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25 de outubro de 2005

Notas históricas

Os chatos atacaram os cossacos, apoderando-se das sombrias regiões baixas. Ócio, que no primeiro momento resolveu esperar pela ocasião mais oportuna para a retomada, acabou aliando-se ao inimigo, atitude própria dos fracos.

Como era de se esperar, a convivência entre as partes desgastou-se com o tempo. Feridas foram abertas. Os dedos, que funcionavam como intermediários diplomáticos da relação, corrompidos por Ócio, retiraram-se do campo quando já não se faziam mais necessários, abrindo espaço para Polvilho. Este permaneceu nos escrotos por certo período até o fim das animosidades e conseqüente retirada dos chatos.

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Com Falo nas linhas de frente, recomeçava a batalha dos gêmeos Escrotos pelo domínio de Útero. Apesar da pouca resistência nos grandes portões de entrada, Útero contava com um longo, escuro e tortuoso caminho a lhe proteger frente à fúria avassaladora de Falo que, mais uma vez esbaforido, desistiu da conquista e baldeou seus zigotos para que tomassem a direção que bem entendessem.

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Os sórdidos se espalhavam por toda a Infâmia. Liderados por Rufião, o bobo, eram habilidosos nas artes do estelionato. Aliaram-se aos dissimulados e conquistaram toda a península da luxúria, desde os campos molhados até o golfo telúrico.

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Titubeio era um líder equivocado. Sua hesitação causou a perda da farinha para os gabirús na guerra do pirão, nas planícies da panacéia. Vendo seu inimigo enfraquecido, Manjericão ordenou que seus batalhões de pederastas marchassem sobre os tomates e pisoteassem os quiabos.

Betão comemora o resultado do referendo

Mossoró (RN) — Tão logo as redes de televisão anunciaram a vitória do “não” no referendo sobre a venda de armas e munição, o delegado Maria Bethânia, o Betão, saiu às ruas acompanhado de Jussara, seu inseparável fuzil AR-15, e iniciou uma salva de 364 tiros para comemorar a decisão do povo brasileiro. Durante a comemoração, nove pessoas foram atingidas por balas perdidas. Duas delas estão internadas em estado grave.

Betão admite não estar de fato preocupado com o resultado do referendo — “Pra mim não faz a menor diferença se vai vender munição ou não. Eu nunca compro em loja”, brinca — mas garante que adorou o clima de debate que o precedeu. “Não tem coisa que eu gosto mais que um bate-boca saudável”, explica Betão, que chegou a agredir violentamente um amigo de quem discordava.

O delegado considera o referendo uma vitória do povo e garante ter ficado bastante satisfeito com o fato de que a eleição transcorreu com tranqüilidade em todo o País. Sua única frustração foi ter ficado de fora da festa da democracia. Betão foi detido por desrespeitar acintosamente a lei seca, que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em dia de eleição. “Eu não sabia que era eleição de ninguém. Achei que era só pra resolver essa parada dos tiros”, justificou.

22 de outubro de 2005

Os discos que eu não ouvi: “Maria Rita — Segundo”

C.Bandeco*

Fui surpreendido ontem pela manhã por um pacote dos correios. Não me lembro de ter feito nenhuma encomenda, mas a caixa me deixou curioso. Dentro dela, um radinho sem alto-falantes e um folhetinho sugerindo pra que eu ouvisse a nova obra de Maria Rita dentro daquele aparelhinho. Não pude ouvir o disco da moça pois só escuto rádio no meu velho Philco Transglobe. Entreguei o radinho para o Rosivaldo, porteiro aqui do prédio, que adora abrir aparelhos eletrônicos pra ver como funcionam.

Rosivaldo foi um cara valente e ouviu o disco de Maria Rita. Quando ele conversou comigo sobre o assunto, fiquei satisfeito por ter ficado longe daquilo. Maria Rita deve ser a ovelha negra de Elis Regina — que não funcionou como cantora e transmitiu à filha o gene do fracasso. Em “Segundo”, Maria Rita insiste na fórmula que não deu certo no primeiro: melodias chatas e letras compostas por Marcelo Camelo. Música para anestesiar hipopótamo.

