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julho 2006 Archives

julho 2, 2006

Allez!

Zidanamos.

E quem queria ganhar mesmo?

Melhor, assim economizo um dinheiro.

julho 4, 2006

Herzlich Willkommen

A Varig funcionou. O aviao balancou apenas uma vez, sobrevoando o Rio, gracas a uma °corrente marinha inesperada°. Pousamos salvos. Nao muito saos. 11h30 depois, o que mais se ve sao passageiros que nao queriam ir para Frankfurt, mas foram obrigados. Fui um dos unicos a bordo a nao pegar uma conexao.

E na terra do Futebol, natürlich, so se fala em Futebol. Reproducao da conversa com o agente de fronteira do Aeroporto de Frankfurt.

- Guten Tag!
- Guten Tag. Ah, o senhor fala alemao.
- Falo sim. Eu aprendi na escola no Brasil.
- Certo. (olha o passaporte) Entao, o que veio fazer aqui na Alemanha?
- Vim tentar assistir a Copa do Mundo em Berlin.
- (olha com cara de incredulo) Mas... voce chegou um pouco atrasado, nao?
- Eh, eu sei. Meus planos eram outros. Agora o jeito eh assistir em algum telao.
- Quanto dinheiro voce trouxe?
- X euros.
- E quanto tempo pretende passar aqui?
- Pouco menos de um mes, no maximo.
- Certo entao... sabe, a Franca mereceu ganhar, jogou bem melhor.
- Sim, eles sao mais fortes. Mas a Alemanha sera campea.
- Ah, sim. Esperamos que sim.
- Obrigado, ate logo.

A missao, agora, eh procurar um local para assistir a semifinal. 70% dos pedestres e automoveis trazem algum detalhe que remete as cores alemas. Caras pintadas, perucas tricolores, bandeirinhas, bandanas. Cervejas nas maos. Um ou outro se arrisca a usar uma camisa azul.
Se a Alemanha nao ganhar, o bicho vai pegar.

Amanha, Berlin.

julho 5, 2006

Wir fahren nach Berlin!

E as pessoas morrem pelo futebol na terra da Copa.
Assim que sai do cybercafe, percebi a movimentacao da Polizei: um corpo coberto por plastico azul jazia na esquina da AußerhilmStraße. Pelo que percebi, o cara havia pulado do terceiro andar. Nao esperou pela partida, que comecaria 20 minutos depois.

Sorte a dele.

***

Assisti a Deutschland X Italien em um pub alemao, tomando canja de galinha. Os alemaes sao comportados alem da conta. Aplaudem, nao xingam, nao se importam com o fato de uma das mesas ser ocupada por tres hooligans ingleses que torciam apaixonadamente pelo adversario. O restante, inclusive eu (exceto por um turco mal resolvido com a bandeira italiana amarrada no pescoco), torciam para o pais-sede ir para a Final. Nach Berlin, como dizem a todo tempo.

O jogo foi modorrento, travado. Ate o Galvao Bueno fez falta. Nada acontecia e, mesmo assim, nenhum alemao xingava o Klinsmann. Quando chegou a prorrogacao, um cheiro de tragedia surgiu no ar. E os dois gols ja nos descontos da prorrogacao pareciam previstos. O turco e os tres ingleses-italianos fizeram festa. Os alemaes limitaram-se a olhar. Sem esbocar reacao ou emocao. Ou mesmo um quebra-quebra, ja que o nivel da tragedia permitia.

Mas nada. No caminho de volta para o Hotel Elbe, as primeiras manifestacoes comecaram. De italianos. De onde eles surgiam? Em questao de minutos, as ruas estavam tomadas deles. Dezenas, centenas.

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A Polizei fechou a rua principal em frente ao grande centro de departamentos, a Galeria Kaufhof, decorada com um enorme cartaz da Nike, com a foto do Ronaldinho Gaucho e o slogan Joga Bonito logo abaixo. Emblematico.

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E os italianos nao estavam nem ai. Nao se preocuparam com o fato de estarem na casa do adversario derrotado. Frankfurt foi Roma por uma noite. Buzinaco, gritaria, bandeiras tricolores, camisetas azuis, fanatismo tifosi. Nao havia choradeira de ambos os lados. Era so felicidade plena, histeria barulhenta. Os alemaes, que eram muitos, continuavam a olhar. Alguns ate sorriam, porque a festa assim o merecia. Nenhuma manifestacao de violencia, raiva ou indignacao. Os locais caminhavam passivos e desanimados ao lado da turma da Mooca. Mas pareciam compreender o que nos brasileiros nao entendemos muito bem: Fußball eh apenas um jogo!

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***

Minto. Vi sim, uma demonstracao raivosa:

- Ach, que raiva desses italianos! - disse um adolescente alemao, olhando para a manifestacao a poucos metros.
- Deixa disso. Eles ganharam. Merecem. - respondeu o amigo, tambem alemao, da mesma idade.

