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Desembarcamos em Los Angeles, eu e o Jocelyn Auricchio, editor da EGM Brasil, após quase 14 horas sentados e com direito a uma escala desagradável na calorenta Miami. A cidade da E3 não parece a cidade da E3. Poucos detalhes nos lembram que esta será a capital mundial dos games na próxima semana. Nem um cartaz ou outdoor. A presença de japoneses nas ruas de Hollywood também não serve como pista, visto que a região fica eternamente tomada pelos orientais.
Em Koreatown, região onde se localiza o nosso hotel, não há sinal de E3 em lugar algum. Talvez por ser domingo, as ruas estavam vazias, e as calçadas, desoladas, sem pedestres. Foi fácil lembrar-se da música que diz que “nobody walks in L.A.”. Andar por esta cidade é hábito raro, até mesmo entre turistas. Após algumas milhas de caminhada sob o sol forte, conseguimos convencer um taxista de que não éramos dois vagabundos pedindo esmolas, e sim dois andarilhos sem conhecimento algum das reais distâncias que separam os principais pontos da cidade. Hollywood, aparentemente próxima no mapa do ponto de ônibus, fica a exatos US$ 13 de Wilshire Blvd, onde estamos alocados.
Por falar em Hollywood: a região mais chique e decadente de Los Angeles não foi avisada que a E3 começa em alguns dias. Na terça, a esquina da Hollywood com a Highland será palco de dois acontecimentos-chave do evento deste ano. O Kodak Theater, a casa do Oscar, abriga a coletiva de imprensa da Nintendo, enquanto o Chinese Theater, exatamente ao lado, abriga a coletiva de imprensa da Microsoft. Tudo isso pela manhã. A única referência aos eventos é um outdoor localizado no topo do Hotel Roosevelt, do outro lado da rua. A sensação de deja vu é absoluta: “the revolution is around the corner” (a revolução está ali na esquina). Jurei que já havia lido isso em algum lugar. Logo lembrei: foi ali mesmo, há exatamente um ano. A Nintendo está reciclando seu material promocional de divulgação. Isso porque o que era Revolution agora chama-se Wii. Pensando bem, manter a frase idêntica foi decisão acertada. Realmente, ficaria esquisito dizer que “the wii is around the corner” – ainda mais se levada em conta a grande quantidade de sentidos que a palavra carrega em diversos idiomas.
Amanhã, 16h, é a vez da Sony apresentar suas armas em sua coletiva, em Culver City. É, sem dúvida alguma, o evento mais concorrido desta E3. Se no ano passado ficamos surpresos quando Ken Kutaragi revelou ao mundo a cara do PlayStation 3, o que podemos esperar deste ano? Há quem diga que não é coincidência o fato da Sony ser a primeira a abrir a boca: seria ansiedade em mostrar suas surpresas?
Falta pouco para descobrirmos.
A coletiva da Sony foi realmente um acontecimento digno da expectativa que carregou nos últimos meses. Desde a entrada, restritiva e bem organizada, até a festa boca-livre para mais de 500 jornalistas e convidados em seus estúdios, em Culver City, tudo servia para nos lembrar que quem dava as cartas ali era a empresa mais bem sucedida do lucrativo segmento mais lucrativo da indústria do entretenimento. Personalidades como Atsushi Inaba (de Okami), David Perry (Earthworm Jim) e Hideo Kojima (Metal Gear) se misturavam à multidão e empanturravam-se com toda sorte de guloseimas engordativas e cervejas de diversos cantos do mundo. O clima parecia ideal para grandes surpresas e revelações. Nem a ansiedade parecia incomodar. Mesmo com um atraso de quase uma hora, ninguém parecia estar muito preocupado com qualquer coisa. O negócio era comer, beber e fazer downloads exclusivos no PSP – não necessariamente nesta ordem.
