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28 de setembro de 2006

É por isso que o Brasil não vai para frente

Curralinho (PA) - Depois de participar de uma carreata que contou com aproximadamente mil veículos, José Maria Eymael, candidato a presidência da República pelo PSDC (Partido Social Democrata Cristão), mostrou todo seu descontentamento com a TV Globo por não ter sido chamado para o debate de hoje (28/09) entre os presidenciáveis. "Querem me calar", disse o democrata cristão.

Não é para menos. Os mandatários do Brasil têm medo do que "Ei, ei, Eymael" pode e fará pelo país. "Vou 'revolucionar' essa nação somente com a construção de metrôs de superfície. Ligarei o norte ao sul, o leste ao oeste". A possibilidade de esse projeto ser feito deixou em polvorosa o cartel que comanda os ônibus interestaduais.

"O povo não é bobo. Essas pesquisas são todas falsas, encomendadas pelas pessoas que não querem que o Brasil vá para frente. Mas, não desistirei. Sou um homem público e quero o melhor para a nação", afirmou Eymael.

Zé Maria, em busca do 1%, garantiu num discurso emocionante que em 2006 vai ultrapassar os 171.831 votos que conseguiu em 1998. Para tanto ele contou no comício com as presenças do Gypsy Kings Cover e da estrela internacional Perla (Pequenina do meu amor / Ser criança é como ser uma gaivota livre / Tudo é feito pra brincar, como é bom vier / Descobrindo seu encanto...). As quase 100 mil pessoas que lotaram a Internacional Multiplex Arena de Curralinho foram ao delírio com o espetáculo.

"Não estou na Globo porque não pago jabá, mas o brasileiro honesto, probo e ordeiro pode esperar porque no dia 1º de outubro vou dar a resposta nas urnas", esbravejou Zé Eymael. O candidato lamentou apenas a decisão de Wilson Cremonese, o Rei do Hidrovácuo, de não aceitar o convite de ser o vice na chapa do PSDC. "Rapaz, eu sou um homem trabalhador e tenho um negócio para tocar. Se você quiser fazer um político trabalhar é só não votar nele", bradou WC, num rompante de falta de sensibilidade cívica.

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"Se eleito vou trazer para jogar no Brasil a australiana Lauren Jackson, campeã mundial de basquete", promete Eymael. Ainda nos perguntam por que o Ressaca Moral o apóia. O click de 1,95 é de Messias Jardan.

27 de setembro de 2006

Tipos de mulheres que você deve pegar porque são mulheres, ora bolas

A desengonçada
Ela é lindinha, sorriso encantandor. Cabelos geralmente longos, corte careta, mas não cafona. Não chama atenção pelas roupas, muito comportadas, às vezes um pouco fora de moda. Não sabe usar tênis. Tem amigas descoladas que a levam para lugares moderninhos, mas nas tênues luzes da balada ela revela sua principal característica: não saber dançar. Arrisca uns passos pro lado, tenta vexaminosamente acompanhar as amigas, mas não dá. Nessa hora sua bela estrutura corporal parece ter sido montada com motor de Opala em chassi de Chevette.

A hypada
Seu português é recheado de expressões em inglês ultra in, algumas inventadas por ela mesma. O corte de cabelo custa mais de 50 reais e dá o maior trabalho para manter, pois a franja tem de estar equilibrada com as pontas repicadas que por sua vez não podem destoar da traseira inspirada no rabo de alguma raça canina asiática. Não admite para não-íntimos que gostava de Roupa Nova e considerava Skank uma das porcarias que toca em rádio, mas começou a dizer que gosta depois que leu e se apropriou das críticas positivas do último CD na coluna de um jornalista obrigatório para gente cool.

A sexóloga
Teve um namorado de 6 anos e depois disso deu pra mais um cara no reveillon de 2004 e novamente para o mesmo no carnaval de 2005. Nunca fez sexo oral nos parceiros e acha nojento o cara tentar beijar na boca após receber o mesmo, apesar disso acha que pode dar conselhos às amigas com problemas de relacionamento e ainda dá dicas de como deixar ele louco na cama. “Acende um incenso e usa uma lingerie de renda vermelha ou preta”.