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Juro que fiquei impressionado. Se fosse no Brasil, o pau iria comer solto.

***

O festere a italiana continuou durante todo meu caminho para o hotel. Eles corriam pelas ruas balancando bandeiras, com o rosto pintado, buzinando seus Fiats. Um ou outro torcedor deutsch inventava de se misturar aa massa, mas nao era para brigar. O que valia era a festa. Italianos consolovam os donos da casa, com abracos e cantoria. Tudo pelo esporte e pela amizade entre os povos.

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"Wir fahren nach Berlin!" - eh o grito dos vencedores.

E hoje eu tambem vou para la.

***

Capa do Bild de hoje: foto do Klinsmann chorando e a frase "Wir weinen mit Euch" (nos choramos com voce).

No final da materia: "Koph hoch, Jungs! Italien war (noch) zu gut für uns" (levantem a cabeca, pessoal. A Italia foi boa demais para nos).

Na internet: "Ihr habt gekämpt wie Weltmeister" (voces lutaram como campeoes mundiais).

As bandeirinhas alemas insistem em permanecer nos carros e nas fachadas das lojas. Nao ha sinal de possivel arruaca da noite anterior. Tudo voltou ao normal. Sem choro, reclamacao ou caça aas bruxas.

A Alemanha perdeu e seu povo aceitou. E somos nos que temos muito a aprender.

julho 6, 2006

Am Ball

Hoje eh mais um dos seis dias do periodo entre 9 de junho e 9 de julho sem jogo de Copa do Mundo. Como se isso fizesse alguma diferenca para quem esta aqui...

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Em Berlin, capital da Copa, todo dia eh dia de Weltmeister (WM para os comedores de salsicha currywurst). No espaco enorme entre o Brandenburg Tor (o portao famoso) e a Siegsäule (o anjo do Win Wenders famoso), ha uma enorme alameda, a Straße des 17.Juni. Eh ali que os milhares de berlinenses e os turistas reunem-se para assistir aos jogos em diversos teloes. O esquema eh de show de rock: segurancas revistam bolsas e bolsos em ambas as entradas. Nada de objetos cortantes, armas de fogo, cachorros sem coleira e garrafas de vidro. O resto, vale tudo.
Hoje, apesar de nao haver partida marcada, o lugar continua cheio de gente. Nao ha muito o que se fazer, mas as pessoas tratam de inventar moda.

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Em um palco, um show qualquer. Barracas de camisetas, souvenirs, comida, cerveja. Espaco reservado aos patrocinadores. Um estande da Duracell, outro do MasterCard, mais outro da Coca Cola. Cada vende seus fisches como pode. Em meio aa multidao, gente de toda parte, jornalistas e alemaes natos. Os tradicionais brasileiros barulhentos, esses nao estao mais aqui. Parece que resolveram abandonar o pais junto com a selecao derrotada. Nao posso dizer que estou reclamando.

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O calor, ah, o calor. Digno de um Saara europeu. 40º aas 17h, e esquentando. E parece que ninguem se importa. Os policiais e segurancas usam camisas compridas. E nao parecem suar. Ou nao reclamam. Eu, vindo de um pais tropical abencoado por deus, me sinto um esquimo no deserto. Ja usei cinco camisetas em apenas 3 dias alemaes.

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A agua eh vendida a preco de ouro. E nao se pode esquecer de solicita-la ohne Kohlensäure, ou seja, sem gas. Alias, agua sem gas aqui eh coisa de turista. Alemao que alemao bebe com bolhas e anda com sua garrafinha para la e para ca. Desidratacao eh coisa fora de moda.

Peguei um ICT, um daqueles trens rapidos oferecidos pela Deutsche Bahn, que cruzou a distancia de 500 km entre Frankfurt em Berlin em estonteantes 4h08. O maquinista (ou piloto?) desculpou-se tres vezes, porque iriamos chegar ao destino 7 minutos apos o combinado. Realmente, eh um absurdo. Pensei ate em reclamar para o setor de atendimento ao consumidor (sim, estou sendo ironico). A viagem eh um verdadeiro passeio por cenarios ridiculos de tao bonitos. Dirigir pelas Autobahns eh legal, mas nao ha nada como viajar rapido sem preocupacao. Aproveitei para ler, coisa que so faco quando viajo sem preocupacao.

Cheguei a Berlin alguns minutos antes da partida entre Franca X Portugal, a qual assisti em um bar ao lado do Guima, meu amigo e anfitriao. Diferente da partida entre Italia X Alemanha, nao percebi grandes manifestacoes apos a vitoria dos franceses. Tambem, o jogo foi tao chato que nao houve muito clima para barulheira. Uns poucos franceses chatos andavam em bando. Portugues, so vi um. E perguntou se torci pra Portugal. Respondi que torci pro Felipao. Eh muito mais legal.

