocres e conformistas como destinos traçados na maternidade ou que um dia você vai pagar pelo mal que faz, nem que seja em outra vida. Jader e Maluf, o inferno os aguarda.

Um elemento curioso presente nas novelas espíritas é o alívio científico: um personagem interpretado por ator que passa credibilidade e simpatia (um Paulo Goulart da vida), respeitado e bem sucedido em sua área de atuação (sempre uma carreira tradicional: médico, advogado, engenheiro), mas que também dedica parte de sua ampla gama de conhecimentos ao estudo dos mistérios entre o céu e a terra, o que lhe credencia a opinar com propriedade sobre toda sorte de paranormalidades e esquisitices que venham a ocorrer na história, sejam elas inocentes brincadeiras do copo (eu empurrava o copo, você não?) ou cavalos verdes alados domados por monges absolutistas namíbios sobrevoando Copacabana.
Agora chega a vez de “O Profeta”, onde, ao que parece, um rapaz tem premonições, algo muito útil se empregado no universo dos jogos de azar, nas apostas futebolísticas e no mercado de ações, mas que nas mãos de um protagonista global provavelmente servirá apenas para prever a morte do vilão, a cura das micoses de pele ou a chegada do frio no inverno.


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Lucas Alex previu o uso da azeitona na empada e a segunda gripe de Thomaz Pandolfo em 2006. O clique que não é de Bach, mas também é floral é de Messias Jardan.

13 de outubro de 2006

Pandolfo, Thomaz. RH. Sua vida. Episódio I

Durante a semana Thomaz Pandolfo acorda pontualmente às 6:30. Nos sábados se dá ao luxo de dormir até às 8:00. Aos Domingos ele acorda às 7:00 para ler o jornal, mas geralmente cochila no sofá durante a manhã enquanto assiste aos desafios internacionais de esportes irrelevantes envolvendo Brasil X outro país.

Pandolfo é pontual e responsável como todo bom funcionário de RH. Ele trabalha no departamento há 5 anos, desde que se formou aos 28 em Administração de Empresas com Ênfase em Comércio Exterior. Estudou em uma dessas faculdades particulares de sigla estranha e logomarca em fonte itálica não-serifada.

Thomaz chega ao trabalho pontualmente às 9:00. É saudado com gracejos por todas as colegas - é o único homem de sua seção. Gisele, Carol, Ana Flávia, cada uma tem um jeito diferente de cumprimentá-lo. Mas é Ana Flávia quem lhe oferece um copinho de café - "Acabei de preparar" - e lhe entrega o primeiro desafio de todos os dias: a lista de aniversariantes.

Thomaz foi criado em família humilde. Seu pai abandonou a mãe e os quatro filhos antes mesmo que ele tivesse oportunidade de conhecê-lo. Aprendeu a se virar sozinho e a valorizar cada oportunidade que recebe. É por isso que se dedica com tanto afinco a cada pequena tarefa de que é incubido. "É pra já", responde Thomaz a Ana Flávia. Abre o Word e, minuciosamente, começa a digitar. "A... ni... ver... sa... ri... an... tes". Gaba-se de jamais precisar usar o corretor ortográfico.

Às 11:00 os problemas já se acumulam sobre a mesa de Pandolfo. Além de não estar conseguindo descobrir a data de aniversário de Luís Augusto Barineu, o novo estagiário do marketing, chega também a informação de que o aviso para não urinar fora do vaso foi estupidamente arrancado do banheiro masculino do terceiro andar.

“Foi coisa do pessoal da contabilidade”, ele conjectura para si mesmo com uma certeza profunda, mas que poderá revelar somente após concluir as investigações. “Eles pagarão por isso”, fala baixinho em maquiavélico tom.

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Uma das grandes aventuras de Thomaz Pandolfo foi quando ele saiu fantasiado, no carnaval de 98, de Português da Padaria. Estava com uma vontade danada de mandar flores ao delegado, mas depois de beber umas e outras atingiu um dos pontos máximos da transgressão social para um funcionário de RH: cantou Robocop Gay, depois de 5 latinhas de cerveja que o deixaram pra lá de Bagdá. O clique mesopotâmico é de Messias Jardan, fotógrafo e gente, com G maiúsculo.

12 de outubro de 2006

Terror nas alturas

Depois de Snakes on a Plane, sucesso antes mesmo de estrear mas, que depois, se revelou uma bomba, Hollywood não perdeu tempo e tratou de lançar filmes relacionados. O próximo será Plane Dead, com uma aeronave recheada de zumbis. Várias produções estão sendo finalizadas e o Ressaca Moral adianta a sinopse de algumas delas.

