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fevereiro 2006 Archives

fevereiro 2, 2006

Baviera Blues

Vi Munique numa seção noturna da segunda-feira, e me arrependi de não ter ido ao banheiro antes do início da sessão. É longo. Muito longo. Demais. Spielberg está cada vez mais prolixo, mas é ótimo ver que ele parou de fazer filmes somente para seus filhos assistirem. O discurso está furioso, as mensagens subliminares estão bem embutidas e o sangue jorra fácil, com direito a cadáveres pendurados no ventilador e o fuzilamento sumário de uma bela holandesa sem roupa.

Eric Bana, como terrorista judeu, é um ótimo Hulk. Já o Daniel Craig não é nem um bom terrorista judeu, muito menos será um bom James Bond (não vou queimar a língua). Os palestinos falam árabe. Os franceses falam francês. Os alemães, alemão. Mas os israelenses falam inglês. E explodem as pessoas como se não houvesse amanhã. E no caso deles, não houve mesmo.

Muita gente irá dizer que é um filme anti-semita. Um manifesto anti-terrorista. Um libelo pela paz e a tolerância. Qualquer nota tá valendo. É um puta filme. Mas me deixou com raiva. Com bode de terroristas, de judeus, de árabes e do Spielberg. E com um pouco de medo de ligar meu carro e tudo voar pelos ares.

fevereiro 3, 2006

Meet Joe Black

Foi a semana de reuniões. Não passei um único dia sem ter que ir a algum lugar, encontrar pessoas, falar sobre coisas diversas, concluir e achar que está tudo resolvido. Claro que não está, mas vale a pena. Estou indo para uma agora, para variar um pouco. Até seria uma boa maneira de se ganhar a vida, se para isso eu não tivesse que passar horas me deslocando de canto a canto, pegando trânsito, gastando gasolina e perdendo tempo.
Pelo menos eu escuto música. E resolvo umas paradas, faço planos. E nem preciso usar terno e gravata ou escrever atas no dia seguinte. Viva a informalidade.

***

Entre um fechamento e outro madrugada a dentro, mantenho a sanidade com doses de YouTube. As descobertas das últimas semanas foram redescobertas, na verdade: esquetes esquecidos do Saturday Night Live. Os favoritos são Mr. Tarquinian, Gimme more Cowbell, ambos com Will Farrell (o melhor comediante da atualidade, sem sombras) e o extremamente bizarro Japanese Quiz Show, com o finado Chris Farley. Finí­ssimo e grosseiro na medida.

fevereiro 4, 2006

Nabos

Há esperanças para o mundo se todos se preocuparem com o tubérculo que nasce na calçada da rua ao lado.
E quem me conhece bem sabe a relevância disto.


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Da série "eu tenho bastante tempo a perder": mais um game da premiada (e completamente desconhecida) série Takagism. White Chamber.
Novatos, tentem o Crimson Room e o Viridian Room.

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Sono acumula? Acho que já me questionei sobre isso...

fevereiro 7, 2006

Chuck Norris schläft nicht. Er wartet.

Chuck Norris, coitado, virou o í­cone da semana (passada). Seus fatos e feitos foram distribuí­dos exaustivamente e viraram nick de MSN obrigatário. Recebi até alguns em alemão, que ficam melhores ainda se falados depressa e com a boca cheia de farofa (traduza aqui):

Chuck Norris' Tränen heilen Krebs. Schade nur, dass er noch nie geweint hat. Noch nie.

Das Hauptexportprodukt von Chuck Norris ist Schmerz.

Chuck Norris hat schon bis Unendlich gezählt. Zweimal.

Chuck Norris geht nicht auf die Jagd, weil das Wort Jagd die Möglichkeit des Versagens einschließt. Chuck Norris geht töten.

Chuck Norris' Blutgruppe ist AT+ (Arsch-Tritt-Positiv). Es verträgt sich ausschließlich mit schwerem Baugerät, Panzern und Kampfjets.

Im Kleingedruckten auf der letzten Seite des Guinness-Buchs der Rekorde wird festgestellt, dass alle Rekorde von Chuck Norris gehalten werden.

Hinter Chuck Norris' Bart ist kein Kinn. Dort ist eine weitere Faust.

A onda agora são os fatos de Jack Bauer, o homem sei lei de 24 Horas. Aliás, a quinta temporada já é a melhor.

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Se bem que as frases valem para qualquer fodão que as mereça. Ou não.

