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31 de julho de 2006

Grandes coisas que ainda não fiz

Escutar Dark Side Of The Moon simultaneamente com a exibição de O Mágico de Oz
Até hoje mantive minha imunidade ao gosto pelo Pink Floyd, sempre achei uma chateação desnecessária para filhos de classe média que já sofrem para pagar aluguel, agüentam chefes autoritários, fogem da violência nas grandes cidades e ainda precisam discutir relações a todo o momento com namoradas e amigos que não enxergam o ridículo da situação. Depois de tudo eu ainda preciso me preocupar em sincronizar um disco chato com um filme borboletante? Ora bolas, prefiro aprender a passar roupa.

Comer Trufas
Não sei o que é uma trufa. Como será sua forma, sua cor, sua miríade de sabores, quais lembranças visuais a degustação de tal iguaria poderia fornecer à minha memória? Não sei. Simplesmente não sei e não quero saber. Tenho tão pouca vontade em saber que não me forneço o trabalho de ao menos digitar a palavra no Google ou na Wikipédia. Em outras palavras: as trufas que se explodam (desde que não manchem minhas roupas que deram o maior trabalho para passar).

Participar de uma trilha
Cada um tem seus masoquismos e a escolha destes é puramente pessoal. Eu, por exemplo, ainda não vi sentido em passar horas caminhando no mato sob o sol, acabando com meus pés, prejudicando as articulações de meus joelhos e destruindo a natureza ao desferir golpes de facão em vegetais inocentes e estapeando pobres mosquitos desavisados. Masoquismo por masoquismo, prefiro os disponíveis no ambiente urbano, como os engarrafamentos, que são muito mais confortáveis: você fica todo tempo sentado e ainda pode escolher a trilha sonora.

Ter contato com meu Eu interior
Se eu já sou chato, imagina o meu Eu que vive no interior, isolado e sem contato com as maravilhas do mundo como mulheres, dinheiro e os jogos de tiro em 1ª pessoa no escritório. Além desta diferença de mundos, esse tal Eu interior deve ser um bocó de primeira grandeza, pois as formas de entrar em contato com ele são sempre as mais idiotas do mundo, afinal, conversar com alguém que só se comunica através de cristais, luzes coloridas, chacras e músicas da Enya deve ser um pé no saco.

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Epifania está satisfeita com seu Eu interior. “Comprei no Mercado Livre, ninguém diz que é usado, só não sei onde guardar”, deslumbra-se. Messias Jardan, que gosta de tarô, mas prefere truco, é o autor do subliminar click.

27 de julho de 2006

Canalha? Quem me dera.

Há um tempo atrás fui chamado duas vezes de canalha num espaço de três dias por duas meninas diferentes. Nunca me importei com xingamentos. Minha vida toda foi ouvindo comentários pouco elogiosos. Sempre primei pela covardia e nunca retruquei os "elogios". Mais vale um covarde inteiro do que um herói todo quebrado. Mas, no caso da canalhice o que me chamou a atenção é que as garotas que me taxaram assim mal me conhecem. Chegaram a dizer que "tenho cara de canalha". Eu, hein! Otário, mané, babaca, bundão e de tacho foram alguns dos adjetivos já usados pra minha cara. Canalha, nunca!

Mais uma vez repito que não me importo com xingamentos. Se fosse do contrário não estaria escrevendo no Ressaca Moral, o que também já me rendeu a pecha de boçal. Vá lá. Mas, o que me estranhou nessa história é que, até onde sei, os canalhas sempre se dão bem. É só ver na história. Os canalhas sempre foram os comandantes, os vencedores, os poderosos, os ricos e, principalmente, os comedores. Canalha que é canalha tem sempre mulherzinha atrás. Nélson Rodrigues, um dos que se deteve sobre o assunto, sempre salientou isso. Portanto, não sou um. Infelizmente.

Comandante? Na terceira série fui chefe de turma, ganhei inimizades pro resto da vida e fui deposto em dois meses. Poderoso? Pô, isso passa pelo comando e poder nunca esteve comigo. Rico? Nasci classe média e com a minha disposição pra trabalho só ficarei cheio da grana se ganhar na Mega-sena. Comedor? Puta merda! Sem comentários.

Como disseram que tenho cara de canalha comecei a me observar no espelho, o que admito foi uma tarefa estressante. Não me tolero muito. Até para fazer a barba é um sacrifício. Mirei bem minha lata e pensei em um monte de coisas ruins sobre ela, mas nada que passasse pela canalhice. Pra mim foi uma decepção.

Alguns dos meus ídolos foram canalhas. Jece Valadão e Wilson Grey sempre disputaram minha predileção no cinema nacional e nenhum dos dois era mocinho. Clint Eastwood transitou entre todos os tipos, mas quando canalha foi insuperável. Ron Jeremy era um grandíssimo filho-da-puta e nunca existiu alguém que fizesse tanto sucesso com as mulheres.

Não fiz nenhum esforço pra contradizer as duas que tiveram essa impressão de mim justamente por causa de caras como os acima citados. Espero encontrar pelo menos uma delas para ver se estava me desdenhando para, como diz o dito, querer comprar. Pô, se quiser pode levar de graça e ainda pego e deixo em casa.

Mais um texto das antigas que tinha ido para o limbo quando o provedor deu pau. Poderia dizer que reedito-o a pedidos, mas assim como não sou canalha também não sou mentiroso.

