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29 de setembro de 2005

Puta merda, hoje é dia de Maria

Você provavelmente detesta várias músicas, muitas talvez. Daquelas que quando você escuta dá vontade de quebrar o rádio, o CD player ou a cara do autor. Eu odeio muitas músicas. Lembro de uma que odiei recentemente, há quase um ano, acho. Era da trilha daquela minissérie global “Hoje é dia de Maria”, eis aqui:

Que lindos olhos,
Que lindos olhos tem você
Que ainda hoje,
Que ainda hoje eu reparei.

Se eu reparasse,
Se eu reparasse há mais tempo,
Eu não amava,
Eu não amava quem amei.

Como as chamadas da porcaria do programa perseguiam todos os intervalos possíveis e imagináveis da programação, escutei essa porcaria involuntariamente dezenas, talvez centenas de vezes. Agora, qual não foi minha surpresa ao descobrir que está prestes a estrear a segunda temporada da referida série? Ou seja, novamente, diariamente, ligo a TV e:

Que lindos olhos,
Que lindos olhos tem você
Que ainda hoje,
Que ainda hoje eu reparei.

Ontem mesmo sobrou para o meu cachorro, que estava no caminho entre minha pessoa e a TV. No desespero para mudar de canal manualmente – o controle remoto foi espatifado ano passado em um descarregamento de raiva contra a canção aqui tratada – meu pobre dachsund (popularmente conhecido como salsicha ou cofap) estava no meio do caminho e acabou levando um chute sem querer. Pior que, além de não conseguir desligar a TV, tropecei por cima do cão e caí por cima do cinzeiro que acumulava baganas e cinzas há quase duas semanas, transformando o chão da sala em uma terra arrasada por um vulcão. E com o corpo recoberto de carltons usados, mais uma vez escutei:

Que lindos olhos,
Que lindos olhos tem você
Que ainda hoje,
Que ainda hoje eu reparei.

E não apenas a musiquinha da série tem potencial irritativo de altíssima periculosidade. A trama é daquele tipo que “mistura TV com literatura em um universo mágico de aventura e fantasia”, prato cheio para críticos abaitolados rasgarem a seda para a produção e sonharem com o Rodrigo Santoro rasgando as suas pregas. E tome interpretação teatral, rimas forçadas, referências literárias clássicas e mais uma porrada de coisas que vão inflar minha bolsa escrotal. Se meu cachorro não estivesse debilitado pelo chute acidental que tomou, juro que o colocava pra dar um susto naquela menina protagonista. “Vai Tobias! Pega!”.

santoro_MSN.jpg
Rodrigo Santoro conversou com nossa reportagem pelo MSN.
Ressaca: oi, td bem?
Santoro: oi, td.
Ressaca: r y tvuprt?
Santoro: o q?
Ressaca: FODA-SE HAHAHAHA!!!!
O clique de sete cabeças é do pantera Messias Jardan.

28 de setembro de 2005

Coisas que você pode dizer caso solte um pum enquanto estiver fazendo sexo

- Você acredita que não fui eu?

- Rá! Gostou?

- Keep your eyes on the road, your hands upon the wheel...let it roll, baby, roll...

- Púúúúú, púúúúú (imitando sons de peido com a boca), ehehehe, sou bom(a) nisso...

- Barulhento não fede.

- Ouviu isso? Tem alguém querendo entrar na casa!

- Tudo sob controle, foi só um vento.


peido.jpg
Flagrado pela esposa enquanto flatulava, Toni Tornado disse apenas que “alguém peidei, não sei quem fui”. O clique cheio de metano é de Messias Jardan.

27 de setembro de 2005

Celebridades esquecidas que lembrei por lembrar

Antonella BBB4
Ex-participantes do Big Brother são uma categoria ridícula de celebridade. Antonella, aquela argentina que o Bial chamava de Ton-Ton, também é ridícula, mas apenas como celebridade ou modelo de inteligência. Sempre a achei uma puta de uma gostosa (isso ficou dúbio) que merecia um posto em algum canto da TV brasileira, de preferência em trajes sumários. Recentemente posou para a capa de um filme de sacanagem, infelizmente, não atuou na produção. Minha mão está no aguardo.