Quanto mais ouço falar em Maria Rita, mais irritado eu fico. Se algo faz sentido em seu trabalho, é o nome do disco. Um mero segundo é quanto dura a paciência de quem se arrisca a ouvi-lo.

Nota: zero.

* Cruzmaltino Bandeco tem 53 anos e é crítico de música e cinema há 22. Publicou, nos anos 70, diversas reportagens sobre as pornochanchadas que não pôde assistir. É autor de quatro ensaios sobre o prêmio “Kikito de Ouro” e do livro de contos “Memórias do Mercadinho”. Sofre abusos sexuais de seu tio Milton Osvaldo desde a adolescência.

20 de outubro de 2005

Os filmes que eu não vi: “2 filhos de Francisco”

C.Bandeco

A música sertaneja está, indiscutivelmente, entre as mais chatas já produzidas no Brasil. Perde apenas do axé baiano, do funk carioca e do samba de ninar produzido por barbudos. Como se já não bastasse a invasão das rádios de ônibus e das trilhas sonoras de novelas, eis que agora os falsetes ameaçadores e os cortes de cabelo de péssimo gosto tomam de assalto a sétima arte.

Não pude assistir a “2 filhos de Francisco” por causa de uma impigem que ocupava quase metade do meu rosto. Mas a Dóris, uma colega da hidroginástica que é viciada em karaokês e, por isso, entende tudo de cantores desafinados, viu e me deu sua opinião. Eu pegarei quantas impigens forem necessárias para jamais assistir este filme.

Basicamente, ele narra a saga de dois moleques pobres que, forçados pelo pai, comiam ovo cru para aprender a cantar música sertaneja. Ponto. Não sei aonde esse pessoal de Hollywood quer chegar com essa história de comer ovo cru. Na melhor das hipóteses o infeliz que for influenciado por esta conversa fiada e resolver comer ovo cru no café da manhã vai pegar uma lombriga. No que depender de mim, quem quiser viver de cantar música de corno vai passar fome.

“2 Filhos de Francisco” tem um roteiro tolo, atores ruins e fotografia de má qualidade. Mas, sem sombra de dúvida, o destaque fica por conta da pior trilha sonora dos últimos tempos. Se o leitor for insistente ou por curiosidade mórbida for ao cinema assisti-lo, por favor leve alguns ovos. E acerte-os bem no meio da tela por mim.

Nota: zero.

* Cruzmaltino Bandeco tem 53 anos e é crítico de música e cinema há 22. Publicou, nos anos 70, diversas reportagens sobre as pornochanchadas que não pôde assistir. É autor de quatro ensaios sobre o prêmio “Kikito de Ouro” e do livro de contos “Memórias do Mercadinho”. Sofre abusos sexuais de seu tio Milton Osvaldo desde a adolescência.

Vem Besta, vem

O mundo está tentando acabar de qualquer jeito, mas a mídia não encontra espaço para encaixar o evento. Um dos primeiros sinais do fim dos tempos aconteceu em 1985, quando Bangu e Coritiba protagonizaram a final de campeonato brasileiro mais esdrúxula da história. O evento deveria desencadear uma série de outras tragédias, culminando com a descida da besta de sete cabeças, mas foi ofuscado pela Playboy de Monique Evans, que estava nas bancas em julho daquele ano. O rock nacional explodia na mídia, mas nem Kid Abelha e suas abóboras não-domesticadas conseguiu iniciar o término da vida como a conhecemos.

Nos anos seguintes e até a presente data, outras dezenas de acontecimentos poderiam ser apontados como início do fim, mas alguns dias depois outro assunto passava na frente e todo mundo esquecia que deveria estar aproveitando seus últimos dias na terra promovendo saques nas ruas ou noitadas memoráveis em casas de iluminação rubra.

Em 11 de setembro de 2001 parecia que tudo finalmente começaria a explodir pelos ares (opa, trocadilho fraco não-intencional), e veja só, ainda estamos aqui entediados conversando no MSN e fuçando fotos de mulheres de biquini no Orkut.