Indo direto ao ponto: a Sony não se deu muito bem em sua tarde de gala. Isso porque não havia muito espaço para brilhar. Afinal de contas, os principais feitos de sua nova máquina já haviam sido revelados no ano passado. Para este ano, sobraram tarefas ingratas, como mostrar como os games realmente funcionam e revelar o famigerado preço de lançamento para o consumidor, o qual, na minha humilde opinião de jornalista cucaracho, representa a verdadeira e definitiva “banana” para os mercados emergentes – o Brasil incluso. Sejamos francos e realistas: um videogame de US$ 600 não pode ser considerado um brinquedo. É um eletroeletrônico de alto nível, um caríssimo brinquedo de adulto. Comparando com a trajetória do Xbox 360 no Brasil, o qual seis meses após seu lançamento ainda custa extorsivos R$ 3500 em lojas especializadas, dá para prever que o PlayStation 3 não sairá por menos de R$ 4 mil. Isso sendo otimista e acreditando que o Brasil é um país de algum futuro. Para aqueles brasileiros que sonham em ter uma máquina dessas em casa ainda neste Natal, os absurdos valores não poderiam ser mais indigestos.
A apresentação de Kaz Hirai, Ken Kutaragi e companhia foi bastante convincente, apesar da ausência de grandes surpresas. Singstar, “game” que mistura a cantoria de Karaokê Revolution com os conceitos de comunidades virtuais ao estilo My Space, mostra que a Sony (principalmente seu braço europeu) consegue ser tão antenada quanto a Microsoft no que diz respeito ao apelo a novas tendências. Deve pegar. O trailer inédito de Metal Gear Solid 4, com direito a narração em off de Snake e um desfecho de perder o fôlego, foi o merecedor dos aplausos mais barulhentos, assim como o belo vídeo do misterioso Final Fantasy XIII. Eight Days, Resistence: Fall of Men (da Insomniac, apresentado pelo próprio Ted Price) e Heavenly Sword ganharam apresentações generosas que arrancaram suspiros esparsos e aplausos tímidos. E quer saber? Foi só.
Os outros destaques da apresentação deixaram um cheiro estranho no salão. Talvez seja algo natural quando 500 pessoas de todos os cantos do globo reúnem-se em um mesmo local, mas o aroma vinha somente do palco. Não me leve a mal, a Sony fez tudo o que podia. Mostrou vídeos de muitos títulos inéditos e fez demonstrações interessantes da maioria deles; surpreendeu com uma mudança de design em seu joystick; e cutucou a concorrência de jeito com sua incrível rede online, gratuita e cheia de recursos modernosos. Mas havia algo errado. Alguns jogos estrearam em vídeos muito pouco impressionantes, como foi o caso de Gran Turismo HD, que tomou um belo espaço da apresentação e não gerou um único grito de júbilo por parte da platéia. O mesmo aconteceu com as apresentações de Genji 2 e Warhawk, que chegaram a dar sono e não empolgaram nem mesmo os apresentadores. A presença da Electronic Arts nestas grandes apresentações de Sony e Nintendo já começa a parecer forçada, por mais impressionante que as apresentações dos novos NBA Live e Tiger Woods tenham sido (e nem foram tanto assim). Não houve também como não perceber o silêncio incômodo após Ken Kutaragi revelar o novo-velho design do joystick do PS3 (adeus, bumerangue), dotado de um recurso “inovador” que oferecerá aos jogos “surpreendentes seis graus de movimentação”. Alô, Sony? A Nintendo ligou e pediu para vocês devolverem a idéia de joystick que eles bolaram no ano passado...
E quando todos esperavam um final apoteótico e carregado de boas notícias... Kaz Hirai, sorrindo e satisfeito, declara que seu belo videogame sairá por módicos US$ 499 (com HD de 20 GB), podendo chegar a US$ 599 (com HD de 60 GB). Não foi bem a informação que a maioria gostaria de ouvir, por mais que todos os indicativos apontassem para preços bastante elevados. Lançamento em 17 de novembro, previsão de 6 milhões de consoles nas lojas até março de 2007... quem se importava com essas coisas? A Sony havia acabado de anunciar o valor de lançamento de videogame mais alto da história – e parecia muito orgulhosa disso. No fim, fomos presentados com a chance de jogarmos as demos do PS3 ali mesmo, antes dos visitantes da E3. Valeu, nem precisava! A chance de segurar o novo controle (muito leve, com dois belos botões R2 e L2 analógicos) é digna de ser espalhada, mas o momento pedia alguns jogos mais interessantes para acompanhar. Infelizmente, não havia nenhum demo de MGS 4 ou FFXIII para experimentarmos. Joguei Gran Turismo HD e me senti jogando... Gran Turismo. Talvez a percepção mude na E3. Espero que sim.
