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30 de junho de 2006

O futebol ficou mais feio

Berlim - A sexta-feira 30 de junho de 2006 ficará marcada para sempre na história do esporte bretão. Dia para ser lembrado que o futebol feio, bobão e cara-de-melão derrotou a arte, habilidade e tango no pé. A Alemanha ganhou da Argentina por 4 a 2 nos pênaltis, depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal. Foi um placar tão injusto que nem fiquei impressionado ao ver boa parte da torcida germânica se sensibilizar com a derrota do futebol muito mais bacana dos sul-americanos. Não raro, os branquelos jogavam suas bandeiras no chão e gritavam em uníssono "Nicht für mich schreien Argentinien".

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Las mamacitas portenhas não mais serão vistas nos estádios europeus. "Mi hija sacudare esta bandera", gritava Messias Jardan em seu espanhol sofrível enquanto fazia o click.

Para piorar, no final do jogo os teutônicos, não satisfeitos em terem frustrado a maior parte da torcida mundial, ainda partiram para a covardia. Xingaram, cuspiram e fizeram gestos obscenos em direção aos argentinos. Nossos irmãos platinos, polidos como são, não ligavam para as provocações. Porém, o meia Schweinsteiger (pronuncia-se Zeferino) mexeu com Las Madres de la Plaza de Mayo, o que se sabe não se faz. O capitão e cover da Maria Bethânia, Juan Pablo Sorín, deu o grito de ordem para que houvesse a defesa da honra nacional. Perderam na bola, mas ganharam no pescoção.

Jornalista e micro-empresário do ramo do Hidrovácuo há 39 anos, eu, Wilson Maria McNamara y Lampurdos Cremonese, nunca vi uma arbitragem tão tendenciosa quanto a do eslovaco Lubos Michel. Uma infâmia. Pelo menos três pênaltis não marcados para os platinos, sem falar da faltas desclassificantes feitas pelos alemães. A Copa do Mundo foi maculada. Para nós do Ressaca Moral perdeu a graça. Corre o risco do Brasil ganhar de novo e aumentar de vez a desigualdade na América do Sul.

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Jogador alemão tenta beijar à força o argentino. Não fosse a atuação de Sorín o pior teria acontecido. O click sem homofobia é de Messias Jardan.

29 de junho de 2006

Coisas que torram o saco na Copa

Cornetas, apitos e afins
Qual o sentido em amplificar ruídos em bares ou até mesmo na sala de casa? Os jogadores estão ouvindo e aumentando sua motivação em campo? Aquelas cornetas inconvenientes estão afetando a concentração dos jogadores adversários? Além de contribuir com o aumento da taxa de irritação da população, as pessoas que se utilizam de cornetas como método de torcida ainda incentivam o subemprego e o trabalho semi-escravo no interior da China, local de fabricação dos fálicos objetos.

Os trocadilhos com nomes de jogadores asiáticos e do leste europeu
Toda copa é a mesma coisa: basta que a escalação do japão ou da croácia apareça na tela para os primeiros engraçadinhos (geralmente os caras que estão assoprando cornetas) começarem a fazer piadinhas do tipo “e o Mijaro Nomuro, cadê? Rá!”. Cuidado nos intervalos, pois este mesmo tipo de engraçadinho é o cara que tenta aplicar as piadas e expressões utilizadas em comerciais de TV nas situações do momento: “ei, dá uma cerveja? Dá, dá, dá! Rááá!”.

Jingles promocionais
Cervejarias, lojas de departamento que vendem TVs de plasma que você paga até a copa de 2018, farmácias, redes de bost food e até fábricas de celulose. Nessa época todo mundo acha que nossos ouvidos podem ser feitos de penico e haja “levanta essa taça”, “segura essa emoção” e “traz essa estrela”. Enquanto isso, os autores dessas verdadeiras peças de tortura que são as musiquinhas de copa, caminham pelas ruas mais impunes que os roteiristas de Sob Nova Direção.

Promoções do Faustão
Além de irritante, chato, burro e ter cara de máscara de carnaval, Fausto Silva é escalado pela Globo desde a copa de 90 para tirar alguns trocados do bolso do telespectador em infames promoções que permeiam os intervalos comerciais com enchimento de saco, Cissa Guimarães e Luigi Baricheli, artistas que perdem em expressão apenas para frutas como o Pequi e a Jaca.

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A melhor coisa da Copa são os ensaios de revistas e sites com as gatas de cada país participante. Pouco importa a gordura do Ronaldo, nós queremos é rosetar! Enquanto Messias Jardan se atola de salsicha na Alemanha, aproveitamos para encher o site com fotos de gostosas, pena a Suécia ter sido eliminada tão cedo.

28 de junho de 2006

Es la hora de la onza beber la agua

Argentina.jpg Garota de Berlim (Nina Hagen) - Os maiores entendedores do futebol mundial voltam seus olhares para o estádio de Berlim às 21 horas (horário de Samoa Ocidental) dessa sexta-feira (30/06). Nesse exato momento a seleção fair-play da Argentina encara os pesadões da Alemanha. Como se sabe, os germanos são os donos da casa, dos estádios, das bolas e, tais quais meninos mimados, querem fazer valer dessa vantagem para intimidar os sul-americanos.

NÃO VÃO CONSEGUIR!

Brasileiros como somos vamos todos torcer pelos nosso vizinhos. Desde que o Ressaca Moral acampou a idéia de apoiar nossos irmãos mais elegantes e bons de bola os bons fluídos têm chegado em profusão a Tevez e companhia.

E tem mais, se os portenhos chegarem à final talvez seja contra a gente. Não seria ótimo? Brasil e Argentina na final com o clima amistoso que sempre permeou esses confrontos. É o clássico da fidalguia.

AVANTE ARGENTINA! VIVA EL PIDE D'ORO!

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Sempre à procura de um melhor ângulo o laureado retratista Messias Jardan mostrou mais uma faceta da beleza do futebol portenho.

Oh, Happy Day: Uma tour com Daniel Belleza & Os Corações em Fúria

Por Vladimir Cunha e Rafael Guedes

O que ainda pode ser dito sobre o rock? Em mais de 50 anos ele já nos divertiu, fascinou, chocou e decepcionou de todas as formas possíveis. Difícil é, a essa altura, ainda conseguir enxergar algo de novo na velha fórmula dos três acordes e quatro compassos. Talvez Daniel Belleza & Os Corações em Fúria, que estiveram em Belém no último sábado (24), saibam disso. E ainda assim estejam pouco se lixando. Sem maiores constrangimentos, pilham cinco décadas de cultura pop e dessa forma constróem o seu arsenal sonoro: riffs que remetem a Eddie Cochran, esporros de guitarra saídos direto dos amplificadores do MC5 e dos Sex Pistols e a auto-destruição passional dos Stooges e dos New York Dolls.