Nos últimos meses o fim do mundo parece lutar mais ferrenhamente por seu espaço na TV e na agenda dos líderes mundiais. Furacões, tufões, maremotos, terremotos, secas, inundações e o novo disco da Maria Rita parecem anunciar que agora finalmente estamos em maus lençóis. Particularmente não me preocupo com o juízo final. Meu nome não está no SERASA e, tirando os filmes de sacanagem que baixo ilegalmente na internet, não consumo nenhuma droga ilícita (os filmes eu consigo apagar rapidinho do computador caso um anjo venha me buscar em casa pro julgamento).

Outro motivo que me mantém despreocupado com as grandes pragas que começam a se abater sobre a humanidade, é o fato de morar no Brasil. Obviamente as grandes cagadas que envolvem o fim de um mundo não acontecerão por aqui. Nossas cidades são horrorosas e com poucas coisas legais a serem destruídas. Por outro lado, seria ótimo um meteoro cair em Brasília, mas sabemos que isto provavelmente acontecerá em Paris. Mísseis nucleares vão matar todo mundo, mas o ponto de impacto, aquele mais legal de ver na televisão, vai acontecer em Washington e não no Rio de Janeiro. Os quatro cavaleiros também não cavalgarão por nossos perigosos campos cheios de sem-terra e jagunços de fazenda armados com garruchas e facões, a China atualmente está muito mais badalada e com muito mais gente pra ser morta. A besta de sete cabeças também não deve atacar São Paulo, como sabemos, esses monstros imensos são exclusividade destrutiva de Tóquio, possuidora de larga experiência em ser demolida por bichos assustadores.

Então, o que estaremos fazendo momentos antes do fim? Provavelmente o mesmo de sempre: tomando caipirinha na praia, assando carne em churrasqueira, rindo do Flamengo na TV ou organizando um bloquinho de carnaval até a desgraça chegar.

19 de outubro de 2005

Os países e suas informações-clichê: China

“Lá os caras são condenados à morte e a família paga a bala da execução, foi assim com aquele cara que parou a coluna de tanques”

“A muralha da China pode ser vista da Lua, é sério meu”

“Lá cada casal só pode ter um filho! Também, eles são mais de um bilhão, sabia? Um bilhão!”

“Cara, a China é a próxima superpotência, esses americanos tão fudidos, ehehehe”

“A China era pobre e agora olha aí onde eles estão...só o Brasil que continua a mesma merda”


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A Grande Muralha da China que separava a Pequim corintiana da Pequim palmeirense. Messias Jardan foi o responsável pela queda do muro em 1989, quando dirigindo embriagado, bateu com seu Lada Laika 77 bem no meio da construção. Alguns anos antes, ele mesmo havia feito esta foto quando estava em lua de mel com Xin Xen, um Panda do qual se separou ontem.

18 de outubro de 2005

Conspirações em andamento no mundo

Roque Júnior 2018
É clara a movimentação em torno do nome de Roque Júnior para a presidência da república em 2018. A mídia queima o cara de tudo quanto é maneira para nos convencer de que futebol não é o negócio dele, nos induzindo a pensar que ele poderia fazer merda em outro lugar. Quem encabeça o movimento é o PT, que após eleger um torneiro mecânico ignorante como o primeiro presidente povão do Brasil, tentará agora eleger um zagueiro grosso e ignorante como o primeiro presidente black and soul do país.

Fernanda Lima mulher de verdade
A tesuda, linda, cheirosa e morta de gostosa Fernanda Lima na verdade não é uma mulher no sentido mais profundo da palavra. A Globo tenta disfarçar, mas no papel de protagonista de novela, fica claro que a charmosa cowgirl é uma das bonecas eróticas de silicone do site Real Doll, isso explica sua falta de expressão em cena. A poderosa rede de TV já usou do artifício dos bonecos de silicone outras vezes, como nos casos de Vitor Fasano e Murilo Benício. Os motivos seriam os baixos custos com salários e obrigações trabalhistas dos atores de silicone em relação aos atores reais.