Os jornais locais receberam com frieza a vitoria da Franca. Como se alguem realmente se importasse agora com quem vai vencer a final. Importante mesmo aqui eh especular se o Jürgen Klismmann vai ou nao permanecer no cargo de tecnico do deutsche Mannschaft. Outra que li dentro do S-Bahn (o metrozinho deles) eh mais legal: eles tiram sarro do fato do atacante Marcelinho Paraiba, ex-sao paulino e astro do Hertha Berlin, ainda nao ter voltado de ferias e nem ter dado sinal de vida. Pelo que deu para notar, o cara faz isso todos os anos. Ja faz parte do folclore local.

A ideia eh assistir a Deutschland X Portugal ali no meio da multidao. Aposto em 3:0 facil para o time da casa. Ja a final pode ser em qualquer lugar. Nao importa qual dos dois times azuis ganhe, o gosto amargo sera o mesmo. Mudaria apenas o tempero. Lasanha ou quiche? Espaguete ou escargot? Sou mais uma feijoada. Pena que meu estomago doente nao me permitiria encarar uma...

julho 7, 2006

Von Kopf bis Fuß auf Fußball eingestellt

O tempo passa rapido quando se esta de ferias. E o tempo passa lento quando não ha jogos de Copa do Mundo no infernal verão europeu. Não vou mais reclamar da temperatura, porque ja virou chavão. Ontem choveu, mas não refrescou. Mesmo com a chuva, franceses e italianos, na mesma proporcao, vao aos poucos tomando conta dos vãos livres da cidade. Italianos em maior quantidade, mais apaixonados e festeiros. Franceses, nao menos azuis, desagradaveis e barulhentos. Todos bebados, chatos e extremamente confiantes. Na condição de sofredor brasileiro, so me resta olhar de longe e apontar defeito.

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Fernsehturm, simbolo de Berlin oriental, devidamente decorada

Assim mesmo, tentei fazer parte da coisa toda. Hoje fiz minha peregrinação ao Olimpiastation, palco da final da Copa do Mundo neste domingo. Peguei o U-Bahn, fiz baldeacao e praticamente me arrastei ate la, debaixo do sol impiedoso. Uma enorme grade de protecao cerca o estadio, impedindo a aproximacao a uma distancia minima de 300 metros. So passam para o outro lado os privilegiados portadores de uma credencial oficial. Nao eh meu caso, entao tive que dar a volta para o outro lado.

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Na entrada destinada a imprensa, torcedores italianos, turistas curiosos, cambistas camuflados e jornalistas europeus formavam o cenario. Nao eram poucos aqueles que carregavam plaquinhas com mensagens - I need tickets, such karten, io voglio billetis, e por ai vai. Havia oferta, havia procura. Mas estamos falando da final da Copa, nao do show do Katinguele no Aramaçã. Quem tem 2000 euros no bolso para desembolsar, na hora?
Eu nao tinha. Infelizmente.

E nao foi por falta de abordagem. Para o primeiro cambista, so falei um no, thanks. Para o segundo, falei que eu nao tinha dinheiro nem para comer. O terceiro, deixei falar:

- Ola, ingressos, ingressos? Eu preciso de ingressos.
- Ah, voce precisa? Eu tambem preciso, mas nao tenho, infelizmente.
- Ah, voce não tem, mas eu tenho! Ingresso? Quer ingresso?
- Ah, nao tinha entendido. Voce tem e esta vendendo? E quanto voce quer por ele?
- 2200 euros. (mostra o ingresso). Eh para o setor 3. Setor 3. Muito bom.
- Ah, nossa. Isso eh muito caro. Caro demais. Nao trouxe dinheiro nenhum aqui.
- Entao 1500. Eu faco por 1500. Setor 3. 1500 euros.
- Putz, mesmo assim. 1500 ainda eh muito para mim hoje.
- 1500? 1500?
- Nao, obrigado mesmo. Não vai rolar.
- Ahm, hmm, ingressos? (guarda o ingresso na bolsa)
- Olha, mas não se preocupe. Sem duvida voce vai conseguir vender rapido. Olha ali quantos italianos atras de ingressos, voce viu?
- Ok, yeah, ok.
- Falou, tchau.

Cansado, vi de longe o sportsbar ao lado da entrada traseira do estadio, localizado em uma esquina de nomes privilegiados - Jesse-Owens Alle com a CoubertinStraße, duas homenagens esportivas bem justas.

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No bar, lotado de jornalistas europeus credenciados, me sentei ao balcão, tomei uma Bit vom Faß e pensei em como seria bom ser amigo do Franz Beckenbauer numa hora dessas.

E assim voltei para o centro, sem ingressos e desidratado.

