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31 de março de 2006

Eu te amo meu Brasil, eu te amo

O Ressaca Moral não poderia ficar de fora do grande momento nacional que foi a ida do primeiro brasileiro ao espaço sideral. O cosmonauta Marcos Pontes chegou lá e encheu de orgulho todo um povo sofrido. Para deixar nossos leitores em dia com o que se passa na estação orbital conseguimos que o gorila Marinaldo, que será alvo de uma experiência na gravidade zero, levasse a Rollerflex tunada de Messias Jardan. Os flagrantes que o cordato símio conseguiu são de tirar o fôlego. Apertem os cintos e embarquem nessa incrível viagem.

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"Xá comigo que eu estaciono esse carango", foi o que disse Marcos Pontes à cosmonauta e modelo russa Ylana Silvanova. O brasileiro foi obrigado a estacionar a nave depois que, sem querer, encostou no botão de ejetar e mandou em direção a Mercúrio o piloto Vladimir Guadagnov. "Mal aí", desculpou-se o cosmonauta tupiniquim depois de arranhar a lataria da espaçonave.

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O cosmonauta brasileiro foi posto de castigo depois de preparar uma feijoada com uns feijões transgênicos que seria utilizados numa experiência. Como resultado, Pontes soltou um peido mudado geneticamente que sobreviveu ao vácuo e fez murchar um pé de mexerica que estava no espaço desde o governo Nikita Kruschev. Pontes perdeu a patente e ficou como subalterno, inclusive, do cosmonauta do Burundi (no alto à direita), Conocoroco Babawana.

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Intrépido e valente, Pontes não se fez de rogado em encarar a unha a mais variada fauna de ETs que encontrou pela frente. "Cara feia pra mim é fome", exclamou antes de partir para cima de um alien que tentava se defender dizendo "Eu vim em missão de paz...". Foi pescoção, tesoura voadora e dedo no olho para todos os lados. O extraterrestre era o último de sua raça. "Eu choro", afirmou rindo Pontes.

30 de março de 2006

Quem aguenta levanta a mão – Série Rock Internacional

Losing My Religion – R.E.M
Sejamos francos, R.E.M é um saco. Um blá, blá, blá que até servia pra você cantar as gatinhas na festinha do prédio do Alê ou no sítio da Rafa quando você tinha 16 anos, mas que assumiu proporções inaudíveis quando você percebeu que até o DJ das bodas de ouro dos seus avós levou a música na pista para suas tias requebrarem.

Mr. Jones – Counting Crows
Esta é presença certa em rádios pop-porcaria e também nas voltadas para o público tiozão. O grupo, para o bem geral da humanidade, foi apenas mais uma one-hit-band que passou em nossas vidas, infelizmente nos deixando um legado de entulhamento escrotal difícil de ser superado. Sha la la la la la la..... hmm, uh huh...

Stairway to Heaven – Led Zeppelin
Outra campeã de rodinhas de violão de adolescentes em fase de auto-afirmação, é um clássico da vertente rock pé-no-saco e uma das preferidas dos vocalistas de banda cover antes do momento animado do show, onde eles perguntam quem está solteiro, quem já beijou e logo depois tentam atiçar rivalidades futebolísticas entre os presentes.

I Don't Want To Miss A Thing – Aerosmith
Essa é aquela do filme em que um asteróide ameaça levar para a cucuia toda a vida na terra, (inclusive a vida de Liv Tyler, o que seria uma lástima, mas incluindo Steven Tyler, o que seria supimpa). Bruce Willis deteve o asteróide no braço, mas até agora ninguém conseguiu parar a execução do maldito refrão “I don't wanna close my eyes / I don't wanna fall asleep / 'Cause I'd miss you, babe / And I don't wanna miss a thing.”

Otherside – Red Hot Chilli Peppers
Banda que era legal no começo dos anos 90, mas que para tocar no player de meninas leitoras da Capricho e fãs da novela Rebelde, passou pelo processo da bostificação de massa. O grande problema de Otherside é aquele seu amigo que não se agüenta sentado quando a canção é tocada (“ai, gente, essa música é tuuudo”), mas só sabe cantar o começo: “How long, how long...”

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Michael Stipe, vocalista do R.E.M, está cansada, ops, cansado da vida de rockstar e jura pela enésima vez que já resolveu seu problema de hemorróidas. Sabendo que era um jogo de vida ou morte, Messias Jardan não tomou conhecimento do adversário, correu atrás do prejuízo, fez o click e pediu que continuássemos a colocar clichês do jornalismo esportivo em suas legendas.

Casa, comida, roupa lavada, dois mil paus por mês e não se fala mais nisso

Garotos, garotos.

Recentemente li um texto no excelente site nominimo que tratava sobre casamentos e suas agruras. O ganho da matéria do jornalista Roberto Kaz, "As letras miúdas do casamento", era o caso do casal estadunidense Travis e Ruth Frey. O figura formulou um documento in titulado "Contrato de expectativas quanto à esposa" antes de se unirem. Nele, entre outras coisas, ficava estipulado que "Ruth deveria raspar-se 'de três em três dias' (...) Determinava, também, o - digamos assim - 'corte capilar' que Ruth poderia utilizar: no formato retangular, 'centrado sobre a abertura da vagina, cuja altura não lhe exceda em mais de ¾', ou em qualquer formato, desde que 'centrado sobre a abertura da vagina e cuja área não exceda a de um triângulo eqüilátero de altura equivalente a ¾ da abertura vaginal'". Vai ser detalhista assim lá longe. Enquanto recomendava - e ainda o faço - a reportagem a amigos, fiquei matutando comigo mesmo o que incluiria num documento semelhante se fosse o caso do meu casamento.

É claro que seria um documento válido para os dois lados. A incauta que um dia encarar o altar com o Rei do Hidrovácuo terá seus direitos. Ao mesmo tempo em que exigiria algumas coisas ela também teria o mesmo direito. Por isso que acho que no meu caso o contrato seria bem chinfrim. Não que fosse exigir demais, o problema é que sou propenso a não ceder em porra nenhuma. Estaria criado o impasse.

Mas, vamos lá. Como pedir por rala-e-rola todo o dia seria besteira, já que ninguém que é casado faz todo o santo dia, exigiria um máximo de três dias de intervalo entre uma bimbada e outra. Acho que é de bom tamanho. Além do mais, tenho 55 anos e mais do que isso seria exigir muito de minha saúde. Seria de bom tom que tais relações se dessem logo pela manhã. Macacos me mordam se uma das melhores coisas do mundo não for um nheco-nheco logo quando começa o dia?

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Santas exigências. Adam exigia que Burt depilasse as pernas e andasse por aí de sunga verde. Tudo estava descrito no contrato, por isso o amor foi eterno enquanto durou. O click das trevas é de Messias Jardan.

O que com certeza estaria no artigo segundo seria uma cláusula "anti-rodeios". Estaria proibido qualquer tipo de papo furado. "Poxa, você não me entende?". Claro que não entendo. Se entendesse seria o primeiro homem na história da humanidade. Por isso seja clara. "Tô triste por causa disso, daquilo e mais isso". Pronto. É difícil? Claro que não. Mulher emburrada dentro de casa só aceito a empregada, mas, em compensação ela cozinha, passa e lava o banheiro que é uma beleza. Encheção de saco não é comigo. Do mesmo modo procuraria ser direto. Diria que não usaria camisa tal que tá na moda nem que fosse pra erradicar a fome do mundo.

O que também não poderia faltar é um item que me eximiria de agüentar amigos chatos. Tenho os meus, tenha os seus. Não me peça para aturá-los. Eu mal suporto os meus, porque teria que adular os dos outros. "Meu bem, adoro seus amigos... longes". Evitaria brigas futuras.

Relacionamentos são sempre difíceis. Começar um com um pedaço de papel regulamento o que está por vir soa estranho. Para uns pode ser um complicador, para outros uma solução. Enquanto não embalo um vou preparando as minhas normas para que não seja criada nenhuma surpresa. A preferência é por moçoilas que não leiam as letras miúdas.

Abraços.


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Lilly e Ed Munster se separaram após terem dois filhos. Começaram a se desentender depois que as exigências do marido ficaram cada vez mais monstruosas. O click e o trocadilho terríveis são de autoria de Messias Jardan, o fotógrafo gracioso.

27 de março de 2006

A primeira BBB do norte

Charlene Byankha sempre sonhou em ser uma celebridade. Nascida em Vala do Albuquerque, interior do Maranhão, foi candidata a todos os títulos de beleza da região. Dos 12 aos 18 anos foi Rainha do Leite Condensado 1992, Segunda Princesa da Jaboticaba 1993, Miss Ecologia Mirim de Umbuzeiro do Oeste 1993, Miss Buritizal 1994 e Rainha Motoclube de Santa Cruz do Morro Aberto 1995.

De tanto ver transbordar de sua televisão um mar de loiras apresentadoras infantis, dançarinas de axé e namoradas de jogadores de futebol, Charlene chegou a conclusão que o destino de cada um de nós estava inexoravelmente ligado à cor do cabelo. Escondida da mãe, Dona Carmita, que nos anos 70 foi fiscal da Benfan, comprou uma quarta de água oxigenada e 100 ml de amoníaco no armarinho e rumou para o Salão Star Vyzion’s, de propriedade de Wilcley, o único cabelereiro e revendedor da Avon da cidade.

