O bar da vala vai até de manhã
1) Despedida de um bom amigo. Dentro do bar pelo menos mais uns 20 esperando o cara. Tudo bem planejado. O figura ia embora (e foi, maldito!) e a surpresa estava armada. Infelizmente um mané resolveu sair um instantinho para guardar uns gibis no carro. Ele dá de cara com o amigo. "Porra, sabia que era uma surpresa, o Tylon estragou tudo", disse o tal, rindo e dando um abraço. O mané era eu. Nada que estragasse a noite. Ela continuou naturalmente, se estendeu para, na época, as tradicionais saideras no posto de gasolina sob a benção da foto em tamanho natural de Vivi Fernandes. De lá todos para o supermercado tomar café de manhã. Mais despedidas e até breve.
2) Eu e um dos três melhores amigos que tenho. Fomos a um bar perto de casa, um dos piores lugares em que poderia me imaginar. Recanto de pagodeiros, o que é auto explicativo. Meio de semana. Acho que uma quarta-feira. Fomos assistir ao show da banda de outro melhor amigo. Bbanda de rock, que fique claro. Iluminação da pior qualidade, som idem, cerveja nem tão gelada e um porra dum hippie chato pedindo cigarro e bebida a todo instante. Um mico sem tamanho. Depois saimos os três para tomar outras em outro lugar.
3) Amigos num final de semana em Algodoal, vila de pescadores descoberta nos anos 60, antigo refúgio dos bichos-grilos. Hoje já com uma estrutura bem legal. Dois anos atrás, no meio da farra que era para durar cerca de quatro dias. a maioria dos amigos vai embora, quase toda ela formada por familiares. Ficamos apenas eu e uma prima. Um olhou pro outro. "Queres ir embora?". "Eu não". "Ótimo". Foram mais dois dias bem legais. Enchemos a cara, rimos, fomos para festas. Ela se deu bem. Eu, pra variar, fiquei nas várias tentativas. Mas valeu a pena. Pior pra quem foi embora.
4) Maldita insegurança. Em Belém foi instituído um limite para o funcionamento dos bares. De segunda a quinta-feira eles só podem ficar abertos até meia-noite. Para quem estava acotumado a começar os "trabalhos" nesse horário a sensação é de desalento. Na boa vontade alguns bares iam até duas horas. Não dava nem pra esquentar.
Foi aí que uma portinha, portinha mesmo, foi aberta a dois quarteirões do local onde trabalho. Ainda não tem nome, conforto ou luxo. Mas, tem uma cerveja sempre gelada e um tratamento vip que só uma simpatia estritamente natural poderia proporcionar. Duas mesinhas, uma roda de amigos, várias garrafas, a músicas que a gente quer e papo que vai embora. O bar do Jaime ainda não foi batizado. Para gente será sempre o Bar da Vala. E, ao contrário dos demais, vai até de manhã.
5) Eu e um dos melhores amigos, aquele mesmo do show de rock no bar de pagode, voltando de um carnaval no interior. Não sou muito fã desse feriado, mas se é pra vagabundear, tudo bem. Três dias depois voltamos. Fomos pegar uma balsa e ficamos na fila de oito da manhã até 19 horas. A ressaca era do tamanho da fila e por perto não tinha um filho da mãe pra vender umas latinhas. Às 23 horas saimos da balsa e pegamos a estrada. No meio do caminho, na interseção entre o nada e o lugar algum, o pneu fura. Lá vamos nós para a troca. Eu na verdade. O amigo deu apoio moral, o que a bem da verdade não valeu de muito. Chegamos duas horas depois em casa. "Amanhã a gente toma umas", combinamos.
Não tenho muito amigos, mas os que tenho para mim são muitos. Quando eu era criança meu pai sempre enfatizava que além de pai era meu amigo. Só depois que a gente conquista amizades de verdade é que se nota o quanto elas são importantes. Não importa qual for a situação, o local ou o horário, se a gente estiver entre amigos tudo melhora. Até para se gostar de alguém tem que rolar amizade, pelo menos se a intenção for mais do que uma noite. Procuro cultivar as amizades que tenho. Espero que elas durem bastante. Elas têm que funcionar como o Bar da Vala, o único de Belém do Pará que vai até de manhã em plena segunda-feira.

Esse aí não é meu amigo não, e sim do preclaro retratista Messias Jardan. "Posso homenagear meu chapa?", perguntou. Claro Messias, amigo é pra essas coisas. Mas, roda de violão, comigo não.
Comentários
XISTRELLER!
escrito por: Rafael em 7/02/2008 às 18:45
Estou atraz de um nome forte para uma lancheria é um treller, servimos xis, cachorro, torradas, petiscos, sorvete, sucos refri e cervejas.
escrito por: LUCIANA CARMONA em 7/02/2008 às 16:21
ESSA FARRA VAI ACABAR!!! EXISTE UMA LEI A SER RESPEITADA!!!!!
escrito por: [Anônimo] em 24/11/2006 às 03:07
Alex,
O Bar da Vala fica na Duque entre Enés Pinheiro e Pirajá, mais precisamente no fim da vila 3 Irmãos. Como já disse a estrutura é inversamente menor à simpatia dos donos. Reperindo, são apenas duas ou três mesas, um fogareiro para o churrasquinho e uma cerveja sempre estupidamente gelada. E, o mais importante, vai até de manhã.
escrito por: Tylon em 17/05/2006 às 17:26
bom,alguém tem que puxar o bloco ; que seja o do "bar da vala".tylon me faça um mapa desse paraíso perdido,já que não tenho pressa pra fugir idéias me trairam.
escrito por: alex em 16/05/2006 às 20:57