Mas Daniel, o Iggy Pop de Caruaru, o faz com emoção e honestidade, como se ali, em cima do palco, estivesse pronto para ser sacrificado vivo. Seu legado para a Humanidade é o ultraje e a fúria, o som desgovernado de suas guitarras distorcidas e cozinha precisa temperado com letras sobre noitadas, desilusões amorosas e causos do submundo boêmio de São Paulo, de onde Os Corações em Fúria extraem a matéria-prima de seu imaginário lírico. Apesar de parecer forçada, a atitude da banda é verdadeira e se traduz na garra com que defendem a sua crença em uma vida melhor através do rock'n'roll.

Em cima do palco, Daniel seus corações furiosos promovem, junto com os fãs, uma grande catarse, se jogando no chão, chamando o público para cantar e dançar e incitando rituais de auto-flagelação. Em um determinado momento, um garoto de pouco mais de 18 anos sobe no palco e agarra por trás Rangel, o baixista da banda e uma espécie de Dee Dee Ramone GLS. Antes que a segurança possa fazer alguma coisa, os dois se engatam em um profundo beijo. A platéia, a essa altura dominada pela figura carismática do vocalista e de seus músicos, reage com gritos e aplausos entusiasmados.

"Velho, onde tava a minha garrafa de vodca?", pergunta Daniel a um dos membros da produção enquanto bebemos depois do show. "Quando me jogaram aquela lata de cerveja na cabeça me deu vontade de quebrar ela e me cortar todo". "E tu acha que eu não sei? Foi por isso que eu a escondi", responde, rindo, o produtor.

O show termina às quatro da manhã, a banda vai dormir às dez e ainda encontra forças para se apresentar ao vivo em um programa de rádio local na companhia da turma da Dançum Se Rasgum Produciones, responsável pelo show. Pouco depois, estamos em cima do palco do Palafita, bar à beira do rio na capital paraense, cantando "Glamourosa", "Melô da Popozuda" e "Faz o T" (hit da faceta ultranervosa do tecnobrega em Belém) sobre o riff de "I Wanna Be Your Dog", tocado pelos Corações em Fúria. É domingo, fim de tarde, chove um bocado e a banda resolve subir ao palco do bar e mandar algumas músicas, transformando o que seria apenas uma canja em um show de quase uma hora.

Trata-se do mesmo repertório da noite anterior no Afrikan Bar, misturando músicas próprias, como "Do Amor de Morte" e "Aonde (sic) Estão As Flores da Sua Cabeça", com versões punk rock para "Frevo Mulher", de Zé Ramalho; "Preta Pretinha", dos Novos Baianos; e "Cowboy Fora da Lei", de Raul Seixas. Em "A Caixa", Sammliz, vocalista do Madame Saatan, repete a dobradinha do show de sábado e canta com Daniel Belleza e Camilo, da banda Turbo, membro honorário do grupo que foi convidado para fazer a segunda guitarra na apresentação do Palafita.

Na platéia, um tiozinho pra lá de Bagdá insiste em pedir pelo clássico gospel "Oh Happy Day". A banda finge que não é com ela e ataca com uma versão meio desatinada para "Blitzkrieg Bop". Ao lado dos amigos, tão ou mais velhos que ele, o sujeito parece subitamente possuído por algum espírito e começa a dançar, só para depois se juntar a nós no coro de "hey ho! let's go!" que abre a música. Animado, Daniel se joga cerveja, rebola, se agita e faz o minúsculo palco balançar, Rangel sente o perigo se aproximado, pula para cima de uma mesa e continua a tocar.

Exausto, o vocalista termina o show com um protesto. "Isso aqui é para quem acha que a gente só funciona com plumas e paetês", diz ele se referindo às críticas de que os Corações em Fúria seriam mais um evento de moda do que uma banda de rock. Longe das câmeras, dos holofotes e tocando para uma platéia de pouco mais de 30 pessoas, a banda fez um show tão bom, ou talvez até melhor, que o da noite anterior. Assim são Daniel Belleza e os músicos d'Os Corações em Fúria. Sujos, abusados, pornográficos e inconseqüentes. Como todo bom rock deve ser.


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Putaria: Daniel Belleza e Sammliz se esgoelam ao microfone. O fotógrafo Renato Reis aproveitou a ausência de Messias Jardan - que está na Alemanha cobrindo a Copa - e fez o clique.

27 de junho de 2006

Dercy Gonçalves será tema de estudos do vocabulário

Asilo dos Artistas - Cerca de 10 mil formadores de opinião - como Sônia Abrão, Luciana Gimenez, a pulga Amélia e o cãozinho Asdrúbal - comemoraram, no último sábado (24), as 99 primaveras, duas guerras mundiais e 312 eclipses lunares raros do ser humano Dercy Porra Caralho Buceta Gonçalves. A festa, realizada na cidade carioca de Santa Maria Madalena (padroeira de idosos com mais de 98 anos), marcou também o lançamento da campanha "Viva Dercy!", que pretende levar a distina senhora de hábitos refinados aos 200 anos.

Para isso, os realizadores da campanha atuarão em duas frentes: a primeira será a contratação de um grupo carioca especializado em se vestir de branco e sair às ruas pedindo paz, enquanto a segunda será uma solicitação formal à Rede Globo para que não retire Dercy da geladeira, evitando assim sua decomposição precoce. Há a possibilidade de que ela tenha sua cabeça conservada em formol e doada a um centro de lingüística e estudos do vocabulário.


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"Aê! Essa porra!!! Minha piica!!!", avaliou Dercy, enquanto descontraidamente fazia um esforço incomum para não deixar o ambiente terreno. Vestida em um longo impecável, posou para o clique arqueológico de Messias Jardan

21 de junho de 2006

Fora de forma, Britney Spears encalha em praia da Califórnia

Hollywood (Disneylândia) - Depois de traçar 32 big macs, 15 donuts de geléia de morango e nove cocas-litro, a cantora e dublê de Moby Dick, Britney Spears, foi nadar para se refrescar e acabou encalhando em uma praia de Malibu. Segundo a sua assessoria, ela estava apenas comemorando a sua indicação para trabalhar na nova versão cinematográfica de O Pequeno Príncipe, onde, por causa de suas formas atuais, fará o papel do asteróide B612. Depois de horas de agonia, Britney foi salva por dois ex-roadies do Môtley Crüe, 74 assessores de imprensa da Nicole Kidman e pelo elenco de apoio de SOS Malibu, que estava no local participando de uma convenção de fãs do seriado. Chocada, Preta Gil, que passou pelo mesmo problema no mês passado em Itapuã e foi socorrida por pesquisadores do projeto Tamar, mandou um telegrama de solidariedade à cantora. "Wow, it's kinda...yeah...I did it again", disse Britney à nossa reportagem enquanto parava em uma lanchonete Subway para comprar cinco sanduíches de almôndega. "É que depois desse acidente resolvi maneirar e entrar numa dieta", explicou a musa.