Charlene Byankha sempre sonhou em ser uma celebridade. Nascida em Vala do Albuquerque, interior do Maranhão, foi candidata a todos os títulos de beleza da região. Dos 12 aos 18 anos foi Rainha do Leite Condensado 1992, Segunda Princesa da Jaboticaba 1993, Miss Ecologia Mirim de Umbuzeiro do Oeste 1993, Miss Buritizal 1994 e Rainha Motoclube de Santa Cruz do Morro Aberto 1995.

De tanto ver transbordar de sua televisão um mar de loiras apresentadoras infantis, dançarinas de axé e namoradas de jogadores de futebol, Charlene chegou a conclusão que o destino de cada um de nós estava inexoravelmente ligado à cor do cabelo. Escondida da mãe, Dona Genivalda, que nos anos 70 foi fiscal da Benfan, comprou uma quarta de água oxigenada e 100 ml de amoníaco no armarinho e rumou para o Salão Star Vyzion’s, de propriedade de Wilcley, o único cabelereiro e revendedor da Avon da cidade.

“Nosso compromiço é sua belesa”, dizia a placa pintada à mão em frente ao salão de Wilcley. Atarefadíssimo, o cabelereiro ouvia uma fita pirata do Double You enquanto fazia o penteado de Jéssyka Renata, filha de Carlinhos Boqueirão, prefeito, fazendeiro e dono do posto de gasolina de Vala do Albuquerque. Jéssyka fazia 15 anos naquela noite e, por conta disso, Wilcley não ia poder dar atenção a mais ninguém, já que o prefeito havia prometido lhe capar caso fizesse alguma besteira no cabelo da filha.

Mas Delson, um rapaz que Wilcley criava, podia. Com pressa e ansiosa por mudar o rumo de sua vida, Charlene aceitou ser a sua cobaia. Seu coração batia apressado enquanto o via misturar os ingredientes, vislumbrando um mundo de festas, camarotes VIP e fotos na Ilha de Caras. O problema é que, ainda meio inexperiente na arte do manejo capilar, Delson errou na hora de dissolver a água oxigenada e o amoníaco. O resultado foi uma mistura devastadora que acabou por queimar o couro cabeludo de Charlene, que saiu correndo aos gritos pela Praça Matriz de Vala do Albuquerque com a cabeça fumegando.

Traumatizada com o acontecido, e cansada de ser ridicularizada cada vez que saia de casa, Charlene roubou um dinheiro da mãe e fugiu para o Rio de Janeiro. Chegando lá, foi empregada em casa de família e diarista até arrumar um trabalho como sósia de Carla Perez no grupo É O Tchan Cover.

Finalmente Charlene estava com a vida que pediu a Deus. Tinha engatado uma bem-sucedida carreira no show-business e o seu namoro com Romildo, que trabalhava como segurança em uma boate de Copacabana, estava às mil maravilhas. No entanto, queria mais. Ela queria aparecer na televisão em rede nacional, queria provar ao povo de Vala do Albuquerque, que havia lhe ridicularizado alguns anos antes, que era uma vencedora. Charlene queria aparecer no Big Brother.

Com a ajuda de um amigo de Romildo, que era motorista da emissora, durante a madrugada Charlene conseguiu pular o muro e se esconder na despensa da casa do BBB. Passou três dias se alimentando de salsicha em lata, insetos e uns fungos que cresciam debaixo da prateleira. Até que, durante a prova do líder, foi descoberta pelos participantes do programa. A imagem de Charlene sendo sendo arrastada da casa pelos seguranças do programa foi transmitida ao vivo para todo o Brasil.

Em Vala do Albuquerque foi uma comoção, o salão Star Vyzion’s vivia lotado de meninas que queriam ser a nova Charlene, turistas das cidades vizinhas viajavam até lá para conhecer a casa da “moça da televisão” e o prefeito declarou feriado local em homenagem a “primeira BBB do norte”. Ao voltar para Vala do Albuquerque, Charlene foi recebida com festa e desfilou em carro aberto pelas oito ruas da cidade. Sua foto fazendo as pazes com Delson e Wilcley saiu no TV Fama e ela se transformou em uma espécie de celebridade local. Hoje em dia é casada com Seu Santinho, dono do armarinho, e amante do prefeito. No entanto, de vez em quando Charlene se pega pensativa, suspirando sempre que lembra de quando fazia parte do show-business. “A primeira BBB do norte”, diz ela revirando os olhinhos.

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Na saída do Big Brother, Pedro Bial conduz Jean Willis à vitória. Messias Jardan prefere mil vezes a Casa dos Artistas. Mesmo assim fez o perfumado click

25 de março de 2006

Sexo e Glamour no Diário de Dulce Skatistinha

Dulce Skatistinha
A vida da garota de programa está no cu da mídia
Ausente algumas semanas de Ressaca Moral, Dulce Skatistinha viveu dias de fama. Foram 320 cartas em apenas um mês - 312 com ameaças de morte, 7 com antraz e uma escrita com sangue. Agora, ela volta para falar de suas aventuras diárias como prostituta de luxo e de suas dívidas no Ponto Frio.

"Depois da notícia de que minha história vai virar filme, pedi dinheiro emprestado a Itamar, meu amigo travesti, para alugar uma nova kitnet. Não sei se estou preparada para o assédio e o estrelato. A última vez que fiquei em frente a uma câmera foi numa batida da PM no canal onde faço ponto. Ainda sou acanhada e trago comigo aquela ingenuidade de menina, principalmente quando o assunto é higiene íntima.

Hoje conversei com o diretor do projeto, o Paulo Bustelão, que é um cara sério e íntegro. Pontual, prometeu passar em casa às 5 da tarde e quando cheguei, às 3h30, ele já havia arrombado a porta do meu apartamento e pequisava meus pertences para ver se podia confiar em mim. A gente se entendeu de cara e fui fazer o ovo que ele mandou. Afinal, uma garota de programa de luxo tem que saber se virar, disse ele.

Conversamos sobre as possibilidades do filme. Paulo quer dar todo o destaque possível para a minha história e perguntou qual doença venérea eu tinha, e tivemos nossa primeira discussão de projeto porque ele não acreditou que eu não tinha nada. Ele queimou um cigarro na minha bochecha e nós chegamos a um ponto comum, que é falar de uma mulher sexualmente doente, porque a verdade é que histórias reais pedem uma dose de ficção.

Bustelão é um cara prático que dispensa aquela burocracia chata e os tediosos contratos. "Ninguém lê, é igual bula", sentenciou, fazendo-me sorrir diante de sua genialidade. Ele se ofereceu para fazer o papel de um homem que gosta de me espancar e de me manter em cárcere privado. Paulo não se prende a detalhes e propôs iniciarmos imediatamente os testes. Topei na hora e trouxe meu diário para passar o tempo no banheiro, onde estou trancada desde sexta-feira treinando meus primeiros passos rumo à calçada da fama."

24 de março de 2006

Vício

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23 de março de 2006

Justiça veta projeto de legalização da Preta Gil

Salvador (É Mara-Mara-Mara-Maravilha Ê) - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, ficou odara depois da decisão do Supremo Tribunal de Justiça em vetar o projeto de lei que legalizaria a cantora, celebridade e arroz-de-festa Preta Gil em território nacional. A partir de segunda-feira, a aparição de Preta em revistas de fofocas, programas de auditório, estréia de peças, camarotes VIP e lançamentos de condomínios fechados na Barra da Tijuca passa a ser crime com pena prevista em Lei. A medida faz parte de uma ação que prevê ainda a proibição de ex-namoradas de jogadores de futebol e ex-integrantes do Big Brother. "Abacateiro, acataremos teu ato pois também somos do mato como o pato e o leão", disse Gilberto Gil após ser comunidado do veto por um representante do Supremo.

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Durante show em Santa Cecília do Umbuzeiro, Paraíba, Gilberto Gil protesta contra a proibição da Justiça. "Eu falei faraó!", gritou Messias Jardan antes de ser preso por desacato à autoridade

Da série "Grandes Frases da História do Cinema"

"Pô, legal..."
Ricardo Graça Mello, o Pepeu, em Menino do Rio (1982)

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No começo dos anos 80, André de Biase e Cláudia Magno provavam que o amor supera tudo, até a cafonice. Messias Jardan, que na época fazia o curso de asa delta por correspondência no Instituto Rádio Técnico Monitor, não se intimidou e fez o click super-chocante

20 de março de 2006

Torcida organizada estréia gritos politicamente corretos

Mossoró (RN) — Nesses tempos de guerras infindáveis entre torcidas organizadas, racismo no futebol e violência dentro e fora de campo, a torcida organizada Sangue e Ódio Tetracolor, gigante das arquibancadas nos jogos do Sociedade Esportiva Clube Mossoró Sport Regatas, o Mossorão das Araucárias, deu o exemplo e mudou radicalmente suas atitudes durante as partidas do clube.

Após acalorado debate que culminou com uma pancadaria entre a oposição e a atual diretoria, os dirigentes da torcida decidiram mudar seu nome e modificar seus gritos de guerra — agora chamados de “Incentivos Exaltados” — para aliviar a pressão sobre o time, evitar confrontos com torcedores rivais e tornar o futebol um esporte muito mais justo e empolgante. A antiga Sangue e Ódio Tetracolor, que hoje atende por “Carinho e Paciência Tetracolor”, apresenta ao público os novos incentivos com os quais pretende conscientizar a massa de torcedores brasileiros.

