Em defesa das minorias
Garotos, garotos.
Não sou nem gosto dessa onda politicamente correta, mas tenho que dar o braço a torcer quando se trata da defesa das minorias. Humilhadas, tolhidas em seus direitos e vítimas de preconceitos, as pessoas que fazem parte de um nicho têm que conviver com uma série de situações inusitadas e com o cerceamento de seu comportamento. Quando tentam proteger seus direitos são taxados de tudo quanto é coisa ruim. Ninguém gosta delas. Particularmente faço parte de um grupo que, há anos, sofre com esse tipo de patrulhamento, o dos homens heterossexuais.
Somos uma minoria. Acho que sempre fomos. Hoje é cafona ser macho. E, quando digo macho não falo daquela figura grotesca de neandhertal pintada pela mídia comprometida. Defendo simplesmente homens que gostam de mulher e não têm vergonha disso. Nos bares, quando se nota isso, os olhares passam a ser enviesados, com ares de reprovação.
Aliás, o fato dos bares serem quase todos para pessoas entendidas nunca incomodou um macho de verdade. Mas, quando aparecemos, deixamos os outros desconfortáveis. Quando duas garotas começam a se esfregar e a se beijar perto da gente nós olhamos. Não que não seja natural, olhamos simplesmente porque é bonito e excitante. "Babaca!", a gente ouve os sussurros. Ora, que mal há ficar olhando as garotas trocando fluidos?
Quando é alvo de olhares ou até cantadas de caras barbados, o bom macho não reage com violência (quem o faz geralmente tem um nervo exposto e tá doido pra sair do armário). Com naturalidade dizemos que não, não é essa a nossa praia. "Babaca!", volta o sussurro. Quando é o outro que bate, o brucutu, a bicharada se revolta, mas fica de pau duro e com a próstata coçando.
Outro problema recorrente foi citado acima. Ficar de pau duro é o fim da picada para algumas garotas. Carambas, se a gente tá lá, naquele amasso (adoro termos antigos) e o trecão* endurece, isso é um elogio. Sinal que a garota excita. E não me venham dizer que homem fica duro por qualquer coisa. Isso só acontece dos 13 aos 16 anos, daí em diante os normais ficam seletivos.
Outro elogio que as garotas não entendem é dizer que ela já foi, ou é, alvo de uma bela punheta. Ficam ofendidas. Acham nojento. Porra, não há reverência maior que um homem possa fazer a uma mulher do que elegê-la como alvo de dez minutos de bronha. Temos um mundo inteiro para escolher como musa imaginária, mas, num dia, ou numa vida inteira, ela foi a escolhida e gozou que foi uma beleza naquele encontro imaginário.
Só aceitei o convite para escrever no RessacaMoral por causa do salário vantajoso e pela oportunidade de, um dia, tentar defender os heterossexuais. Não queremos uma parada, desfiles e personagens recorrentes nas telenovelas. Queremos, apenas, respeito e o direito de uma ereção sem reprovação.
Este texto foi publicado quando o Ressaca Moral era um blog novinho, cheio de tolices e com cocô na fralda. Como todos os e-mails (dois) que recebi nos últimos seis meses pediam a reedição do dito cujo, eis ele aqui de novo.

Rosie O'Donnell e Boy George nunca deram a menor bola para preconceitos e fizeram questão de posar para o belíssimo click de Messias Jardan. O retratista do Ressaca também é o autor na maquiagem minimalista do popstar.
Comentários
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escrito por: zwlgftnax fnzleuho em 14/04/2008 às 00:25
Quando as donzelas ofendidas pegam uma Young da vida numa revista genérica dizendo que "ficou de pau duro", acham tudo muito lindo. Passam a falar assim. Talvez com a mesma machesa. Mas pode ver. O conservadorismo ainda está ali, eminente e/ou iminente. Estão só esperando uma boa oportunidade para se soltar.
escrito por: natalia brabo em 25/08/2006 às 04:06
É isso aí! O homem, de tanto ser julgado culpado pela moral contemporânea, só falta ser castrado logo de uma vez (e digo isso sem nenhum elogio a Freud!).
Mas acho que é preciso ir além: os homens também têm "direito" não só de chorar mas de perder, de ser fraco, de fazer manha, de querer carinho e atenção e, ainda assim, continuarem plenamente machos!
escrito por: Punk Canibal em 22/08/2006 às 15:12