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"Ai, gente, isso não é gordura é excesso de gostosura", disse Britney enquanto posava ao lado de Tom Cruise para as lentes de Messias Jardan. Nosso homem na Califórnia não riu da piada sem-graça e ainda mandou o ator tomar no cu quando ele veio lhe alugar com esse papo de Cientologia. "Show me the money!", disse ele antes de fazer o adiposo click

16 de junho de 2006

Waldez: Xeque-mate

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15 de junho de 2006

Os jogos que eu não assisti: Brasil 1 x 0 Croácia

Por Cruzmaltino Bandeco

Se tem um esporte no qual eu não vejo a menor graça é o futebol. Nunca entendi bem as regras e, pior ainda, jamais compreendi a empolgação do povo com competições caça-níqueis como a Copa do Mundo. Ainda assim, o Ressaca Moral me enviou como correspondente esportivo para a Alemanha. Perda de tempo. Tão logo meu avião fez escala em Portugal, me refugiei em um hotel no centro da cidade, de onde acompanho à distância o tedioso percurso da Seleção Brasileira. Infelizmente, nem isso me manteve imune aos torcedores brasileiros. Como praga, infestam a terra de Camões. Velhas camisas amarelas, gritaria desnecessária e bebedeira exagerada são a tônica da torcida canarinho.

Não assisti ao jogo Brasil versus Croácia porque o hotel onde me hospedei não tem televisão. E, como já esperava, não perdi absolutamente nada de interessante. Assim que a partida terminou, saí às ruas para conversar com brasileiros que comemoravam entusiasmados uma magra vitória contra o time europeu do qual eu nunca ouvira falar. Pelo que ouvi dos meus interlocutores, foi um jogo chato e tedioso. Exatamente como sempre foi o futebol.

Maria, uma dentista brasileira que reside em Portugal clandestinamente, berrou várias vezes que “já sabia”. Ora, bolas. Se já sabia, por que perdeu tempo assistindo o jogo? Difícil entender. Seria esse um indício de marmelada? Já Miguel, pedreiro vindo da Paraíba, me disse que “se Ronaldo não estivesse tão gordo o Brasil teria feito mais gols”. Se é assim, por que não escalam um time de anoréxicos?

Torcer pelo Brasil em uma Copa do Mundo é muita falta do que fazer. O Brasil nunca teve tradição no futebol, e a maior prova disso é que todos os jogadores brasileiros com alguma qualidade vão embora pra Europa. Lá, sim, têm oportunidade de praticar o esporte com quem entende do assunto. Por aqui pela América do Sul, a salvação parece ser mesmo a Argentina. Até quem não gosta de futebol, como eu, se encanta vendo gente como Maradona ou Caniggia jogar. E olha que eu nunca vi.

Nota: zero.

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Suzi Cremucho e Flavinho começaram a preocupar suas famílias quando se tornaram emo e montaram a banda “Super Miguxos”. Na tentativa de trazê-los de volta à realidade, seus pais lhes mandaram à Alemanha para assistir a Copa do Mundo. Entediados, os dois venderam todos os seus ingressos e torraram a grana em um festival gótico na Bélgica. O clique bi-curious é de Messias Jardan.

13 de junho de 2006

Como outros países comemoram quando ganham um jogo na Copa

Trinidad e Tobago – O filho do chefe da aldeia é pendurado de cabeça para baixo num coqueiro enquanto os guerreiros da tribo lhe acertam pedaços de jaca podre. Depois é trancafiado numa caverna, ficando em jejum por três dias, e só pode voltar para casa se conseguir uma pena de pássaro dodô para enfeitar o totem de N'Mwhala (pronuncia-se "Xsloqkasdj"), o deus da chuva, da boa colheita e dos calçados de qualidade. Caso o time perca, os nativos de Trinidad e Tobago marcham até o palácio do governo, jogam a filha do presidente no vulcão sagrado e decapitam a sua sogra. Em seguida encolhem a cabeça velha e a transformam em um chaveiro, que é dado de presente ao técnico da Seleção para espantar os maus espíritos.

Portugal – Cinco viúvas de Aveiro, todas de bigode e usando preto dos pés à cabeça, mergulham o prefeito da cidade em um tonel de vinho do porto enquanto fazem cócegas em seu pé usando uma sardinha defumada. Oito sósias da Amália Rodrigues cantam sem parar todo o repertório da diva do fado enquanto o Grupo Cênico dos Miúdos de Trás os Montes encena um balé sobre a história das Grandes Navegações e a vida do Infante Henrique de Sagres. A Virgem de Fátima aparece metendo medo em todo mundo com essa história de fim do mundo enquanto um sósia do Roberto Leal vestido de bobo da corte aparece no meio de uma plantação de oliveiras e lê em voz alta para os habitantes do lugar a escalação da Seleção para o próximo jogo. As cinco viúvas o capturam, assam num forno à lenha e o servem com bastante batatas e azeite.

Togo – O feiticeiro da tribo se banha em gordura de elefante e rola em vidro moído enquanto N'Wwahla, o mesmo deus de Trinidad e Tobago, lhe induz a ter visões do gol da Seleção em câmera lenta.
Aproveitando a euforia, todos os guerreiros da tribo entram em guerra com o país vizinho, tomam o poder e aderem ao comunismo só para depois virarem democratas e em seguida virarem comunistas de novo.

Alemanha – 512 técnicos da Volksvagen batem palmas discretamente e cumprimentam uns aos outros pela vitória do time. 781 secretárias da Mercedes Bens soltam um risinho, ficam ligeiramente coradas e vão à padaria da esquina comer salsichão. Eufórico, Franz Beckenbauer tropeça na própria bengala, cai e quebra a bacia. Por causa de sua osteoporose os médicos dizem que ele tem que tomar bastante leite para se recuperar. Em solidariedade, os seus vizinhos ficam sem-graça de comemorar a vitória e se limitam a gritar "oba..." bem baixinho cada vez que o time alemão faz um gol.

China – O presidente manda explodir Taiwan só para comemorar o gol da vitória enquanto três milhões de monges Shaolin promovem o maior quebra-quebra na Praça da Paz Celestial enquanto entoam os versos "Sete bilhões em ação/Pra frente Pequim/Salve a Seleção". E nas ruas da cidade, a direção do Partido Comunista serve vesícula de panda assada com molho de placenta de javali para a população. Jackie Chan aparece em Hong Kong e estoura uma bomba mil na mão para promover o seu último filme. Em Xangai, como parte dos festejos da Copa, onze milhões de presos políticos são executados sem que a família tenha que pagar ao Governo as balas usadas em seu fuzilamento.