Capivaras on a Plane - A premissa é ter bicho exótico e enlouquecido nos aviões. Um jovem e promissor cientista embarca com alguns inofensivos espécimes do citado roedor para uma palestra em Mossoró. O que ele não contava é que a mistura entre altitude e péssima comida transforma as capivaras em animais assassinos. O que vem adiante é um banho de sangue, vísceras e escatologia. Não fosse a intervenção de um biólogo que por coincidência estava na classe econômica a tragédia seria bem maior. No final o avião cai no arquipélago de Fernando de Noronha, dando a deixa para a continuação.

Los Hermanos on a Plane - Um jovem e inescrupuloso produtor musical contrata quatro rapazes do Rio de Janeiro para um show em Mossoró. Durante a viagem eles conseguem um violão e começam a cantoria. Os demais passageiros entram em depressão. Desgostoso da vida, o comandante não consegue mover um músculo e a aeronave entra em rota de colisão com a Serra da Capivara (nenhuma relação com o filme anterior, já que é de um estúdio concorrente). Para salvar o dia aparece o skatista Chorador, que dá um pau na cara dos barbudos, come a mocinha e ganha um disco de ouro.

Galvões Buenos on a Plane - Um jovem e idealista acadêmico de jornalismo consegue uma passagem numa promoção de uma empresa aérea e finalmente vai conhecer aquela menina que conheceu no Orkut. Mas, ele não contava com os planos maléficos de um cientista maluco que quer dominar os meios de comunicação global com uma arma letal: uma tropa de clones do Galvão Bueno. É "beeeeeeemmmm amigos..." para todo lado e as pessoas desesperadas tentam se jogar. Mas, o tal estudante, cheio de Debray, Adorno, Horkheimer e Baudrillard na cabeça, salva o dia apenas com um canivete suíço e um bloco de anotações.

Josés Mayers on a Plane - O galã é o maior pegador da TV brasileira. Já carcou coroa e garotinha, empregada e grã-fina, preta e branca. Ninguém passou incólume a ele. Num vôo noturno um jovem e apaixonado casal encontra-se sozinho no avião com o ator. Turbulência, saquinhos de amendoim e serviço de bordo deficitário elevam a libido do vetusto artista. Ele já não dispensa nada e quer pegar a todos. As aeromoças são as primeiras a sucumbir, mas os recém casados conseguem fugir pelos corredores da nave. Destaque para a cena em que rapaz tenta fugir a moça grita "encosta na parede", no qual recebe a resposta "não adianta, ele quer que eu chupe". Não conto mais para não estragar o final

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"Lucianas Vendraminis on a Plane", esse sim era um filme que eu queria ver. MEU PAI ETERNO!! Um avião cheio de ex-paquitas é um sonho recorrente. O clique à prova de Síndrome de Pânico é de Messias Jardan.

11 de outubro de 2006

Os artistas que eu não conheci: Renato Russo

Por Cruzmaltino Bandeco

Quarta-feira, 11 de outubro de 2006. Hoje se comemoram 10 anos da morte de um dos artistas brasileiros mais polêmicos e badalados, Renato Russo. Um artista que, por falta de tempo, eu nunca conheci. Renato Russo apareceu ainda nos anos 80 — o período da história que todos fazemos questão de esquecer — e já naquela época dava sinais de cansaço, apatia e despreparo musical. Embora nunca tenha ouvido suas músicas e não conheça nenhuma de suas composições, durante anos fui obrigado a ouvir comentários de fãs do cantor. Essa gente até hoje me persegue. Vez por outra, numa reunião entre amigos, um deles sai correndo e volta com um violão. “Vou tocar uma do Legião”, ameaça. É quando eu vou embora pra casa sem me despedir.

Independente da irrelevância de Renato Russo para a música brasileira, é de bom tom fazer um levantamento do que aconteceu nesses dez anos sem ele. Pra falar a verdade, pra mim não aconteceu nada. Mas conversei com algumas pessoas que conheciam o trabalho dele. Vejamos algumas dessas histórias.

Adriana, 24 anos, minha amiga do curso de inglês. Ouviu Renato Russo pela primeira vez aos nove. Ficou assustada quando o viu no palco, em um show, pulando de um lado pro outro. “Parecia o Mick Jagger com câimbra”, diz. Nunca entendeu suas letras, embora concorde que elas sejam tão tolas que uma criança do primário poderia escrever qualquer música da Legião Urbana. “Renato Russo parecia mais intelectual pelos óculos do que pela música”, acredita ela. “Agora, se você não estivesse escrevendo sobre isso, eu não ia lembrar que faz dez anos que ele morreu”.

Silvaldo, 32 anos, porteiro do meu prédio. Acostumou-se a ver os adolescentes do prédio reunidos no playground com um violão desafinado cantarolando músicas de Renato Russo. Para ele, as músicas eram todas iguais. Chatas na melodia, chatas na letra, chatas nos fãs. “Dava mais raiva ainda porque ninguém sabia cantar a música toda. Mas quando chegava no refrão era aquela gritaria, ‘há teeeeempooooossssss’, enchia o saco”, diz Silvaldo, leitor assíduo da crônica policial. “Menos mal que depois ia toda molecada fumar maconha, ficava doidona e ia dormir. Aquele cara morreu, foi? Esses roqueiros são tudo maconheiro.”