Aquecimento global
Conspiração hype do momento, o aquecimento global é uma mentira alardeada pela esquerda politicamente chata do mundo. São mega-corporações que não conseguem ganhar dinheiro com petróleo, emissão de gases e consumo de sal e acham que todo mundo deve cagar verde e andar por aí de camisolão rosa. Para manter a cascata de que a terra está ficando quente, os ecochatos inventam estatísticas e forjam tragédias, como no clássico caso das imagens do furacão Katrina, onde claramente percebíamos as toscas montagens de inundação em uma maquete de Nova Orleans e corpos de borracha flutuando na água.


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Roque Júnior posa para ensaio sensual da revista científica Nature. O clique chapa-quente é de Messias Jardan.

17 de outubro de 2005

Pessoas que dariam boas estampas de camiseta: Junichiro Koizumi

O primeiro ministro do Japão é uma figuraça. O cara comanda a segunda maior economia do planeta e mesmo assim o primeiro comentário que fazemos a seu respeito quando sua imagem aparece na TV sempre é sobre o seu cabelo. Sem dúvida é a juba de líder mundial mais legal de toda a atualidade.

Desconfio que a cabeleira do Koizumi não é apenas questão de gosto pessoal do excelentíssimo. Ela serve também como alívio cômico para agradar o eleitorado e como arma da diplomacia japonesa para resolver intrincadas questões político-comerciais ao redor do globo.

Imagine uma reunião da Organização Mundial do Comércio. Tony Blair está lá muito puto, reclamando que não consegue competir com os japoneses no mercado mundial de calcinhas para mulheres sem bunda porque o governo nipônico incentiva seus fabricantes com enchimentos gratuitos. De repente, o Koizumi entra na sala e diz em inglês de mangá “hey, did you checked my hair today?”. Gargalhada geral na mesa. O assunto muda e já emenda para a última rodada do campeonato inglês, terminando no bar da esquina com o primeiro-ministro japa bebaço, levando Dancing Queen no Karaokê. Farra memorável. Assunto esquecido. Os nipos levaram mais uma graças ao cabelo do Koizû.

O primeiro-ministro também se destaca capilarmente por ter um corte único no mundo. Repare que atualmente ninguém no planeta, nem mesmo Richard Gere, mantém algo parecido sobre a cabeça. O corte é absolutamente original. Podemos identificar alguma influência setentista, um quê oitentista, uma pitada Itamarfranquista, mas Koizumi soube capitalizar tudo isso em um só modelo, fazendo com que o mesmo não seja pura e simplesmente cabelo, e sim uma extensão de sua personalidade. Grande Junichiro.


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Koizumi posa ao lado do primo coreano e esquisitão de nosso paparazzi, Messias Jardan, que, bem a propósito, é o autor da fotografia.

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Koizumi e Richard Gere, uma de suas influências capilares. “Uma linda mulher é calalho, e ele?”. Messias Jardan interrompeu seu prato de arroz com arroz e fez o clique.

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Koizumi e Gere não se largam desde que se conheceram em um encontro na casa de Itamar Franco. Messias Jardan estava fazendo uma trilha no monte Fuji, mas quando soube do babado foi correndo registrar.

14 de outubro de 2005

Radicais de esquerda fundam novo partido

A ala mais à esquerda dos partidos de esquerda brasileiros, que já não tolera mais o neoliberalismo do P-SOL e do PSTU, decidiu se reunir e fundar um novo partido, ainda mais esquerdista e radical, para defender seus interesses e expressar sua frustração com o governo Lula.

O P-TIRIASE (Partido dos Trabalhadores Irritados com a Roubalheira Infiltrada e a Administração Sem Ética) ganhou nesta semana a adesão de personalidades importantes, como o delegado Maria Bethânia, o Betão. “Quando eu soube que eles eram a favor da luta armada me filiei logo, já que com esse tal reverendo (sic) eu não vou mais poder atirar”. Outro que fez questão de se envolver foi o crítico de cinema e música Cruzmaltino Bandeco, que também escreve para o blog Ressaca Moral. Cruzmaltino era filiado ao P-SOL, mas resolveu largar o partido ao saber dos boatos que davam conta da filiação de Clodovil à agremiação. “Acho o Clodovil muito espalhafatoso e indiscreto. Ia me causar problemas”, declarou Cruzmaltino, que preferiu não entrar em detalhes a respeito de sua relação com Clodovil.