Virgulóides
Quem não lembra daquela porcaria de música “é, é, é, eu acho que o bagulho é de quem tá de pé”. A banda que misturou pagode com rock em seu único hit, “Bagulho no Bumba”, sumiu sem deixar maiores vestígios no showbusiness brasileiro. Ainda bem.

Crianças das novelas de Manoel Carlos
Sempre engraçadinhas, bonitinhas e misteriosamente mais inteligentes que os adultos, poucas coisas são mais irritantes que as crianças das novelas de Manoel Carlos. Sorte nossa que elas crescem e as novelas acabam, o problema são as reprises no Vale a Pena Ver de Novo.

Padre Marcelo
Certo, ele não está tão esquecido assim, mas já que não está, por que não o esquecemos? Proponho inclusive um concurso “Padre Marcelo pode desempenhar função útil na sociedade?”. Respostas nos comentários deste post. E não esqueça: “Os animaizinhos subiram de dois em dois / O elefante e os passarinhos como os filhos do Senhor”. Ora bolas, se ainda fosse a Antonella cantando.

Meninas Cantoras de Petrópolis
Se você nunca ouviu falar delas, conheça-as em www.meninascantoras.com.br, se já teve o desprazer, deve estar sentindo calafrios. O coral de meninas sabiás aterroriza mortais há mais de 50 anos e teve um surto de fama há alguns anos, quando rodaram por vários programas de TV e estouraram com uma dolorosa versão de Ticket to Ride dos Beatles. Eu não esqueço das meninas e sigo as leis do Deus do velho testamento, “olho por olho, dente por dente”. Um dia vou gravar um CD de covers do Sepultura comigo nos vocais e enviá-lo para cada mocinha do grupo, inclusive as ex-integrantes. Roots, bloody roots.


padre_marcelo.jpg
De passagem pela redação do Ressaca Moral para divulgar seu novo CD “Zás trás, não está com nada o Satanás”, Padre Marcelo deixou-se clicar pelas santas lentes do querubínico Messias Jardan, que aproveitou a ocasião para pedir um exorcismo em sua cadela Yorkshire, Dona Ivone Lara.

23 de setembro de 2005

Redassão de Ressaca Moral é Assaltada

Assaí Guardiã (Zum de Besouro um imã) – Na manhã de hoje, sexta-feira, 25 mulheres nuas encapuzadas assaltaram a sede da corporassão Ressaca Moral e levaram, além do estoque de vergonha do blog, todas a cedilhas que encontraram pela frente.

A assão foi rápida e durou cerca de 4 horas e meia. A seguranssa não agiu. Segundo Jacques Morelembaum, vigia do turno da manhã (o nome do guarda foi trocado por outro muito legal de pronunciar para preservar a identidade do funcionário), as meliantes nuas e encapuzadas não foram barradas na portaria porque existem ordens expressas dos colunistas que permitem o livre acesso de mulheres nuas no edifício. “O pobrema é que até hoje nenhuma tinha aparecido”, frisa Jacques.

As ordinárias tomaram o elevador expresso e ao chegar no trigésimo quinto andar, onde funciona a redassão, subiram nas mesas e ameassaram chicotear a equipe que estava no local. Prontamente, todos os homens presentes tiraram suas camisas e provocaram um certo tumulto em volta das mossas. Enquanto eram distraídos por algumas das moranguinhas, um outro grupo maior de salafrárias aproveitava-se da situassão para limpar a sala onde estava guardada a vergonha do blog. Ao perceberem que era pouca a vergonha, as bandidas se descontrolaram e comessaram a roubar as cedilhas do prédio. “A gente fez de sacanagem mermo”, declara Mary Von Der Trier (uma das bandidas que foram capturadas, mas que teve seu nome trocado por outro muito legal de pronunciar porque se chamava apenas Maria e nós da reportagem achamos muito simples).

Os próprios funcionários do Ressaca conseguiram capturar algumas das bandidas, justamente as chicoteadoras. A polícia levou às mossas para a delegacia, mas até agora todas se recusaram a falar a respeito das motivassões do crime e tampouco deram seus telefones. “Fodam-se as cedilhas, eu prefiro escrever assúcar a minha vida toda do que passar mais um dia sem comer ninguém”, declarou Ludwig Van Beethoven, cronista do Ressaca Moral (o nome real do cronista foi trocado por outro muito legal de pronunciar a pedido do próprio, que não queria ser reconhecido na rua como Zé Mané que não come ninguém).