“Á, á, á, á,
Não tem problema
Se o time não ganhar”

“Ê, ê, ê, ê,
O adversário é osso
Duro de roer”

“Í, í, í, í,
Eu não me importo
O importante é competir”

“Ó, ó, ó, ó,
Sou otimista
Mas que vença o melhor”

“Ú, ú, ú, ú,
E se perder
Eu que não fico jururu”

Além destes, outros incentivos foram criados com base em adaptações de gritos de guerra famosos e utilizados por outras torcidas.

Grito antigo:Novo incentivo:
“Sou
Da Gaviões eu sou
Vou dar porrada eu vou
E ninguém vai me segurar
Nem a PM!”
“Sou
Tetracolor eu sou
Carinho e amor eu dou
E quem quiser pode chegar
Até PM!”
Grito antigo:Novo incentivo:
“A Força Jovem
Pequeninha
Leva porrada
E cabe dentro de um Fusquinha”
“A Força Jovem
Sensacional
Quando eles chegam
O jogo fica mais legal”
Grito antigo:Novo incentivo:
“Puta que Pariu
Cadê a Jovem Flu
Ninguém sabe
Ninguém viu”
“Nossa, caramba!
O pessoal da Jovem Flu
Ficou em casa
Descansando”

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A Carinho e Paciência Tetracolor incentiva o esquete do Mossorão em mais uma partida decisiva do campeonato municipal. Messias Jardan, que praticava o futebol de várzea quando era rapazote e virou casaca depois da adolescência, garantiu o clique moleque.

Lafayette é papo firme

Ao lado de músicos mais jovens, o tecladista da Jovem-Guarda Lafayette Coelho recria o movimento para as novas gerações

Esse negócio de beber em bar de coroa é complicado. Mal chegamos e o garçom avisa que é proibido juntar as mesas, comprar cerveja no balcão e pôr o pé no assento da cadeira. E quando a banda da casa toca Dancing Queen e resolvemos dançar no meio do salão, um segurança vem nos tirar de lá porque é proibido dançar com garrafa de cerveja na mão.

“E na cabeça, pode?”, pergunto colocando uma garrafa de cerpinha na moleira enquanto ensaio uns passos de discoteque.

O garçom não ri e me olha seriíssimo, como se estivesse preste a me botar pra fora da boate. Decidimos voltar para a mesa e ficamos quietos à espera da atração principal.

Mas aos poucos o Bolero, casa noturna tradicional da zona boêmia de Belém famosa pelos seus bailes da saudade, vai sendo tomado por moças e rapazes nos seus vinte e poucos anos, que jamais pisaram por lá em outras circunstâncias. Os habitueés da casa olham assustados para aquela horda com camisa de bandas de rock, tênis velho, brincos, piercings e street wear que se acaba na pista quando a banda ataca um medley com músicas da banda Warilou, grande sucesso dos anos 80, época em que a maioria dos novos freqüentadores do Bolero ainda estava em casa ouvindo seus discos do Balão Mágico.

Um estranhamento inicial que se dissipa quando a banda de abertura dá lugar ao supergrupo indie Lafayette e Os Tremendões, formado pelo grande tecladista da Jovem Guarda, Lafayette Coelho, e membros das bandas Autoramas, Nervoso, Canastra, Penélope e Acabou La Tequila. Sem aviso prévio o Bolero se transforma numa grande festa rock. Chega a ser engraçado ver os coroas pulando como se fossem moleques junto com meninas e meninos que podiam muito bem ser seus filhos. E mais: impressionados com o fato da garotada saber na ponta da língua a letra de músicas como Negro Gato, Senhor Juiz, Garota Papo Firme, Pobre Menina e Fama de Mau.

É uma idéia que não tem como dar errado. Junte um dos maiores músicos da Jovem Guarda com membros de bandas conhecidas no underground e, com um som mais pesado e intenso, dê uma nova embalagem a um movimento que andava meio esquecido pelas novas gerações. Por conta da interação de Lafayette com músicos mais novos - que já não são mais tão jovens assim, diga-se de passagem – sobra nos Tremendões o que falta em Renato e Seus Blue Caps e em Wanderléa, Jerry Adriani e o próprio Roberto Carlos: um som que realmente faça sentido nos dias de hoje e que não seja consumido apenas como nostalgia de gosto duvidoso.

Acredite, assistir a Lafayette e Os Tremendões é uma das experiências mais divertidas do rock brasileiro da atualidade. Tão divertido quanto um show dos Autoramas, do Cachorro Grande ou do Bidê Ou Balde. Embora o timbre dos cantores e guitarristas Renato e Nervoso seja um pouco enjoativo, por conta das semelhanças vocais entre os dois, e a cantora Érika Martins às vezes pareça perdida e precisando encontrar uma função mais objetiva para o seu papel na banda, no quesito “diversão” o grupo desce que é uma beleza.

Menos para um tiozinho ao meu lado. Vestido de calça de tergal e camisa manga comprida e com uma senhora careca avançando sobre sua cabeça, ele não pára de xingar a banda e reclama que vai pedir o seu dinheiro de volta.

“Sola, Lafayette!”, grita ele.
“Mas ele tá solando, meu senhor”, tento contemporizar.
“Tá solando, mas ta solando pouco! Manda tirar esse bando de moleque do palco e deixa o Lafayette sozinho. Isso é propaganda enganosa”, reclama o velhote antes de chegar perto do palco e soltar mais um “Sola, Lafayette!”

O pior é que Lafayette está realmente solando. E bem pra cacete. A banda tocando Fama de Mau no último volume, em um arranjo quase punk rock, e ele na maior calma digitando escalas na velocidade da luz. Como se fosse um monge budista, o tecladista continua absolutamente imóvel e parece não se impressionar com as rodas de pogo que se formam na pista de dança do Bolero, com as senhoras que gritam seu nome na beira do palco e com as deferências que os membros da banda constantemente lhe fazem. Os seguranças já desistiram de proibir a dança com garrafa de cerveja na mão e parecem encarar as rodas de pogo, os pulos e os gritos como um mero fato da vida. “É só hoje, amanhã já passou”, devem ter pensado. Nada mal para uma casa conhecida por realizar shows de Patrick Dimon, Noite Ilustrada, Waleska e outros ícones pop da Terceira Idade.

“Essa música o Roberto Carlos não gosta mais de tocar”, anuncia André Nervoso.
“É, mas o Lafayette gosta!”, completa Gabriel Thomaz, guitarrista e vocalista dos Autoramas e uma espécie de band leader d'Os Tremendões.

E então a casa abaixo com a melhor versão para “E Que Tudo Mais Vá Para o Inferno” que eu já vi. Embora massacrada por anos e anos de festas de aparelhagem, programas de rádio AM e bailes da saudade, jamais podia imaginar que fosse realmente curtir ouvi-la de novo. Independente da idade, o Bolero inteiro canta a letra da música e termina com gritos de “Lafayette, Lafayette” até que o músico e a sua banda voltam para o bis. Detalhes, de Roberto Carlos, emana uma onda de romantismo por toda a boate, com novos e velhos casais dançando juntinho, fazendo declarações de amor e chamegando gostoso. A negação da afirmação do jornalista Ismael Machado, que mais cedo tentava me convencer que o problema dos indies é que eles não sabem dançar agarrado. Ao som de Lafayette e Os Tremendões eles, pelo menos, tentaram.

O fantasma de Roberto Carlos volta a rondar o palco em Amigo, a música escolhida pelos Tremendões para terminar o show. É de se pensar porque nenhum outro de seus contemporâneos da Jovem Guarda foi capaz de conseguir uma ressonância tão grande entre as novas gerações quanto ele. A questão é que Lafayette é um excelente músico e a paixão e a intensidade com que Os Tremendões tratam o seu legado e o da Jovem Guarda faz parecer que as músicas foram compostas ontem. Embora sob o viés cult roqueiros mais jovens consumam discos como Carlos Erasmo, A Máquina Voadora, de Ronnie Von, ou mesmo álbuns da fase soul de Roberto Carlos, ninguém com menos de 50 anos sairia de casa em sã consciência para assistir a um show desses sujeitos. Nem deles e nem de Renato e Seus Blue Caps ou mesmo da Wanderléa. Imagine então ouvir Roberto Carlos entoando “Nossa Senhora/Me dê a mão/Dona do meu coração...”. Impossível.

Termina o show e ninguém quer ir pra casa. Sentados numa mesa estão minha namorada, dois amigos e Randy Rodrigues, que junto com um outro amigo nosso estava enganando duas velhinhas que julgavam ser ele Gabriel Thomaz. Apesar do nosso estado precário e das garrafas de cerpinha consumidas na ordem das dezenas, conseguimos engatar uma conversa. Falamos sobre o último show dos Autoramas em Belém, sobre a fuga do produtor Alex Zambba da cidade após o fracassado show da banda Ludov, sobre a cena local e sobre o fato do show do Lafayette ter sido no bolero. A nós junta-se uma figura bastante conhecida do underground e do punk rock paraense que começa a falar de rock'n'roll.

Randy põe o jornalista velha-guarda Marcos Bragatto na conversa e lembra do seu encontro com ele no último Goiânia Noise. Ele conta que Bragatto não parava de reclamar do show dos Dharma Lovers. “Chato pra caralho”, diz alguém na mesa. Imediatamente lembro dele no documentário do fotógrafo Matias Maxx sobre o Free Jazz de 2001.