A dona do mundo
Enche a cara todo os dias com as amigas, adora falar palavrão e contar piadas pornográficas. Veste-se mal e paga caro por isso. Nunca leu Nieztche ou Sartre, mas nas discussões de bar gosta de aplicar conceitos supostamente deles que leu em um e-mail. Não perde uma oportunidade de puxar conversa de futebol com os amigos para ‘jogar na cara da sociedade’ que entende do assunto. Demonstra grande naturalidade ao contar que já 'comeu' homens e mulheres. Para entrosar com ela você precisa apenas saber responder duas perguntas: onde fica o bar e onde fica o banheiro.

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Berenice é uma mulher completa, inclusive com botão de liga e desliga. Messias Jardan foi na padaria da esquina comer um folhado de palmito com café preto e aproveitamos para colocar mulher gostosa no blog.

21 de setembro de 2006

Eu quero ver um festival: Se Rasgum no Rock

Tem quase três semanas que o Se Rasgum no Rock terminou e todos os dias acordo pensando que foi ontem, ou anteontem. Não existe mais cansaço, mas a sensação de fadiga em relação ao evento ainda está lá. Eu fui um do afortunados que foi convidado a ajudar no festival. Um entre tantos que tentou dar sua parcela de contribuição ao sonho de alguns amigos, sonho que se estendeu a todos nós. Queríamos ter assistido a todos os shows, o que definitivamente não fizemos. Porém, mesmo de longe, nem que fosse percebendo apenas a alegria da platéia, nós nos satisfazíamos. Eu, pelo menos, sim. Todos os que ajudaram já foram convocados para o ano que vem. Estarei lá.

Realizado entre os dias primeiro e três de setembro, o Se Rasgum no Rock pode ser classificado como o primeiro festival paraense envolvendo bandas de rock independente de todo o país. Belém já teve seus festivais com bandas locais e estes não podem ser esquecidos. Quem tem quase 30 anos lembra com saudosismo dos dois primeiros Rock 24 Horas. Mas, a capital paraense precisava de um evento que se igualasse à avalanche de festivais que são realizados nas metrópoles brasileiras. Goiânia, Recife, Palmas, Cuiabá, Brasília, Curitiba, entre outras, têm o seu. Belém, tão comentada por ser uma das Mecas atuais do rock nacional, não tinha. Curiosamente, no mesmo dia uma cidade com mais tradição nesse ramo que a nossa também teve seu primeiro festival: Porto Alegre.

Quem, como eu, olhava com um certo distanciamento a todas as ações se maravilhava com os comentários que vinham a cada show. Muitas das bandas de fora eram praticamente desconhecidas para grande parte do público que esteve no Parque dos Igarapés. As presenças das headlines Cachorro Grande (sábado, 2) e Mundo Livre SA (domingo, 3) atraíram um público que geralmente não freqüenta as festas de rock organizadas na cidade. Ali havia pelo menos 3 mil pessoas contra as 500 que dão nos melhores dias dos eventos habituais. Muita gente nunca vira antes apresentações das bandas locais e nem ouvira falar de Bazar Pamplona (SP), Mezatrio (AM), Vanguart (MT), The Feitos (RJ), Los Porongas (AC) e Superoutro (PE).

Todos, mas todos, sem distinção, fizeram apresentações ótimas. O Superoutro teve um problema com uma das guitarras e assim ficou até o final do show, o que não desanimou quem estava sobre o palco ou quem assistia. Junto a eles as bandas locais mostraram a mesma competência, tanto que arrancaram elogios dos jornalistas que vieram para o festival. A maioria deles já conhecia Madame Saatan e La Pupuña de outros festivais. Foram embora com os shows de Johnny Rock Star, Suzana Flag, A Euterpia, Delinqüentes, Norman Bates, Cravo Carbono, Telesonic, Norman Bates, Turbo, Coletivo Rádio Cipó, entre outros, incrustados nas retinas.

As headlines tiveram atuações díspares. Na sexta-feira, ainda no Açaí Biruta, Wander Wildner fez o que se esperava dele. Quando todos achavam que o herói gaúcho não conseguiria subir ao palco devido à ingestão exagerada de cerveja, ele mostrou porque é a principal referência do rock brasileiro fora do mainstream. Clássicos atrás de clássicos para um público ensandecido e acima de tudo compreensivo. A quase totalidade das quase duas mil pessoas que lá estiveram agüentaram com paciência inacreditável por mais de uma hora sem energia. Às escuras, não arredaram os pés, lá esperaram com um entusiasmo sensacional e não se arrependeram do show.