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"Vem, gajo, vem tomar uma pica no cu", disse o enfermeiro e drag-queen Manuel dos Prazeres ao nosso fotógrafo Messias Jardan assim que este chegou à Ilha da Madeira para cobrir a Copa junto com Wilson Cremonese. Com medo, nosso homem das lentes saiu correndo, não sem antes fazer o rinoplástico click. Mal sabia ele que Manuel só queria lhe aplicar uma vacina contra a gripe do frango.

Ressaca Moral e Dançum Se Rasgum inauguram o Cinebizarro

A Organizações Ressaca Moral (ORM) e a Dançum Se Rasgum
Produciones
orgulhosamente apresentam "Cinebizarro – Agora Me Deu Medo!". Toda quarta-feira no Café Com Arte, em Belém do Pará, um filme novo para você direto da nossa cripta das podreiras cinematográficas.

Especialmente selecionadas pela nossa comissão de cinéfilos do mundo bizarro, as obras trazem o melhor do underground dos anos 70, 80 e 90. Pérolas do mau-gosto e do nonsense injustamente esquecidas nos dias de
hoje. Na programação, o melhor da produção dos piradíssimos Russ Meyer (de Faster Pussycat Kill Kill) e Takeshi Miike (de Audition, Fudoh e Ichi The Killer) e os pornôs delirantes de Jess Franco, diretor do clássico Vampyros Lesbos e um dos inventores do cinema erótico de terror.

Mas o melhor de tudo é que no Cinebizarro o cliente sempre se dá bem. Além de não cobrar entrada somos o único cinema de Belém onde não é proibido fumar e beber. A idéia aqui é diversão, com muito álcool, tabaco e os filmes mais absurdos, trash e debilóides da história da Sétima Arte.

Programação de junho:

14/06 - Bubba Ho Tep (2002 – Direção: Don Coscarelli) - Elvis não morreu e vive em um asilo no interior dos Estados Unidos. Ao lado do presidente John Kennedy, que sobreviveu ao atentado contra a sua vida
em Dallas e foi transformado em negro pela CIA, ele combate uma múmia alienígena que se suga pelo ânus a alma dos velhinhos do local. Clássico debilóide com o astro Bruce Campbell, de A Morte do Demônio e Uma Noite Alucinante. Em inglês com legendas em espanhol.

Abertura:
Primeiro episódio de Spectreman com a dublagem original do SBT.

21/06 - Ichi The Killer (2001 – Direção: Takeshi Miike) - Assassino retardado mata o amante de um chefe da Yakuza de tendências sado-masoquistas. Em sua busca por vingança, o gângster chacina meio
submundo de Tóquio. Tiros, torturas e atrocidades em geral no filme mais violento, cínico e nonsense do diretor Takeshi Miike. Som original em japonês com legendas em inglês.

Abertura:
Curtas premiados no festival de terror Zombie Fest.

28/06 - Vampyros Lesbos (1971 – Direção: Jess Franco) - Pornochanchada
clássica dos anos 70 com toques de horror e psicodelia. Durante visita à Turquia advogada entediada e insatisfeita sexualmente torna-se amante de uma vampira homossexual. O diretor, Jess Franco, é um picareta, o roteiro não tem pé nem cabeça e as duas vampiras chegam ao cúmulo de ir à praia tomar banho de sol (!). No entanto, Franco teve a manha de chamar as gostosas Soledad Miranda e Ewa Strömberg para os papeis principais e filmar muito bem as cenas de putaria, embalando-as com imagens psicodélicas e trilha sonora maconheira. Imperdível.

Abertura:
Curtas e vídeos raros do grupo Pink Floyd gravados nos anos 60 e 70.

Serviço:
O Cinebizarro acontece toda quarta-feira a partir das 20:30 no Café Com Arte, Ruy Barbosa entre Avenida Nazaré e Brás de Aguiar. A entrada custa zero dinheiros.

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Nos anos 60, Soledad Miranda matava a cobra e mostrava o pau. Genivaldo Jardan, tio do renomado Messias Jardan, era considerado o maior beatnik da Europa na época em que fez o calipígio click

11 de junho de 2006

Argentina vence e comprova o favoritismo

arg1.jpg Hamburgo (Deutschland) - Não tem pra ninguém. Mostrando um futebol digno de Maradona e Di Estefano, a seleção platina provou porque é a favorita absoluta ao título da Copa do Mundo ao vencer por 2 a 1 ontem (10/06) a quase imbatível seleção da Costa do Marfim. Foi um show de bola, classe e espírito esportivo mostrado pelos platinos no estádio Volksparkstadion. Futebol arte é isso aí, mermão! Os atacantes Crespo e Saviola marcaram os gols do time mais simpático da competição. Dider Drogba, um bobão, tentou estragar a festa ao fazer o gol dos Elefantes, mas não teve jeito.

A atuação do sábado provou por A mais B que a Argentina chegou para ficar. O fair-play dominou as ações dos sul-americanos, que sofreram constantes tentativas de golpes baixos por parte do escrete africano, o que não se faz. Pelo mesmo grupo C a Holanda venceu por 1 a 0 a Sérvia e Montenegro, mas, como se sabe, esse pessoal dos Países Baixos não é de nada. Não vão longe. Na próxima rodada nuestros hermanos enfrentam justamente a seleção do país natal do Oswaldo Montenegro. Prenúncio de um jogo chato, porém com amplo favoritismo para os portenhos.

Wilson Cremonese e Cruzmaltino Bandeco estão na Europa para a cobertura da Copa do Mundo. WC foi para a Alemanha. Bandeco ficou em Portugal. Parece que ele se perdeu e foi parar na Ilha da Madeira.

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"Messias, ó pá, não vais fotografar o golo?", perguntou um retratista português ao mundialmente famoso Messias Jardan. "Tu é fresco?", respondeu o Ressaca enquanto fazia o click.

10 de junho de 2006

Reportagens de Copa do Mundo que você vai ter que aturar na TV

- “Como anda a criatividade do brasileiro para a Copa?” Há algo de impressionante e que eu ainda não consegui identificar nessas pessoas que aparecem duranteas copas fazendo coisas tão sensacionais quanto limpar o ouvido. É a velha história do aposentado que desenhou o Robinho com alpiste para o canário comer, ou do homem que cria uma ratazana chamada Zagallo.