***

Bem lembrado. Não poderia deixar aqui de homenagear meu amigo e excelente anfitrião, o Guima, jornalista, economista e ja um autentico berlinense de mãos cheias. Quem mandou convidar? Agora me aguente ocupando o espaco livre no chao do seu quarto.

julho 8, 2006

Schweinsteiger ist König

Republiquei os textos passados com fotos, para seu deleite. Aprecie, agora visualizando conosco.

Hoje, Deutschland X Portugal, direto da Adidas Arena. Amanha, cobertura completa do evento.

E, claro... nosso grito de guerra:

Jägermeister!

julho 10, 2006

Weltmeister der Herzen

Sabado e domingo foram os dias da decisao. O clima de Copa imperava no ar, mesmo com o fim da festa se aproximando. Em Berlin, a Alemanha se vestiu de vermelho, branco e amarelo para acompanhar a ultima partida de sua selecao. O clima era de euforia absoluta, como se o Mannschaft estivesse na final, pronto para levantar a taca pela quarta vez.

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Nao estava. Era apenas a disputa do terceiro lugar contra Portugal. Mas voce acha que algum alemao estava preocupado com isso? Nao fazia diferenca alguma. Importante era comemorar.

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Festejar era preciso. Cantar tambem. O alemao eh bom de rima e cantoria, mas pessimo em criatividade.

Aus geht’s Deutschland schiss ein Tor, schiss ein Tor, schiss ein To o or! (vai la Alemanha, marque um gol, marque um gol, marque um go o ol!)

...werden wir Weltmeister sein! (nos vamos ser campeoes do mundo!)

E por ai vai. Musicalidade a parte, eh impossivel nao se contaminar e cantar junto. Uma hora antes do jogo, a Fan Meile, espaco localizado entre o Brandenburg Tor e a Siegsäule e local favorito dos boleiros berlinenses e dos turistas loucos por bola, estava praticamente tomada. Era a Torre de Babel futebolistica.

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Focos de multidoes acumulavam-se frente aos diversos teloes, portando bandeiras, faixas e copos de cerveja quente. Camisetas de todos as selecoes podiam ser vistas, com enfase para os tricos locais.
Brasileiros nao eram poucos, mas, espalhados em pequenos grupos, nao faziam muita diferenca em meio aa massa. Perdemos, fomos embora.

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As bandeiras tricolores eram agitadas a todo tempo, mesmo sob chuvisco, mesmo sob o tedio do primeiro tempo da partida, na qual nada aconteceu. E nao adiantou o Felipao chiar. Estava na cara que os gols sairiam no segundo tempo. Mas a torcida nao xinga o Klinsmann, o Khan, a mae do juiz, o Deco ou o Pauleta. O palavrao mais cabeludo que ouvi aqui foi algo que pode ser traduzido como "os seus pais sao irmaos!"

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Antes da partida, apostei com o Guima que o grande nome da partida seria Bastian Schweinsteiger, camisa 7 da selecao tedesca. Por um simples motivo: ele eh o jogador com o nome mais divertido e interessante de toda copa. Numa traducao literal, seu nome significa algo como "montador de porcos“, ou algo que o valha. A torcida o chama de Schweine, ou "porquinho“. Tem como nao gostar de um cara desses?

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Coincidencia ou destino, Schweinsteiger arrasou. Marcou dois gols e foi o responsavel pelo outro (seu chute resvalou na perna de Petit). Seu nome foi gritado pelos torcedores apaixonados, mas fomos nos que comemoramos, internamente, o sucesso de nossa previsao. 3 zu 1 seria meu chute em algum bolao. Estava na cara que os alemaes nao perderiam a ultima partida em frente ao seu pais. A vitoria era obvia e obrigatoria. Os alemaes nao desapontaram.

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Mal o jogo acabou, a histeria emocionada se espalhou por toda extensao da Straße des 17. Juni. Nos teloes, a frase Danke Deutschland! Weltmeister der Herzen (obrigado, Alemanha. Campea dos nossos coracoes) estampava o sentimento de cada nativo ali presente: sim, perdemos a Copa, mas ganhamos em orgulho.

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Nao foram poucos os jornais e revistas que elegeram o time alemao como o "campeao da pequena Copa“, sentimento que se contaminou pela populacao. Ou seja, mesmo nao ganhando, o time alemao superou todas as expectativas de seu povo. Foi uma festa digna de titulo mundial. O bronze tem gosto de ouro.

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Gritos, urros, cantorias, buzinaco, bebedeira noite adentro. A populacao tomou as ruas de Berlin tal qual em uma revolucao. Ate a festa eh bem organizada. Os Polizei acompanham de longe, sem esbocar reacao em seus uniformes verdes. Garrafas sao quebradas, mas os garis em fila nao deixam os cacos machucarem ninguem. Ate torcedores portugueses participam pacificamente. A urbe toma o meio das ruas, os metros e os bares. Os batuques sincopados e descoordenados dos tambores revelavam: alemaes sao ruins de samba, mas sao excelentes em comemoracoes.