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"Esse sim era canalha e pegou muita mulézinha por aí", disse Messias Jardan enquanto comemorava o fato de ter encontrado essa foto antiga de Jece Valadão. "Eu sô como ele. Rá!", finalizou o retratista.

26 de julho de 2006

Coisas que eu não gosto, mas nunca disse pra ninguém

Cirque du Soleil – Que diabos de circo é esse que não tem macaco, palhaço e nem trapezista? E pior: não tem globo da morte! Para mim, o Cirque du Soleil não passa de um bando de gente com o corpo pintado com tinta guache descendo do teto pendurado em umas fitas coloridas. E com uma trilha sonora chata pra caramba, o que torna a experiência ainda mais entediante. Se bobear, não vendem nem algodão doce na porta.

Charles Chaplin – Alguém, por favor, me diga qual é a graça em ver um cara com um bigodinho esquisito e que parece ter nascido com os calcanhares grudados andando pra lá e pra cá? Quando era criança, duas coisas sempre me tiravam do sério quando passavam na TV: comédias do Charles Chaplin e filmes de bicho. Que hoje em dia eles sejam vistos através de um ponto de vista histórico, tudo bem. Mas chamar seus filmes de comédia, aquelas coisas que supostamente devem fazer a gente rir, aí já é demais.

Neil Young – Dia desses, conversando com um amigo meu, perguntei se ele, assim como eu, ele achava o Neil Young meio chato. Depois de hesitar um pouco ele acabou admitindo que sim, mas que nunca tinha tido coragem de dizer isso para ninguém. Ele está naquela categoria de músicos dos quais as pessoas, para não ficar mal com os amigos, dizem que gostam mesmo sem ter ouvindo nada deles. Como Bob Dylan, que virou "o cara que fez aquela música do Guns'n'Roses". Eu juro que tentei, mas nunca consegui escutar um disco do Neil Young até o final.Quem sabe na próxima encarnação.

Janis Joplin – Aí já é um caso de polícia. Para mim, Janis Joplin vai ser eternamente aquela hippie de cabelo arrepiado que canta tudo desafinado. Sua voz esganiçada me dá nos nervos e sempre achei os seus discos mal-gravados e musicalmente um tanto quanto capengas. Basta comparar Janis Joplin com qualquer outra cantora ou banda do período para ver o quanto ela deixava a desejar. Infelizmente, Janis continua a vender discos e a ser um modelo de comportamento. Principalmente entre meninas que acham bonito andar por aí sem raspar os cabelos sovaco.

Música popular brasileira – Meu problema com a MPB é que ela me lembra a minha falta de autonomia quando era criança. Sempre que saíamos de férias, meus escolhiam a praia mais remota e o vilarejo mais inacessível. Meus amigos todos no Morubira, no balneário do Mosqueiro, e eu amargando uma tarde de domingo sozinho na praia do Maraú, onde não ia ninguém. A praia do Pesqueiro bombando em Soure, na Ilha do Marajó, e eu tendo que andar uns bons quatro quilômetros até a praia de Araruna, do outro lado da ilha. À noite, um rádio que só era ligado na hora da Voz do Brasil. E para ler, uma biografia da Darlene Glória deixada de presente por alguma alma caridosa e que eu li três vezes. Em meio a isso tudo, o que tocava no som portátil dos meus pais? Música popular brasileira, é claro, com aquelas letras incompreensíveis para mim, um garoto de 12 anos, e melodias que acabaram se tornando a trilha sonora do meu tédio. Um trauma de infância do qual não me recuperei até hoje.

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Ao lado do marido, Fernando Torres, Fernanda Montenegro descansa durante as gravações da versão hippie para Um Conto de Natal, de Charles Dickens, que conta, ao mesmo tempo, a história do autor vitoriano e a vida da cantora Janis Joplin. No filme, ela será o Fantasma dos Natais Passados Muito Doido que Só Tem Dois Neurônios, que visita Janis Joplin depois que ela mata de tédio um Papai Noel de shopping ao cantar Noite Feliz para ele. Fernando Torres, seu marido, faz uma espiga de milho que ganha vida e vai parar em Woodstock depois de ser acidentalmente inoculada com três micropontos de LSD. Messias Jardan, que odeia tatuagem de duende e artesanato de durepóxi, foi o autor do messalínico click

O futebol marginal do "Negão Motora"

Alcino Neves dos Santos Filho foi um mito. E como todo o mito viveu cercado de polêmicas, lendas e grandes realizações. Difícil dizer, a essa altura, o que é verdade e o que se mantém apenas como parte do imaginário da torcida paraense. Mas o que se sabe sobre Alcino é que, no gramado, não houve jogador igual. Em vida, levou o Clube do Remo a vitórias inimagináveis, uma era de glória que o time azulino, com um time medíocre e ameaçado de ser rebaixado para a Série C, talvez jamais consiga reviver novamente. Alcino só não conseguiu ser o maior goleador do Remo. Até hoje, a honra cabe ao atacante Dadinho, com 163 gols marcados durante a sua passagem pelo clube.

Alcino morreu na miséria, vivendo de favor em um sítio de Anindeua. Nem de longe lembrava o craque fanfarrão e genial, apelidado pela torcida de "Negão Motora", por causa de suas arrancadas. Um goleador de primeira que provocava o time adversário com gestos obscenos, desconcertava zagueiros com seus dribles e tinha um fraco por bebida, farras e mulheres. Em um episódio envolto em controvérsias, seu corpo não foi velado na sede do clube e nem enterrado junto com a bandeira do Remo. Resultado, acusam alguns torcedores e amigos, do descaso com que o clube tratava o seu maior jogador em seus últimos dias de vida.

