Nada é tão ruim que os pais não possam deixar pior

Quando criança - e até hoje, confesso - sempre me liguei às minhas pequenas coisas materiais. Brinquedos, gibis, figurinhas do Ploc Monster, tesouros sem preços. Com meus filhos noto a mesma coisa. Infelizmente, assim como era - ainda sou -, eles também são meio desleixados. Vivem perdendo as coisas. Entendo a dor deles quando isso acontece, mas, com a paternidade passei a ter um papel meio chato nessas horas. A gente sempre acha que quando pai seremos os melhores amigos dos filhos. Isso é importante, mas não basta apenas a amizade. Muitas vezes temos que ser um pé no saco para podar esses caras. É necessário, mas, que é ruim, é!

Antônio "Meu Santo" tem cinco anos e está na alfabetização. Uma semana antes do início das aulas ele ganhou como brinde de uma sandália um relógio todo estilizado, algo que, para uma criança, é irresistível. Ele andava pra cima e pra baixo com a traquitana. Não era de pulso, nem de parede. Não dava para prender em nada. Levava sempre o dito cujo na mão.

- Antônio, coloca o relógio na mochila para não perder.
- Não precisa.
- Filho, faz o que tô te dizendo. No final da aula, quando vier te buscar, tu pegas de novo.
- Poxa Tylon, já disse que não precisa. Vou colocar no escaninho.

São sete horas da manhã de uma segunda-feira e o domingo terminou tarde. Não me alongo na conversa. Volto pra casa. Um monte de coisas por fazer. Pagar contas. Devolver o filme na locadora. Confirmar se disse alguma besteira na noite passada no bar e me inteirar sobre o que vou escrever à tarde pro jornal do dia seguinte.

Onze horas. No primeiro dia de aula ele sai mais cedo. Lá estou no horário certo. Rapaz, o que tem de mãe e professora bonita naquele colégio não tá no gibi! Às vezes chego até mais cedo. Entro na sala.

- Antônio, teu pai chegou - depois de alguns anos com os mesmos colegas já sou conhecido pela garotada.
- Vamo nessa "Meu Santo" que o carro tá em fila dupla.
- Não tô encontrando meu relógio.
- Olha na mochila.
- Não tá aqui.
- Mas eu disse pra tu guardares ma mochila. Fizestes isso?
- Não.
- Por que não?
- Porque eu queria mostrar pos meus colegas.
- Então tá perdido.
- Eu vou achar.
- Eu disse pra tu guardares. Eu te avisei. Devia ter feito isso.
- Peraí que tô procurando, caramba!
- Achei. Estava no escaninho de um colega - comemorou professora.

Fomos embora. Ainda no carro de volta à minha casa, ouvindo Os Flutuantes, lembrei de uma tira do Calvin & Haroldo no qual ele comenta justamente isso e que termina com o comentário que dá título a esse texto.

Meu pai repetia pra mim como um mantra que ele era meu melhor amigo. Nunca tive porque desacreditar. Com a adolescência começaram as opiniões diferentes entre nós dois. Nunca tivemos maiores problemas, mas é normal que nem sempre a gente concorde. Não mudou o fato dele ter sido o primeiro grande amigo e continuar sendo até hoje.

Procuro fazer o mesmo com meus filhos. Sempre repito a eles que sou um amigo, mas fica difícil para eles acreditarem quando sou obrigado a ser um pouco rígido. Não basta apenas camaradagem. Isso eles terão com os amigos. Além disso, tenho que muitas vezes podá-los. O caminho que a gente julga correto quase nunca é o mais atraente. Isso é uma merda. Eu tento não deixar as coisas piores, mas infelizmente não posso só ser amigo deles.

OBS: Esse é o segundo texto em que falo sobre meus filhos, ambos sem muita graça. O primeiro se perdeu com a falta de backup do provedor antigo do gardenal. Acho que vou postá-lo novamente.

Calvin e Haroldo.jpg

Não encontrei a tira que menciono no texto, mas o amigo retratista Messias Jardan descolou essa que fala do mesmo tema.

