Pelo fim da 'mente desnutrida': pornô amazônico vai ao Jô Soares
Quando Jô Soares anunciou uma das três atrações de ontem (quinta-feira) à noite, Antônio, um ex-entregador de gás da periferia de Belém, estava com os olhos grudados na tevê. Depois de enfrentar o que chama de "mente desnutrida" dos que encaram seu trabalho com preconceito, o agora ator, produtor e diretor dos primeiros vídeos pornográficos genuinamente amazônicos foi apresentado ao País sob o fausto da emissora de maior audiência entre os brasileiros.
Autor de pérolas do underground como "Cotijuba Ilha do Prazer Devastação Anal - O Retorno Volume 6" e prestes a lançar o vídeo "As mulheres mais depravadas de Belém do Pará", Antônio Snake, 38 anos, aos poucos deixa de lado a faceta folclórica do desbravador do pornovídeo na Amazônia para caminhar em direção ao reconhecimento tardio, mas oportuno, de um trabalho que remonta há quase uma década.
No bate-papo com Jô Soares, Snake - pseudônimo surrupiado da banda de heavy metal Whitesnake - relembra os tempos em que carregava botijões, fala de sua devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e da dedicação às artes plásticas. Em seu pequeno escritório, um Jesus Cristo de olhar piedoso, uma tarde no Ver-o-Peso e um furo de igarapé num rincão qualquer da Amazônia ilustram os quadros de sua autoria e dividem espaço com vídeos caseiros, exemplares da "Buttman" e fotos de beldades paraenses. "É o meu profissionalismo, como produtor e diretor, e tem o meu lado pessoal, que eu sou muito católico", resume. "Sou extremamente profissional, rigoroso, exigente nos meu trabalhos. O cara que tem a mente desnutrida acha que, por você fazer um vídeo erótico, você é um vândalo, um tarado."
Snake não fuma, não bebe e, embora admita o sexo como único vício, leva adiante uma pequena produtora, que filma de casamentos a festas de 15 anos. Concluiu agora um vídeo institucional para uma empresa de navegação e, ainda este mês, pretende dar início a uma série de vídeos turísticos sobre o Pará. Mas, por 600 reais, topa fazer um vídeo caseiro de um casal que queira registrar suas intimidades. "Vou, gravo o que tenho que gravar, entrego a fita e vou embora", garante, sem esconder já ter participado das fantasias de algumas clientes.
Gonzo - Com pouco ou nenhum dinheiro, Snake filmou em 1997 "Cotijuba Ilha do Prazer Devastação Anal - Volume 1", uma incursão sexual por cenários paradisíacos que lhe rendeu a fama e 15 dias de cadeia, depois que uma das atrizes, uma prostituta, revelou ser menor de idade e decidiu chantageá-lo. Desde o episódio, ele diz recrutar seu elenco somente através de anúncios de jornal e emprega mulheres que se apresentam espontaneamente em sua produtora. "Muitas têm a fantasia de transar com um, dois, três caras, e me procuram para realizá-la."
Negras, caboclas e loiras realizaram seus desejos em "Marajó Ilha do Prazer Devastação Anal - Volume 2", "Mosqueiro Devastação Anal - Volume 3", "Ninfetas Paraenses Preferem Anal - Volume 4", "Confidencial por Antônio Snake - Volume 5", mais uma versão para Cotijuba e "Making Of - Volume 7", com erros de gravação e curiosidades dos bastidores. A maioria dos filmes pode ser encontrada em locadoras de bairros periféricos da Grande Belém e algumas poucas cópias compõem as prateleiras da Fox Vídeo, maior rede de locadoras da capital paraense.
À exceção de "As mulheres mais depravadas de Belém do Pará", três trabalhos subseqüentes tiveram os direitos vendidos para uma produtora dinamarquesa e comercializados na Europa. O restante teve distribuição a cargo da produtora pernambucana Sexo à Flor da Pele e, assim como os lançamentos europeus, não estão disponíveis em Belém. Todo os filmes seguem o estilo "gonzo" - câmera em primeira pessoa, roteiro parco e baixo orçamento -, influência do herói do pornô John Stagliano, o "Buttman", cujo trabalho muito lhe apetece.
A ida ao Jô fato me lembra nosso primeiro bate-papo, quando eu e o jornalista Leonardo Fernandes o conhecemos, em 2003, e o quanto as coisas mudaram de lá para cá. Seu acervo, ainda relegado a segundo plano no audiovisual paraense, o torna o maior produtor individual de filmes (termo aqui utilizado para obra cinematográfica em qualquer suporte) comerciais do estado. Com o sucesso, veio também o aprimoramento técnico, o DVD e uma sensível melhora no nível do elenco feminino. A tirar pela capa de seu último lançamento (ainda não disponível comercialmente), as filmagens toscas e o festival de celulites ficaram para trás.

Antônio Snake tranqüiliza Jô Soares. "Vamos assistir umas cenas 'lights' que eu separei." O melhor acabou ficando de fora: as mulheres mais depravadas de Belém do Pará deitam e rolam nos cartões-postais da capital paraense.
*Publicado originalmente no jornal O Liberal
Comentários
como faco para comprar os filmes do snake
escrito por: Ataide Domingos Santos em 2/12/2008 às 20:37
UM ABRAÇO PARA TODA BELEM TE AMO SANDRO BOY ATOR DOS FILMES
escrito por: sandro boy ator em 6/10/2008 às 01:12
Como faço para comprar os filmes do snake
escrito por: Marcos Paulo em 3/07/2008 às 18:13
parabens pelos filmes lançados e quando a suzi vai atuar de novo? um abraço.
escrito por: rodrigo vulcão em 20/02/2008 às 12:44
Boa tarde !!!
Gostaria de saber se há algun site do Antonio Snake com alguma cenas gratuitas de seus filmes e onde comprar os DVD´s desses filmes
jean
escrito por: jean em 23/04/2007 às 15:43
Boa tarde !!!
Gostaria de saber se há algun site do Antonio Snake com alguma cenas gratuitas de seus filmes e onde comprar os DVD´s desses filmes.
Rodrigo
escrito por: Rodrigo de Carvalho em 3/10/2006 às 15:09
Já quer o gordo!?
escrito por: Marcelo Lopes em 14/09/2006 às 19:58
quantos quilos jô tem
escrito por: cleber em 12/08/2006 às 15:12
Viva o nosso pornô!!!
escrito por: [Anônimo] em 10/08/2006 às 11:47