Apesar de escrever sobre games há pelo menos oito anos, jamais me senti confortável o bastante para falar ou escrever sobre este assunto fora do "ambiente de trabalho". Não é algo que me deixa à vontade, talvez porque nunca me senti lá muito capaz de discorrer sobre o tema. Aliás, sobre qualquer tema. Essa é uma das questões interessantes sobre ser jornalista: não se é especialista em coisa alguma. Jornalistas tendem a pensar que sabem tudo a respeito de tudo, mas a real é que sabemos menos do que qualquer especialista de verdade.
Não é como ser médico, engenheiro, administrador, piloto - pessoas que entendem realmente do que fazem, porque estudaram pra isso. Eu não estudei para ser jornalista de games: "aprendi" fazendo. Assim como tantos outros profissionais ditos especializados por aí. Uma meia dúzia pode ter feito uma pós ou especialização depois, mas aí não muda muita coisa. Jornalista acha que sabe tudo desde o primeiro emprego, e se continua estudando, é só para acrescentar umas linhas ao currículo. Nesta profissão, aprende-se fazendo. Bem feito ou mal feito, infelizmente.
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Afastado do dia-a-dia da redação, observo o antigo trabalho de modo bem distinto. Parece até que virei a casaca. Compreendo melhor os motivos do empresário, apesar de ainda me lembrar do sofrimento que é colocar uma revista em pé todos os meses. A palavra em questão é organização. Só que falar do lado de fora é bem simples. Executar um planejamento é tarefa de gênio quando se possui centenas de outras atribuições diárias. Pensar nas próximas duas, três capas? Não é algo que se tira do bolso, durante um almoço, um café ou uma reunião. Planejar facilita a vida, mas não é algo tão fácil de se planejar.
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Tudo isso porque tive vontade de discorrer sobre games, arte e genialidade após assistir a entrevistas com os geniais Tetsuya "Lumines/Meteos" Mizuguchi, Keita "Katamari" Takahashi e Fumito "Colossus" Ueda. Mas aí rolou um misto de constrangimento e preguiça e desisti. Deixo para um outro blog que deve aparecer logo mais por aí. Ali, o assunto será só esse. Ficarei mais à vontade.
Foi aqui, aliás. Recomendo. E procuro um patrocinador.
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A mesma sensação besta de desconforto editorial surgiu após a morte de Telê Santana. Por sua importância em minha obsessão futebolística atual, me senti impulsionado a vomitar um texto-homenagem carregado de sentimentalismo, lembranças e detalhamento über nerd. Contudo, preferi guardar para um outro lugar, num outro dia, noutra situação. Quando não tiver tanta gente olhando.
Telê merece.
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Em duas semanas, embarcamos mais uma vez para a cobertura da E3, em Los Angeles. Este ano, parece que há um recorde de jornalistas brasileiros. Ouvi dizer que até a Globo irá cobrir o evento esse ano. Se há muitos brasileiros, o que dizer dos estrangeiros? Por conta disso, conseguir hotel, passagens, passes, credenciais e convites é tarefa que exige paciência e pistolão. Já está tudo encaminhado. Imagjno como será no ano que vem. A preparação deve começar já em junho. Deste ano.
Tudo isso só por uma feirinha de joguinhos?
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O planeta, aliás, está lotado. Há filas de espera para tudo. Passagens de avião, ingressos de shows, jogos de futebol. A questão não é somente querer assistir à final da Copa do Mundo in loco. É preciso ter passagem, ingressos, hospedagem na faixa, passagem para voltar. É preciso que a companhia aérea seja honesta e não nos dê calote. É preciso equilibrar dias de férias com dias de trabalho. É preciso ter alguns reais guardados, que quando transformados em euro, tornam-se minguadas moedinhas. E olha que a Alemanha nem é tão distante e complicada assim.
Querer não é poder - não neste mundo globalizado. Mas temos fé e insistimos.