Back to the Past
Na Alemanha, mais uma vez.
Desta vez - a quarta em 6 anos -, a ocasião era mais especial que simples férias profissionais. O bom amigo Guima decidira se casar com uma alemã nativa, Sissy, que ele conhecera durante um período estudantil na cidade de Flensburg, fronteira da Alemanha com a Dinamarca. O namoro começou no final de 2005 e, após alguns períodos afastados - Guima retornou ao Brasil após o final de seu curso, mas não demorou a se inscrever em outro, na própria Alemanha - agora em outra cidade, Hamburg. Tudo para saciar suas infinitas necessidades intelectuais e, naturalmente, ficar mais próximo da amada.
A oficialização do noivado aconteceu em 2006. O casamento, civil, aconteceu na última sexta-feira, na prefeitura da diminuta Bünenbuttel, onde o casal hoje mora, junto aos pais da noiva.
Fui um dos padrinhos no civil. Pela primeira vez na vida, assinei o meu nome em um documento oficial alemão. Não posso negar que me emocionei com o fato. Não é todo dia que isso acontece.
Difícil descrever em palavras a experiência de conviver alguns dias com a família de Sissy e seus amigos. Fui tratado como príncipe, praticamente. A casa onde fiquei hospedado, construída pelo bisavô da avó da noiva, data de 1898. Como toda boa residência de 110 anos de idade, é enorme. Perdi a conta das salas, saletas e salinhas, reentrâncias e passagens secretas. No segundo andar, contabilizei sete quartos, um maior que o outro. A mim, foi reservado o mais aconchegante, na minha opinião. Ali permaneci durante sete dias. Apesar do frio próximo ao zero grau na madrugada, era possível dormir de janela aberta, graças ao bem-vindo aquecimento central.
E a casa tem sotão, cheio de bagunças e ratoeiras, e porão com estoque de geléias feitas em casa, garrafas vazias e ferramentas de todos os tipos. Alemães adoram uma bricolagem. Do lado de fora, um estábulo gigante para os três cavalos da família (sim, eles criam cavalos) e, ao lado, o mais gigantesco ainda depósito de batatas (sim, eles plantam batatas - literalmente). Logo em frente, a garagem do trator, localizada logo em frente a uma bomba de diesel particular (funciona com senha). O terreno total da casa mais parece uma vila antiga, de tão espaçoso. Os carros, diversos, ficam estacionados em frente a um outro galpão, que acredito guardar mais que as bicicletas da família. E vale dizer que não há portões ou segurança. As cercas de madeira estão lá mais por decoração do que por medidas restritivas.
O vilarejo onde se localiza a casa, pelo que entendi, não possui mais de 120 pessoas - somando todos os moradores de suas cercanias. Estradas longas e sem curvas, cercadas de campos amplos e plantações indefinidas, pontuadas por árvores de copas nuas (o inverno, parece, ainda não acabou por aqui).
Poderia continuar descrevendo as cidades minúsculas com suas casinhas de Lego, a inesquecível festa pós-casamento (cheia de discursos emocionados), a reação dos convidados alemães à minha caipirinha, mas a preguiça abissal que me impede de escrever aqui com mais freqüência também não me permite continuar. Talvez uma outra hora. Não agora. Porque já estou em Barcelona, e o tempo melhorou.