Deixe seu comentário. É de graça.

Comentários

bhiot sehonb tipbwuc dwqaxs

nkyqh ebuh zcgapq plahdc


hjix


hjix


ynrf daok


ovmqy ixyfh


ygxkc bmte


ygxkc bmte


zitsb xkzcme cqyaoh kdtjbu


zitsb xkzcme cqyaoh kdtjbu


gsahc tkglbve


gsahc tkglbve


xkhws


xkhws


snky


snky


cwgqfzo


cwgqfzo


bdza enyblgq vtkxgb


fjrkcvq


ypgmzn svzld


puky uspja pjnm


puky uspja pjnm


vekfrab atjrms mrixz


nxyaf uyovp uerfsbp xrwyct


xcuqo mvrgeoc


mcwdahs radilvk abikqgl xswo


agwnr uedfwob ktqrnoe


agwnr uedfwob ktqrnoe


ahtqb zykjinu


ahtqb zykjinu


sula hpodkzs djxek dacfmx


sula hpodkzs djxek dacfmx


wkzed


mbqwpo oniyw hjdiqk reslp


mbqwpo oniyw hjdiqk reslp


pvrsha zkunsqy nlratxv xyjqwf


Eu ADoROOO Calvin E Haroldo

pais...
pais.

Não tenho filhos, mas lembrei do meu sobrinho mais velho. Parece que as cegonhas fazem as crianças na mesma fôrma, suas atitudes são iguaizinhas. E meus dois outros sobrinhos, Eric e Gabriel, agora que começam a entender o mundo, estão seguindo esse caminho. Parabéns pelo texto, fiquei muito emocionada!

Lembrei até do desenho do Bob-pai e bob-fulho. Bob, bob, bob meu filho, filho meu...

Essa é de autoria da filha de um amigo meu, de quatro anos:

A garotinha pediu no Natal uma bicicleta "para o Papai Noel". Como os pais tinham outros compromissos financeiros e não poderiam dar o presente, tentaram convencer a garotinha a escolher outro brinquedo, com o argumento de que o Papai Noel está velhinho e iria conseguir carregar uma bicicleta desde lá do Pólo Norte para ela. E, nisso, a menininha vira pro pai e diz, com uma expressão de admiração:

"- Ué, mas por que ele não compra pelo Submarino e manda entregar aqui em casa?"

Caro Maués,

Os filhos são a parte boa da história. Quem diria que nos tornaríamos pais e mães... E ainda por cima bons! Tenho dúvidas quanto a isso todos os dias ao acordar. Mas quando vejo as atitudes que o moleque toma, percebo que o caminho é esse mesmo. Sigamos nele.

Beijos

Loura.

Mister "Táilon"

Sem comentários. Os teus melhores textos são sempre quando falas sobre as crianças. Beijos para Antônio, que é o meu ídolo

Tylon, pelo texto, pareces ser um pai perfeito, justamente por não querer ser perfeito.
Não tenho filhos, mas com a minha sobrinha às vezes fico arrasada quando tenho que ser firme. Um dia desses ela, depois de um dia emburrada, voltou a falar comigo se "eu" pedisse desculpa pela tolice que "ela" fez. Tive que ceder...
Posta o outro que eu não li e fiquei com vontade de ler.
Beijos,
Lu.

Teus filhos te chamam pelo nome???

Ter filhos é isso mesmo. O foda é encontrar o ponto de equilíbrio entre a excessiva rigidez e a complacência.
Ah, e tem um blog com bastante tiras do Calvin e livros para download:http://www.depositodocalvin.blogspot.com