Recentemente, o partido recusou a filiação de celebridades por não seguirem a filosofia ou simplesmente por considerá-las inconvenientes. O cantor Serguei é um dos barrados no baile. Diretores do P-TIRIASE ficaram chocados depois que Serguei admitiu ser pansexual. “Ele é liberal demais”, esclarece Lita Ree, secretária xiita que só entrou no partido depois de muita insistência. “Pensavam que eu era cantora cover e ia encher o saco nas reuniões. Mas o nome é só uma homenagem infeliz que meus pais fizeram”, diverte-se Lita.

Projeto — O programa de governo com o qual o P-TIRIASE pretende brigar pela presidência já nas eleições de 2006 está praticamente formulado. Além de empunhar bandeiras tradicionais de esquerda, como o calote, a ojeriza ao FMI e a tradicional pausa para greves sempre que um feriado se aproxima, o P-TIRIASE também pretende mudar a geografia do Brasil para acelerar seu desenvolvimento. Um dos projetos mais ousados previsto no documento é a transposição do Oceano Atlântico para Brasília, que tornaria a cidade muito mais agradável para os parlamentares. Segundo o petiriasista Pedro Rocha, a obra é complicada, mas não é impossível. “Brasília tem o formato de um avião. Se projetarmos bairros em formas de turbinas nas asas norte e sul...”, sugere, sem completar o raciocínio. Pedro Rocha ficou famoso na década de 70 por ter sido detido mais de quarenta vezes por porte de maconha e LSD.

Serviço
A sede do P-TIRIASE fica em Mossoró-RN, na Passagem do Olho Murcho, sem número, altos e está aguardando a instalação de um telefone público nas redondezas. Não tem horário fixo de funcionamento.

13 de outubro de 2005

Uvinhas de festa unidas contra o preconceito

Manhattan (Connection) – Aconteceu na manhã de hoje no salão de festas do edifício Apolinário Pompeu, em Sapopemba, no Upper East Side em Nova York, a primeira reunião da Associação das Uvinhas de Festa (Asuvinha). As frutinhas discutiram, entre outros assuntos, a discriminação que sofrem por parte dos convidados de festinhas. “Pode reparar, todo mundo come a casquinha verde doce, mas quase ninguém come a fruta”, reclama Cabernet Merlot, presidente da associação.

As uvinhas reclamam que além de serem desprezadas após o fim da casquinha de leite condensado, ainda são lambidas, lambuzadas e babadas antes de serem jogadas de volta no prato de docinhos ou até mesmo no lixo. Além de toda a discriminação, as uvas ainda aturam a nítida preferência dos convidados pelos brigadeiros e casadinhos. “Muitas vezes nos trocam até mesmo pelos bizarros doces com queijo dentro”, frisa Merlot.

Na reunião, onde só foram servidos salgadinhos e pinga julieta, as uvas decidiram que a partir de hoje rompem definitivamente com todas as outras categorias de docinhos, exigindo espaços diferenciados em bandejas e mesas, de preferência junto aos mini-pastéis e croquetes, pois segundo as uvas, estes seriam os quitutes mais populares entre o público de paladar refinado, potencial apreciador de seus dotes frugais.


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Uva sem graça e sem cobertura: “chupar e não comer é sacanagem”. Messias Jardan não devorou porque não sabia onde cuspir o caroço, mas não deixou de registrar o fermentado momento para a nossa reportagem.

4 de outubro de 2005

Colocações pronominais realizam protesto

Rio de Janeiro (Salve-se quem puder) - Próclise, Mesóclise e Ênclise promoveram manifestação no centro do Rio esta manhã. As Colocações Pronominais escolheram a capital fluminense para a realização de seu manifesto devido aos constantes crimes e atentados perpetrados pelos cariocas à língua portuguesa e, por tabela, às próprias Colocações Pronominais. “Não que recebamos melhor tratamento em outras regiões do país, mas aqui no Rio podemos protestar, pegar uma praia e tomar um chope na orla do Leblon no final da tarde, sinto-me em uma novela do Manoel Carlos”, disse Mesóclise.