Nas rodas de conversa que se formam em seu velório, muitas histórias para contar. Como a vez em que Alcino, um grande fã de John Travolta, amanheceu dançando na boate Papa Jimmy, famosa em Belém nos anos 70, às vésperas de um jogo. Chegou ao estádio acabado, pediu para dormir um pouco e acabou saindo no braço com o técnico azulino Paulo Amaral, o seu algoz com quem mantinha uma relação de amor e ódio. Apesar do arranca-rabo, entrou em campo e marcou dois gols. Só para depois comemorar a vitória abraçado com Amaral como se nada tivesse acontecido.

A julgar pelas reminiscências dos amigos mais próximos, Alcino viveu como um popstar, de maneira extravagante e excêntrica, misturando o talento para o futebol com uma vida conturbada e cheia de passagens folclóricas. É famoso o episódio em que, durante um jogo com o Paysandu, após driblar dois zagueiros e um goleiro, sentou na bola a dois palmos da linha do gol antes de fazer balançar as redes do time adversário. Não contente, arriou a calça, mostrando o pênis para torcida. Terminou expulso, mas provavelmente contente pela vitória dos azulinos por dois a zero em cima do time bicolor e por ter acrescentado mais um fato pitoresco à sua lenda pessoal.

"Sempre que o Remo ia jogar no Rio de Janeiro o Alcino ou ficava doente ou dava um jeito de não ir", conta o veterano jornalista esportivo Fernando Araújo na saída do velório, "Depois fomos descobrir que era porque, na juventude, havia participado de um assalto na capital carioca e contra ele tinha um mandado de prisão. Morria de medo de ser reconhecido. Assim era o Alcino. Certa vez, quando jogava no Rio Negro, de Manaus, roubou o ônibus do time e saiu dirigindo pela cidade com a equipe toda dentro do veículo. Terminou atropelando um bêbado que estava atravessando a rua".

A conversa muda de rumo quando alguém começa a discutir sobre o nome do juiz que apitou a célebre partida contra o Paysandu, da qual Alcino foi expulso, enquanto sou abordado por uma senhora já um pouco idosa. Vizinha do Baenão, o estádio oficial do Clube do Remo, Vera Lúcia Amoras recorda das inúmeras vezes em que ajudou Alcino a fugir dos treinos e de quando ele se escondia em sua casa quando procurado por Paulo Amaral. Ela o conheceu quando avistou o jogador se equilibrando por cima de um telhado de brasilit. Com medo dele cair de lá de cima, chamou-o para dentro de sua casa e, junto com a mãe, o escondeu até que Amaral desistisse de procurá-lo. Alcino deu um tempo, fez um lanche e sumiu. De fuga em fuga, nasceu uma amizade que durou até a morte do jogador.

Assim que a discussão sobre o nome do juiz esfria o tema volta a ser Alcino e um de seus feitos mais gloriosos: o famoso jogo contra o Flamengo no Maracanã em 25 de outubro de 1975. Uma partida tensa e difícil, decidida quando ele driblou três zagueiros e fez o gol que levaria o clube do Remo à vitória por 2 x 1, calando a torcida rubro-negra e um time que, na época, contava com Zico, Cantarelli e Geraldo Assoviador. Um momento histórico que, reza a lenda, teria levado às lágrimas o radialista Edson Matoso, que narrava a partida para uma rádio local.

Como todo bom guerreiro, Alcino conquistou o respeito dos adversários dentro e fora de campo. No velório, as atenções se voltam para Paulo dos Santos Braga, o Quarentinha, jogador lendário do rival Paysandu, que chega para prestar suas últimas homenagens. Velho oponente de Alcino nos gramados paraenses, ele relembra a irreverência do craque e o seu talento como jogador. "Às vezes ele me tirava do sério com aquelas presepadas. Mas apesar disso era um grande atleta. Brigávamos muito em campo, mas a nossa rivalidade era restrita ao futebol. Admiro muito o Alcino como o grande jogador que ele foi. Para mim ele faz parte de uma geração vitoriosa".

Infelizmente os feitos do maior craque do futebol paraense ficaram no passado. Vítima do alcoolismo e de uma vida desregrada, Alcino viveu os seus últimos anos na miséria, morando de favor em um sítio em Ananindeua, cidade a cerca de 40 minutos da capital paraense. Sem emprego fixo, frequentemente era visto mendigando nos bares do centro de Belém. E no Clube do Remo, pedindo dinheiro para os sócios. Talvez por causa disso tenha sido proibido de freqüentar a sede social do clube e os treinos no Baenão. Para os dirigentes e cartolas azulinos, Alcino era um nome que, definitivamente, havia ficado no passado.

Uma certa ingratidão com o craque que culmina na reação passional do ex-lateral remista Mario Assunção de Carvalho, o Marinho, companheiro de Alcino nos anos 70. Durante o enterro, enquanto torcedores, amigos e ex-jogadores prestavam suas últimas homenagens ao atacante, Marinho não consegue conter a indignação. Para ele, faltou respeito a Alcino que devia, ao menos, ter sido velado na sede do clube. Durante o velório, o que se contou várias vezes é que a própria diretoria azulina teria impedido o velório do craque. Já os dirigentes explicaram que o velório foi realizado em uma capela no centro de Belém a pedido da mulher do craque. E antes que o corpo seja enterrado, um grupo de torcedores retira a bandeira do Remo que cobre o caixão, de dimensões reduzidas e comprada em um camelô durante a ida ao cemitério.