“A grande revolta do Bragatto era que ele viu três shows – Sigur Ros, Belle & Sebastian e Grandaddy – e em nenhum deles tinha solo de guitarra”, explico.
“Pô”, diz alguém, “Mas é foda, velho, Sigur Rós é música pra baleia transar. Fica naquele negócio fióóón, fióóón...dá vontade de vomitar”
“Sou mais o Cocteau Twins”, diz Randy
“PREFAB SPROUT!”, grita o punk.
“O que, rapaz?”, pergunto.
“PREFAB SPROUT!”
“O que tem?”
“É uma banda, porra! Prefab Sprout”
“Isso eu sei, mas o que é que tem?”
“Er...sei lá...mas o nome é do caralho, melhor que Cocteau Twins, Sigur Ros e essas merdas, que são ruins e ainda tem nome escroto”
“Tu acha?”
“Claro, olha que nome do caralho: PREFAB SPROUT!”
“Eu quero ver é tu falar isso com a boca cheia de farofa”, digo.
“Eu falo, PREFAB SPROUT! PREFAB SPROUT!”
“Se tu estivesses num VMB da vida e, digamos, o Caetano passasse na tua frente, tu falava isso pra ele ele?”, pergunta alguém.
“Claro! Não só falava como sujava ele todo de farofa", vai se animando o encrenqueiro,"Chamava ele e dizia ‘Ei, Caetanto, PREFAB SPROUT!’”
“O problema”, intervém Randy, “não é sujar o Caetano de farofa. O problema é ele querer contra-atacar cantando ‘Shy Moon’”
“Cacete, era a música do Volpone naquela novela Um Sonho A Mais”, digo.
“Shy Moon/Hazing in the shade/I can see your white face...”, começa a cantar o nosso amigo punk.

E então todos nós soltamos a voz e entoamos o hit brega-tecnotrônico que Caetano Veloso compôs quando decidiu reivindicar para si a parte que lhe cabia no rock brasileiro dos anos 80. Aos poucos, o Bolero vai voltando ao normal, com sua pista cheia de casais de meia-idade dançando agarrado músicas de Odair José, Bartô Galeno e Evaldo Braga. Os garçons passam recolhendo os baldes de cerveja vazios que o povo deixou no chão. No microfone, o mestre de cerimônias do Bolero anuncia os próximos shows: Jerry Adriani e Renato e Seus Blue Caps. Possivelmente esses, nem de longe, terão o mesmo brilho e o mesmo alcance indie pop de Lafayette e Os Tremendões. Ainda assim, são garantia de casa cheia. Pelo menos entre os tiozinhos que batem ponto no Bolero todo final de semana. Na periferia de Belém, a festa nunca termina.

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No palco do Bolero Erika e Renato querem que tudo o mais vá pro inferno. Messias Jardan não pode ir, pois passou o dia cavalgando e ficou todo assado. No entanto, sua assistente, Taiana Laiun, foi lá e fez o meteórico click

17 de março de 2006

Há muitas coisas na vida mais importantes que o dinheiro. Mas custam tanto!

Para minha geração, a que está chegando ou já passou dos 30, Jerry Lewys sempre foi um herói. Era o cara que nos divertia nas sessões da tarde, ele e Johnny Weissmuller matando crocodilos e leões só com uma faca. Era não, continua sendo porque o figura tá vivinho da silva. Ontem (16/03) ele completou 80 anos e aposto que continua engraçado pra caramba. Era só por causa dele que agüentávamos filmes com Dean Martin, que de escada virou incômodo quando soltava o vozeirão nos filmes. O único alento é nesses momentos nos dava oportunidade de ir ao banheiro ou então pegar um lanche na cozinha.

Particularmente ria muito dele. É claro que quando criança praticamente só tive a oportunidade de ver a fase dele com Martin, fase no qual era sempre um abobalhado infantilóide. Somente na adolescência pude vê-lo como Buddy Love, seu melhor papel no cinema em sua obra prima, O Professor Aloprado.

Quando a gente cresce e quer conhecer da vida das nossas referências toma ciência de como a maioria teve uma vida atribulada e não raro cheia de momentos ruins. Jerry Lewis entrou em depressão, tentou se suicidar, se viciou em remédios, tornou-se obeso por causa deles e sofreu um enfarte. Felizmente continuou firme. Gosto de pensar que ele está feliz pra caramba e que octogenário mantenha o bom humor sem limites que mostrava nas telas.

Quem quiser ler mais sobre ele e de uma fonte mais confiável dê uma olhada na ótima e breve biografia no site Omelete.

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Em 1972 Jerry Lewis produziu, dirigiu e estrelou "The Day the Clown Cried", que se passa num campo de concentração nazista. O filme nunca foi lançado. Quando não consegue fazer seus famosos clicks Messias Jardan procura por fotos na internet.

16 de março de 2006

O guia do beijoqueiro das baladas

Dica 72 – Uma estratégia que pode dar certo na grande maioria dos casos é a alteração do seu estado etílico para limites além do que sua consciência poderá lembrar na manhã seguinte. Bêbado, suas chances de agarrar as mais gatas são consideravelmente menores, até porque você não deve ser um cara disputado, do contrário não estaria lendo isso aqui. Em compensação, com a cabeça cheia de cachaça, a possibilidade de agarrar barangas e afins é bem maior, já que, devido às condições estéticas naturalmente desfavoráveis da categoria tribufú, estas não tem muita opção de escolha e podem acabar optando por dar uns amassos em você, ou melhor, naquele cara em que você se transforma quando enfia o pé na jaca.

Dica 10 – Agarrar a mulher pelo braço não é uma boa estratégia caso você tenha menos de 1.70 ou não entenda nada de artes marciais e, por mais que você e seus amigos pensem o contrário, a maioria das garotas não acha a coisa mais legal do mundo ser puxada pelo braço ou cabelo no meio da boate. Se mesmo assim você optar por este tipo de abordagem mais impetuosa, esteja preparado para possíveis reações violentas da vítima: tente roubar uma bandeja do garçom e empregue-a como escudo; proteja também a área dos países baixos com meias ou panos embolados, pois além de prevenir-se contra joelhadas em ponto de extrema sensibilidade, você ainda cria um certo volume na região, posando de bem dotado para o mulherio.

Dica 98 – Cantadas de balcão dificilmente funcionam, mas tudo depende do que é dito e por quem. Um babaca como o Fábio Assunção, por exemplo, pode soltar um “eu queria ser o selim da sua bicicleta em um domingo de sol” que mesmo assim vai liquidar a fatura. Como sabemos, você não é o Fábio Assunção, mas também pode faturar as genésias* desde que tenha lábia e criatividade. Esqueça cantadas fofinhas ou bem educadas, você é mané, nada disso vai dar certo mesmo, parta para a ignorância com frases como “apostei com meu amigo que esses melões aí não tinham caroços, posso procurar?” ou (caso a garota tenha seios pequenos) “não gosto de ovo cozido, mas frito como os seus eu me farto”.

*Termo inventado pelo autor do texto para designar mulheres de maneira pejorativa. Claro que em público ele jamais vai admitir a autoria ou pronúncia do termo.

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Fábio Assunção acha de última homens que não passam base nas unhas. “Realce, quanto mais purpurina melhor!” disse Messias Jardan antes de registrar o momento.

15 de março de 2006

Tenho medo de

Fãs do contato com a natureza – Durante milhares de anos nossos antepassados lutaram contra terríveis predadores, passaram dias sem água, lutaram por comida e enfrentaram frio, calor e toda a sorte de condições naturais adversas. Com a descoberta da agricultura, deixamos a condição de nômades e daí para o surgimento das primeiras aglomerações urbanas, do supermercado e das casas de tolerância para moças foi um passo. Mas um dia, algum mal agradecido renegou toda a luta de nossos ancestrais por melhores condições de vida e resolveu lançar a idéia de que era legal sair da cidade nos finais de semana e feriados para guerrear contra mosquitos, cagar no mato e esturricar a pele no sol até a primeira mancha de câncer aparecer.

Espiritualizados, mas não-religiosos – Excelente fatia de mercado para picaretas de toda espécie, as pessoas espiritualizadas tanto podem acreditar que a floresta amazônica é um experimento dos alienígenas de Alpha Shoppenhaüer, quanto atribuir o sumiço de uma maçã a um gnomo matreiro. Outra coisa que tal tipo de gente é capaz de fazer, é “enxergar além do que se vê”, e não estamos falando apenas daquele bago de feijão escondido no molar, mas também de auras, espíritos e peidos coloridos. Inimiga mortal dos espiritualizados, a indústria farmacêutica, além de gananciosa é burra, pois perde bilhões de dólares anuais investindo em complexas pesquisas, quando poderia resolver tudo gastando apenas uns trocados vendendo lâmpadas, pedrinhas e líquidos coloridos em embalagens artesanais.

Pessoas que tem medo de internet – Mais perigosa do que a internet é, sem dúvida, a vida real. O mesmo cara que tem pânico de dar o número do cartão para comprar uma bosta de um Dan Brown no Submarino, deixa a camareira do motel sumir com o mesmo cartão corredor adentro pra fazer a bosta que bem entender. Uma variante do medo das compras é o medo do Mercado Livre. Em alguns relatos, as vítimas achavam que somente o ato de olhar o produto ofertado já poderia lhe tirar algum dinheiro do banco.
Existe também o orgulho ignorante em não possuir e-mail ou conta no MSN, como se uma janela piscando em laranja fosse mais perigosa do que uma volta de carro pelo Rio de Janeiro ou uma coxinha amanhecida da padaria.