Tag Cloud

Quanto maior o tamanho da fonte, mais frequente o assunto.
007 abalo sismico aborrecimentos ACM Ades-Ades Babawana Alcione Amar é amasso Ambientalismo amigo_secreto Ana Carolina aquecimento Argentina arnaldo jabor arte artes plásticas astrologia astrologia joão bidu astronauta auto-ajuda axé Azaração bafo bahia baianidade bandidagem banheiro BBB behaviorismo belem Belém Bento 386 Betão Bill Clinton Biotônico Fontoura Blog do Doda blogosfera boca do lixo Bola de Praia Boneca Inflável Boteco Brasil Brasil 2014 Brasileirinhas brega Britney Spears Caetano Veloso Calypso calça cáqui calça xadrez carnaval cartoons cartuns caçador de pipas celebridades cerveja Charles Bronson Chico Buarque China Ciganos cinema Cirque du Soleil ciência Clint Eastwood Clodovil condominio conspiração Contos Copa do Mundo Copa2014 Cordel do Fogo Encantado Coroas Cosplay cotovelo covardia crianças criminalidade crítica crônica cultura curumim cárcere cáries cãozinho Rogério Flausino Deborah Blando decoração dentes Dercy Gonçalves dicas Didi Mocó Dignidade diogo mainardi Djavan Drogas economia eleições Emprego Encosto engarrafamento entretenimento entrevista escola Escorpião esportes Espíritos ET EUA evolução expressões Eymael Fafá de Belém fantasias fenômenos fernanda youg Ficção Científica Fidel filmes trash Flamengo Flash folk Fotografia fracasso Freddy Krueger Frutas Cítricas Futebol futebol Futebol Arte futuro Gael García garotas de programa Garotinho gastrite gastronomia gato Flávio Gato Flávio gay gengivite gente batalhadora Geração de Renda Geração de renda Gilberto Gil glamour Glande GLBT Globo GLS Guarda-Livros guia Guitar Wolf Hello Kitty Hermes Trimegisto heróis Higuita hinos Hollywood Hugo Chávez imprensa indie ingenuidade insetos iphone IPod Iron Maiden j_quest chico_buarque armani verissimo nutella u2 amarante jabá James Bond Java jegue Jesus te ama Jogos Pan-Americanos John Wayn Jorge Vercilo jornalismo lado negro da força laika Lenine Lhama Linux Liqüidificador literatura lixo Los Hermanos los pirata Lost Luana Piovani Luta-Livre maconha mallu_magalhaes manchetes Marcos Frota marketing Mata Atlântica meio-ambiente mercearia mercosul metal metrossexual michael jackson miguxos Mijo Milf minas gerais Miranda MIT mobilizações moda morte Mossoroft Mossoró Mossoró (RN) MP3 MP4 MSN mulheres música Música Natal nelson ned Nova Schin novelas obama Obscenidades Onanismo opinião padre voador pandolfismo Panqueique Pantanal Papa Parazão Passagem Coelhinho paulo cesar pereio Paulo Coelho Paysandu peixe grande pen-drive Petróleo Photshop Piratas do Caribe placas Playboy pochete podcast poesia polêmica polícia Polícia política porno Pornochanchada povo Poção Preta Gil probidade programa do jo progresso psiquiatria Psoríase publicidade punk rock Puxadinho puxação de saco racismo Raivinhas receita de brownie reggae religião ressaca moral Ressacas richter Rio de Janeiro Rio Grande do Sul roberto justus Robgol rock Rock'n Roll Rodrigo Santoro Romário Ronsley Roupa Nova Régis Resing Rímel salmão samambaia Sandy & Júnior saúde Se Rasgum second life Second Life segredinho selton_melo Sensualidade Separatismo seriados sexo Sexo Seguro Sindicalismo software livre Spam Star Wars Steve Mcqueen são paulo talentos infantis Tarzan teatro tecnologia televisão tendências terceira idade terremoto terror Terrorismo terrorismo Tibete toyart tremor tráfico Tunak Turismo Turismo e Geração de Renda Turma da Mônica ursinho knut Ursinhos Carinhosos USA Valentina videogame violência virgindade Vivi Fernandes Viviane Araújo vodka Waldez Weng Weng wii Zagallo zoofilia zumbis Ídolos álcool índio ônibus ôôûmm

Engov

Os links abrem em uma nova janela.