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Finale, oh oh

E no domingo, Berlin ainda sentia a ressaca de uma bela comemoracao de terceiro lugar. Mas a decisao do dia seguinte estava reservada aos mais fortes, aos sobreviventes de uma guerra pacifica de um mes de duracao. Eh esta a sensacao que se tem em uma Copa do Mundo: isto aqui eh uma guerra, sem tiros, bombas e balas de canhao. Mas o proposito eh o mesmo.

Italia e Franca fariam o jogo mais esperado da Copa. E tambem o mais chato, no nosso ponto de vista. Nossos dois maiores rivais europeus fariam sua festinha particular, enquanto nos, fanaticos vestidos de amarelo, nos limitariamos a torcer para ambos perderem. Nao da? Entao ta, que venca o menos pior. Mas que sofram muito, ate o final. Se der para roubarem a taca antes do final da partida, melhor ainda.

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Confesso que torci pelos azuis italianos, apesar de sentir que os franceses tinham mais chances. A torcida alema nao se dividiu tanto assim: 85% torcia pela Franca. A razao eu nao entendi. Parece que os italianos sao mais rivais historicos que os franceses (algo que nao aconteceu em guerras de verdade). A desclassificacao na semifinal tambem ficou entalada na garganta junto a um pedaco de Currywurst (a salsicha picante local). O fato eh que a Alemanha gritava pela Franca; os franceses, em menor numero, tambem. Ja os italianos gritavam por tudo e para tudos. Em menor numero ou nao, a festa parecia destinada a eles.

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A Fan Meile estava menos festiva do que no dia anterior. A torcida parecia mais tensa. O clima era pesado. Parecia ate mais vazia do que na disputa pelo terceiro lugar. O gol do Zidane logo aos 5 minutos nao serviu para esquentar os franceses, muito menos para esfriar os tifosi italiani.
O empate veio no final do primeiro tempo e foi comemorado com mais enfase. Italianos sao mais barulhentos do que qualquer outra nacao do mundo, e isso nao acontece apenas na Mooca. Veio o segundo tempo, e nada mudou para nenhum lado. Era interessante ver italianos e franceses raivosos torcendo lado a lado, sem grandes conflitos. Mais agitados estavam os alemaes chatos, que pareciam ainda bebados da noite anterior. Recebi 3 banhos de cerveja durante os 120 minutos de bola rolando. Tedescos conseguem ser um tanto inconvenientes sob efeito da cevada fermentada.

Durante a prorrogacao, o tempo fechou e parecia que a chuva viria logo. Nao veio. Veio a entrada de Del Piero, e nada aconteceu. Juro que ouviu um romano com o porte fisico do Obelix prometer aos amigos: "se o Del Piero decidir a partida, eu tiro a roupa e vou correndo de costas ate Roma!". Felizmente, ele nao decidiu nada, e o torcedor ficou quietinho. Veio a cabecada de Zidane, digna de um E. Honda de Street Fighter II, e as vaias surgiram. Mas nao vi muitos azzurri xingando a mae do Zizou. O impacto da cena passou rapido. Tanto que as vaias so surgiam quando os italianos pegavam na bola. Nao consegui entender o criterio.

Durante os penaltis, escuridao total, e bem menos tensao do que eu esperava. Eh claro, no dos outros eh refresco. A cada penalti convertido da Franca, aplausos. A cada penalti marcado pela Italia, gritaria. Dai o Trezeguet errou e ficou obvio quem ganharia. Nao poderia ser mais emblematico: Grosso marcou o gol da vitoria. Italien Vierfachweltmeister. Tetracampeoni, ou algo do genero.

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Fim de festa. A comemoracao foi fria, diferente do dia anterior. Parece que apenas os italianos ficaram felizes com a vitoria de seu pais. Fico imaginando o que teria acontecido se a Franca fosse campea. Sera que os alemaes comemorariam tanto quanto no sabado? O fato eh que estava... morninho. Mas feliz. Os tifosi enlouqueciam em bandos, dancavam tarantelas imaginarias e ligavam pra casa aos berros. Italia eh pop: o grito de guerra era "Campioni del Mondo" ao ritmo de Seven Nation Army do White Stripes. No palco do Fan Meile, show de lasers e o hino dos vencedores e vencidos, We Are the Champions, cantada em coro por gregos, troianos, franceses e italianos. E a nos, brasileiros, restava gritar com todas as forcas, um "eu eu eu a Franca se fudeu", daqueles bem intensos. O pessoal ao nosso redor nao gostou muito. Deve ser facil de entender essa maneira universal de sacanear o perdedor.