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Reginaldo tem medo de internet, mas gosta de paçoca. O clique cheio de bolinhas de feltro nos foi revelado pela lente do amor de Messias Jardan.

A arte na mesa de bar

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14 de março de 2006

Minha homenagem às mulheres... com uma semana de atraso

O atraso não foi descuido não. Quarta-feira passada todo mundo deu parabéns para elas no Dia Internacional das Mulheres. Preferi usar uma data neutra. Poderia usar o chavão que "todo dia é delas", mas tentei usá-lo na data correta com uma menina e pra variar não deu certo. Remonto ao tema porque semana passada o que mais vi foram buquês de rosas sendo dados de presente. Daí lembrei de um texto antigo do amigo Wilson Cremonese, Primeiro Amor. Nele o Rei do Hidrovácuo comenta que flores não valem de nada como presentes e que ele sempre dava uma cesta básica às namoradas nas datas especiais. Concordo plenamente.

Pô, de que vale um ramalhete de rosas? Se forem dadas de manhã à tarde já não prestam pra nada. E não me venham com o papo de que só a beleza já satisfaz. Porra nenhuma! Homens só se interessa por mulheres bonitas porque, por instinto, acreditam que elas também são de uma beleza ímpar na performance horizontal. O mesmo vale para as mulheres com o homens. Só formosura não basta. Para que eu vou querer um mulherão se for só pra ficar do meu lado, sem poder relar?

Para as flores o meu raciocínio é o mesmo. O que é que vai se fazer com uma porcaria daquelas cheias de espinhos no meio da sala? Prefiro-as nos seus lugares devidos. No campo elas ficam bem melhor, em harmonia com o cenário.

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Floricultor nas horas vagas, Messias Jardan não gostou nada do texto. Ele mesmo preparou esse arranjo bem caprichado para o espinhoso click. Mesmo assim não soube explicar o que seria feito com as flores após a foto.

Por outro lado, já em tom de galhofa mas sem perder minha coerência, uma cesta básica tem muito mais utilidade. Vá lá que alguém pode não gostar de receber arroz, feijão, açúcar, café, farinha de trigo e de mandioca, batata, cebola, alho, ovos, margarina, extrato de tomate, óleo de soja, leite em pó, macarrão, biscoito, carne de primeira e de segunda, frango, salsicha, lingüiça, queijo, sabão em pó e em barra, água sanitária, detergente, papel higiênico, creme dental, sabonete e desodorante; mas, se nela rolar umas latinhas de cerveja, uma garrafa de vodka, um pacote de camisinha (um só, não vou dar uma de pretensioso) e um pacote de Cheetos a festa estará feita.

Antes que seja tachado de insensível trato logo de me defender. Realmente romantismo, ou a falta dele, é um dos meus inúmeros defeitos. Mas, não sou falso e nem fico com bajulação à toa. Talvez se usasse dessas artimanhas tivesse uma vida mais movimentada, mas não consigo. O que posso fazer? O que sei é que um dia encontro uma garota que encare como presente uma cesta bem variada e que me convide para, juntos, prepararmos um lanche rápido e que faça bem mal à saúde regada a umas doses de Smirnoff.

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"Aposto que tem uma garrafa de cana por baixo desses produtos", exclamou Messias Jardan, de cara emburrada, enquanto fazia o click hortifrutigranjeiro.

13 de março de 2006

Após destruir a sede da Aracruz MST invade a Casa do Caralho

Pelotas (Chapada dos Veadeiros) - Depois de fazer a maior cagada na sede da Aracruz, empresa especializada na exportação de araras evangélicas para a Europa e Estados Unidos, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra Sem Lenço e Sem Documento Num Céu de Quase Dezembro Eu Vou Eu Vou decidiu radicalizar e invadir a Casa do Caralho. Direto do acampamento Companheiro Leonildo Boqueirão, em Vala do Albuquerque, Rio Grande do Sul, o Fidel Castro albino e chefe nacional do MST, João Pedro Stedile, anunciou que a invasão foi o primeiro passo do ato conhecido como Março Vermelho com Listras Grená e Um Xadrez Lindo de Morrer, que pretende invadir ainda a Casa da Sogra, a Casa da Noca e o Cu do Mundo, localizado lá na Putaquepariu. "A gente temos essa missão de invadirmos pra mostrar à burguesia que pobre não serve só pra comprar sardinha coqueiro na taberna e fazer churrasco na laje. Vamos conseguir a reforma agrária e a paz no campo nem que seja na base da porrada", declarou Stedile antes de agredir a nossa equipe de reportagem com uma beterraba podre.

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Bastante arisco, João Pedro Stedile empunha o seu fuzil AR-15 enquanto comanda a invasão à Casa do Caralho. Messias Jardan, que trabalhou durante anos no Piauí como representante dos adubos IAP, não titubeou em fazer o arcádico click

11 de março de 2006

O Grande Carnaval do Brega

"Você é quem?"
"Hã?"
"Você é quem?"
"Ah tá...er...meu nome é Vladimir Cunha, eu sou colaborador do site Overmun..."

PLAFT!

O segurança fecha a porta na minha cara numa atitude descrita pelo Gordinho, que foi comigo à coletiva no Hilton Hotel buscar as credenciais para o show da Banda Calypso, como "boçalidade profissional". Diz ele que é o cara que viu muito Nova Iorque Sitiada ou Na Linha de Fogo, aquele filme no qual o Clint Eastwood é segurança do presidente dos Estados Unidos, e esperou durante a vida toda a oportunidade de ser fodão com um mané qualquer. Nesse caso, eu.


Bato mais uma vez na porta. O segurança põe a cara pra fora e fecha de novo. Em seguida, abre novamente e diz para eu esperar. São pelo menos uns 10 minutos até que a assessora de imprensa apareça e me convide para entrar. Nesse meio tempo, eu e Gordinho observamos o vai e vem de membros da equipe de apoio da Calypso, todos de uniforme preto e walkie-talkie pendurado na cintura.

Nada mal para uma banda que há uns cinco anos me deu uma entrevista em um camarote minúsculo e calorento da casa de shows Apororoka, onde mal cabia o grupo e os seus bailarinos. Naquela época eu trabalhava como freelancer para a revista Bizz em uma matéria sobre a cena brega-pop de Belém. Um tempo em que Banda Calypso era apenas mais uma das centenas de grupos que ralavam na noite da cidade. E Chimbinha, um guitarrista genial e inovador que já havia gravado mais de mil discos como músico de estúdio.

"Cara estar aqui hoje é como estar no camarote VIP dos Rolling Stones em Copacabana", diz mais tarde o meu chapa Randy Rodrigues, produtor das festas quinzenais da Dançum se Rasgum Produciones que convidei para ir comigo ao show gratuito que a Banda Calypso faria em Belém no último dia 23 de fevereiro.

Foram dois quilômetros a pé do ponto onde descemos até o camarote VIP, onde poderíamos assistir a banda com direito a bebida e comida de graça e uns pufes para relaxar enquanto o show não começava. Uma vez lá dentro, tratamos de atacar as latinhas de cerveja e a tábua de frios enquanto um grupo bastante chato fazia o show de abertura. Uma espécie de Timbalada com um vocalista furreca, que só ganhou aplausos da massa quando anunciou a sua última música.

Eu não sei se foi a música ou o excesso de cerveja, mas o fato é que estava começando a ficar enjoado daquela batucada toda e traçava na mente um plano de fuga para sair dali o mais rápido possível caso a Banda Calypso demorasse para começar o show.

Não foi preciso. A banda toca mais uma música, as cortinas do palco se fecham e um comercial de moto aparece no telão ao som de um poderoso drum'n'bass. Não entendi nada, mas a impressão que deu é que a empresa que fabrica a moto era a patrocinadora do show. Quer dizer, eu acho. Em seguida, as cortinas se abrem, Chimbinha aparece no palco, Joelma entra saudando o público e a banda ataca um brega-pop que leva a multidão a erguer os braços para cima e cantar tão alto que mal posso ouvir a voz da cantora. A última vez que vi algo assim foi no Rock In Rio II em 1991, quando o Guns'n'Roses tocou Sweet Child O'Mine, levada por um Axl Rose espremido numa bermudinha de lycra com a bandeira dos Estados Unidos estampada. Eu, que naquela época era meio cafona e usava um lenço vermelho na cabeça combinando com uma camisa da Anonimato cheia de caveiras estampadas, fui na onda e cantei junto até perder a voz. Shame on me, shame on me...

Impossível dizer que músicas a Banda Calypso tocou. Até porque eu não sei o nome de nenhuma. O que importa é que a Avenida Pedro Miranda virou um imenso salão de baile brega-pop, o terreirão suburbano que eu sempre sonhei em ver acontecer um dia. Foram cinco, seis, sete músicas tocadas uma atrás da outra, sem pausa, sem discursos e sem firulas. Todos os sucessos da banda enfileirados, dispostos espertamente para levar a multidão ao delírio. É quando percebo que, de fato, a Banda Calypso se transformou num fenômeno pop. As subidas de ritmo para fazer o povo pular, Joelma apontando o microfone para o público e instigando a multidão a cantar os refrões, os solos de Chimbinha na hora certa, as luzes, as pausas...truques pop da melhor qualidade que vemos em maior ou menor grau em todos os bons shows ao redor do mundo. Nos Stones em Copacana, no U2 em São Paulo...com a vantagem que Chimbinha toca melhor e tem uns 90 anos a menos que Keith Richards e Joelma é uma vocalista bem mais interessante do que Bono Vox, o Luciano Huck do pop.