"Está vendo isso?", pergunta bastante irritado o despachante Adelino Moura, torcedor do Remo, "A diretoria do clube não se dignou sequer a comprar uma bandeira oficial pra gente enterrar o Alcino. Tudo aqui foi bancado pela mulher dele. Pergunta se eles vieram ao enterro ou se mandaram ao menos uma coroa de flores? Sozinho o Alcino vale mais do que toda essa diretoria do Remo. Foi o maior ídolo do futebol paraense e não merecia ser tratado com tanta falta de respeito"

O caixão baixa e a última pá de terra é lançada. Alcino morreu pobre e sozinho, vivendo da ajuda de amigos e de torcedores do Remo. Em parte por culpa dele próprio, que não soube administrar o sucesso e o dinheiro que ganhou quando estava no auge, em parte por causa do descaso do clube, que não criou alternativas para que ele vivesse melhor após o término da carreira. Na memória dos torcedores e dos companheiros de time, ficarão as jogadas geniais e as histórias mirabolantes. E para quem esteve presente ao enterro no começo da tarde desta sexta-feira, a sensação de que o craque não teve um final à altura do mito.

25 de julho de 2006

Pessoas que gostam de cinema

Pessoas que entendem de Oscar
Fim de março chegando e a mídia começa a encher a paciência com matérias sobre os filmes do Oscar. Nesta época surgem personagens tradicionais do imaginário popular inútil: as pessoas que entendem tudo da premiação de cinema que ignora o que é feito de melhor na linguagem cinematográfica. Os metidos a Rubens Ewald Filho são especialmente divertidos quando esforçam-se na pronúncia de nomes como Rita Hayworth, Humprey Bogart e Sam Peckinpah. Pedantes, torcem o nariz para quase tudo que foi produzido após 1980 e adoram contar historinhas "curiosas" idiotas a respeito da premiação hollywodiana.

Pessoas fissuradas em blockbusters
São aqueles que discordam veementemente da escolha do novo James Bond, estão preocupados se Ashton Kutcher interpretará o Homem-Gafanhoto à altura dos quadrinhos e sonham com um remake de Ben-Hur dirigido por Michael Bay e produzido por Jerry Bruckheimer. Costumam comprar ingressos antecipados para porcarias diversas como Star Wars, Matrix ou A Fantástica Fábrica de Chocolate. Nunca viram um Woody Allen da década de 70, mas acham um saco. Gostam da idéia de comprar o combo Pipoca Grande + Refrigerante de 700ml = Pôster.

Pessoas que só assistem filmes europeus ou de países que não disponibilizam saneamento básico para mais de 50% da população
Nomes como Godard, Makhmalbaf e Buñuel são básicos no vocabulário de quem se recusa a assistir qualquer coisa produzida fora da Europa continental ou de nações onde a diarréia mata mais que as doenças relacionadas à obesidade. A postura de indiferença perante à cultura de massa é essencial para este tipo de cinéfilo. Fast Food? Até aceita um convite ao Habib's, desde que seja fora do shopping. Chorou copiosamente quando os cinemas do centro foram ocupados pela Igreja Universal. Diz que não gosta de Internet, mas se esconde para fuçar a vida dos outros no Orkut e assiste filmes piratas que pediu para um amigo nerd baixar e gravar em CD.

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Matheus Nachtergaele interpretará uma couve-flor em “One Hour Party People”, novo filme do diretor Guilherme Fontes, que contará a biografia do Duque de Caxias. Messias Jardan estava doido para dar uma bitoca de artista na boca do ator, mas comportou-se profissionalmente e fez este irrepreensível clique.

23 de julho de 2006

A última viagem do Negão Motora

Belém (Pará) - Um dos ingredientes mais interessantes do futebol são suas peculiaridades. Entre elas está a classe de jogadores folclóricos. Para o bem ou para o mal eles entram no imaginário do esporte e, na maioria das vezes, pela porta da frente. Não à toa Garrincha, o maior exemplo, sempre foi e sempre será muito mais amado que Pelé. Na quinta-feira, dia 20, o Pará perdeu o mais folclórico de seus jogadores. O centroavante Alcino faleceu aos 55 anos em decorrência de câncer generalizado - o diagnóstico foi feito tão tarde que já não se sabia onde a doença havia começado. Entre outros ele defendeu Paysandu e Clube do Remo, mas foi neste último que fez sua história e ganhou um latifúndio no coração do torcedor local.

Os feitos do Negão Motora - apelido ganho ao ter pegado um ônibus em Manaus e atropelado um pedestre (Alcino estava bêbado) - são tantos que dariam para escrever um livro dos mais bacanas. Tragicômico. O mais notório foi ter sentado na bola quase na linha de gol. Logo abaixo está a mostra da genitália pra a torcida adversária ao comemorar um tento. Nas duas ocasiões ele defendia o Remo diante do Paysandu. Fora de campo ele não deixava por menos. Amante da bebida e das noitadas, nessa ordem, era figurinha carimbada nas boates das cidades onde jogou. Gastou o que tinha e o que não tinha, por isso morreu na miséria, amparado por pouquíssimos amigos e totalmente esquecido pelo clube ao qual mais deu glórias. Era uma espécie de popstar.

