Lafayette é papo firme

Ao lado de músicos mais jovens, o tecladista da Jovem-Guarda Lafayette Coelho recria o movimento para as novas gerações

Esse negócio de beber em bar de coroa é complicado. Mal chegamos e o garçom avisa que é proibido juntar as mesas, comprar cerveja no balcão e pôr o pé no assento da cadeira. E quando a banda da casa toca Dancing Queen e resolvemos dançar no meio do salão, um segurança vem nos tirar de lá porque é proibido dançar com garrafa de cerveja na mão.

“E na cabeça, pode?”, pergunto colocando uma garrafa de cerpinha na moleira enquanto ensaio uns passos de discoteque.

O garçom não ri e me olha seriíssimo, como se estivesse preste a me botar pra fora da boate. Decidimos voltar para a mesa e ficamos quietos à espera da atração principal.

Mas aos poucos o Bolero, casa noturna tradicional da zona boêmia de Belém famosa pelos seus bailes da saudade, vai sendo tomado por moças e rapazes nos seus vinte e poucos anos, que jamais pisaram por lá em outras circunstâncias. Os habitueés da casa olham assustados para aquela horda com camisa de bandas de rock, tênis velho, brincos, piercings e street wear que se acaba na pista quando a banda ataca um medley com músicas da banda Warilou, grande sucesso dos anos 80, época em que a maioria dos novos freqüentadores do Bolero ainda estava em casa ouvindo seus discos do Balão Mágico.

Um estranhamento inicial que se dissipa quando a banda de abertura dá lugar ao supergrupo indie Lafayette e Os Tremendões, formado pelo grande tecladista da Jovem Guarda, Lafayette Coelho, e membros das bandas Autoramas, Nervoso, Canastra, Penélope e Acabou La Tequila. Sem aviso prévio o Bolero se transforma numa grande festa rock. Chega a ser engraçado ver os coroas pulando como se fossem moleques junto com meninas e meninos que podiam muito bem ser seus filhos. E mais: impressionados com o fato da garotada saber na ponta da língua a letra de músicas como Negro Gato, Senhor Juiz, Garota Papo Firme, Pobre Menina e Fama de Mau.

É uma idéia que não tem como dar errado. Junte um dos maiores músicos da Jovem Guarda com membros de bandas conhecidas no underground e, com um som mais pesado e intenso, dê uma nova embalagem a um movimento que andava meio esquecido pelas novas gerações. Por conta da interação de Lafayette com músicos mais novos - que já não são mais tão jovens assim, diga-se de passagem – sobra nos Tremendões o que falta em Renato e Seus Blue Caps e em Wanderléa, Jerry Adriani e o próprio Roberto Carlos: um som que realmente faça sentido nos dias de hoje e que não seja consumido apenas como nostalgia de gosto duvidoso.

Acredite, assistir a Lafayette e Os Tremendões é uma das experiências mais divertidas do rock brasileiro da atualidade. Tão divertido quanto um show dos Autoramas, do Cachorro Grande ou do Bidê Ou Balde. Embora o timbre dos cantores e guitarristas Renato e Nervoso seja um pouco enjoativo, por conta das semelhanças vocais entre os dois, e a cantora Érika Martins às vezes pareça perdida e precisando encontrar uma função mais objetiva para o seu papel na banda, no quesito “diversão” o grupo desce que é uma beleza.

Menos para um tiozinho ao meu lado. Vestido de calça de tergal e camisa manga comprida e com uma senhora careca avançando sobre sua cabeça, ele não pára de xingar a banda e reclama que vai pedir o seu dinheiro de volta.

“Sola, Lafayette!”, grita ele.
“Mas ele tá solando, meu senhor”, tento contemporizar.
“Tá solando, mas ta solando pouco! Manda tirar esse bando de moleque do palco e deixa o Lafayette sozinho. Isso é propaganda enganosa”, reclama o velhote antes de chegar perto do palco e soltar mais um “Sola, Lafayette!”

O pior é que Lafayette está realmente solando. E bem pra cacete. A banda tocando Fama de Mau no último volume, em um arranjo quase punk rock, e ele na maior calma digitando escalas na velocidade da luz. Como se fosse um monge budista, o tecladista continua absolutamente imóvel e parece não se impressionar com as rodas de pogo que se formam na pista de dança do Bolero, com as senhoras que gritam seu nome na beira do palco e com as deferências que os membros da banda constantemente lhe fazem. Os seguranças já desistiram de proibir a dança com garrafa de cerveja na mão e parecem encarar as rodas de pogo, os pulos e os gritos como um mero fato da vida. “É só hoje, amanhã já passou”, devem ter pensado. Nada mal para uma casa conhecida por realizar shows de Patrick Dimon, Noite Ilustrada, Waleska e outros ícones pop da Terceira Idade.