Pausa para o prefeito Duciomar Costa entrar no palco e levar a maior vaia que já vi na vida. As sabe-se lá quantas mil pessoas que entupiam a Avenida Pedro Miranda de ponta à ponta mandando ver enquanto o homem discursava. Como diria Shaula Vegas, "quis dar o close e levou um 'bú'". Melhor sorte teve o vice-prefeito Manoel Pioneiro, que mandou um abraço para os rapazes, um beijo para as meninas e se pirulitou do palco antes que sobrasse para ele. Para acalmar a multidão, Chimbinha e Joelma voltam com força total e mandam mais uma sessão de Banda Calypso para as massas.

A essa altura Randy Rodrigues já está totalmente familiarizado com o incrível mundo do jornalismo paraense e comanda um concurso de malabarismo junto com um grupo de assessoras de imprensa, fazendo-as dançar o brega equilibrando uma latinha de cerveja na cabeça. De repente o camarote VIP vira a festa da uva, com o povo pra lá e pra cá equilibrando até não mais poder, pegando banho de cerveja e fazendo a dança da cordinha. Decido que só isso não é o suficiente e chamo umas celebridades locais para se juntar a nós: o cantor Silvinho Santos, um radialista chatíssimo e um anão ajudante de palco de um programa policial. Convencê-los a dançar com a lata na cabeça é mais fácil do que parece. Inclusive o anão, que em suas próprias palavras "estava doido para entrar na onda".

"Vlad, essa música...eu tenho certeza que toda vez que a Roberta Miranda ouve ela corre pro banheiro e se corta toda de inveja. O Chimbinha e a Joelma ganharam a mulher no próprio jogo dela!", diz o jornalista Clemente Schwartz, pra lá de Bagdá, enquanto no palco rola "Maridos e Esposas", um bolerão classe A com uma das melhores letras de corno da história seguido de um medley de carimbó e uma sucessão de covers de lambada, de Beto Barbosa à Banda Warilou, grupo criado pelo maestro Manuel Cordeiro que causou furor em Belém nos anos 80.

Não dá para discordar da maldade do Clemente. Aliás, a essa altura eu já estava concordando com qualquer coisa. Se alguém chegasse para mim pedindo apoio para a volta do Afif Domingos era capaz de eu imediatamente puxar um coro com o bordão "juntos chegaremos lá!" e sair fazendo panfletagem pela multidão. Se o José Rainha pintasse por lá botando pilha eu liderava até uma invasão do MST. A situação era tão precária que mesmo eu, que não danço porra nenhuma, arrisquei uns passos de brega, fiz umas coreografias supostamente inspiradas na abertura de Rainha da Sucata e dancei três músicas seguidas sem derrubar a latinha de cerveja que equilibrava na cabeça. Enquanto isso, a Banda Calypso chama Nelsinho Rodrigues e Edílson Moreno e, juntos, transformam o palco montado na Avenida Pedro Miranda em um grande show brega-cover, tocando versões para diversos clássicos da música romântica paraense, que o povo na platéia sabe na ponta da língua.

Tempo de assistir ao encerramento do show, esperar a multidão se dispersar, pensando na sagacidade de Chimbinha e Joelma, que transformaram um produto local e segmentado em um fenômeno pop sem precedentes na história recente da música brasileira. O que liga na Banda Calypso é saber como eles conseguiram internacionalizar um som que parecia fadado a nascer e morrer em Belém do Pará. Nesse processo, amadureceram como artistas e se apropriaram de todos os truques pop que foram pilhando pelo caminho. Talvez uma herança dos tempos em que Chimbinha era músico de baile na periferia de Belém, onde em uma única noite era obrigado tocar de Juca Medalha a Pink Floyd, de Pinduca a Creedence Clearwater Revival, de Dire Straits a Mestre Vieira. É possível que a lição que Chimbinha tenha aprendido é a de que a música para as massas é, antes de mais nada, um produto que se comporta de acordo com regras bastante rígidas de produção e execução. Em termos técnicos, todos os shows pop são iguais, com os mesmos truques, as mesmas luzes para impressionar, os mesmos microfones para a galera cantar junto, as mesmas palmas e as mesmas coreografias. No mundo da industria do entretenimento, nas salas de reunião e nos departamentos de marketing das grandes gravadoras, ser Britney Spears, o U2, o Iron Maiden ou os Rolling Stones dá no mesmo. À frente da Banda Calypso, Chimbinha e Joelma parecem ter aprendido as regras do jogo. E enquanto elas continuarem valendo, os dois terão garantido o seu lugar no panteão pop brasileiro dos anos dois mil.

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No calor da tremedeira, Randy Rodrigues, o popstar Silvinho Santos e o jornalista Vladimir Cunha mostram com quantas latinhas se faz uma boa reportagem. Messias Jardan, que tem mestrado em dança de salão, foi o autor do animado click

Publicado originalmente em www.overmundo.com.br

Pílulas de Sabedoria do Dr.Vlad

Para os playboys e patricinhas, Nando Reis pretende ser uma espécie de novo O Rappa. Mas, no fundo, não passa de um R.E.M. sem-graça.

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Em 1985, nos bastidores do Cassino do Chacrinha, os Titãs se preparam para subir ao palco e encher o saco do auditório. Da esquerda para a direita: Charles Gavin (bateria), Paulo Miklos (vocal), Nando Reis (baixo), Arnaldo Antunes (vocal) e Tony Belotto (guitarra). Messias Jardan, que na época só saia de casa com o cabelo cheio de gel new wave, foi o autor do performático click.

9 de março de 2006

Rainha da Inglaterra recebe Lula e manda ele desentupir a pia da cozinha

Palácio de Buckinghan (Camelot)- Depois da briga entre Nelson Piquet e Nigel Mansell em 1986 e do show de Rod Stewart no reveillon de 1994, mais um acontecimento escabroso abala as relações entre o Brasil e a Inglaterra. Muito disse-me-disse e muito quiquiqui marcaram o encontro entre o presidente Lula e a Rainha Elizabeth, em Londres. Durante cerimônia no castelo de Buckinghan, Elizabeth, após receber Lula, mandou que ele fosse desentupir a pia da cozinha real, que estava com problemas depois que o Príncipe Charles lavou a louça sem jogar os restos de comida no lixo. "Quando eu vir aquele paraíba vindo me cumprimentar achei que fôsse a encanador e despachei direto pro cozinha. Meu filha, você não sabe o zona que está esta palácio. Mandei Charles jogar diabo verde no pia para ver se dava um jeito, mas ele se queimou toda. Charles é uma retardado. Passa a dia inteira de cuecas, ouvindo rock balada, brincando de gato mia e fazendo merda pelo casa", declarou a Rainha após dar uma gorjeta para o chefe da delegação brasileira.

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Cansado do batente, Lula descansa após dar um jeito na pia da Rainha Elizabeth. Messias Jardan, que estudou inglês instrumental no Instituto Rádio-Técnico Monitor, não deixou por menos e produziu o aristocrático click

Oscar 2006: Brokeback Mountain ganha prêmio de "Melhor Viadagem"

Hollywood (Ilha da Fantasia) - Depois de uma campanha arrasadora na Galeria Alaska, nas saunas de São Francisco e nas raves de Ibiza, o filme Brokeback Mountain AR-RA-SOU no Oscar 2006 ao levar para casa o prêmio de "Melhor Viadagem", que nos anos anteriores foi dado a filmes como Batman & Robin, Moulin Rouge, West Side Story, Cinderela em Paris e A Noviça Rebelde. Os atores - que estavam assados devido a refilmagem de uma cena, refeita por problemas técnicos - ficaram super-felizes e foram comemorarar, em pé, em uma boate de Los Angeles ao som do grupo Village People Cover. Empolgado, o diretor Ang Lee anunciou que seu próximo projeto será uma versão GLS para o herói dos quadrinhos Super-Homem, intitulada "Bofe Escândalo". Apesar de tudo, o prêmio causou polêmica em Hollywood. Revoltado, Mel Gibson convocou uma coletiva para comentar o assunto. "Bora parar com essa frescura senão eu vou aí e dou porrada em todo mundo", declarou o astro antes de quebrar o pescoço de um assessor de imprensa de Joel Schumacker.

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Durante as gravações de Brokeback Mountain, Jack Gylenhall é só carinho com o cavalo Stallone, o seu garanhão italiano. Messias Jardan, que passou com louvor no teste da farinha, não se intimidou e fez o açucarado click

Presentes que deram certo no Dia da Mulher

CD da Marisa Monte - Este é infalível e compõe uma tríade do mal em que figuram também Marina Lima e Vanessa da Mata, cantora baiana batizada dessa forma após ser abandonada em uma matagal por uma tia que ficou surda ao tentar criá-la. Prepare-se para dias tortuosos no CD player do seu carro.

Bruna Surfistinha - Uma dose de "O Veneno do Escorpião" não faz mal a mulher alguma. Pelo contrário: querer ser prostituta virou hype tanto entre garotas descoladas como entre idosas que escutam a família Caymi aos domingos. Os "mistérios" da vida fácil encantam o público feminino e lhe dão um ar de madura serenidade diante da atual fase de liberação tresloucada das mulheres - coisa que você, obviamente, não tem. (Vide "O Diário de Dulce Skatistinha").