No dia que começou o velório, a tal quinta-feira, quase ninguém compareceu à capela. Lá estavam apenas seis pessoas quando o corpo chegou. Três deles ram da imprensa: eu, um fotógrafo e outro repórter. Alcino era chamado de Gigante do Baenão (estádio do Remo) por conta de seus 1,94m. O caixão media 2,10m e era pesado demais. Só os dois funcionários da funerária não seriam capazes de carregar o trambolho. O clima me pareceu mais melancólico ainda quando eu e mais o amigo Adriano Barroso tivemos que nos oferecer para ajudar nas alças.

Lá estava o maior ídolo do clube que divide a torcida de um estado e não havia ninguém a reverenciá-lo. É verdade que no dia seguinte muita gente apareceu. Mas, pelo menos para mim, os primeiros momentos contam demais e o que via era o abandono por parte de todos. Somente a família mais uns dois amigos se fizeram presentes. A exceção foi o ex-jogador e agora médico Aderson, companheiro de time apenas um ano.

Dizer que Alcino merecia mais é clichê. Todos disseram. A alegria que mostrava em vida, mesmo já devastado pelo vício no álcool, deveria ter sido mais bem reverenciada. Se fosse enterrado no interior seu féretro seria ladeado com bebida e comida em profusão. O clima de velório seria pontuado pelas histórias que ele deixou e as risadas seriam as vírgulas das lágrimas.

PS: Brincalhão como era, o que notei na única e breve entrevista que fiz com ele uns cinco anos atrás, Alcino pregou do além uma última peça. No local do velório havia duas capelas. Lógico que fui parar na errada. Eu e os outros repórteres ainda fomos tachados de penetras de velório.

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"Humm, eu faria melhor", resmungou um invejoso Messias Jardan. Retratista e reconhecido desenhista, ele nem chega perto de J. Bosco, autor dessa caricatura batuta editada no jornal O Liberal.

21 de julho de 2006

Ressaca Moral não consegue comprar a Varig

Mossoró (RN) - O sonho acabou. Este era o clima na tarde de ontem na redação de Ressaca Moral. O blog jornalístico de maior credibilidade da Internet brasileira pretendia comprar a Varig, maior empresa de cancelamento de vôos aéreos da América latina. Rafael Guedes, gerente do departamento de cronistas que quase não escrevem mais no blog, comenta o caso: "A compra fazia parte dos planos de expansão do Ressaca Moral. Hoje estamos na merda e, com a Varig, pretendíamos chegar a lugar algum. Infelizmente perdemos o leilão porque esqueci da hora, eu estava no salão concluindo minhas luzes e sabe como é aquele ti-ti-ti de cabeleireiro, né? A gente começa a fofocar e quando vê já escureceu, hihihi".

Para a venda, a justiça dividiu a Varig em 59 partes. O Ressaca estava interessado nas partes múltiplas de quatro e também nas que são números primos, mas o departamento de contabilidade do site não chegou a conclusão alguma sobre o que é um número múltiplo e muito menos um primo. Os ressaquistas ainda conseguiram dar o lance vencedor na divisão chamada Varig Blog, mas a mesma recusou ser comprada pelo site. "Nem fodendo", disse a companhia, ainda em dúvida se "fodendo" escreve-se com "o" ou "u".

Vladimir Cunha, ex-comunista e coordenador da seção de piadas achadas, perdidas e roubadas do site, vê a aparente situação adversa com outros olhos: "Tem que meter bala nesses bandidos! Cadê o poder público? Cadê o governador? E o salário da polícia como é que pode? Tem a imagem do helicóptero aí? Me dá a imagem do helicóptero...". Tylon Maués, um dos caras que aparecem na barra laranja no alto do site, completa dizendo que "Essa Suzane é uma assassina! Cadeia é pouco pra essa louca! Gente, cadê a justiça nesse país?". Os outros dirigentes do Ressaca Moral não quiseram se pronunciar a respeito do assunto, mas deixaram recado com a secretária declarando que "o problema do Brasil é a educação".

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Prevendo possíveis dispensas, a Varig já oferece cursos de recolocação profissional aos seus funcionários que optam pela demissão voluntária. O laborioso clique sem direito às milhagens é do aéreo Messias Jardan.

18 de julho de 2006

Samael e as Pirâmides Cósmicas de Teotihuacan

Há um tempo atrás escrevi sobre uma das várias táticas furadas de conquistas, a que utiliza a Astrologia para tentar conquistar o alvo da cobiça. Os comentários foram variados. Uns concordaram, a maioria não. Muita gente perguntou quando viria o próximo. Porra, não sou escritor de auto-ajuda. Nem escritor sou. Porém, uma observação um pouco mais aguçada me ajudou a escrever sobre outro jeito falido de descolar uma parceira. Mais ainda do que falar sobre Netuno em conjunção com Júpiter, papo furado mesmo é conversa sobre Vidas Passadas. Por incrível que pareça às vezes dá certo.

Estava num bar quando vi um figura dando em cima de uma menina. Nada mais do que o normal. De repente ele vem com esse papo. "Em vidas passadas eu fui isso. Conheci fulano. Participei da invenção da fórmula tal. Fui califa daquele reino. Dei a última polida numa pirâmide asteca", essas coisas. Tudo do que se pode esperar de alguém tentando convencer a outra a ter um intercurso corporal. A aplicação só não deu certo porque apareceu uma amiga da garota e a salvou.