A Sony quis ser a primeira a mostrar suas cartas, e com isso pagou um preço. Agora, a bola voltou para as mãos da Nintendo. Há quem diga que o Wii será o passaporte para a empresa retornar aos tempos áureos que experimentou nas décadas de 80 e 90. Eu tenho minhas dúvidas. Mas estou curioso, agora mais do que nunca. O evento que acontecerá em poucas horas deve clarear um pouco o futuro, mas não muito. Vamos lá para ver isso de perto.
Então, veja bem.
Recapitulando aquela loucura toda da semana passada.
A Nintendo venceu a E3, a Microsoft fez bonito e a Sony broxou geral. Nada de estranho nisso. Claro que falar de um único evento é fácil. Mas é fato que a tal da guerra será decidida em números, milhões de dólares. Ganha quem ganhar mais. No caso do jogador, perde quem gastar mais dinheiro em três consoles de videogame. Ganha em diversão, perde no bolso e nos neurônios deletados no processo.
Os críticos dizem que só se pode ter dois deles, no máximo. Ou se compra um PS3 (por US$ 599), ou se compra um 360 (por US$ 399, fora os acessórios e a anuidade da rede online). Todo mundo compra o Wii da NIntendo. Ele é diferente na experiência - não é como jogar videogame ou assistir TV. É algo a mais. As pessoas pagarão pela novidade. A qualidade dos games é mero detalhe - pelo menos neste momento da briga.
Sortudos, felizardos e milionários comprarão todos os consoles e gastarão no mínimo US$ 1500 na brincadeira (sem impostos - convertendo para nosso idioma, dá uns R$ 9 mil, pra mais). Mortais pobres brasileiros chuparão o dedo por pelo menos mais um ano. Mesmo se o Bill Gates cumprir as promessas de trazer sua máquina ao Brasil (e a outros sete países emergentes - quando? Nem ele sabe). Típico. Já deveríamos estar acostumados.
A chegada do Xbox 360 ao mercado brasileiro é vista com esperança por tantos e muitos pés atrás por outros. É claro que é uma boa notícia, mas é preciso analisar com frieza e entender o contexto atual. Papeando com representantes dos big players lá de fora, entendi que o Brasil só fará parte do contexto mundial se alguns pauzinhos forem mexidos - politicamente falando. Algo grande já está sendo feito neste sentido, mas o processo é lento e nem um pouco infalível.
Quem falou que videogame é apenas algo divertido?
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Ainda sobre isso, mas nada a ver com isso, anote:
Exposição: “Game_Cultura – Festival de Jogos Eletrônicos do Sesc Pompéia – Passando de Fase”
Local: Galpão do SESC Pompéia
De 30 de junho a 06 de agosto de 2006
Nem sei se podia falar, mas já falei. Demorou, mas agora vai. Aguarde detalhes.
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Bizness
A cobertura da E3 pelo Gameworld teve vídeos, podcasts e blogueiragens. Ainda está fresco, dá para clicar.
Entrevista com produtor de Winning Eleven para a Folha.
Texto já datado sobre o Xbox 360., da semana passada.
Matéria sobre O Poderoso Chefão publicada na Set do mês passado. Aqui, na íntegra.
Coluna da Set deste mês.
Texto (não publicado no site) na revista da West Coast. Se você encontrar alguma por aí, dê uma lida. Ilustrada pelo sensacional Fábio Zimbres. Maior orgulho.
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Me parece, ou melhor, tenho certeza, que estou deixando algumas coisas importantes para trás. Pessoas, talvez.
Assim é.
Fechamentos. Prazos. Dormir tarde, acordar cedo. Atrasos. Isolamento. Achei que já tivesse deixado isso de lado.
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Aliás, não devo ir à festa do copo vermelho. Me conte depois se você for.
Por via das dúvidas...
Um fim de semana em frente à TV foi o bastante para a Copa do Mundo enfim começar. Pelo menos em minha cabeça.
As duas próximas semanas já estão longas demais.
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