O tempo passa rapido quando se esta de ferias. E o tempo passa lento quando não ha jogos de Copa do Mundo no infernal verão europeu. Não vou mais reclamar da temperatura, porque ja virou chavão. Ontem choveu, mas não refrescou. Mesmo com a chuva, franceses e italianos, na mesma proporcao, vao aos poucos tomando conta dos vãos livres da cidade. Italianos em maior quantidade, mais apaixonados e festeiros. Franceses, nao menos azuis, desagradaveis e barulhentos. Todos bebados, chatos e extremamente confiantes. Na condição de sofredor brasileiro, so me resta olhar de longe e apontar defeito.
Fernsehturm, simbolo de Berlin oriental, devidamente decorada
Assim mesmo, tentei fazer parte da coisa toda. Hoje fiz minha peregrinação ao Olimpiastation, palco da final da Copa do Mundo neste domingo. Peguei o U-Bahn, fiz baldeacao e praticamente me arrastei ate la, debaixo do sol impiedoso. Uma enorme grade de protecao cerca o estadio, impedindo a aproximacao a uma distancia minima de 300 metros. So passam para o outro lado os privilegiados portadores de uma credencial oficial. Nao eh meu caso, entao tive que dar a volta para o outro lado.
Na entrada destinada a imprensa, torcedores italianos, turistas curiosos, cambistas camuflados e jornalistas europeus formavam o cenario. Nao eram poucos aqueles que carregavam plaquinhas com mensagens - I need tickets, such karten, io voglio billetis, e por ai vai. Havia oferta, havia procura. Mas estamos falando da final da Copa, nao do show do Katinguele no Aramaçã. Quem tem 2000 euros no bolso para desembolsar, na hora?
Eu nao tinha. Infelizmente.
E nao foi por falta de abordagem. Para o primeiro cambista, so falei um no, thanks. Para o segundo, falei que eu nao tinha dinheiro nem para comer. O terceiro, deixei falar:
- Ola, ingressos, ingressos? Eu preciso de ingressos.
- Ah, voce precisa? Eu tambem preciso, mas nao tenho, infelizmente.
- Ah, voce não tem, mas eu tenho! Ingresso? Quer ingresso?
- Ah, nao tinha entendido. Voce tem e esta vendendo? E quanto voce quer por ele?
- 2200 euros. (mostra o ingresso). Eh para o setor 3. Setor 3. Muito bom.
- Ah, nossa. Isso eh muito caro. Caro demais. Nao trouxe dinheiro nenhum aqui.
- Entao 1500. Eu faco por 1500. Setor 3. 1500 euros.
- Putz, mesmo assim. 1500 ainda eh muito para mim hoje.
- 1500? 1500?
- Nao, obrigado mesmo. Não vai rolar.
- Ahm, hmm, ingressos? (guarda o ingresso na bolsa)
- Olha, mas não se preocupe. Sem duvida voce vai conseguir vender rapido. Olha ali quantos italianos atras de ingressos, voce viu?
- Ok, yeah, ok.
- Falou, tchau.
Cansado, vi de longe o sportsbar ao lado da entrada traseira do estadio, localizado em uma esquina de nomes privilegiados - Jesse-Owens Alle com a CoubertinStraße, duas homenagens esportivas bem justas.
No bar, lotado de jornalistas europeus credenciados, me sentei ao balcão, tomei uma Bit vom Faß e pensei em como seria bom ser amigo do Franz Beckenbauer numa hora dessas.
E assim voltei para o centro, sem ingressos e desidratado.
***
Bem lembrado. Não poderia deixar aqui de homenagear meu amigo e excelente anfitrião, o Guima, jornalista, economista e ja um autentico berlinense de mãos cheias. Quem mandou convidar? Agora me aguente ocupando o espaco livre no chao do seu quarto.
Comments (1)
Pablo, tudo bem, o texto é brilhante. Mas não dá pra você traduzir os títulos das matérias que você posta? É pedir demais?
Antônio
Posted by Antônio | julho 8, 2006 1:49 AM
Posted on julho 8, 2006 01:49