A Love Parade retornou à Berlin apos dois anos (corrijam-me se eu estiver enganado). As manchetes dos jornais entregavam o clima: "o amor voltou". No caso, para um pais que recebeu milhoes de turistas enlouquecidos durante um mes, uma festa de musica eletronica para um milhao de doidoes eh fichinha. E foi mesmo.

Tudo o que voce ja ouviu (ou nao) sobre a Love Parade eh mentira. Sei la o que voce ja ouviu. Se eh que ouviu. Nao eh uma rave a ceu aberto. Nao eh uma festa exclusiva para gays, lesbicas e simpatizantes. Nao eh uma balada pesada na qual as pessoas se drogam, tiram a roupa e alucinam como se nao houvesse amanha (se bem que isso nao seria de todo mal). Em resumo, a Love Parade eh um festao cosmopolita regado a musica eletronica e liberdade de expressao. Entenda isso como quiser. Mas o fato eh que a Love Parade nao assusta ninguem, mesmo os mais carolas.

Nao que os doidoes nao fossem a maioria. As fotos a seguir deixam obvio que era a chance dessa mocada europeia extravasar e mostar sua outra face. Gente de toda parte veio a Berlin so para participar. Desde manha, a estacao Zoologische Garten ja estava insuportavelmente entupida de folioes portando apitos, os quais sopravam como se nao houvesse amanha. Garotas vestiam quase nada. Quanto menos, melhor. Rapazes vestiam-se apenas da cintura para baixo. Piercings eram obrigatorios. Cabelos coloridos tambem. Acessorios como meia arrastao, perucas coloridas, oculos bisonhos e garrafas d´agua preenchiam os requisitos de 85% dos participantes ativos, os quais eram 50% do total de presentes. Explico: a outra metade era formada por curiosos, policiais, familias inteiras com nenes de colo, turistas bobos, tiozinhos com filmadora, gente a paisana que so queria ver de perto que bicho era aquele. E o bicho nao mordia. Era mansinho.

A festa comecou na Siegsäule (aquele anjo dos filmes do Win Wenders) e se estendeu por toda a Straße des 17.Juni. 40 caminhoes de paises variados traziam seus dois centavos de batidas eletronicas, tal qual carros alegoricos - sem alegorias ou aderecos. Os folioes iam seguindo atras. E assim foi, ate a noite chegar, o que em Berlin so acontece as 23h durante o verao. Djs mais tachptchura como Paul Van Dyk tinham exclusividade em seus sets. Nao que tivesse alguem prestando atencao na musica...


O clima de oba-oba nao havia. Muito menos o clima de liberou geral. Estava mais para um "vale-tudo com respeito ao proximo". Drogas, nao vi (senti) quase nada. Alcool era cerveja, consumida com uma moderacao de impressionar calouro de faculdade em dia de trote. O que valia era dancar e esquecer que havia gente olhando. Quanto mais diferente e debochado, melhor. Homens de saia. Meninas de biquini. Malucos escalando postes. Musculosos sambando. Pin-ups rebolando. Tudo na santa paz. Os policiais eram requisitados sim, mas para posar para fotografias.


Os jornais locais falaram em 500 mil visitantes. A imprensa mundial dobrou: 1 milhao. Eu fico com a media: 750 mil pessoas deram as caras em um baladao ao ar livre divertido e que nao fez mal a ninguem. Berlin mostrou mais uma vez seu lado anfitriao e nao comprometeu. E eh claro que, no dia seguinte, a cidade ja estava limpinha, pronta para outra bagunca qualquer.
Comments (1)
Curti a Love Parade. Se trocar a música eletrônica por um roquenrol, eu vou na próxima. Beijo. Van
Posted by Van | julho 21, 2006 12:35 PM
Posted on julho 21, 2006 12:35