O ato contou ainda com o apoio de diversos artistas da cena funk carioca. “A gente sempre fomos prejudicados pela falta das colocações porque a gente que é pobre nunca tivemos educação por parte do governo e sempre semos prejudicados mesmo. Quando a Prócrise me procurou pra entrar no protesto eu disse logo: num sei quem tu é, mas tô com tu nessa”, declarou a feia, mas na moda, Tati Quebra-Barraco.
As Colocações Pronominais também receberam o apoio das Figuras de Linguagem Metáfora, Catacrese, Perífrase ou Antonomásia, Sinestesia e Metonímia. Somente a figura Comparação faltou ao protesto devido a um problema de revisão envolvendo crases.

Próclise, Mesóclise e Ênclise aproveitaram a ocasião para também divulgar o CD “Coloca-me em ti”, gravado pelo trio e recheado de composições onde, em ritmos populares, as Colocações Pronominais ensinam o fã a utilizá-las corretamente em seu linguajar diário. Ênclise destaca a faixa “Pró, Mesó, Ênc, qual é a clise?”, rap gravado pelas três colocações com a participação de Cebolinha da Turma da Mônica. Ênclise também confirmou para a reportagem seu romance homossexual com a conhecida Ênfase, que muitos dizem ser apenas uma jogada de marketing para gerar piadas infames no meio gramático.


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Tati Quebra-Barraco, figurinha fácil na redação, clicada no piscinão de ramos pelo adjetivoso Messias Jardan.

Os discos que eu não ouvi: Los Hermanos - 4

C.Bandeco*

Tenho ouvido por aí muita gente dizer que o grupo Los Hermanos reinventou a MPB. Eu vou mais longe e afirmo que eles inauguraram um novo estilo musical, a MPBD — Música Para Boi Dormir. Fazia tempo que ninguém aparecia com nada diferente na música brasileira. Com sua mistura de samba, pop e canção de ninar, o Los Hermanos trouxe uma verdadeira revolução. Infelizmente, no entanto, em vão.

Não pude ouvir o novo álbum da banda porque meu aparelho de som só toca LPs. Pedi então ao meu sobrinho Tobias — que fez aulas de tango e por isso entende tudo sobre hermanos — que o escutasse e compartilhasse suas impressões. Não ouví-lo foi o melhor que eu podia ter feito. Tobias me garantiu que o disco é detestável, do início até onde ele se manteve acordado. Se você já conhece produções anteriores da banda, não perca seu tempo: 4 é de uma ausência criativa impressionante.

A falta de criatividade começa estampada na capa. Quando uma banda não encontra nenhum nome melhor para seu conjunto de composições, recorre a um algarismo. A Legião Urbana fez isso quando lançou o V. Maria Rita recentemente produziu o Segundo. Ambos disfarçaram recorrendo a um algarismo romano ou ordinal, subterfúgio cínico para quem não tem nada a dizer em bom português. No caso do Los Hermanos, não há sequer uma desculpa. Quatro são os pontos cardinais e os dedos da mão do presidente. Fora isso, um valor que não expressa absolutamente nada de útil.

Um dos únicos pontos positivos de ouvir Los Hermanos é que eles nos fazem lembrar de como era boa a música antes de sua chegada. Afinal de contas, barbudos desleixados tocando guitarras distorcidas não combinam nem um pouco com música para funeral. Analisando as coisas por esse lado, com um pouco de esforço podemos associar o título 4 a uma figura geométrica, o quadrado. Sem dúvida, a melhor definição para o grupo.

Nota: zero.

* Cruzmaltino Bandeco tem 53 anos e crítico de música e cinema há 22. Publicou, nos anos 70, diversas reportagens sobre as pornochanchadas que não pode assistir. É autor de quatro ensaios sobre o prêmio Kikito de Ouro e do livro de contos Memórias do Mercadinho. Sofre abusos sexuais de seu tio Milton Osvaldo desde a adolescência.

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