Brasileiro vai para o espaço e não desiste nunca
Marcos Pontes está apressado. O primeiro cosmonauta brasileiro da História se prepara para voar em direção ao carrancudo Cazaquistão, país onde o bigode ainda está na moda e ninguém nunca escutou uma poesia. Na velha mochila da Company emprestada do filho sem pedir, leva experimentos que alçarão o Brasil ao seleto grupo nas nações que criaram problemas para resolvê-los em um ambiente sem gravidade. Para milhões de pessoas que cresceram escutando a voz enjoada de Lucas Silva e Silva e não entendiam como uma nave em forma de bola conseguia propulsão nas histórias do Astronauta, de Maurício de Souza, era chegada a hora de cutucar as fronteiras do Universo.
Em terra, o brazuca faz os últimos preparativos, pensa em frases de auto-ajuda para suas palestras, cria uma metáfora que relaciona o sucesso empresarial à reprodução das amebas. No caminho para a nave, sente saudade do sabor da jaca e faz uma canção sobre isso, mas agora é hora de partir. Lá de cima, os russos se assemelham a pequenas baratinhas comunistas, a terra parece maior que nos livros de Geografia e a muralha da China é uma bela merda vista daqui, pensa o astronauta.
Pontes está próximo da Estação Espacial Internacional. Distraído, arremessa um papel de bala pela janela da nave e estaciona em fila dupla. Liga o pisca-alerta e joga-se contente na poeira cósmica. É recebido por russos em plena adrenalina, provocada pelas emoções de uma partida de xadrez que já dura 3 dias. Convidado a se manter em silêncio, impulsiona o corpo em direção ao quarto e tem dificuldades para empilhar os CDs de MPB. O brasileiro está eufórico e liga no CD player um pirata do Los Hermanos. "Vamos quebrar esse gelo!", dança, apontando para a Antártida.
O gracejo não funciona e a tripulação se dispersa. Alguns passam mal, o alarme é ligado e o CD atirado em direção ao Sol. Pontes ignora o aparente mal-estar e puxa papo com um entristecido Ravil, que a essa hora brincava com sua cadelinha Ivan, que acompanha a missão. Apaixonado por animais e adestrador experiente, Marcos faz um gesto rápido e a cachorrinha morde o seu braço, engolindo em seguida a réplica do chapéu Panamá de Santos Dumont. Bem-humorado, ele deixa Ivan de lado e se oferece para ajudar a pilotar a nave. "Er, pode deixar, estamos seguros", diz Ravil, ao que Pontes, cutucando-o com o cotovelo, lembra: "Rá! Igual o Kursk!!". Lula é obrigado a intervir, depois de receber a notícia de que uma bandeira brasileira flutuava como um casulo no espaço sideral. Pontes está, enfim, voltando para a Terra.

Pontes exagerou nos experimentos com a cadelinha Ivan, no clique galáctico de Messias Jardan
Comentários
eu ja vi um cachorro grande do meu tamanho mas ñ tao grande como de um adulto.
fodasse se vc nao gostou
escrito por: alessandra em 19/10/2007 às 17:06
Nao tem foto, e nao gostei
escrito por: Carla dos Santos Duarte em 11/06/2007 às 21:54