Oras, essas histórias são antigas, mas parecem que sempre surtem efeito. Posso não ter muita imaginação, mas não fui besta de deixar escapar uma lição dessas. Fui à luta. Nos dias que se seguiram tentei de várias formas convencer às meninas que estive na Queda da Bastilha, que encenei "A Tempestade" junto com Sheakspeare, que me chamava Tobias Calafate no bando de Lampião, que tive um breve caso com Mata Hari entre a primeira e a segunda guerra e que morri de overdose após uma audição para tentar substituir Brian Jones no Rolling Stones. Não sei se acreditaram. Sei apenas que até agora não deu em nada. Consegui um celular que só dá fora de área.

Creio que esse insucesso deveu-se à grandiosidade das minhas vidas passadas. Bem que o confrade Wilson Cremonese alertou: "Garoto, garoto. Repara que sempre nesse papo o cara foi alguém famoso. Sempre tem um rei pelo meio. Tens que ser humilde. Comenta que tu eras o escravo sexual de uma dama da corte, algo assim. Nunca chegue com os dois pés juntos. Abraço". O bom e velho Rei do Hidrovácuo sabe das coisas, mas aí "Inês já era morta".

Tenho conhecidos que garantem que algumas mulheres caem nesses papos porque são bobas. O caralho que são! Elas se fazem de boba para pegar o otário que tá se achando o tal. Saber disso não me diminui em nada. Tanta gente já me chamou de leso que uma vez a mais não faz mal. Até porque pode rolar uma troca de fluidos depois.

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Além de retratista oficial do Ressaca Moral, Messias Jardan tem uma larga folha corrida em vidas passadas. Ele garante que foi um exímio esgrimista no final do século 19 em El Passo, México. "As pessoas me conheciam como El Fotografeiro", diz o dono dos clicks mais famosos dos últimos mil anos.

13 de julho de 2006

EXCLUSIVO: Ressaca Moral revela as propagandas proibidas da Via Direta!


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12 de julho de 2006

O que seria da vida sem os clichês que enchem o saco

Não repare a bagunça
Frase que não serve para absolutamente nada, pois se o ambiente está muito bagunçado não tem jeito: seu convidado iria se dar conta da desordem por si só, mas caso o visitante seja dos mais distraídos ele não repararia de qualquer maneira, mas agora que você pronunciou a frase ele já conferiu a cueca velha no chão ao lado do tênis sujo e os grãos de arroz do China in Box nas dobrinhas do sofá.

A piada do “não tem preço”
Ataca seu e-mail especialmente às segundas de manhã, principalmente após o chocolate que seu time levou no domingo. É sempre a mesma sacada genial, camisa do seu time: X reais, ingresso pro jogo: Y reais, cerveja no estádio: Z reais, ver o Atlético Jabaroca meter 4 no União Mossoró: não tem preço. Geralmente quem envia é aquele seu velho conhecido metido a engraçado e que acredita que o Orkut será pago a partir de amanhã.

Essa foto é velha, mas tá valendo
Claro que está valendo, quem decide o que entra no seu fotolog ou álbum do Orkut é você mesmo e ninguém tem nada a ver com isso. Esqueça as irrelevâncias e forneça informações mais precisas ao seu leitor como “Maio de 2001. Esse churrasco no sítio da Fê foi histórico: logo depois da foto a Cris vomitou no pé do Claudinho. A Tatá pagou um boquete pro Futuca na piscina e pegou uma micose, eu tava tão bêbada que joguei o gato na churrasqueira e o Ricardinho teve uma hemorragia nasal depois de tentar cheirar açúcar”.

Eu não entendo essa paixão dos homens por videogame
Se você tem mais de 20 anos provavelmente já passou por algumas experiências afetivas com o sexo oposto e deve ter aprendido alguma coisa com elas, e se ainda não entendeu o fascínio exercido pelo videogame sobre nós e isso incomoda você, pare de assistir Sex And The City imediatamente e vá jogar GTA ou Winning Eleven, que podem explicar muito mais sobre a alma masculina do que solteironas trintonas do planeta Manhatan A+.

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“Nós gatos já nascemos pobres”. Foi o que disseram Jílson & Géssica quando perguntados se poderiam posar para o Ressaca Moral de graça. A dupla está lançando um DVD de cantigas de violão para mulheres que não pegam ninguém. A primeira música de trabalho será “Fica bêbado que eu fico bonita”, mas a preferida da redação é “Amanheci ao teu lado, mas não acordaste no inferno”. O clique garoto, maroto e travesso é de Messias Jardan.

9 de julho de 2006

Não é que Astrologia serve pra alguma coisa!?

Certa vez numa festa uma menina veio puxar papo comigo. Sempre me lembro desses episódios porque são raros. Geralmente sou em quem puxa o papo e ele termina na apresentação. Mas esse caso foi especial. Isso porque ela se mostrou interessada. Certifiquei-me que ela não tava me confundido com alguém para que eu não pagasse mico depois. O papo nem era lá essas coisas, tanto o dela quanto o meu, mas ficou interessante quando ela perguntou meu signo.