“Essa música o Roberto Carlos não gosta mais de tocar”, anuncia André Nervoso.
“É, mas o Lafayette gosta!”, completa Gabriel Thomaz, guitarrista e vocalista dos Autoramas e uma espécie de band leader d'Os Tremendões.

E então a casa abaixo com a melhor versão para “E Que Tudo Mais Vá Para o Inferno” que eu já vi. Embora massacrada por anos e anos de festas de aparelhagem, programas de rádio AM e bailes da saudade, jamais podia imaginar que fosse realmente curtir ouvi-la de novo. Independente da idade, o Bolero inteiro canta a letra da música e termina com gritos de “Lafayette, Lafayette” até que o músico e a sua banda voltam para o bis. Detalhes, de Roberto Carlos, emana uma onda de romantismo por toda a boate, com novos e velhos casais dançando juntinho, fazendo declarações de amor e chamegando gostoso. A negação da afirmação do jornalista Ismael Machado, que mais cedo tentava me convencer que o problema dos indies é que eles não sabem dançar agarrado. Ao som de Lafayette e Os Tremendões eles, pelo menos, tentaram.

O fantasma de Roberto Carlos volta a rondar o palco em Amigo, a música escolhida pelos Tremendões para terminar o show. É de se pensar porque nenhum outro de seus contemporâneos da Jovem Guarda foi capaz de conseguir uma ressonância tão grande entre as novas gerações quanto ele. A questão é que Lafayette é um excelente músico e a paixão e a intensidade com que Os Tremendões tratam o seu legado e o da Jovem Guarda faz parecer que as músicas foram compostas ontem. Embora sob o viés cult roqueiros mais jovens consumam discos como Carlos Erasmo, A Máquina Voadora, de Ronnie Von, ou mesmo álbuns da fase soul de Roberto Carlos, ninguém com menos de 50 anos sairia de casa em sã consciência para assistir a um show desses sujeitos. Nem deles e nem de Renato e Seus Blue Caps ou mesmo da Wanderléa. Imagine então ouvir Roberto Carlos entoando “Nossa Senhora/Me dê a mão/Dona do meu coração...”. Impossível.

Termina o show e ninguém quer ir pra casa. Sentados numa mesa estão minha namorada, dois amigos e Randy Rodrigues, que junto com um outro amigo nosso estava enganando duas velhinhas que julgavam ser ele Gabriel Thomaz. Apesar do nosso estado precário e das garrafas de cerpinha consumidas na ordem das dezenas, conseguimos engatar uma conversa. Falamos sobre o último show dos Autoramas em Belém, sobre a fuga do produtor Alex Zambba da cidade após o fracassado show da banda Ludov, sobre a cena local e sobre o fato do show do Lafayette ter sido no bolero. A nós junta-se uma figura bastante conhecida do underground e do punk rock paraense que começa a falar de rock'n'roll.

Randy põe o jornalista velha-guarda Marcos Bragatto na conversa e lembra do seu encontro com ele no último Goiânia Noise. Ele conta que Bragatto não parava de reclamar do show dos Dharma Lovers. “Chato pra caralho”, diz alguém na mesa. Imediatamente lembro dele no documentário do fotógrafo Matias Maxx sobre o Free Jazz de 2001.

“A grande revolta do Bragatto era que ele viu três shows – Sigur Ros, Belle & Sebastian e Grandaddy – e em nenhum deles tinha solo de guitarra”, explico.
“Pô”, diz alguém, “Mas é foda, velho, Sigur Rós é música pra baleia transar. Fica naquele negócio fióóón, fióóón...dá vontade de vomitar”
“Sou mais o Cocteau Twins”, diz Randy
“PREFAB SPROUT!”, grita o punk.
“O que, rapaz?”, pergunto.
“PREFAB SPROUT!”
“O que tem?”
“É uma banda, porra! Prefab Sprout”
“Isso eu sei, mas o que é que tem?”
“Er...sei lá...mas o nome é do caralho, melhor que Cocteau Twins, Sigur Ros e essas merdas, que são ruins e ainda tem nome escroto”
“Tu acha?”
“Claro, olha que nome do caralho: PREFAB SPROUT!”
“Eu quero ver é tu falar isso com a boca cheia de farofa”, digo.
“Eu falo, PREFAB SPROUT! PREFAB SPROUT!”
“Se tu estivesses num VMB da vida e, digamos, o Caetano passasse na tua frente, tu falava isso pra ele ele?”, pergunta alguém.
“Claro! Não só falava como sujava ele todo de farofa", vai se animando o encrenqueiro,"Chamava ele e dizia ‘Ei, Caetanto, PREFAB SPROUT!’”
“O problema”, intervém Randy, “não é sujar o Caetano de farofa. O problema é ele querer contra-atacar cantando ‘Shy Moon’”
“Cacete, era a música do Volpone naquela novela Um Sonho A Mais”, digo.
“Shy Moon/Hazing in the shade/I can see your white face...”, começa a cantar o nosso amigo punk.

