Boa noite linda
Duas cervejas e vou embora. Beber sozinho é uma merda, mas depois de um dia de trabalho eu é que não vou voltar para casa de bico seco. A segunda já tá na metade e toca o celular. Número desconhecido.
- Oi, tudo bem? - Voz bonita, acho quer tô reconhecendo.
- Tudo jóia. E contigo?
- Comigo bem. Tô com saudade, sabia? - Carambas, não faço a mínima idéia de quem seja, mas posso jurar que a voz não me é estranha.
- Oras, vamo matar essa saudade. Tô aqui no bar na esquina de casa.
- Claro que tu estás aí! Sempre bates ponto no bar do teu amigo. Posso dar uma passada aí? - Pode até ser que eu não a conheça, mas ela sabe muito bem quem eu sou.
- Poxa, seria ótimo. Vem aqui que ficar só num bar é muito chato.
- Tô pertinho daí. Em cinco minutos eu chego para a gente se ver de novo.
Bacana isso. Uma noite sem nenhuma perspectiva e agora essa. Fico lá esperando. Toda menina que passa eu olho na expectativa que seja a moça do telefonema. Passam sete e não é nenhuma delas. Seis minutos depois um toque no ombro, dois beijinhos e um abraço.
- Oi, tudo bem? Essa é a tua mesa? Tava com saudade, viu? Blá, blá, blá, blá...
- Ô menina, bom te ver - Bom mesmo. Um caso antigo, agradável demais. Bom papo, bom beijo. O resto então, ulalá! Mas, peraí, como é nome dela mesmo? Putaquipariu eu e a minha memória de merda. Como é que ela se chama? Macacos me mordam, eu não lembro o nome dela!
O papo vai que é uma maravilha. Ela fala pra caramba, como a maioria das mulheres. Eu mando ver as respostas padrões dos homens que não tão nem aí para as palavras e sim para o invólucro de onde elas vêm: "Isso mesmo", "Que legal", "Tens razão", "Adoro Los Hermanos".
Nome, que é bom, nem pensar. Chamo-a de linda, garota, cara e, a partir da quinta cerveja que a gente bebe juntos eu tasco um gostosa. Oras, a gente tava lá pra isso. A conversa fica mais interessante. Não demora muito um beijinho. A noite promete.
Porém, se não lembrar o nome da bonita vai ser foda. Ou melhor, não vai ser. Que merda! Eu me lembro do nome de personagens obscuros de seriados mais obscuros ainda da década de 80, sei os afluentes das margens esquerda e direita do Rio Amazonas e quais são as Sete Maravilhas do Mundo, mas como ela se chama nem pensar.
Sei que é um nome complicado. Puta merda! Que moda essa das pessoas darem nomes esquisitos para os filhos. Algo como Katiúscia, Wladeglícia ou Glorielva. Não era nome estrangeiro? Jennifer, Maryanne ou Shannequa.
Foi então que me ferrei.
- Gosto da forma como tu dizes meu nome no ouvido - Égua, eu faço isso?! Fico estático. Chego perto da nuca dela e relembro das lições do Flor de Obsessão. Digo meia dúzias de pornografias. Das bem cabeludas.
- Adoro! Mas diz meu nome, diz.
Fico com cara de mané. Sem palavras. Mas o que dizer? É uma situação horrível. Tô em vias de me dar bem depois de um longo e tenebroso inverno. Lembro de toda as sinuosidades daquele corpo, inclusive duma tatuagem dum beija-flor que é horrível mas fica num lugar lindo, mas não lembro como ela se chama. Foi então que a casa caiu.
- Vem cá, tu não lembras do meu nome?
- Er..., é que eu..., sabe como é..., não, não lembro não. Olha, mil desculpas, realmente tô envergonhado. A gente teve lance bacana e hoje me deu essa branco. Sei que é imperdoável, mas é que teu nome é super complicado, desses diferentes e eu fiquei confuso. Juro que não lembro. Me diz teu nome e a gente esquece isso.
- Me chamo Maria.
- Mar... o quê? Repete aí por favor.

"Rapaz, ela tava no papo. O que foi que aconteceu que ela foi embora e tu ficastes sozinho?", perguntou Messias Jardan, que coincidentemente estava no mesmo boteco. O retratista usou de sua Rollerflex tunada para fazer o click enquanto eu ainda estava bem com a menina. Logo em seguida tudo veio abaixo.
Comentários
essa foi triste,porem acontece muito boa ,mais uma noite só.
escrito por: marco em 3/08/2006 às 09:35
Na próxima chuta. As estatísticas estariam a seu favor, nesse caso...
escrito por: Moziel T.Monk em 28/05/2006 às 23:37
Engracado...Ontem mesmo recebi uma daquelas mensagens no celular: Oi tudo bem? Numero totalmente desconhecido...Respondo com um: Tudo otimo...desculpe, mas de quem e esse numero mesmo? A resposta: Nao lembra do fim de semana passado? Eu: claro q lembro, mas, ehr, meu celular ta com problema e, um nome ia ajudar ne! A resposta: Tadinho! O nome e Andrea!!! Porra. Fiquei na mesma. Eu nunca mais vou beber de novo. Pelo visto fiz sexo e nem tava sabendo. Sem saber nao da pra contar vantagem e dai perde toda a graca.
escrito por: Stein em 28/05/2006 às 19:29
quando a memória falha e a manguaça é braba eu apelo para o alfabeto.senão,e aí quanto tempo hein ...slap...glup...ohhhh...puta merda como é teu nome mesmo gostosa...plaft...me fudi.hehehehehe
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escrito por: bilelô em 28/05/2006 às 17:38