Horóscopo? Pô, nunca dei muita bola pra isso. Aliás, bola nenhuma. É claro que sei meu signo e não me furtei a responder, queria ver aonde aquilo ia dar: Sagitário. "Olha só, que coincidência. Combina muito bem com o meu, Capricórnio", disse a moça. Não recordo se era Capricórnio, Peixes ou Câncer, tanto faz. Como não entendo porra nenhuma dessas coisas eu embarquei na onda. Embarcaria qualquer que fosse a história. E ela termina aí porque sou cavalheiro, a despeito do que possa dizer de mim.

O causo é só para ilustrar a conclusão que cheguei depois. A garota tava aplicando. Esse papo de signo é o maior clichê para tentar ganhar o sexo oposto (ou não, dependendo da preferência de cada um). Eu já havia tentando algumas vezes antes, sempre sem sucesso. Ms isso mudou.

Como, relembrando, não entendo nada dessa astrologia convencional, passei a inventar outras. Meu preferido era o horóscopo Inca. Passei a dizer que guio meus passos pelos astros. Quando as meninas perguntavam meu signo eu, de batepronto, tascava Lhama. Sou Lhama. Afirmava que o horóscopo andino é que tava na moda no meio New Age. Quando elas me diziam a data de nascimento invariavelmente o signo delas casava com o meu. "Chinchila? Mas que coincidência!! Tá brincando, né? Chinchila e Lhama são perfeitos entre si". Nem sempre deu certo, mas tive meus momentos.

Quando uma vez encontrei uma garota vegetariana, não só eu também era um adepto da dieta verde como meu signo era Acelga. Nascida em setembro, ela era Vagem. Disse a ela que as nascidas sob os ditames da Vagem eram pessoas maravilhosas, propensas a experimentar novas experiências e que, na conjunção dos astros na ocasião, deviam largar relacionamentos antigos. Digo uma coisa, valeu a pena ter experimentado todo o cardápio de saladas do restaurante.

Para me embasar mais nessas investidas até fiz meu mapa astral. Visitei um desses sites picaretas e informei todos os meus dados. Descobri ser ambicioso, austero e trabalhador (eu?) e que sou atraente e com grande poder de atração sobre as mulheres (eu??). Meu mapa também tem seus momentos enigmáticos, como "Quando você pode, você não quer e quando quer, você não pode" ou "As vibrações que capta enfraquecem muitas vezes sua vitalidade, dinamismo e senso de realidade". Não sei o que significam, mas decorei e nesse final de semana vou usar. Depois volto pra dizer se deu certo.

Se alguém tiver a impressão que já leu esse texto pode ter certeza que isso provavelmente aconteceu. Ele foi perdido quando o Gardenal deu pau há alguns meses. Muitos dos nossos escritos foram pro espaço. Sempre tive vontade de colocá-lo no blog novamente. O estopim veio com uma conversa on line com uma amiga linda e talentosa. O papo também me lembrou de outro texto perdido que pretendo dar outra chance em breve.

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Notem que em meu mapa Plutão está em corvergência com Volcano, assim como Saturno com o planeta Klingon. A dica foi dada pelo retratista multimídia Messias Jardan.

6 de julho de 2006

O que vai bombar no próximo verão

Livro
Jesus, o homem mais perfeito que já existiu
O guia inovará no gênero “livros para mulheres de baixa auto-estima que mostram obviedades para chegar à conclusão de que os homens são diferentes das mulheres e que estas, mesmo sendo barangas, um dia encontrarão seu príncipe”. No volume, a autora, sempre um nome anglo-saxão obscuro, tipo Ashley Marshall, mostrará as qualidades que Jesus de Nazaré possuía como homem sensível, namorado dedicado e marido perfeito, fornecendo preciosas dicas de como identificar tais atributos nos exemplares masculinos de hoje em dia ou como transformar o seu parceiro em um verdadeiro salvador da sua vida afetiva. “Bem aventurados sejam os que discutem a relação e não esquecem os aniversários de namoro, pois deles será o reino dos céus”.

Disco
Urban Little Sounds – Grupo Cloaca Frouxa
Depois do forró universitário, do pagode universitário e do reggae universitário, no próximo verão será a vez do New Age Universitário agitar os jovens de classe média das grandes cidades. O principal expoente do movimento são os Tocantinenses do Cloaca Frouxa, que fazem uma gostosa mistura de música celta com sons de escapamento de carros velhos. A primeira música de trabalho é “Chevette’s in the house”, que conta a emocionante história de um Chevette muito talentoso que foi adotado por uma família de gamos silvestres e morreu afogado durante uma tempestade, pois entrou água no distribuidor.

Filme
Monte Castelo – A Guerra e a Glória (Monte Castelo, EUA-Brasil, 2006. Dir: Michael Bay/Jorge Fernando)
Blockbuster co-produzido por americanos e brasileiros, a película mostra a história de amor de Severino Oliveira (Ben Affleck) e Amélia Matarazzo (Ana Carolina). O pano de fundo é a participação brasileira na segunda guerra mundial. Severino, pernambucano pobre que migra para São Paulo apaixona-se pela rica Amélia. O pai da moça, o influente Francisco (Seu Jorge), força a convocação de Severino para lutar na guerra. Na Itália, o jovem soldado apaixona-se pelo cabo Tuta (Cuba Gooding Jr.) e vê-se em desespero quando este morre na tomada de Monte Castelo. Desiludido, Severino volta ao Brasil e tenta reconfortar-se nos braços de Amélia. Os dois decidem produzir um festival de verão em Ubatuba para comemorar o fim do conflito e celebrar a vida. O filme conta ainda com as participações especiais de Sandy&Júnior, KLB, Mc Leozinho, Jota Quest, Xuxa, Grazi do BBB e Aerosmith.