No sábado foi a vez do Cachorro Grande. A banda dos pampas não se encaixa mais na definição de banda alternativa (isso é uma discussão que não cabe nesse espaço) e já não freqüenta os festivais. Mas, os esforços para trazê-los foi grande e se mostrou acertada. Foi o dia que registrou a maior presença de público, já que era a primeira vez deles em Belém. O show... bem, o show foi um caso à parte. Não foi o esperado. Quase um terço dele foi de enrolação com solos intermináveis. Mas, era uma apresentação ganha desde o começo. Muita gente queria ver os hits do Cachorro Grande. Viram a maior parte deles.

Domingo era o grand finale. Desde as primeiras apresentações se sabia que esse era o último dia e o cansaço era nítido em todos os rostos. O desgaste fazia cada caminhada em busca de resolver um problema qualquer parecer um martírio. Mas, tudo tinha que dar certo. E deu. Os shows que precederam ao Mundo Livre SA foram do punk destruidor do Delinqüentes ao folk emocionante do Vanguart, do pop com toques de MPB do A Euterpia à guitarrada com surf-music do La Pupunã. Todos estavam lá e ficaram até o final, quando foram brindados com alguns dos momentos mais bonitos que um show de música pode proporcionar.

Quando Fred Zero Quatro, Xef Tony, Bactéria Maresia, Fábio Goro e Marcelo Pianinho subiram ao palco eles fizeram de tudo para compensar os mais de dez anos de atraso por nunca terem se apresentado em Belém. Do começo ao fim, das músicas conhecidas às mais novas, não houve ninguém que não se sentisse que aquele era um momento especial.

Aí, um aparte. De cima do palco tive a visão mais bonita das três noites. De lá finalmente via todos os que estavam envolvidos na organização assistindo um show. Todo o trabalho, estresse, aporrinhação e cansaço foram postos de lado para que a diversão desse as caras.

Para finalizar, Zero Quatro chamou as bandas locais para o palco e com elas subiram os organizadores. Lá, houve a celebração final de um bando de loucos que embarcaram num sonho maluco que se tornou realidade e que deu certo do começo ao fim. Não raro lágrimas eram enxugadas. Aliás, elas foram muitas.

Ano que vem tem mais. Já disse e repito: estarei lá.

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Messias Jardan acha que rock é coisa do diabo e não deu as caras no festival. Coube a Renato "Retrato" Reis registrar o evento. Quem quiser conferir é só clicar aqui. A caricatura do Wander Wildner acima foi feita pelo incansável Waldez.

15 de setembro de 2006

O Super Trunfo dos políticos

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Uma impressora colorida, papel A4 de boa gramatura e tesoura colorida sem ponta bastam para reviver partidas memoráveis de Super Trunfo com a fina flor da politicagem brasileira. É só clicar na imagem. Sacada dos Stone Age Scanners. Messias Jardan jogou e perdeu.

13 de setembro de 2006

Comédias românticas para o próximo verão

Aroma de amor
Jason (Owen Wilson) é um conhecido provador de perfumes que anda de saco cheio da profissão e vive um casamento fracassado com Elizabeth (Coutney Cox Arquete). Um dia, ao fazer uma visita de rotina em uma perfumaria, ele sente um perfume diferente de tudo que já cheirou, era a inhacatinga de Joss (Jennifer Aniston), vendedora de bolos de fubá. A paixão entre os dois é imediata, mas a confusão começa quando Joss descobre que o pai de Jason (Josh, interpretado por Alec Baldwin) foi o criador do perfume que matou sua mãe (Jackie, interpretação de Patricia Arquete) de alergia.

Baixando em você
Vince (Luke Wilson) é um médium aposentado que já foi muito famoso. Ele é procurado por Alex (Stephen Baldwin) para que faça contato com sua esposa recém-falecida, Annie (Rosana Arquete). Vince consegue incoporar Annie, mas a confusão começa quando Annie se apaixona por Vince, deixando Alex morto de ciúmes, pois ele também acabou se apaixonando por Vince.

Reforma de amor
Brian (William Baldwin), um conhecido pedreiro do bairro, é chamado para fazer alguns reparos na casa de Suzan (Jennifer Anniston) e Sarandon (Courtney Cox Arquete). A confusão começa quando as duas apaixonam-se por ele, mas antes que possam lutar pelo seu amor, devem primeiro se livrar de Paul (Owen Wilson), um ex que namorou as duas e ainda não aceita o término da relação.