Rosas - Baratas e cheias de significados (para elas), rendem momentos agradáveis no sofá e a sensação de que você entende bem a alma da mulher. Diga que foi roubada e ganhe comentários elogiosos de sua pretendente às amigas. Uma dica: não reenvie flores que havia recebido dela anteriomente.

Coisas do Chico Buarque - Já que o mondrongo de olhos de ardósia continua a apavorar o sexo masculino com suas malícias que subvertem as mulheres, fez uma boa escolha quem se rendeu e presenteou seu broto com qualquer coisa dele. Chico Buarque funciona como uma espécie de vaselina intelectual que te faz parecer um exemplar único entre a raça masculina.

Estética gay - A atual crise de passividade por que passa Hollywood definitivamente conquistou as mulheres. Filmes de estética homo-erótica ou de roteiro abaitolado, como o indicado ao Oscar "Brokeback Mountain", sobre os bastidores da Festa do Peão de Barretos, possuem um magnetismo infalível entre o mulherio. Na boa: é melhor você acompanhar logo sua garota antes que ela, sozinha, comece a achar bacana essa idéia de esfregar a barba e tenha algumas sugestões "bacanas" para esquentar o relacionamento de vocês.

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Brokeback Mountain: filme fala sobre a passividade, o lado gay do homossexualismo

Paulo Nazareno analisa as pessoas no Orkut

As pessoas no Orkut

8 de março de 2006

Para as mulheres

Ou Allan Sieber é um gênio.

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As piores coisas pra se dizer no Dia das Mulheres

“Mulheres, obrigado por existirem”. Essa é uma das maiores bobagens pra se dizer pra qualquer pessoa. Não faz o menor sentido agradecer a alguém por algo completamente involuntário. Elas existem e pronto. Além disso, agradecer a existência das mulheres é o mesmo que dizer que elas só existem para agradar você e mostra o quanto você é machista.

“Todo dia é dia da mulher”. Quem você pensa que é pra contestar uma convenção mundial, meu amigo? Se você diz isso pensando em agradar as mulheres, errou feio. Em primeiro lugar, porque você jamais se lembra de homenageá-las todos os dias. E, cá entre nós, isso seria um saco. Em segundo lugar, esnobar um dia criado especificamente para presenteá-las enfatiza seu lado mão-de-vaca e egoísta.

“Mulheres, eu não seria nada sem vocês”. À exceção da sua mãe e de uma ou outra professora do primário, é pouco provável que aquilo que você é ou deixa de ser tenha a ver com as mulheres. Atribuir ao sexo feminino ou à ausência dele seus fracassos pessoais mostra o quanto você é uma pessoa dependente, insegura e, acima de tudo, cínica.

“Desejo a você um feliz dia das mulheres”. Desejar um dia feliz é muito fácil, mas o que você fez de concreto pra isso? Absolutamente nada. Sua atitude não poderia ter sido mais cínica e aproveitadora: se o dia da mulher em questão for ruim, você alegará que fez sua parte desejando um dia feliz. Se o dia dela for bom, os méritos são seus, não é mesmo? Agindo assim você demonstra toda a preguiça e esperteza de sua mente doentia.

“Dia da mulher: Maria quedava-se aos pés do Senhor ao ouvir-lhe os ensinamentos” Lc10:39b. Como é que é? Quem você pensa que está homenageando com isso?

Waldez e o inverno rigoroso

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6 de março de 2006

Era simplesmente um luxo

Terra do Pé Junto - Morreu semana passada Athayde Patreze. Apresentador de TV e bom vivant, foi ele o responsável pela minha entrada no mundo das letras e das artes. Em 1994, seis anos depois de adquirir o mundialmente famoso microfone de ouro, entrevistou-me no não menos famoso Athayde Patreze Entrevista em uma reportagem sobre os bastidores do mundo do hidrovácuo. O resto é história.

Deixou esse plano para brilhar num outro. Espero que seus males sejam relevados no além. Tenho certeza que sim, pois era, como seu próprio bordão deixava claro, "Simplesmente um Luxo". Como a morte só concerne aos que ficam, resta a saudade. Devia muito a ele, mas agora que tá comendo capim pela raiz eu não vou pagar nada.

Athayde também deixou como legado ao Ressaca Moral o fotógrafo anabolizado Messias Jardan. O retratista começou sua carreira ao lado do luxuoso homem de imprensa durante um evento no Iate-Clube de Mossoró, em 1986. Foi com o dinheiro de sua demissão que o retratista GlobeTrotter comprou sua Rollerflex 79 tunada.

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Athayde entra para a história e merece de todos um beijo no coração.
Emocionado, Messias Jardan não apareceu para trabalhar por três dias e mandou uma foto de seu arquivo pessoal.

4 de março de 2006

Malhação x Rebelde

Trama – Os roteiristas de Malhação devem sofrer de alguma espécie de anomalia cerebral, pois todo ano esquecem o que escreveram na temporada passada e repetem a mesma história: um casal que se apaixona e é sabotado por uma dupla de vilões de nomes bizarros (Catraca, Urubu e etc) tendo como pano de fundo alguma tendência de comportamento "jovem" (em temporadas passadas o jiu-jitsu, o rock e o cinema e na temporada atual o skate). Porra, desse jeito nem precisa assistir mais, pois todo mundo sabe que eles vão ficar juntos no final e a dupla de vilões será desmascarada ou presa para que outro par de atores possa assumir o posto na temporada seguinte. Por outro lado Rebelde também não fica atrás, pois mostra os mesmos conflitos adolescentes que a gente está careca de ver desde que J.D. Sallinger deu vida a Holden Caulfield em O Apanhador no Campo de Centeio. Sem falar que temos não um, mas dois casais que não conseguem ficar juntos de jeito nenhum (Roberta e Diego, Mia e Miguel) pelos motivos mais idiotas possíveis. No entanto, a idéia de uma conspiração envolvendo uma seita que se dedica a limar os alunos mais pobres do colégio e a putaria que rola na novela tornam Rebelde um pouco mais interessante que o seu similar nacional.

Atuação – É um fato que Malhação nunca reuniu os atores mais brilhantes da Rede Globo, funcionando mais como uma espécie de jardim de infância para atores em começo de carreira. Além do que não dá para levar a sério um programa que trazia canastrões como Alexandre Frota, que sabiamente descobriu que atuar não era o seu forte e foi se dedicar a uma bem-sucedida carreira de ator pornô, e André Marques, o mala do Mocotó, um dos personagens mais infelizes da dramaturgia brasileira. Já Rebelde...bem...Rebelde é uma novela...mexicana. E como toda boa novela mexicana, de Chispita a Maria do Bairro, se baseia em atuações forçadas, como nas crises de choro de Diego e Giovani, e caricatas, como a da secretária Alice. A tentativa de reconciliação de Roberta com sua mãe e o drama do professor Madariaga, acusado de matar sua família, me lembraram a cena em que Didi chora a morte do cãozinho Lupa em Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão. E ainda teve o círculo de oração e auto-ajuda liderado por Mía Colucci no capítulo de 30 de janeiro que não faria feio caso fosse mostrado no Show da Fé, no Ponto de Luz ou no Fala que Eu Te Escuto. Empate.

Música –Se Malhação já teve a Vagabanda (o pior nome de banda desde Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens) tocando uma música que a emissora queria que os espectadores acreditassem que era rock, Rebelde vai pelo mesmo caminho e lança no mercado um grupo que parece pato: nada, voa e anda mas não faz nenhum dos três direito. Quando é para ser rock eles imitam o Bon Jovi, quando é para ser eletrônico parecem mais a Luka em Tô Nem Aí. E quando é para ser romântico remetem ao Roupa Nova tocando o tema da Viúva Porcina em Roque Santeiro. Tudo temperado por letras pretensamente atrevidas, instrumental animadinho e visual sexy. No fundo é tudo a mesma a coisa, e o que diferencia uma banda da outra é que Marjorie Estiano canta em português sem sotaque. Mas a Globo ainda não tirou da abertura a aquela música terrível do Charlie Brown Jr, que segue acreditando que todo adolescente é retardado, usa boné virado pra trás e bermuda de skatista. Ponto para Rebelde.

Moda – Por ser uma novela da Globo, Malhação segue a linha naturalista. Seus protagonistas se vestem normalmente, como qualquer outro adolescente brasileiro. Quanto a Rebelde, por ser uma novela mexicana os figurinistas capricham no exagero, principalmente nas roupas de Mía, Alma Rey e Roberta, o trio espetaculoso da novela. Claro que nunca vamos ver ninguém andando desse jeito na rua. Mas antes de ser um defeito, isso é uma qualidade da novela, já que o figurino extravagante revela todo o, hmm, "talento" das moças. Principalmente o de Alma Rey, que vive espremida na versão mexicana da calça da Gang.