- “O clima é de preocupação aqui em Schließensieülche: Ronaldo cagou água a noite inteira.” A Bovespa cai, os juros sobem, o Congresso pára e o Ivan Lins ganha o Grammy se (Ronald/Cic/Rob/Jun/Zagall)inho é acometido por uma dor de dente. Enquanto o jogador faz cara de bundas, o repórter especula acerca do fato mais preocupante para a nação desde o surgimento da cantora Simone. Teria ele se descuidado daquela fimose antiga? Será que o escrete brasileiro conseguirá deter a perigosa Togo sem a magia de (Ronald/Cic/Rob/Jun/Zagall)inho na cobrança do lateral?

- “E nesse bar aqui em São Paulo...” Matérias sobre bares brasileiros onde torcedores gringos se reúnem para assistir às suas seleções. Toda serelepe, a repórter vai a uma badalada boate togolesa em Mossoró (RN) ver como está o clima da torcida, comenta que lá a expectativa é só de vitória e pede palpites para uma velha que só sabe rir.

- “Descontraído, Roberto Carlos passa a mão na bunda de Parreira e o chama de ‘minha moça’.” Perto deles, vivemos em depressão. Nas reportagens da tevê, os craques brasileiros são verdadeiros moleques, seres engraçadíssimos que se dedam durante os treinos e escondem as chuteiras uns dos outros no lixo, no típico clima de descontração do brasileiro. Não dá para ficar indiferente com todo esse bom-humor, não é, gente?

- “Na busca pela sua primeira estrela, o Pequeno Príncipe Robinho viajou pelos céus, foi aos ‘Santos’ e pediu conselhos ao rei Pelé.” Régis Rösing consegue transformar qualquer jogada em um pacote de manteiga goiana sob o sol, com reportagens tão emocionantes quanto um bolo de milho e uma incrível capacidade de prever gols do Romário. Apesar de ser proibido em 87 países, Régis Rösing deverá apavorar muita gente com trocadilhos infames durante toda a Copa.

- “Perdi a lucidez tem treze letras.” Vítima de uma doença mental rara que só acomete a si próprio, Mário Jorge Lobo Zagallo tem sua face supersticiosa explorada ao máximo durante a Copa do Mundo. Impressiona que nenhuma entidade de proteção ou combate a Zagallos tenha se manifestado para coibir este senhor que há pelo menos três décadas trapaceia a nação. Prepare-se para pérolas de toda ordem, sobretudo se o Brasil chegar às finais.

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Nos modernos campos da Alemanha, Zagallo orienta a Seleção Canarinho. "Chuta! Vai! Vai! Chuta!", ensina sabiamente o mestre, enquanto coça uma ferida que cultiva na barriga para impressionar seus netinhos. O clique é de Messias Jardan, que não engoliu a picaretagem.

9 de junho de 2006

Ressaca Moral é Argentina na Copa

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Schließensieelche (Deutschland) - Depois de uma acalorada discussão e um choro no final, a reunião ordinária do Ressaca Moral decidiu que nessa Copa do Mundo seremos torcedores da Argentina. Ora bolas, o Brasil tá cercado de favoritismo e o Galvão Bueno enche o saco com o ufanismo tosco deles todos dias. Além do mais, esse papo de bolha nos pés do Ronaldo Barriga ou de que o Kaká é peroba é a maior frescura. Parece que é o elenco de bambis do São Paulo que tá na Alemanha. Por esses e outros motivos vamos dar nosso total e irrestrito apoio aos irmãos do Rio da Prata. AVANTE HERMANOS, ABAJO LOS MACAQUITOS!

Queremos que o escrete comandado por José Pekerman e capitaneado por Crespo, Mascherano, Collocini, Ayala e os outros craques levantem pela terceira vez a Taça Fifa. Imaginem só a festa que seria para esse povo humilde e amigo que é o argentino? Las Madres da Plaza de Mayo pirariam os cabeções e encheriam a cara com a maravilhosa Quilmes ao som de um Tecnotango no talo.

Olhe que nem mencionamos que no time platino atua o melhor jogador em atividade do Brasil, Carlitos "El Bonitón" Tevez, camisa dez do Curinthia. Nem titular ele é pra mostrar como essa seleção é boa. Já nós somos obrigados a agüentar os vários "inhos" que pululam em nossa nação. Dá-lhe Robinho, Juninho, Cicinho, Ronaldinho.... ora vão à merda! Sejam homens! Na Argentina joga Cambiasso, que em castelhano arcaico que dizer Câmbio de Aço. Vejam bem, nem vamos citar a bunda ralada do Ronaldinho Gaúcho.

Mesmo não tendo um grupo muito mais forte que o da seleção canarinho confiamos plenamente no sucesso dos platinos, equipe sem frescura e que detesta catimba. Em entrevista exclusiva ao nosso enviado a Alemanha, Cruzmaltino Bandeco, o técnico argentino confirmou o time que entra em campo amanhã em Hamburgo para massacrar os pernas-de-pau da Costa do Marfim. "los once para enfrentar a Costa de Marfil mañana en Hamburgo serán Abbondanzieri; Burdisso, Heinze, Ayala, Sorin; Mascherano, Cambiasso; Riquelme, Maxi Rodríguez; Saviola y Crespo", disse Pekerman.

Torcer para a Argentina é escolher pelo equilíbrio no futebol mundial, especialmente o sulamericano. Brasil com seis títulos e os portenhos só com dois será injustiça. Já nos diferenciamos dos nossos vizinhos por falar essa língua escrota que é o português, o que gera comentários de que somos metidos, se formos seis vezes campeões do mundo então, vai acabar em guerra civil.

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"El Bonitón" Tevez promete ser o grande destaque do Mundial. El click chismoso é de Messias Jardan. O retratista mais os laureados Cruzmatino Bandeco e Wilson Cremonese estão na Alemaha para melhor informar nossos leitores.

8 de junho de 2006

Como ser um picareta, fazer amigos e influenciar pessoas - Parte 1

Seja multimídia – Multimídia é aquele sujeito que é capaz de fazer mal-feito várias coisas ao mesmo tempo. Se alguém diz que as suas fotografias não prestam, ele se sai dizendo que o negócio dele é poesia. Se as poesias dele não valem o que o gato enterra, ele fala que é só um hobby e que, na verdade, ele agora está fazendo vídeo, mesmo que ele não saiba a diferença entre uma câmera beta analógica e uma PD-170. Assim, esse tipo de picareta consegue ocupar várias páginas de jornal ao mesmo tempo, da coluna social aos cadernos de cultura, sem fazer nada que preste. Ser multimídia pega bem e garante convites para todo o tipo de evento social, inclusive vernissages e inaugurações de botecos chiques e lojas de modulados onde são servidas coxinha de galinha fria e vinho quente. O multimídia é, antes de tudo, um inovador. Hoje ele pode estar fazendo uma instalação. Amanhã, cuidando do cerimonial de posse do presidente da Associação dos Aeromodelistas de São João de Pirabas. Para os representantes desta raça, o céu é o limite.