Viagem
Capão Redondo
Que praia que nada! O must do verão será o Capão Redondo, zona sul da capital paulista. São várias opções de pacote e para os mais diversos perfis de público: para o viajante classe-média que não abre mão de ler a Veja e acha que pobre é tudo bandido, as agências oferecem os passeios em vans blindadas onde o turista poderá apreciar a polícia metendo bala na cabeça dos folgados que insistem em ter cara de suspeito. Já os pacotes full on experience são para os apreciadores de uma boa aventura. Você pode escolher desde comandar uma boca durante uma semana (atenção, os lucros com as vendas não ficam com o turista, metade vai para o traficante e metade é da polícia) até vestir a farda de PM e divertir-se achacando playboys viciados, assustando trabalhadores e metralhando botecos. O ponto alto é quando um helicóptero de programa policial sensacionalista acha a sua viatura e acompanha suas peripécias.

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Ben Affleck adora um New Age universitário. “Quando ouço um Sarapatel do Fungo Mareado fico louco e já entro em posição de Lótus”, empolga-se. Messias Jardan encontrou o sex symbol na fila do posto de saúde em Mossoró (RN) e imediatamente sacou a câmera e registrou o reflexivo clique.

2 de julho de 2006

Tipos que não podem faltar em um show de rock

A gordinha assanhada – Chegou ao local do show às nove da manhã depois de dormir na porta do hotel atrás de um autógrafo dos seus ídolos. Não conseguiu ver ninguém, mas foi empurrada por um segurança. Antes de sair de casa, amarrou uma faixa com o nome da banda na cabeça e pintou com batom um coração em cada bochecha. É sempre a mais espevitada e costuma ficar imprensada na primeira fila, esmagada na barreira que
separa o palco da platéia enquanto grita (eu disse grita, não canta) as letras de todas as músicas. Às vezes desmaia.

O garoto vomitado – É o seu primeiro show de rock e ele, empolgado, bebe uma garrafa de Velho Barreiro misturado com fanta laranja. Chegando ao show, para mostrar que é macho, traça mais umas duas
latinhas de cerveja e passa mal. Você sempre vai ver o garoto vomitado caído num canto, com os restos do jantar do dia anterior pregados na sua camisa do CPM22 ou do Slipknot.Ou então carregado pelos amigos até
a enfermaria para "tomar uma glicose". No dia seguinte ele pega uma pisa da mãe, que lhe põe de castigo e confisca o seu Playstation 2 por um mês. Mas na escola ele não conta nada, inventa um bando de lorota e
diz que foi o melhor show de sua vida.

O playboy – Tanto faz se for um show do Sepultura ou da Banda de Pífanos de Caruaru. O playboy vai por causa "da balada". Para ele, o que importa é "pegar mulher", mostrar os músculos e as tatuagens tribais, encher a cara e, não raro, arrumar briga com alguém. É um tipo perigoso, que costuma andar em bando e só deixa aflorar o seu lado humano quando toca "A Minha Alma", do Rappa. Nessas horas costuma olhar nos olhos da namorada e cantar "Me abrace me dê um beijo/Faça um filho comiiiiiigooooo" cheio de ternura.

O estudante de Comunicação radical – Não gosta de nada, fala mal de tudo e diz que só vai aos shows porque diz que no Brasil nunca rola nada de bom. Vive dizendo que gostaria que rolasse um show do Alien Sex Fiend com abertura do Eizntürzende Neübaten, mesmo que só fossem ele e os seus amigos de curso, que também vivem reclamando. No entanto, lá está ele no show do Nando Reis com a cara emburrada. Mas é só ele ver que ninguém está olhando para se rasgar cantando "Quando o seguuuuuundo sooooool cheegaaaar". E quando ele percebe que você está olhando tenta tirar a bronca fingindo que estava cantando de brincadeira. Ou então dizendo "essa aí até que é boazinha porque lembra Neil Young".

O nerd afeminado – É o melhor amigo da gordinha. Não entende nada de rock, mas a acompanha em tudo o que ela faz. Ficou pegando sereno com ela na porta do hotel e agora está espremido na barreira que separa o palco do público pensando no que é que foi se meter. O máximo que conhece de rock é uma fita com os sucessos da Legião Urbana que ganhou em um amigo invisível do movimento jovem da igreja que freqüenta. Acredita que Chorão, do Charlie Brown Jr, é satanista e acha "indecente" o último clip do Black Eyed Peas. Quando a amiga desmaia é ele quem vai com ela até a enfermaria e que a consola quando ela descobre que perdeu metade do show. "Não era pra ser", diz ele no táxi enquanto a leva de volta para casa.

geruza.jpg

Sobrinha de Messias Jardan, Geruza Michelly Jardan, 16 anos, foi presa após tentar invadir o camarim da banda CPM 22. Geruza é presidente do fã-clube "Sonhos de Um Emo", dedicado à banda, e sempre pinta na bochecha a frase "I (coração ) Japinha" quando vai aos shows. Marivaldo Jardan, seu pai, jogou fora todos os discos do CPM22 depois que ela tirou um em Desenho e meio em Religião. "Porra, Geruza, toma jeito, caralho", disse Messias cheio de boas intenções antes de fazer o intricado click.

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