A polícia não faz a mínima idéia do paradeiro do restante da quadrilha e nem do que as mesmas pretendem fazer com a pouca vergonha e as cedilhas roubadas do blog internético. “Pra falar a verdade nem estamos interessados no caso, no momento estamos totalmente voltados para o campeonato interdelegacias de Winning Eleven, tô jogando com a selessão e preciso treinar, tirei o Ronaldo e coloquei o Robinho, que tal?”, declarou o delegado Johann Sebastian Bach (o nome falso e muito legal de pronunciar do delegado explica-se porque seu nome real anda meio desgastado aqui no Blog e ainda são sabemos o que fazer com ele).


bandida.jpg
Enojado com a situassão, Messias Jardan foi obrigado a clicar Jane Velvet Hydemann Poe, uma das bandidas envolvidas no roubo das cedilhas (o nome real da larápia foi trocado por outro muito legal de pronunciar a pedido de seu agente).

21 de setembro de 2005

A primeira coisa que me veio à cabeça quando escutei...

Na estréia das resenhas de discos em Ressaca Moral, temos como comentarista convidado nosso personal trainer e professor de lambaeróbica, Juninho Cambalhota. Confira o que ele achou de recentes lançamentos da indústria fonográfica.

Coldplay - X & Y
“Não posso vomitar no tapete...será que chego ao banheiro?”

Maria Rita – Segundo
“Por que César Camargo Mariano não fez vasectomia? Droga, lá se foi o tapete.”

Los Hermanos – 4
“Aposto que é a banda preferida do Jatobá da novela.”

Pitty – Anacrônico
“Os barbudos podiam colocar essa moleca na banda com o umbigo de fora...bah, deixa pra lá, eles não vão entender.”

Ana Carolina – Perfil
“Ela vai ter uma ereção se conhecer a Pitty.”

Avril Lavigne – Under My Skin
“Eu vou ter uma ereção se ela conhecer a Pitty.”

Seu Jorge – Cru
“O nome desse disco ficaria legal falado pelo Cebolinha.”

Charlie Brown Jr. – Tamo aí na atividade
“É o nome do disco ou uma ameaça?”


cambalhota1.jpg
Juninho Cambalhota: “ouvi, mas não escutei”. Messias Jardan, que não deixa passar um bíceps, captou nosso personal trainer em seu melhor ângulo.

16 de setembro de 2005

Em prol disso ou daquilo

Não tem jeito, certas palavras ou expressões acabam sendo ultrapassadas ou viram cafonas mesmo, coisas da língua. Porém, antes de cair em desuso, a palavra percorre um inglório caminho de uso medíocre ou pseudo seja lá o que for.

Um bom exemplo de expressão que caminha para o lado obscuro do português é “em prol”. Existe coisa mais ridícula do que alguém falando em prol? Em discurso falado, virou jargão de político de cidadezinha dos cafundós (“Nosso trabalho sempre foi em prol dos mais pobres, do povo de Brejo Fundo!”), em palavra impressa, é perfeito para documentos sérios de torcida organizada de clube de futebol tentando se defender de acusações de violência em estádio (“A Força Raça Sangue Jovem não é violenta. Temos feito todo um trabalho social em prol de comunidades carentes e de mas pobres”) (sic).

Em prol é uma expressão tão cafona e obsoleta que poderia ter outros usos, deixando nossos ouvidos e mentes mais limpos. Falando em limpeza, em prol também seria um ótimo nome para empresa de limpeza (Sujou? Chame a Emprol!). Sabe-se lá o que a sigla Emprol poderia significar - Empresa Pró-limpa, talvez – mas fica a sugestão.

Um outro produto que merece ter em prol no nome seria uma pomada para frieiras e coceiras em geral. Imagine os comentários no elevador de serviço (“minha prima tava cheia de curuba nas perna, passou Emprol ficou boazinha”).