Descarga de paixão
Harry (Alec Baldwin) é um hábil mecânico, famoso por atuar em um reality show de construção de motos customizadas. Tudo vai bem na sua vida, até que a advogada Lisa (Owen Wilson), resolve processá-lo por danos ao patrimônio público por ter feito xixi em uma árvore. De quebra, a árvore (Stephen Baldwin) também abre um processo contra Harry por assédio sexual, mas a confusão começa quando a advogada cai de amores pelo mecânico, que antes de assumir seu amor, precisa terminar um complicado namoro com a garçonete Janet (Luke Wilson).

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Em “Férias pra lá de loucas”, Jennifer Aniston comanda uma galerinha muito louca que vai arrumar as maiores confusões e se meter em uma baita encrenca. E Messias Jardan, esse malandro, vai ter que rebolar se quiser um clique melhor.

10 de setembro de 2006

O mau-gosto do vizinho é sempre maior que o seu

por Marcello Friko

Tudo bem, gosto é como cu, cada um tem o seu próprio, mas acho que isso pode ser dito como uma nova verdade universal. Que atire a primeira pedra quem nunca sentiu vontade de jogar pela janela o Prosdócimo da cozinha com um único objetivo: acertar o mala do seu vizinho que te acorda com a pior das músicas. Pensa comigo: lá está você curtindo seu belo sono pós-ressaca depois daquela noite enchendo a cara e então te acordam com aquela beleza sonora, o mais novo hit de uma banda clone genérica do Calypso ou Magníficos ou qualquer outra da qual você nunca nem sonhou que existisse (algumas vezes até pra reconhecer porque, mesmo em tempos de iPOD's e outros mp3 players - especialmente a falta de um desses - sou obrigado a ouvir o som ambiente no ônibus), no último volume. Uma beleza mesmo não?

A coisa ainda melhora quando o seu outro vizinho do lado resolve, no mesmo dia, fazer um churrascão à noite e chama todos os amigos dele pra fazer aquele pagode maroto e descontraído com todos tocando fora do ritmo, já devidamente alcoolizados. Esse é o jeito moleque brasileiro! Samba e cana, todo mundo ama!

E não adianta criticar, o seu vizinho deve pensar a mesma coisa (pelo menos os meus devem) quando você liga o seu som e coloca aquele discão do AC/DC pra tocar ou resolve sentir até onde vai a sujeira do seu amplificador e da distorção nova que comprou para fazer para com sua guitarra.

Mas sempre têm um abusado, e é ai a hora que a tal política da boa vizinhança vai para a merda. Há alguns anos, por exemplo, eu ensaiava com uma banda na garagem de casa e, vamos lá, ensaio sem som alto não é ensaio. No meio do ensaio e coisa e tal, onde ninguém ouvia nada além da bateria e das guitarras, voa através da Brasilit da garagem um pedregulho do tamanho de uma maçã. A primeira reação foi a de tentar entender que diabos estava acontecendo, a segunda foi justamente ligar o foda-se e mandar a boa vizinhança para merda. Experimente um dia sair pela rua mandando todos os vizinhos tomarem no cu e dizendo que são todos uns escrotos e o quanto você os aturou e que agora vão pagar por isso. O que fazer depois? Aumente o volume e toque o mais tosco que puder.

Pronto, ou é sua redenção ou então se prepare para entrar num conflito de proporções Israel & Líbano e não tem ONU ou prefeitura que dê jeito. No mais, liga o fone de ouvido e aumenta o som porque vizinhos sempre são um saco.

Friko02.jpg O Friko é um rabugento que quando não tem o que fazer pensa em escrever, mas por preguiça não o faz. É sócio-fundador do Ressaca e terá sempre um lugar em nossos corações. Foi peça fundamental na premiada cobertura da sucessão papal. Era um fofo. Não é mais.

6 de setembro de 2006

Betão desiste de candidatura e declara apoio a Eymael

Após reuniões com militantes em São Paulo e no Rio de Janeiro, Betão desiste da campanha eleitoral e anuncia apoio a José Maria Eymael. “Ah, cansei”, alega.