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Nenhum frances chorava nas ruas. Nenhum italiano quebrava vidracas e garrafas. Tudo correu na mais santa paz. Aos poucos, a multidao se dirigia ao centro, passando por Potsdamer Platz e chegando aos borbotoes ao Zoologische Garten, palco de todas as comemoracoes dos dias passados. Musica, gritaria e um pseudo-samba tocado muito provavelmente por brasileiros. Eu diria que achei os vencedores um tanto desanimados, mas ai eu estaria comparando com a euforia absoluta dos alemaes terceiro colocados. Mas assim terminou a maior Copa de todos os tempos, nas palavras do sabio Galvao Bueno. Alias, deve ser dito: ele fez muita falta durante a cobranca de penais... agora, eh esperar pela proxima, na Africa do Sul.

julho 11, 2006

WM ist vorbei

Segunda feira gorda. E a Copa acabou na terra da Copa. E a massa ensandecida conhecida como "torcedor de futebol" ja eh figurinha dificil em Berlin. Em resumo, eles foram embora. Nao sobrou um para contar a historia. Tifosi ainda circulavam pelas pracas, mas ja a paisana, ou seja, sem camisetas da selecao italiana, ja com camisas polo e calcas jeans apertadas. Os alemaes, serios que sao, voltaram aos seus trajes tradicionais de dia a dia. A camiseta do Deutsche Mannschaft esta na gaveta, esperando a Eurocopa 2008.

A operacao desmonta comecou em todos os pontos turisticos da cidade. Onde havia teloes e arenas, agora ha homens trabalhando. A arena criada no Sony Center em Potsdamer Platz foi abaixo em questao de horas apos a partida final. Certamente, hoje, tudo devera ter voltado ao que era antes de 9 de junho.

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As ruas tambem ja nao apresentam o movimento de alguns dias antes. Por volta de 8 da noite de segunda, avenidas que antes ficavam tomadas ja tinham focos de esvaziamento.

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Eh um tanto desolador, para nao dizer outra coisa.

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Agora, eh arrumar o que fazer por aqui. Opcoes nao faltam. Como diz o titulo deste post, a Copa eh passado, mas Berlin continua sendo do futuro.

Podkast aus Berlin

Testando a mais nova tecnologia alema. Podcast, direkt aus Berlin. Comunicacao digital para as massas.

Isto eh apenas um teste. Vamos melhorar.

Clique aqui e escute.

julho 12, 2006

Love Generation

A ressaca da Copa continua. Aqui so se fala do jogo de coco do Zidane e a resposta que ele promete para hoje. E as capas dos jornais alemaes lamentam a saida do Klinsmann do comando da selecao. Ele alegou estar "exausto", o que eh compreensivel. Fico imaginando se algum jornal brasileiro faria campanha para o Parreira ficar. Ou mesmo o Felipao. A imprensa aqui eh muito emotiva. Eh engracado.

Mas ja que a febre do futebol nao pode parar, comprei dois maxi-singles imperdiveis: Love Generation (o hino da Copa), de Gary Pine, e o proprio tema da Copa, Zeit, dass sich was dreht, de Herbert Grönemeyer.

Mais uns dias, estariam em liquidacao.

Aproveitando que estou aqui, adquiri tambem uma sensacional compilacao da imortal Nena, em tres cds.

Turismo eh isso: ousar.

***

Aproveitando o momento, cliques pos-Copa:

Cabeceie com o Zizou. Melhor que PlayStation 3.

Mas o Materazzi nao eh assim tao bonzinho.

Alo, voce! Fernando Vanucci, eu vim aqui so pra te ver.

Coitado do Zagagallo.

Werden wir Weltmeister sein!. Alemaes tem senso de humor.

julho 14, 2006

A outra copa

Tudo eh bem perto na Europa. Em questao de horinhas, chega-se a um pais novo, cheio de costumes estranhos e idiomas falados ao contrario e de ponta cabeca. Esta proximidade toda dificulta um pouco a escolha do que fazer em seguida. Eh tudo tao pertinho e, relativamente, tao proximo, que ate cansa. Eh mais facil sentar e ver a vida passar por aqui mesmo. Ou nao. Semana que vem, eh hora de encarar as maravilhas das Autobahns alemas. E o sul do pais eh o limite. Dormindo no carro e nao economizando na gasolina.

***

Amanha rola aqui a famosa Love Parade, que promete atrair mais de um milhao de festeiros, bebuns, simpatizantes e descolados de toda Europa para horas non stop de tecneira, danca e bagunca generalizada. A cidade ja esta cheia (nao tanto quanto durante a Copa) e um tanto mais alegre. Estereotipos a parte, eh grande a quantidade de homens de cabeca raspada, cavanhaque e vestindo camiseta regata. Nada contra. Eh a grande festa da cidade, comecando na Siegsäule e atravessando a Straße des 17. Juni inteira, cortando o Tiergarten e chegando no Brandenburg Tor. Vamos la ver do que isso eh feito.