Invista no marketing pessoal – O marketing pessoal é a forma socialmente aceitável da picaretagem. Ele significa que você pode fazer de tudo, desde que apareça ao lado das pessoas certas. E mais: desde que, também, você tenha a explicação correta para os seus trambiques. Por exemplo: você, artista plástico, que usou aquela bolsa de estudos esperta em um projeto que consiste em soltar pipa na margem esquerda do Rio Tietê, ao mandar o seu release para imprensa diga que o ato foi parte de “um protesto midiático contra a redefinição dos valores éticos dentro dos paradigmas da pós-modernidade, a adaptação da vontade do ser em se conformar diante do mal-estar globalizado da massificação cultural da indústria do entretenimento, passando por Roland Barthes, Jean Baudrillard e Michel Focault”. Claro que, no final das contas, você levou a maior grana para passar a manhã soltando pipa. Mas e daí?

Minta bastante – Ninguém precisa saber que você não entende nada de cinema, fotografia ou artes plásticas, os três ramos mais quentes da picaretagem em nossa cidade. Se durante algum encontro social alguém falar perto de você da influência de “The Virgin Spring”, de Igmar Bergman, no filme “Last House On The Left”, do mestre do horror Wes Craven, dê um riso meio blasé dizendo que, durante uma viagem à Europa, você viu o próprio Bergman falar isso em uma palestra na Universidade de Oslo. Pouco importa que o mais longe que você tenha ido seja Imperatriz do Maranhão para passar o carnaval de 82, ninguém vai se dar ao trabalho de interromper o papo e pedir para ver o carimbo no seu passaporte. Ainda mais depois de ter tomado umas e outras. E assim você pode ir picaretando sobre tudo. Com um pouco de segurança na voz e meia-dúzia de informações é possível ser o que quiser: especialista em vitrais estilo gótico flamejante, testemunha ocular da guerra da Bósnia, amigo pessoal do técnico de som da Madonna, explorador do Projeto Rondon ou inventor da fusão a frio. O importante é ser criativo. E ter excesso de confiança e falta de vergonha na cara.

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Michael Jackson é um dos maiores picaretas da história da humanidade. Tão picareta que, durante muito tempo, fez todo mundo acreditar que ele era negro. "You know I'm bad!", ameaçou Messias Jardan assim que notou que Jackson estava se engraçando com o seu filho, Policarpo Jardan. Tudo isso, claro, enquanto fazia o plenipotenciário click

6 de junho de 2006

Mundo ainda não acabou, dizem especialistas

São Paulo (172 quilômetros de lentidão, novo recorde para o horário) - Apesar das bolhas no pé de Ronaldo e da transferência da endiabrada Suzane von Richthofen para um prédio ao lado da casa deste colaborador que vos escreve em São Paulo, o mundo não acabou. Pelo menos é o que está constatando até o momento uma pesquisa inglesa que será encerrada às 23:59 de hoje, 06/06/2006, o dia da besta.

A pesquisa monitora possíveis sinais do encerramento do planeta por todo o globo. Na concentração da seleção brasileira na Alemanha a segurança foi reforçada, pois no dia da besta teme-se um ataque do zagueiro-bel-zebu-não-convocado Roque Júnior. Boatos dão conta que o ex-xerife da pequena área nacional estaria formando uma perigosa banda de reggae-universitário com o perverso nome de “um, dois, três, lagarti Jah!”.

Outro ponto de monitoramento do fim da existência, os times do Rio de Janeiro, não preocupam os especialistas devido à paralisação do campeonato brasileiro para a copa. Como é de amplo conhecimento, times cariocas ameaçando ganhar algum campeonato importante ou na ponta da tabela são anomalias bestiais que podem indicar aproximação do juízo final. “O Botafogo está na zona de rebaixamento, Flamengo e Vasco não ameaçam ninguém, nossa preocupação maior é o Fluminense, mas creio em uma queda para logo”, opina Bel Marques, vocalista da banda Chiclete com Banana e representante brasileiro na Comissão Internacional de Estudos Sobre o Fim do Mundo (COMINTERFUNDO). O baiano tem experiência no assunto, pois ele mesmo já tentou acabar com o mundo na época do boom do axé, no início dos anos 90. “Mas hoje estou redimido, desisti do mundo, me contento em acabar só com ouvidos”.

Ressaca Moral acompanha de perto o dia 06/06/2006 e só terminará seu plantão após dar a notícia do fim. São 128 mil jornalistas espalhados por toda Mossoró (RN) e correspondentes no Togo, Trinidad Tobago, Turquia e em todos os países que começam com a vogal T de Tamanduá, animal que possui 8 letras em seu nome e que, se somadas ao número 658, chegaremos ao apavorante resultado de 666.

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Messias Jardan, assim como o autor deste post, não se intimidou com a provocação de Wilson Cremonese e resolveu postar no dia da Besta. A insofismável imagem retrata o exato momento em que Suzane Von Histroichkovivh chegava ao prédio que fica ao lado da residência de Doda Vilhena, único ressaquista moral residente na zona sul de São Paulo (RN) e que não come ninguém há mais de um mês.

Vaso ruim não quebra

Ressaquinha (MG) - Desde que era moleque convivo com essa história de fim do mundo. Todo final de ano minha mãe nos vestia com a melhor roupa, levava a gente pra cortar o cabelo, pra se confessar, fazia uma muda com toda nossa bagagem e costurava uma etiqueta com o nome e os dizeres “Católico e batizado”. “Minino, se o mundo acabá seja educado com os hômi lá de cima viu!?”. Margarido, um dos meus primos que moravam com a gente e que era um piadista retrucava “E se a gente num for lá pra riba e sim pra baixo”. Mamãe se limitava a dar um pescoção. Como sempre ria eu levava um também. E haja reza.

E lá íamos nós pro meio da praça. Já era tradicional na madrugada de 31 de dezembro todos os Cremoneses esperando os céus desabarem e um naipe de metais compostos por anjos aparecer. Não precisa dizer que mais de meio século depois eu estou aqui. Mamãe não. Mas a grande alegria dela foi em seu último ano de vida. Reveillon de 1999 pra 2000. O bug do milênio era o papo do dia e para a velha Ismênia era o momento perfeito para encontrar o criador. Comprou um computador só para ter certeza que seria afetada. Como era o único na cidade na época eu a acompanhei para o meio da praça para esperar o hecatombe. Ela ficou puta da vida quando o dia raiou e nada aconteceu. “Wilsinho, essa porra acaba ou não?!”.