O fator Ilha de Caras – Há mais de dez anos no ar, Malhação já não causa nenhuma surpresa. E o time de atores cada vez menos carismáticos contribui para que ela não seja exatamente um estouro. Já Rebelde chega ao Brasil como um fenômeno mundial, que lhe transformou na versão anos dois mil do Menudo. O sucesso da novela no SBT é só o começo. Pode apostar que vem muito mais por aí: aparições no programa Gugu, presença vip no carnaval de Salvador, sessões de fotos para revistas de celebridades, shows lotados por todo o país,
adolescentes descabeladas gritando pelo grupo em frente a hotéis, boatos de que uma das atrizes está namorando um brasileiro, revistas-pôster Rebelde, álbum de figurinhas Rebelde, cola para dentadura Rebelde, lancheiras Rebelde, abridor de latas Rebelde, macarrão instantâneo Rebelde...ufa. Serão pelo menos dois anos de
febre Rebelde no Brasil (que, ao contrário da gripe do frango, tem cura). A vantagem é que ela passa rápido e, como já disse antes, no futuro teremos apenas mulheres crescidas e envergonhadas de suas paixões adolescentes, que rirão sem-graça quando algum namorado achar entre suas coisas uma revista Ti Ti Ti com um pôster de Diego, Mia, Roberta, Miguel, Giovani e Lupita . Mas enquanto isso vai ser um saco agüentar toda essa superexposição. Vantagem para Malhação, que é igual peido: está no ar mas ninguém vê.

Resultado final – Por quatro pontos a dois a vitória fica com Rebelde, que promete estrear em breve a sua nova temporada no Brasil. Ainda é cedo para saber se o sucesso da novela será capaz de provocar alguma mudança no esquema de Malhação, que prossegue como líder de audiência no horário. Isso só o tempo dirá, pelo menos enquanto Rebelde tiver fôlego para se manter como um fenômeno pop internacional.

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A patricinha Mía Colucci não lê o Ressaca Moral, mas adora ver as figuras. O click ergométrico é de Messias Jardan

3 de março de 2006

Como enlouquecer um call center

Domingo. Depois de uma noite de muita bebedeira chego em casa às cinco da manhã. Tomo um banho, troco de roupa, vejo uns desenhos na televisão e quando consigo dormir já são seis horas. Mal fecho os olhos e lá pelas oito e meia da manhã toca o telefone. É o call center da operadora de telefonia querendo saber de uma conta atrasada. A telefonista faz um monte de perguntas que, pelo meu estado precário, não consigo responder. No final das contas pede que eu anote um número de protocolo. Eu digo que anotei. Ela então pede que eu repita para
ter certeza que eu fiz o que ela mandou. Eu - puto, com sono e cara toda remelenta - bato o telefone.

Vai chegar um dia em que o mundo irá testemunhar um levante contra os call centers, essas empresas sem-noção que acham a coisa mais normal do mundo ligar para a casa da gente às oito da manhã de domingo. Enquanto isso não acontece, lanço aqui uma versão do Manual de Guerrilha Urbana, de Carlos Marighella, a minha contribuição para a luta subterrânea contra os call centers. Escolha a técnica que mais lhe agradar e boa sorte.

Se finja de surdo – Assim que você atender ao telefone e a operadora perguntar por você comece a berrar frases sem sentido. Quanto mais alto você gritar, melhor. Ela vai ficar confusa e sem saber o que
fazer enquanto você diz coisas como "ISSO!! O PINHEIRENSE VAI SER O CAMPEÃO DO PRIMEIRO TURNO!! ÉÉÉ, O PI-NHEI-REN-SE!!" ou "AVISA PRA DONA IDALINA COMPRAR UMA BISNAGA DE SEBO DE HOLANDA E UM MAÇO DE AÇOITA CAVALO. NÃO!! NÃO É MINÂNCORA! É SEBO DE HOLANDA!!". Garanto que com duas ligações ninguém mais vai lhe importunar.

Dê uma de satanista – Assim que pegar o telefone pergunte a telefonista se ela não está afim de vender a alma ao diabo. Diga que acabou de apunhalar um bode preto no pentagrama que desenhou na sala da sua casa e precisa de uma virgem para sacrificá-la a Belzebu, o senhor das moscas e monarca do inferno. Em seguida balbucie duas ou três frases em latim e fale em "línguas estranhas", dando a entender que você foi possuído pelo "encosto". Para terminar, diga que todas as contas de telefone e faturas de cartão de crédito trazem o número 666 impresso na parte de dentro e solte uma risada de cientista maluco. É tiro e queda.

Passe uma cantada na telefonista – Chegue logo dizendo "minha filha, vamos amaciar esse charque". Seja chato, insista, passe cantadas que ninguém usa mais, diga que ela lhe lembra a Betty Faria em Tieta. Se nada disso funcionar, pergunte se ela curte sadomasoquismo, bondage, chuva marron ou golden shower. Complete avisando que comprou algemas novas e está doido para saber se elas funcionam de verdade.

Toque Los Hermanos para ela – Ouvir a voz de Camelo e Amarante cantando aquelas letras sem sentido é dose, uma tortura pior do que as praticadas pelo exército norte-americano na prisão iraquiana de Abu
Ghraib ou na base de Guantánamo. Se ela não dormir na primeira música e agüentar até a quinta faixa é possível que sofra danos irreversíveis e nunca mais consiga trabalhar em um call center. Vai ser um soldado a menos nas fileiras inimigas.

Dê o troco e pergunte sobre ela e a empresa em que trabalha – Já que eles têm o direito de perguntar quando você pretende pagar as suas contas, sinta-se no direito de fazer o mesmo. Pergunte se a
telefonista está com o nome limpo no SPC, se ela paga em dia o colégio dos filhos e etc. Peça para ver os balancetes da empresa e diga que quer saber se eles pagam direito os impostos e recolhem corretamente o
ICMS. Uma jogada de contra-guerrilha que serve para confundir o inimigo.

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Ana Paula Arósio se recusou a continuar fazendo propaganda de uma empresa de telefonia e foi processada por quebra de contrato. Por isso foi condenada a trabalhos forçados em um criatório de pentelhos. Messias Jardan, que faz depilação com cera quente, não se intimidou e fez o alcalino click

1 de março de 2006

As turnês que eu não assisti – U2 Vertigo 2006

A Irlanda está para o resto da Europa mais ou menos como o Sergipe para o resto do Brasil: você nunca ouve falar daquele lugar, não conhece ninguém que venha de lá, não sabe onde fica e, para sua sorte, jamais precisará visitá-lo. Em suma, assim como o Sergipe, a Irlanda é um lugarejo desconhecido em que nada de interessante acontece e qualquer nova fofoca nas redondezas vira assunto para meses a fio —

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Bono, sem desconfiômetro, flagrado por
Messias Jardan enquanto molestava uma garota
um mal entendido entre um vizinho católico e outro protestante que aconteceu há séculos rende conversa até hoje. Talvez por isso o surgimento de uma bandinha insossa de rock tenha feito tanto estardalhaço. Ao reunir um cantor desafinado com instrumentistas de segunda mão, a banda U2 ganhou a Irlanda e, não satisfeita com os quinze minutos de fama em seu bairro, resolveu atacar o resto do mundo com uma turnê desqualificada. Aproveitando o farto apetite do brasileiro por coisa ruim, os irlandeses vieram parar no Brasil, levando o caos para a já caótica cidade de São Paulo.

Não pude assistir os shows do U2 pois no período em que eles aconteceram eu estava de repouso devido a uma cirurgia para tratar minha catarata. Melhor assim. Pelo que andei vendo na televisão sobre as apresentações ambas foram um fiasco. Assunto muito mais interessante que os shows da banda foi a confusão que o vocalista Bono Vox causou na vida da impronunciável Katilce, garota que deu o azar de estar no lugar errado e na hora errada. Ao subir ao palco e trocar carícias com Bono, Katilce viu sua vida matrimonial ser abalada e seu sossego acabou. A trajetória de fã anônima a beijoqueira por que passou Katilce mostra que o U2 não produz apenas músicas ruins: também causa estrago na vida pessoal de seus poucos fãs.

Isso sem falar nas idéias estapafúrdias que o grupo propaga através de suas composições. Nunca tive o desprazer de ouvir nenhuma delas, mas só por seus nomes já dá pra ter uma idéia do baixo nível. Há desde a incitação explícita à violência em pleno domingo (“Sunday Bloody Sunday — Domingo sangrento domingo”) até a constrangida admissão de que o grupo é formado por um bando de velhos inúteis que não sabem o que querem da vida (“I Still Haven’t Found What I’m Looking For — Eu ainda não encontrei o que estou procurando”).

Como se os dois shows destes desocupados não fossem o bastante, Bono, ao invés de voltar para sua Sergipe européia, preferiu ficar por aqui aporrinhando o povo brasileiro por mais uma semana inteira. Encontrou-se com o presidente Lula justamente quando este estava sem beber havia 40 dias — ou seja, não tinha nem como se esquivar da encheção de saco de Bono. Com tanta criança precisando de comida, doou uma guitarra de fundo de quintal para o programa Fome Zero. E, por fim, foi pular o carnaval em Salvador, onde encontrou o ministro-cantor Gilberto Gil e lhe confidenciou um desejo: pretende voltar ao Brasil “como anônimo”. Ora, Bono. Nem precisava pedir. Pelo menos pra mim, você sempre foi um completo desconhecido.

Nota: zero.

c.bandeco.jpgCruzmaltino Bandeco tem 53 anos e é crítico de música e cinema há 22. Publicou, nos anos 70, diversas reportagens sobre as pornochanchadas que não pôde assistir. É autor de quatro ensaios sobre o prêmio “Kikito de Ouro” e do livro de contos “Memórias do Mercadinho”. Sofre abusos sexuais de seu tio Milton Osvaldo desde a adolescência.

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