Para muita gente, a verdadeira copa do mundo comeca amanha. Entenda como quiser.

***

Teclo gratuitamente da Friedrichstraße, na loja da Magix, uma fabricante de softwares bem espertos para criacao de podcasts, videos e outras opcoes de comunicacao modernetes. Foi com um desses que gravei o quase inaudivel podcast de anteontem. Os programas da Magix possuem trial de um mes e podem ser baixados aqui. Ta em alemao, mas voce se vira.

julho 15, 2006

Morgen

Amanha. Hoje nao.

julho 17, 2006

Immer unpünktlich

A cobertura da Love Parade fica adiada para amanha. Mas fica aqui o aperitivo fotografico.

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julho 18, 2006

É o amor

A Love Parade retornou à Berlin apos dois anos (corrijam-me se eu estiver enganado). As manchetes dos jornais entregavam o clima: "o amor voltou". No caso, para um pais que recebeu milhoes de turistas enlouquecidos durante um mes, uma festa de musica eletronica para um milhao de doidoes eh fichinha. E foi mesmo.

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Tudo o que voce ja ouviu (ou nao) sobre a Love Parade eh mentira. Sei la o que voce ja ouviu. Se eh que ouviu. Nao eh uma rave a ceu aberto. Nao eh uma festa exclusiva para gays, lesbicas e simpatizantes. Nao eh uma balada pesada na qual as pessoas se drogam, tiram a roupa e alucinam como se nao houvesse amanha (se bem que isso nao seria de todo mal). Em resumo, a Love Parade eh um festao cosmopolita regado a musica eletronica e liberdade de expressao. Entenda isso como quiser. Mas o fato eh que a Love Parade nao assusta ninguem, mesmo os mais carolas.

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Nao que os doidoes nao fossem a maioria. As fotos a seguir deixam obvio que era a chance dessa mocada europeia extravasar e mostar sua outra face. Gente de toda parte veio a Berlin so para participar. Desde manha, a estacao Zoologische Garten ja estava insuportavelmente entupida de folioes portando apitos, os quais sopravam como se nao houvesse amanha. Garotas vestiam quase nada. Quanto menos, melhor. Rapazes vestiam-se apenas da cintura para baixo. Piercings eram obrigatorios. Cabelos coloridos tambem. Acessorios como meia arrastao, perucas coloridas, oculos bisonhos e garrafas d´agua preenchiam os requisitos de 85% dos participantes ativos, os quais eram 50% do total de presentes. Explico: a outra metade era formada por curiosos, policiais, familias inteiras com nenes de colo, turistas bobos, tiozinhos com filmadora, gente a paisana que so queria ver de perto que bicho era aquele. E o bicho nao mordia. Era mansinho.

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A festa comecou na Siegsäule (aquele anjo dos filmes do Win Wenders) e se estendeu por toda a Straße des 17.Juni. 40 caminhoes de paises variados traziam seus dois centavos de batidas eletronicas, tal qual carros alegoricos - sem alegorias ou aderecos. Os folioes iam seguindo atras. E assim foi, ate a noite chegar, o que em Berlin so acontece as 23h durante o verao. Djs mais tachptchura como Paul Van Dyk tinham exclusividade em seus sets. Nao que tivesse alguem prestando atencao na musica...

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O clima de oba-oba nao havia. Muito menos o clima de liberou geral. Estava mais para um "vale-tudo com respeito ao proximo". Drogas, nao vi (senti) quase nada. Alcool era cerveja, consumida com uma moderacao de impressionar calouro de faculdade em dia de trote. O que valia era dancar e esquecer que havia gente olhando. Quanto mais diferente e debochado, melhor. Homens de saia. Meninas de biquini. Malucos escalando postes. Musculosos sambando. Pin-ups rebolando. Tudo na santa paz. Os policiais eram requisitados sim, mas para posar para fotografias.

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Os jornais locais falaram em 500 mil visitantes. A imprensa mundial dobrou: 1 milhao. Eu fico com a media: 750 mil pessoas deram as caras em um baladao ao ar livre divertido e que nao fez mal a ninguem. Berlin mostrou mais uma vez seu lado anfitriao e nao comprometeu. E eh claro que, no dia seguinte, a cidade ja estava limpinha, pronta para outra bagunca qualquer.

julho 21, 2006

Mir ist heiss

As coisas estao corridas e quentes. Ontem foi o dia mais quente do ano. 38º no meio da tarde. O asfalto vai derreter, mas os alemaes nao se importam: estao adorando. Nao da para entender.

Amanha eh dia de Road Trip para o Sul. O carro ja esta alugado. Eh o tal do sonho de rock n roll. Seguir para Munique em busca de um festival de rock e uma entrevista exclusiva (tambem ja marcada) com a sensacao da musica pop local.

Mais a seguir, apos os nossos comerciais.