Elias Alex, idade não revelada, taxista. Converso com Elias quase todos os dias — é daqueles taxistas que não pára de falar um minuto e tem sempre opinião sobre qualquer assunto. Perguntei a ele se sentia falta do Renato Russo. Pela primeira vez desde que o conheço, Elias Alex ficou em silêncio. Imaginei que estivesse prestes a soluçar, com saudades do ídolo que se foi. Mas, depois de passar por uma lombada, Elias retrucou: “Quem é? É político, é? Conheço não senhor”. Elias Alex é mais um dos milhões de brasileiros para quem Renato Russo não passa de apenas um nome estranho. É sempre assim com quem fala demais por não ter nada a dizer.

Nota: zero.

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Thomas Pandolfo, 24 anos, ganha a vida como sósia de Renato Russo. Vestido a caráter, imita sua voz e seus trejeitos e ainda se arrisca compondo canções para homenagear o ídolo. Recentemente, foi alvo de protestos durante uma de suas exibições num colégio em Mossoró. Estudantes protestaram contra sua atuação arremessando sandálias e posteriormente espancando Thomas. Apanhou tanto que ficou inconsciente. “As pessoas não entendem meu trabalho, assim como não entendiam o do Renato. O episódio fez com que eu me identificasse ainda mais com ele”, afirma. O clique melódico é de Messias Jardan.

5 de outubro de 2006

Celebridades que insistem em tentar dar certo

Alexandre Barros
Piloto de motos desde 1957, ele é um mistério da mídia esportiva: ninguém no Brasil ou no mundo se interessa pelo seu esporte (que só é notícia quando ocorre algum acidente espetacular), mesmo assim a TV nunca deixa de destacar os relevantes últimos acontecimentos da carreira de Alex: mudança de equipe, uma pole position em Kuala Lumpur ou o segundo lugar no GP da Holanda, “a melhor posição de um brasileiro em toda a história da motovelocidade”.

Debora Blando
Cantora ítalo-brasileira de pouco ou irritante sucesso, vez por outra presente em trilhas de novelas, geralmente interpretando o tema de atrizes-ai-meu-saco como Débora Secco ou Viviane Pasmanter. Um questionamento que atordoa a humanidade desde o advento de Debora como artista é “por que alguém faz uma nova versão de uma música que já era um porre?”, aplicável para suas versões de “A Maçã” (Toca Raul Seixas) e a inacreditável “Astronauta de Mármore” (Nenhum de Nós, que por sua vez já era uma versão de Starman do Bowie). Blando, por incrível que pareça, já cometeu seis discos na carreira, todos devidamente lembrados por ninguém e registrados para sempre no grande HD dos maiores artistas do mundo que nunca aconteceram, amém.

Roupa Nova
Você com certeza conhece alguém que gosta de Roupa Nova. Quem sabe este alguém seja você mesmo, inclusive. Mas responda: que diabos é o Roupa Nova? Por Deus, não pode ser um grupo de rock. Então é um grupo de música pop-brego-romântica? Ok, é. Mas onde no mundo são necessários seis (eu disse seis!) caras para fazer umas porcarias que o Wando, sozinho, deixa no chinelo há anos?!

3 de outubro de 2006

Exclusivo: Eymael pede recontagem dos votos

Carazinho (RS) - Tava na cara que essa eleição ia dar em marmelada. Na maior cara de pau foi tirado o nome de José Maria Eymael do pleito final em segundo turno para presidente do Brasil. Dando uma banana para o povo os poderosos apareceram com os insossos Lula e Geraldo como finalistas da disputa. Ora que vergonha! Foi com o sentimento cívico que sempre lhe pontuou a carreira que Zé Maria resolveu entrar com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (Tribsupel) para acabar com essa farsa. "Não conseguirão me calar", bradou o vetusto político gaúcho.

A oficialização do protesto do candidato do PSDC (Partido Social Democrata Cristão) reuniu um a multidão de 17 mil pessoas que superlotou o Carazinhos's Metrodome. As palavras de ordem para sua militância foram claras. Eymael afirmou que não descansará enquanto a justiça não for feita e, como forma de protesto, caminhará do interior do Rio Grande até o planalto central. "Só pararei em Brasília, com os votos recontados e recebendo a faixa presidencial".

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A caminhada de Eymael até a capital federal não será solitária. Além dos vários militantes, como o promoter Waldemar "Marreco" Burcão (foto), que pintou palavras de ordem por todo o corpo para apoiar o democrata cristão, a reportagem do Ressaca Moral também estará presente, mas vai de carro porque não é besta. O click pintoso é de Messias Jardan.

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