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28 de dezembro de 2005

Coisas que eu não faria por 10 reais

Dançar
Não sei dançar, não quero aprender e tenho raiva de quem tenta me ensinar. Sou ridículo dançando, não levo jeito. Você gosta de dançar, ok. Eu respeito isso e se você for mulher e dançar bem, acho lindo inclusive. Poucas coisas têm maior potencial de excitação e de memória masturbatória do que uma mulher dançando (bem). Por outro lado, se você tem consciência de que não manja do gingado, mas insiste em dançar porque gosta, não culpe as outras pessoas por rirem de você, o papel de palhaço não é uma escolha e sim uma vocação.

Trocar Pneu
Algum frustrado sexual um dia definiu que o domínio da técnica de substituição de pneus era um símbolo de macheza e virilidade. Nada mais imbecil. O que há de divertido, heróico ou edificante em uma troca de pneu? Meu pensamento é simples: se furar, olho em volta e procuro alguém disposto a fazer o serviço em troca daquela forcinha “pro da cerveja”, caso não apareça ninguém para executar a tarefa, o jeito é trancar o carro e ir embora mesmo.

Namorar no sofá aos domingos
Atestado de fracasso de uma relação, poucas coisas são mais entediantes, broxantes e inúteis do que passar o domingo namorando no sofá. E se a TV da sala só possuir os canais abertos, aí é pra se matar. Praticamente todas as grandes cidades brasileiras oferecem programas dominicais melhores a um casal do que passar o dia vendo artistas populares se apresentando em programas de auditório. Em caso de grana curta ou chuva torrencial, a cama ainda oferece mais diversão do que o sofá, estejam os dois acordados ou não.

Conversar com alguém que manda beijo no coração
Pessoas que mandam beijo no coração geralmente são adeptas do jeito auto-ajuda de ser. Tal modo de vida engloba, claro, a leitura de livros do gênero, o envio de e-mails com mensagens edificantes ou fofinhas, conversas e conselhos “positivos” com amigos que estão de “baixo-astral” e tentativas hipócritas de levar uma vida saudável. O sujeito imprime da Internet uma dieta à base de jiló e rúcula, mas quando ninguém está olhando, se atola numa coxinha com maionese no boteco do Edvan.

Assistir filmes de diretores cujo nome eu não consigo pronunciar
Esta medida afeta alguns bons diretores, mas de uma só tacada me livro de filmes do leste europeu, oriente médio (incluindo o Irã, o que é algo fantástico) e de picaretagens pretensamente filosóficas como aquela bobagem dirigida em três partes por uns tais de irmãos Wachowski.

26 de dezembro de 2005

E daí?

Na penúltima edição do ano a revista Veja trouxe como tema de sua principal reportagem a bissexualidade no Brasil. Na chamada de capa estava a cantora Ana Carolina e a frase "Sou bi, e daí?". A pergunta é a mesma que sempre faço em assuntos como esse, mas na matéria ela está num contexto diferente. Algo como mostrar a todos como sou. Eu hein! E daí isso?

Não tenho a menor curiosidade para saber a sexualidade das pessoas. Pra mim só interessa a minha e sempre acho um saco quando alguém tenta se afirmar. Seja o dito machão que gosta de dizer que pegou várias vagabundas, a sapatinha cult ou o carinha que acha que ser gay é a representação da modernidade. Pra mim são todos iguais. Não importa por onde se satisfaçam.

Acho (sou cheio de achismos) que há uma valorização muito grande sobre gays e bissexuais, talvez uma forma de tentar compensar o preconceito sofrido. Bobagem. Quem sofreu por isso nem vive mais hoje em dia. Podem afirmar que no interior ainda há muita resistência quanto a isso, mas, porra, no interior ainda há resistência a homem de brinco e mulher de saia curta.

Hetero, homo ou bi é tudo a mesma coisa. Tirando o método, todos querem o mesmo. Táticas, anseios, comportamento, são muito parecidos. Com quem o cara se casa ou com quem a menina vai pra cama não desabona ou aumenta em nada o que é uma pessoa.

Queria ver uma capa de revista com alguém dizendo "Sou mala sim", "Sou corrupto sim" ou "Eu peido em elevadores". O perigo da revista de duas semanas atrás é dar um empurrão na carreira da Ana Carolina, que antes de assumir o óbvio estava fadada à meia dúzia de ouvintes. Agora nós corremos o risco dela fazer sucesso.