As lembranças da minha mãe vêm à tona nesse dia tão especial. Seis do mês seis do ano seis. É fato que a combinação 666 forma o número da Besta e tem um monte de maluco esperando o mundo ir pro beleléu logo mais. Até os outros Ressacas ficaram com medo de escrever algo hoje. Bando de frouxos.

Ano passado, em entrevista exclusiva com Michel de Notre-Dame, o Nostradamus, fiquei sabendo de algumas coisas sobre o fim do mundo. Nada de interessante. Também em 2005 o mais covarde dos Ressacas escreveu um texto sobre o fim dos dias, mas a data em questão não tinha nada com o charmoso 666.

Não acredito que o mundo acabe logo mais. Pelo sim pelo não minha bagagem já esta pronta e deixei um fiado no bar da esquina. Vou embora escutando AC/DC.

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Minha mãe me obrigava a ler a Bíblia, especialmente o Apocalipse. “E das entranhas da terra seres horrendos com barbas enormes e desgrenhadas surgirão entoando canções demoníacas e desconexas. Eles arrastarão os fracos de coração e os descontentes com a vida. Serão eles os primeiros a perecer”. O click final é de Messias Jardan, já devidamente credenciado pra quando o mundo acabar.

5 de junho de 2006

Exclusivo: Geraldo Alckmin será Zeca Diabo na nova versão de O Bem Amado

Projac (Terra do Nunca) - Depois de perder Ibope para a Record, que vem ganhando terreno com a novela gastronômica Manda Caruru, a Rede Globo de Televisão (Reglotel) resolveu contra-atacar com um remake da novela O Bem Amado. Mega-produção de 25 bilhões de dólares, só para mostrar que a emissora está podendo a novela vai contar com uma recriação em tamanho real dos jardins suspensos da Babilônia, do Big Bang e da formação das placas tectônicas que deram origem à Cordilheira dos Andes. Para o remake, a Globo criou ainda o núcleo Prefeito Andiraldo Percata, uma homenagem ao sertanista que em 1912 fundou o Projac sozinho usando apenas um paneiro cheio de barro, um maço de capim e um astrolábio com defeito. O núcleo é o maior da América Latina e abriga em seu interior uma fábrica de cenários, um crematório, um gerador termonuclear, uma sauna mista, um fusca 68, uma nêga chamada Tereza e um violão. Ao todo, irão trabalhar lá 780 assistentes de direção e 417 pessoas que andam com uma prancheta debaixo do braço e um rolo de fita crepe pendurado no cinto. Além disso, foram escalados 1.500 produtores de colete cáqui, que durante as gravações irão correr apressados de um lado para o outro enquanto gritam com alguém através de um radinho. Em um evento que contou com todos os ex-Big Brothers, um sósia do Ted Boy Marino e dois paquitos da Xuxa, a Rede Globo apresentou à imprensa o elenco da novela, que trará Ângela Rô Rô no papel de Odorico Paraguassú e o ex-governador Geraldo Alckmin no papel do cangaceiro Zeca Diabo. "A realização pelo Prefeito de despesas com doações a pessoas físicas, sem lei específica que autorize referido ato, em tese, constitui crime de responsabilidade, por infração ao art. 26 da Lei de Responsabilidade Fiscal, que se encontra inserido em seu Capítulo VI, versando sobre a destinação de recursos públicos para o setor privado", disse Alckmin durante a coletiva antes de fazer o nosso repórter pegar no sono.

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Depois de estudar artes dramáticas no Actor's Studio e no Internato Madre Zefinha, de Mossoró, Geraldo Alckmin se diz confiante para viver Zeca Diabo na TV. Messias Jardan, que acha que só burro não toma Castanhodo, flagrou o ex-governador durantes as gravações do primeiro capítulo da novela.

Os Los Hermanos são uns caras muito engraçados! - Parte 1

Gente, os Los Hermanos são legais e super-pra cima. Na Muscle's, a academia mais chique de Mossoró, a última moda é turbinar as aulas de lambaeróbica com as músicas de Quatro, o último disco da banda. É uma animação só. Desde "Nowhere Fast", da trilha do filme Ruas de Fogo, não se via tanta gente bonita e sarada se remexendo enquanto queima os pneuzinhos. E para provar que os Hermanos são os caras mais engraçados do mundo, nos selecionamos algumas histórias super-divertidas, retiradas das turnês e do dia-a-dia dos quatro barbudos da Praça Saenz Peña. Se você tiver um ataque do coração de tanto rir, não é nossa culpa, hein?

Amarante e Camelo resolveram ir do Rio até a casa do vocalista do Weezer a nado.
No 1o terço do caminho:
- Estás cansado, Amarante?
- Não, Camelo!
- Então vamos continuar!
E continuaram até chegar no meio do caminho!
- Estás cansado, Amarante?
- Um pouquito, Camelo!
- Pois vamos continuar!
E no finalzinho, já perto da casa de Rivers Cuomo:
- E aí! Estás cansado, Amarante?
- Demais, Camelo!
- Então vamos voltar!

O Camelo chegou na farmácia e estranhou quando viu o Amarante com um supositório atrás da orelha:
- Oh Amarante, o que fazes com esse supositório atrás da orelha?
- Supositório?! que supositório?
- Esse que está atrás de tua orelha.
- Ai Jesus, onde será que eu coloquei a caneta?

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Bonito que só, Amarante é flagrado ao sair do Jassa depois de aplicar queratina na barba. Após fazer o espasmódico click, Messias Jardan foi retirado do local pelos seguranças do músico. "Deixa eu brincar de ser feliz!", disse o nosso homem do nitrato de prata antes de cair de cara na calçada,

3 de junho de 2006

A Panóplia Delirante

Garotos, garotos.

Não posso negar que o futebol é uma de minhas paixões e o Liberato de Castro é o maior time que já defendi. A bem da verdade foi o único. Em 1965 eu dividia meu tempo entre uma comunidade hippie-carateca e o juvenil do Bólido do Guamá. Nunca fui muito à frente no esporte bretão. Abandonei uma promissora carreira como beque-central porque o departamento médico do clube não possuía a técnica necessária para curar uma frieira crônica que tinha no pé esquerdo. De fato, não havia DM no clube, apenas o massagista Mariano Bloonfield III, o Bandalheira. No tempo em que passava em tratamento ele me contava as histórias do clube, em especial o do time de 1927, terceiro colocado no grupo H da segunda divisão do campeonato paraense. Foi o escrete que mais deu alegrias à imensa torcida do clube. Muito do sucesso daquela equipe se deve à voluntariedade dos jogadores e, principalmente, dos esquemas revolucionários do técnico Izidoro Singular, uma lenda.