Unterwegs

Entao, vai ser assim.

Eu e o Guima alugamos um VW Polo a partir do sábado de manha. Temos que devolvê-lo até as 9h da segunda. A idéia é seguir reto através da Autobahn E9, com destino à intocada München. Distância estimada de 613 km. Média de 6h30 de viagem em estrada livre. As Autobahns estao sempre livres na Alemanha.

O objetivo é o Oben Ohne Open Air, um festival de música pop alema. Com um tanto de labia, conseguimos credenciais de jornalista para os dois dias do festival. Com um tanto mais de habilidade, marcamos uma entrevista exclusiva com a banda headliner do festival, o Silbermond. É como um cruzamento de Pitty com CPM 22, mas cheio de bom humor e amor. E com uma vocalista bem simpática. A entrevista irá rolar toda em alemao. Vamos nos preparar com antecedência. Nao deve ser lá muito fácil. O plano é fazer um panorama da nova música alema, a qual há muito já nao vive só de Nena, Trio e Kraftwerk.

Já que o Silbermond toca às 20h30 do domingo, teremos que viajar pela madrugada germânica para devolver o veículo em seguranca no horário combinado. Revezando em dois motoristas nao tem erro. E assim termina mais uma aventura rocknroll. Pé na estrada é legal, mas com rodas é muito melhor.

julho 24, 2006

Wir fahr'n fahr'n fahr'n auf der Autobahn

Nós chegamos bem. Cruzamos os limites da velocidade, do bom mocismo e do jornalismo musical imparcial. 1400 km rodados em 2 dias. Munique ficou pequena. E nós voltamos de madrugada. Vimos Berlim acordar na segunda feira. E devolvemos o veículo (um Ford Mondeo de tiozinho) faltando um minuto para o apito final. Immer am limit.

Está tudo bem. Logo entro em detalhes. Mais, logo mais.

julho 26, 2006

Kaputt

Em Flensburg, cidade mais ao norte da Alemanha, quase colada na fronteira com a Dinamarca. Quer dizer, é só andar um pouco e atravessar. Mas isso eu farei de trem, na sexta. Até sexta, é hora da vida mansa, pacata e sedentária de Flensburg.
Apesar de que um pouco de exercício cairia muito bem.

julho 28, 2006

Algo podre?

Hamlet estava errado. Nao há nada podre no reino da Dinamarca. Pelo menos, nao que eu tenha reparado. Cheguei a poucos minutos nesta terra estranha, cheia de letras esquisitas (æ, ø e å sao algumas delas). O dinheiro aqui nao vale nada e já estou pobre mesmo após ter trocado dinheiro. E o albergue fica no cu do mundo. Algo como Interlagos para quem mora na Vila Mariana. Mas está tudo sensacional.

No meu quarto coletivo, divido espaco com dois suecos bizarros que nao falam ingles. O mais velho, bem velho, muito velhinho, insiste que eu sei falar sueco. E conversa comigo sem receber resposta além de um "ja, ja, hun hun". Espero que ele nao ronque. O outro entrou mudo, saiu calado, mas deve ser sueco. Sei disso porque ele conversava com o velho quando entrei no quarto. Os próximos dias serao longos.

Agora, é encarar Copenhagen e suas especialidades. Vejamos.

julho 31, 2006

Dinamáquina

Leaving Denmark today.

Copenhagen é um lugar especial, sem dúvidas. Caro, muito caro. Mas interessante demais. Acho que, em 4 dias, consegui ver tudo o que havia de fácil, simples e barato (ou seja, nao muita coisa). Camelei o quanto pude. Nao paguei museus que aceitaram minha condicao de jornalista de terceiro mundo. E passei um tanto de fome, porque economizar, neste momento da viagem, é uma obrigacao. Em menos de uma semana, desembarcarei no Brasil. A Varig, pelo visto, vai deixar.

Nao tenho muito o que dizer agora da Dinamarca, porque está tudo muito cru. Mas basta dizer que é um país bonito, tranquilo e despreocupado. Todo mundo bebe cerveja na rua (Carlsberg e Tuborg, amargas demais), anda de chinelo e fala bobagem em voz alta com aquele idioma incrivelmente ininteligível. Ninguém parece ter muito problema com dinheiro, fora alguns mendigos, coitados. Fora isso, é tudo perfeito, funcional e cordial. Saiu ontem no UOL uma pesquisa que aponta que o país mais feliz do mundo é a Dinamarca. Nao achei exagerado. Esses caras nao têm lá muito do que reclamar.

O destino agora é Berlin, que servirá como ponto de desembarque rápido. Aí. pego o trem para Bremen, onde fiquei o ano passado. Rever velhos amigos e assistir a um jogo de futebol, e é isso aí. E o tempo urge. Depois, nao sei para onde, nao sei quando, nem sei nada.

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