O Delegado Maria Bethânia, o Betão, anunciou na noite desta terça-feira, após concluir seu comício com uma salva de tiros em sua homenagem, que desistiu da candidatura a presidente do Brasil. Ao lado de Jussara, seu fuzil AR-15 que não tem margem de erro, Betão estava em campanha desde o início de setembro. No período de pouco mais de uma semana, visitou presídios em São Paulo, onde se encontrou com líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) para “discutir os rumos da segurança no País com quem entende”, e favelas no Rio de Janeiro, onde dialogou com a liderança do CV (Comando Vermelho) em busca de soluções para o tráfico de drogas. “Tem que acabar com esse negócio de classe média subir o morro atrás de droga. O governo precisa investir em infra-estrutura para melhorar a distribuição”, defende Betão.

Embora tenha durado pouco tempo, a campanha emocionou o delegado Maria Bethânia. Em um dos maiores presídios de São Paulo, onde tinha encontro marcado com Morde-Faca, um dos generais do PCC, Betão foi cercado por inúmeros prisioneiros que, agitando facas, lanças e armas caseiras, exigiam melhores condições carcerárias e ameaçavam exterminar diversos agentes penitenciários — além do próprio delegado. Betão teve, então, a oportunidade de colocar em prática um de seus principais projetos de governo, o “Jussara Para Todos”, que consiste na distribuição de fuzis AR-15 para todos os policiais. Com uma breve demonstração de vontade política, Betão atingiu diversos detentos e em segundos a rebelião estava controlada com o saldo de apenas 16 mortos. “Imagina um programa desse no Brasil inteiro. Acabava o problema carcerário no mesmo dia”, explica. “Foi lindo. Eu nunca pensei que fosse gostar tanto de trabalhar com política”, diz, sem esconder o sorriso.

Pipa, Foguete e Morteiro — Foi no Rio de Janeiro, entretanto, que o delegado Maria Bethânia viveu o ponto alto de sua busca por votos. Em apenas quatro dias, participou de seis protestos pela paz, nove fechamentos de túneis e dezessete invasões a morros — em uma delas, ficou encantado com a receptividade dos moradores. “Assim que cheguei ao morro com Jussara os pirralhos favelados começaram a empinar pipas para me receber. Em pouco tempo o céu estava lotado de papagaios”, emociona-se Betão. “Em seguida soltaram vários foguetes e morteiros. Me senti como jogador em final de campeonato”. Em reunião com alguns dos comandantes do CV, Betão prometeu empenho na questão do tráfico de drogas. “Já vivi disso e sei como é difícil essa vida. Traficante merece cuidado, não pode ficar à mercê de bandido”, discursou.

Após dez dias em campanha, surpreendeu a notícia divulgada pela assessoria de imprensa do delegado Maria Bethânia. Um bilhete, lacônico, informava que Betão se cansara das eleições e desistira da candidatura alegando entraves burocráticos. “Ah, cansei! Não quizeram (sic) me aceitar como candidato, muita frescura. Vou voltar a caçar bandido que é melhor. Meus eleitores: votem no Eymael, acho que ele é bom”, dizia a nota. Um amigo próximo do delegado acredita que Betão tenha tido problemas com a declaração de bens. “Parece que não engoliram bem a história de ele divulgar no imposto de renda que o valor do fuzil dele é sentimental”, esclarece. Ainda segundo seu amigo, Betão deixou de declarar algumas de suas propriedades, como um helicóptero de 700 mil reais, uma mansão de 18 quartos em Búzios e uma fazenda no Mato Grosso com 6 mil cabeças de gado.

Em entrevista coletiva, o próprio delegado dá sua versão do ocorrido. “Eu fui me inscrever como candidato e a mulher pediu uma declaração”, conta. “Eu nunca fui bom nisso de me declarar, mas convidei ela pra sair à noite. Deu a maior confusão. Acho que ela estava de TPM”, diverte-se. Ao fim da entrevista, Betão reforçou a idéia de que está mais disposto que nunca a atuar no combate ao crime. “Agora vocês me dão licença que eu tenho uns bandidos para exterminar”, brincou.

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No Rio de Janeiro, militantes do ex-candidato Betão animam comício com exibição de danças folclóricas cariocas. “As cachorra, as popozuda, os X-9, todo mundo tá com Betão aqui, demorô já é!”, avisa o DJ Mucura. “É o bonde do combate ao crime!”, completa a dançarina Shirley Raquel. Messias Jardan, que adorou usar colete a prova de balas, flagrou a alegria que permeou a campanha do delegado Maria Bethânia.

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