Poderia ser criada também uma entidade para carregar a expressão para o mundo da literatura de fantasia (“....na floresta, o bravo cavaleiro encontrou as Fadas Estríades e um grupo de Emprols Encantados que regozijavam-se pela caça de um desafortunado unicórnio”).

Enfim, chega de em prol, por favor.

emprols.jpg
Casal homossexual de emprols. O clique moderno e wanna be é de Messias Jardan.

15 de setembro de 2005

Personagens que poderíamos passar sem

A falsa magra
Ora bolas, magra é magra, se não é magra é gorda. Se tal lenda existisse, toda gorda poderia se auto proclamar como falsa magra, já que estaria, neste caso, dizendo a verdade.

O amigo sensitivo
Vocês aguardaram a semana toda de trabalho e finalmente chegaram na casa que alugaram na praia. Tudo certo, número de homens igual ao número de mulheres, mas aquele amigo do seu amigo que é meio esquisitão e na viagem escutava Beyoncé no discman, mal entra na casa e fala “ai gente, senti um negócio...tem alguma coisa negativa aqui”. A partir de então, qualquer copo quebrado ou mordida de inseto vira um “eu não falei?”. Ignore o panaca, se ele insistir na conversinha tranque-o no banheiro com um sapo ou besouro, o mané vai se borrar.

O vocalista de banda cover
A tentativa de fazer pose e agir como um rockstar escrotão são características que o identificam. O cara berra música dos outros como se fossem suas e acha que é o veículo oficial de propagação da revolta da juventude e portador das transformações de pensamento da sociedade. Não importa qual seja o repertório do grupo, ao menos uma música do(a) Legião Urbana deve estar inserida, de preferência após uma do Cazuza.

O taxista falador
Não importam seus óculos escuros, cara de mau humor e a conversa séria no celular, assim que você desliga vem o primeiro comentário. “Calor, hoje não?”. Esconda qualquer objeto e evite comentários que possam revelar seu time, essa é a informação que todo taxista chato precisa para falar, falar e falar até o momento de anunciar o preço da corrida.

A voz da indignação
Personagem genérico que pode surgir em qualquer roda de conversa ou mesa-redonda na TV. Geralmente solta um comentário bombástico e definitivo sobre um determinado assunto, tipo “o que esse país precisa é de vergonha na cara, coisa que nenhum destes que estão aí possuem!” E as clássicas tiradas indignadas de futebol, “onde está o amor à camisa?! Hoje só jogam pelo dinheiro, é um absurdo!”. A voz da indignação é uma síntese/reprodução de manchetes de jornais e comentários rasos feitos em portarias e balcões de padaria, se a discussão ficar séria e melhor argumentada, o indignado recolhe o rabo e procura outra rodinha. Jorge Kajuru é um exemplo bem-sucedido do personagem em questão.

1 de setembro de 2005

Gramática de Ressaca: expressões idiomáticas que ninguém sabe explicar

“Me fizeram de gato e sapato”
Como assim? Por que abusar de alguém é fazer a pessoa de felino ou calçado? Uma possível explicação estaria na infância do autor da frase, que poderia ser um desses moleques que adoram maltratar gatos. Sobre o sapato, talvez se refira à função primordial de um calçado, que até onde apuramos é de calçar um pé e, no lugar dele, sofrer as agruras dos terrenos acidentados da vida.

“Ele fez ouvidos de mercador”
Um dos grandes mistérios da civilização ocidental é o motivo do autor desta expressão achar que mercadores são surdos. Teria ele percebido um comportamento indiferente dos mascates quando estes eram perguntados acerca de descontos em suas mercadorias? Seria uma referência à garra e força de vontade desta categoria profissional, que mesmo nas piores crises não dá ouvidos aos pessimistas? Ou seriam os mercadores apenas arrogantes?

“Sei lá o que de cu é rola”
Expressão que persegue o jargão chulo nacional há muitos anos, até hoje não surgiram explicações plausíveis para o sentido da estupenda tirada. Pense na última vez que você utilizou a frase. Salário baixo de cu é rola, por exemplo, quer dizer o que? Vamos lá, faça conexões, por que para um ânus um salário baixo seria um pênis? Se achar um sentido explique nos comentários deste post.

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