Eu me perdia naquelas causos de feitos heróicos. O modesto campo do Tambaqui Azedo, o "Remosão", era o palco os jogos do Liberato e das artimanhas táticas de Singular. Sabedor que seus comandados eram mais fortes na garra e determinação do que na habilidade e na técnica, o treinador armava o time para marcar com força e contra-atacar com velocidade. "Abre pelas pontas e fecha que nem leque", gritava o comandante à beira do gramado.

Na referida campanha de 27 o Liberato teve pela frente o Berabinha, o Santo Ambrósio e o Belém Wanderers. O primeiro jogo terminou 4 a 4 para o Berabinha. O centroavante Charles Uniforme, conhecido como o Galante por sempre usar brilhantina Glostora no cabelo, fez um dos gols ao aproveitar uma falha gritante do goleiro adversário. O outro tento do Liberato foi contra.

A segunda contenda foi com o Santo Ambrósio. Jogo, sob forte chuva e com uma marcação acirrada de ambos os lados. Aos 40 minutos do segundo tempo, aproveitando mais uma falha do arqueiro, Uniforme completou para o gol vazio. Foi um lance histórico porque foi a primeira vez que o Liberato fazia mais de dois gols numa só temporada. Uniforme já era cobrado pela torcida para figurar na seleção paraense e seu nome era visto pintados nas paredes: "Uniforme é Rei". No entanto, nos cinco minutos restantes o time oponente marcou três gols e fechou o placar.

O Liberato foi para a última partida precisando da goleada sobre os Ingleses para terminar para, através de uma combinação de resultados, se classificar para a fase seguinte. Os Wanderers eram os favoritos. Lógico. Clube de endinheirados, era o único que tinha um uniforme oficial, um luxo para a época, e podia alugar um bonde para levar os jogadores para os jogos.

Foi um embate magnífico e o final trouxe o melhor resultado da história do Liberato: 1 a 1. O placar estava a favor dos Wanderers até o último minuto, quando o center-four Lúcio Jennifer tabelou com o forward Sanfoneiro que cruzou na área. O goleiro dos Ingleses socou a bola e ela foi na nuca de Charles Uniforme. A pelota entrou mansinho do gol. Quando o juiz apitou o final a torcida mal podia acreditar. Não foi o suficiente pára classificar a equipe, mesmo assim ficou na memória.

Uniforme foi carregado em êxtase e ganhou um desconto vitalício na taberna local. Promoção que foi toda utilizada em gel de cabelo e conhaque Dois Irmãos. Izidoro Singular aproveitou a fama para se eleger vereador no ano seguinte. Um ano depois ele foi afastado por causa de denúncias da cabotinismo.

Nunca Mais o Liberato de Castro conseguiu feito igual e até hoje esse time, chamado na época de a Panóplia Delirante por causa de seu brasão psicodélico, é cantado em verso e prosa na periferia da cidade.

Abraços

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Em pé: Lúcio Jennifer, Brilhantina, Maravalho Boina, Ismael Florêncio, Cabelinho e Ceará. Sentados: Izidoro Singular (técnico), Teixeirinha, Sanfoneiro, Zé Donaldo, Alegria, Charles Uniforme e Bandalheira (massagista, médico, roupeiro e capelão). Constantino Jardan, pai do renomado Messias Jardan, usou de toda sua perícia de Lambe-Lambe para fazer o futebolístico click.

2 de junho de 2006

Soltando as hienas

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Biratan04.jpg Biratan Porto é um dos maiores e mais engraçados cartunistas já surgidos em Belém do Pará. Ná ativa desde a década de 70, já lançou sete livros: Pacto no tucupi (1981), Suingue, Suor & Lábias (88), Biratan, verde de raiva (91), Soltando as hienas (93), Sexo, sexy, seculorum (99), Cade o verde que estava aqui? e O verde no Vermelho (2004). É reconhecido internacionalmente pelo trabalho que faz voltado para a ecologia. Particularmente a gente aqui no Ressaca Moral gosta mais dos cartuns de sacanagem. As tiras do Pavilhão 7 também são impagáveis. Parte de seu trabalho pode ser conferida no site dele, para dar uma espiada basta clicar aqui. Em tempo, a caricatura ao lado é obra de outro fera, Amorim.

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1 de junho de 2006

Roteiros engavetados

Em mais um intrépido trabalho de jornalismo investigativo, Ressaca Moral abre a caixa de descarga da sétima arte nacional e descobre roteiros engavetados que, por um motivo ou por outro, não foram produzidos. Confira.

Indicador que te quero
Júnior (da Sandy) interpreta Júnior (da Sandy), um cantor pop que faz dupla com sua irmã Sandy (Eva Todor em excelente forma). O drama mostra a luta de Júnior pelo reconhecimento de sua masculinidade e o desespero de seus pais tentando imputar-lhe a imagem de músico competente e macho viril. É quando entra na história Karina Bacchi (Emílio Santiago), uma modelo aproveitadora que tenta conquistar Júnior, mas que na verdade pretende lhe aplicar um fio terra, gravar a cena e vender para tablóides sensacionalistas.

Eu, Amaral
Biografia cinematográfica do feioso volante que jogou no Palmeiras, Corinthians e acredite, até mesmo na seleção. O papel principal seria de Seu Jorge, que desistiu da interpretação quando soube que não poderia encaixar suas versões em português-bossa novístico-com drum’n’bass para músicas dos Pet Shop Boys. O filme, um provável sucesso, foi engavetado após o traumático seqüestro da cadelinha Schnauzer de Amaral por um sabugo de milho. Abalado, o jogador se tornou uma celebridade reclusa e mudou-se para Mossoró (RN), onde hoje mantém uma ONG de auxílio a espantalhos que queiram ingressar no marketing de internet (ESPAN).

Sérvia e Montenegro
Comédia romântica baseada em fatos reais que mostra o amor proibido entre Petkovic, jogador de futebol servo-croata e Oswaldo Montenegro, um cantor irrelevante que amava, como amava, um pescador. Após divertidas situações de encontros e desencontros entre os dois, o roteiro dá uma virada e surpreende a todos, pois Montenegro faz um plebiscito em seu prédio e resolve deixar Pet por uma atriz petista. Quando todos pensam que o jogador terminará na rua da amargura, um senhor de meia-idade surge na vida do atacante. Seu nome é Carlos Augusto Montenegro, diretor de um famoso instituto de pesquisa e que descobre que seu ibope sobe toda vez que vê Pet atuar na linha de fundo.

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Amaral reclama da discriminação que sofreu em seus tempos de boleiro, “nunca me trataram como um jogador de verdade, diziam que eu estava no time somente por ser mais um rostinho bonito”. Messias Jardan, que adora repolho com farinha láctea no café e possui um labrador caramelo de nome Prêt à Porter, fez o periódico clique entre uma dose de estrôncio e um gás nobre.

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