Caso isso aconteça já posso até ver as próximas capas: "Chorão: Não sei cantar, e daí?", "Ronaldinho Gaúcho: Não sou bonito, e daí?", "Marcelo Camelo: Sou chato, e daí?", "Tati Quebra-Barraco: Sou baranga, e daí?", "Kelly Slater: Sou multi-campeão de surf e tô pegando a Gisele Bündchen, e daí?".

22 de dezembro de 2005

Delegado Maria Bethânia dá lição de moral em jogador argentino

Aeroporto Irmãos Wright (RJ) — De volta das merecidíssimas férias de quatro meses, muito bem curtidas no litoral de paraísos fiscais e em cassinos americanos, o delegado Maria Bethânia, o Betão, mostra que está mais ativo do que nunca em sua incansável caçada aos criminosos. Passados apenas vinte dias do retorno ao batente, Betão já encontrou serviço. Ao lado de Jussara, seu fuzil AR-15 que bate um bolão, o delegado se deslocou para o Rio de Janeiro para investigar a denúncia anônima de que um argentino estaria no Brasil.

“Pode ser em São Paulo, em Mossoró, na p... que o pariu. Onde tem argentino é só me ligar que eu vou atrás”, avisa o delegado. “Mas é claro que eu preferia que fosse no Rio, porque lá eu posso levar a Jussara pra conhecer umas amiguinhas”, brinca o delegado, que está sendo investigado por seus colegas cariocas da Polícia Federal por envolvimento com o tráfico.

Ao desembarcar na capital da bala perdida, o delegado Maria Bethânia, o Betão, imediatamente foi levado a um campo de futebol, onde um grupo de jogadores aposentados improvisava uma pelada com a participação de Maradona, o jogador mais desintoxicado do futebol argentino. Disfarçado de torcedor fanático, Betão aguardou o fim da partida para surpreender Maradona e detê-lo. A estratégia falhou, contudo, porque a torcida organizada “Fúria Sanguinária” confundiu Betão com um bandeirinha e o delegado escapou do linchamento por muito pouco. “Foi uma cagada, precisei dar uns tiros pra cima”, lembra. O incidente causou um pequeno tumulto numa favela próxima ao local. Líderes do tráfico acreditaram que os tiros eram o aviso de que a polícia estava subindo o morro e iniciaram um breve tiroteio que durou seis horas.

Torcedores se impressionam com Maradona
Messias Jardan, que nunca gostou de futebol, fez o
clicaço da torcida organizada Chico Anísio Soccer
Show, admirada com o “crack” argentino
Ágil e experiente, Maria Bethânia, o Betão, aproveitou o tumulto para tomar um táxi e dirigir-se ao Aeroporto Internacional Tom Jobim — local onde, mais tarde, esmurrou e algemou Maradona. A ação violenta causou protestos do argentino, que revidou promovendo um quebra-quebra na sala de espera do aeroporto. “O moleque era arisco”, comenta o delegado. Com a ajuda de outros policiais, Maradona finalmente foi detido por desacato e conduzido à Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Orgulhoso, Betão avisa que não irá tolerar mais atitudes como a de Maradona. “É sempre um prazer combater o crime. Mas nada é melhor do que combater os argentinos”, sentencia Betão.

1 de dezembro de 2005

Mais farsas

Outro mito do mundo contemporâneo é o esdrúxulo animal conhecido como Ornitorrinco. Você já viu ou conhece alguém que tenha visto um exemplar desta espécie? Fora a TV e os livros, onde mais você encontra um Ornitorrinco? A bizarra mistura de pato com pingüim nada mais é do que uma invenção do neozelândes Kent Ritz Carlton (1878-1886). Carlton, que residia em uma fazenda, desde muito cedo conviveu com patos e galinhas e um dia fez um rabisco do que seria um animal híbrido entre as duas espécies. Em 1920, o americano Walt Disney comprou o desenho de Carlton em um bazar de Hong Kong e baseado nele criou o Ornitorrinco Donald que foi um fracasso de público. Disney reformulou o personagem tirando as características de galinha e deixando-o mais parecido com um pingüim. Quando o personagem parecia destinado ao sucesso, um ajudante de Disney, Minister L. Strike, neozeladês de nascimento, fugiu com o projeto de volta para a Nova Zelândia, onde lançou o Ornitorrinco comercialmente. Até hoje a família de Strike ganha direitos sobre as falsas imagens de Ornitorrincos divulgadas pelas TVs em programas sobre bichos estranhos. Algumas são facilmente identificadas como farsas, como os documentários japoneses da década de 70 sobre o bicho, onde percebe-se claramente que os Ornitorrincos são bonecos de massa.

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