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Finale, oh oh

E no domingo, Berlin ainda sentia a ressaca de uma bela comemoracao de terceiro lugar. Mas a decisao do dia seguinte estava reservada aos mais fortes, aos sobreviventes de uma guerra pacifica de um mes de duracao. Eh esta a sensacao que se tem em uma Copa do Mundo: isto aqui eh uma guerra, sem tiros, bombas e balas de canhao. Mas o proposito eh o mesmo.

Italia e Franca fariam o jogo mais esperado da Copa. E tambem o mais chato, no nosso ponto de vista. Nossos dois maiores rivais europeus fariam sua festinha particular, enquanto nos, fanaticos vestidos de amarelo, nos limitariamos a torcer para ambos perderem. Nao da? Entao ta, que venca o menos pior. Mas que sofram muito, ate o final. Se der para roubarem a taca antes do final da partida, melhor ainda.

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Confesso que torci pelos azuis italianos, apesar de sentir que os franceses tinham mais chances. A torcida alema nao se dividiu tanto assim: 85% torcia pela Franca. A razao eu nao entendi. Parece que os italianos sao mais rivais historicos que os franceses (algo que nao aconteceu em guerras de verdade). A desclassificacao na semifinal tambem ficou entalada na garganta junto a um pedaco de Currywurst (a salsicha picante local). O fato eh que a Alemanha gritava pela Franca; os franceses, em menor numero, tambem. Ja os italianos gritavam por tudo e para tudos. Em menor numero ou nao, a festa parecia destinada a eles.

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A Fan Meile estava menos festiva do que no dia anterior. A torcida parecia mais tensa. O clima era pesado. Parecia ate mais vazia do que na disputa pelo terceiro lugar. O gol do Zidane logo aos 5 minutos nao serviu para esquentar os franceses, muito menos para esfriar os tifosi italiani.
O empate veio no final do primeiro tempo e foi comemorado com mais enfase. Italianos sao mais barulhentos do que qualquer outra nacao do mundo, e isso nao acontece apenas na Mooca. Veio o segundo tempo, e nada mudou para nenhum lado. Era interessante ver italianos e franceses raivosos torcendo lado a lado, sem grandes conflitos. Mais agitados estavam os alemaes chatos, que pareciam ainda bebados da noite anterior. Recebi 3 banhos de cerveja durante os 120 minutos de bola rolando. Tedescos conseguem ser um tanto inconvenientes sob efeito da cevada fermentada.

Durante a prorrogacao, o tempo fechou e parecia que a chuva viria logo. Nao veio. Veio a entrada de Del Piero, e nada aconteceu. Juro que ouviu um romano com o porte fisico do Obelix prometer aos amigos: "se o Del Piero decidir a partida, eu tiro a roupa e vou correndo de costas ate Roma!". Felizmente, ele nao decidiu nada, e o torcedor ficou quietinho. Veio a cabecada de Zidane, digna de um E. Honda de Street Fighter II, e as vaias surgiram. Mas nao vi muitos azzurri xingando a mae do Zizou. O impacto da cena passou rapido. Tanto que as vaias so surgiam quando os italianos pegavam na bola. Nao consegui entender o criterio.

Durante os penaltis, escuridao total, e bem menos tensao do que eu esperava. Eh claro, no dos outros eh refresco. A cada penalti convertido da Franca, aplausos. A cada penalti marcado pela Italia, gritaria. Dai o Trezeguet errou e ficou obvio quem ganharia. Nao poderia ser mais emblematico: Grosso marcou o gol da vitoria. Italien Vierfachweltmeister. Tetracampeoni, ou algo do genero.

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Fim de festa. A comemoracao foi fria, diferente do dia anterior. Parece que apenas os italianos ficaram felizes com a vitoria de seu pais. Fico imaginando o que teria acontecido se a Franca fosse campea. Sera que os alemaes comemorariam tanto quanto no sabado? O fato eh que estava... morninho. Mas feliz. Os tifosi enlouqueciam em bandos, dancavam tarantelas imaginarias e ligavam pra casa aos berros. Italia eh pop: o grito de guerra era "Campioni del Mondo" ao ritmo de Seven Nation Army do White Stripes. No palco do Fan Meile, show de lasers e o hino dos vencedores e vencidos, We Are the Champions, cantada em coro por gregos, troianos, franceses e italianos. E a nos, brasileiros, restava gritar com todas as forcas, um "eu eu eu a Franca se fudeu", daqueles bem intensos. O pessoal ao nosso redor nao gostou muito. Deve ser facil de entender essa maneira universal de sacanear o perdedor.

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Nenhum frances chorava nas ruas. Nenhum italiano quebrava vidracas e garrafas. Tudo correu na mais santa paz. Aos poucos, a multidao se dirigia ao centro, passando por Potsdamer Platz e chegando aos borbotoes ao Zoologische Garten, palco de todas as comemoracoes dos dias passados. Musica, gritaria e um pseudo-samba tocado muito provavelmente por brasileiros. Eu diria que achei os vencedores um tanto desanimados, mas ai eu estaria comparando com a euforia absoluta dos alemaes terceiro colocados. Mas assim terminou a maior Copa de todos os tempos, nas palavras do sabio Galvao Bueno. Alias, deve ser dito: ele fez muita falta durante a cobranca de penais... agora, eh esperar pela proxima, na Africa do Sul.

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Comments (2)

Antônio:

Pablo, li mais essa!
E agora que a copa acabou que você vai fazer por aí?
Antônio

Van:

Ai menino... sentir falta do galvão bueno?? nãããããooooooooooo!

Acho que vc tá carente aí pra falar uma dessas!*rsrsrs*

Faz assim: sequestra ele, (pq ele ainda deve estar por aí) e prende ele num lugar de onde ele nunca mais vai sair, aí na terra do salsichão.
Pronto, vc volta pro Brasil como herói nacional.

beijos

Van

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