E então todos nós soltamos a voz e entoamos o hit brega-tecnotrônico que Caetano Veloso compôs quando decidiu reivindicar para si a parte que lhe cabia no rock brasileiro dos anos 80. Aos poucos, o Bolero vai voltando ao normal, com sua pista cheia de casais de meia-idade dançando agarrado músicas de Odair José, Bartô Galeno e Evaldo Braga. Os garçons passam recolhendo os baldes de cerveja vazios que o povo deixou no chão. No microfone, o mestre de cerimônias do Bolero anuncia os próximos shows: Jerry Adriani e Renato e Seus Blue Caps. Possivelmente esses, nem de longe, terão o mesmo brilho e o mesmo alcance indie pop de Lafayette e Os Tremendões. Ainda assim, são garantia de casa cheia. Pelo menos entre os tiozinhos que batem ponto no Bolero todo final de semana. Na periferia de Belém, a festa nunca termina.

Lafayette e os tremendoes 4.1.jpg

No palco do Bolero Erika e Renato querem que tudo o mais vá pro inferno. Messias Jardan não pode ir, pois passou o dia cavalgando e ficou todo assado. No entanto, sua assistente, Taiana Laiun, foi lá e fez o meteórico click

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Comentários

O meu falecido pai formou uma dupla nos anos 60 que tinha o nome de os tremendões. Se apresentaram muito na record, na rádio difusora e muitos cantores conhecidos se apresentaram com eles, como Núbia Lafayete, Agnaldo Timóteo, Márcio Greik e Paulo Sérgio.

ENCONTREI O SITE DO CANTOR DE BOLEROS "RENAN TORRES" É SÓ CLICAR: http://renantorrescantor.gigafoto.com.br VOCÊ OUVE UM SHOW INTEIRINHO DE SUCESSOS ROMÂNTICOS NA VOZ DO RENAN TORRES. MUITO BACANA, VALE À PENA CONHECER.

PATRICK DIMON ESTÁ LANÇANDO UM NOVO CD EM ESPANHOL. JÁ OUVI E ESTÁ MARAVILHOSO. ESPERO NOVO SHOW PARA VE-LO CANTAR AO VIVO. I M P E R D I V E L

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ah, eu vi eles no abril pro rock daqui de recife.. to um tempão tentando achar mp3/cd deles... como eu consigo isso? :(

eles são demais né não? ;)

Onde anda aquele cantor RENAN TORRES que fez temporada de shows no hotel HILTON? nossa! como aquele cara CANTA bem as musicas do inesquecivel ANTONIO MARCOS!

R.RODRIGUES

achamos que a gestapo usa saias se o alex sair nós também saíremos e voltaremos para o méxico.VIVA ZAPATA.

Porra, Alex, se tu saíres eu também saio.

Sabe o que eu acho, Alex? Você fala muito e não diz nada. Ninguém tem paciência de ler seus comentários. Nem eu.

referente a chatice dos "OS THE DARMA LOVERS" precisa ser muito mais do que punk para apreciar suas canções de transcendência e paz e ser muito macho para amolecer o coração senão todos ficamos surdos e tristes.para quem não sabe o cultuado frank jorge produziu o último disco deles se isso faz alguma diferença. endurecer sem perder a ternura não seria esse o caminho do meio? tem gente que gosta do patrick Dimon,do jack johnson e dos los hermanos que não me dizem nada.não tenham dúvida a última batalha da vida sempre será perdida,e depois? é ai que habita a essência do duo budista.as vêzes uma canção tem que ser sentida outras compreendidas.nam myoho rengue kyo.

Que coisa boa é saber noticias do PATRICK DIMON.
Gostaria de saber como fazer contatos para shows.

Li toda reportagem do Lafayete e fiquei imaginando uma noitada com PATRICK DIMON. Sera algo imperdivel. Se houver condiç~oes publique e a turma dos 30 irá com certeza. PATRICK DIMON è impar nesse tipo de show.

Espero ver divulgação de Felipe Dimon. Se ele for tão bom quanto o pai PATRICK DIMON o mundo estará em festa....

Eu amo o Patrick Dimon. Todas as noites tomo uma taça de vinho ouvindo Ancora con te...

putz, onde esses indies de Belém vão, eu faço questão de passar bem longe!

putz, onde esses indies de Belém vão, eu faço questão de passar bem longe!

puxa, onde esses indies de Belém vão, eu faço questão de passar bem longe!

patrick dimon esta produzindo o novo disco de seu filho, felipe dimon.

Nice site

Cara, tô curioso em saber como é uma música pra baleia transar...

Gostaria de saber por onde anda o PATRICK DIMON. O show man internacional é de arrasar corações...

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