Traficantes cariocas ameaçam entrar em greve
Rocinha (Rosinha) - Cansados de tentar entrar em acordo com o governo estadual, os traficantes cariocas ameaçam entrar em greve. A ameaça coloca em cheque os esforços do governo no sentido de dinamizar a economia carioca. "Uma greve como essa vai paralisar o Estado", garante um secretário que preferiu não se identificar.
Os traficantes reivindicam reajuste de 114% no valor do resgate-mínimo, congelado desde a era Collor, e um aumento gradativo na cota de abate de inocentes. "O excesso de impostos é outro fator que vem engessando nosso negócio", reclama Renatinho Toma-Tiro, um dos líderes do movimento Tráfico Livre. Para ele, a pesada carga de propinas cobradas em cadeia é prova do inchaço do poder executivo.
Desconfiança - A população carioca se divide. Enquanto os moradores da favela comemoram a greve, na esperança de que seus resultados tragam prosperidade e bonança, a classe média se desespera e inicia o tradicional corre-corre para fugir do racionamento. "Estamos fazendo estoque de pó. Não podemos ficar à mercê dos traficantes. Isso é culpa da falta de concorrência. É um absurdo que o poder público se mantenha inerte frente a uma questão como essa", desabafa o casal de artistas Édipo* e Jocasta*. Já o cantor Polegarzinho* parece ser uma ilha de tranquilidade no meio do mar de preocupação. "Bom, se não tiver nada melhor pra consumir, eu como pilha mesmo", brinca.
Classe média carioca teme que greve prejudique festas tradicionais nas altas-rodas* Os nomes dos entrevistados foram trocados por nomes fictícios, para manter sua privacidade.