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Fatos sobre a venda de ingressos do show do Franz Ferdinand (e de um tal de U2):

1. Quem ligou com telefone fixo ficou, em média, 7 horas discando. Sem conseguir.
2. Setenta atendentes não dão conta de milhares de ligações.
3. "Troncos ocupados" é uma boa desculpa, visto que 82% da população não sabe o que é um tronco telefônico.
4. Havia menos ingressos sendo vendidos do que o anunciado.
5. Quem usou celular conseguiu linha com cinco minutos de tentativa.
6. Houve quem conseguiu ligar cinco vezes em um espaço de duas horas, sempre usando o celular.
7. Isso só comprova o que já se sabe: mesmo quando não tem nada a ver com a história, a Telefonica sempre atrapalha.

fevereiro 11, 2006

Por falar nisso

É um dia comum este 11 de fevereiro. Chove, choveu, vai chover mais tarde. O céu é branco com pitadas de cinzento. Não reclamo, porque passei a semana desejando trabalhar como salva-vidas no SESC, só para ficar o dia todo de bermuda e com o corpo molhado. Não pense bobagem. O calor, o calor.

Por falar em SESC, estou em dívida com os caras. Topei fazer parte de um evento grande e super adiantado organizado por eles (eles quem? Não sei bem que paga a conta dessa entidade), e ainda não mostrei muito serviço. Isso que dá encarar trampo com tanto adianto. A exposição está marcada para julho, mas tudo precisa estar pronto até abril. Antecipação demais me dá tilt no córtex. Só sei o que vou fazer até terça que vem, e olhe lá. Mas preciso aprender a me organizar e definir prioridades. É o mínimo que se espera de um rapaz quase emancipado e cheio de projetos futuros na cabeça.

Por falar em cabeça, ela não está aqui. Está sim, em outros tantos lugares mais distantes, remotos e um tanto inalcançáveis. Mas não vou mais me culpar por isso. É assim que é, é assim que vai ser.

***

Surgiram uns textinhos meus na Folha dessa semana.

Tem a mais recente coluna da Set aqui.

Chegou nas bancas a mais trabalhosa edição da EGM em dois anos. A entrevista com o produtor de O Poderoso Chefão (o game) está inteira aqui.

fevereiro 13, 2006

XPTO

Segunda feira é segunda feira.

Hoje foi dia de reunião inesperada na agência DM9. Aquela DM9.
Imagino que esgotei a cota de tarefas bizarras relacionadas a trabalho neste mês. Mas nunca se sabe. Ainda tem duas semanas até março chegar. E tem o Carnaval no meio. Maldito alalaô.

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Johnny Cash foi macho, mas derramar umas lágrimas em Walk the Line é fácil.

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O Gardenal vai mudar. De novo. Mas quase ninguém irá perceber. Só nós, os envolvidos diretos, que perdemos cada vez mais tempo precioso corrigindo problemas causados pelo incorrigível cumprimento de todas as leis de Murphy existentes. Se era pra algo dar errado, já deu conosco, duas, três vezes. Esperamos que tudo se resolva. Vocês também, imagino.

fevereiro 25, 2006

Amargo

Enquanto conserto o fuso horário mental, tento colocar as idéias no lugar. Tudo está vago e flutuante, e não é de hoje. Parece que ainda estou dormindo. Ou que estou com as costas grudadas no fundo da piscina. Ou dormindo profundamente no fundo da mesma piscina.

De uma vez por todas, decidi parar de reclamar do excesso de coisas a fazer. Deve ser melhor do que não ter nada a fazer. Disso, não posso reclamar. Mas também não reclamaria de férias forçadas e remuneradas de três meses de duração.

Resolvi, pelo menos em parte, dois entraves cabulosos durante a semana. Um foi a revista e sua edição #50. O dolorido processo de criação me remeteu a tempos antigos - maio de 2003, quando morri e ressuscitei três vezes fazendo a Herói +. As questões e problemas da vez foram os mesmos de antes. Não sei porque ainda me iludo em querer fazer algo diferente...

No final das contas, fechou. Sempre fecha. E graças ao fim do horário de verão, apreciei o sol nascer da janela ao lado de minha mesa de trabalho. Pior do que sair de manhã da editora é pegar congestionamento já às 6h30. Ninguém dorme nessa cidade, muito menos eu.

O outro entrave cabuloso, a exposição, começou a se acertar. Com uma ajudinha dos amigos e um tantinho de organização.

***

Na quarta-feira, quem me perguntava minha opinião sobre o show do U2 recebia um "Hmm..." como resposta. Mais vago, impossível.

Não me levem a mal, é sim, um belo espetáculo. Som, luz, repertório, carisma, tudo no lugar. O problema deve ser comigo mesmo. Em quinze anos a serviço do rock´n´ roll, me acostumei a enfrentar a massa suada, mal educada e cabeluda, seja em festivais de arena, seja em inferninhos sem ventilação. Ainda curto e suporto tudo isso. Mas está ficando mais difícil.

Já o Franz Ferdinand, pobre, merecia condição melhor. O volume do show era tão baixo que era possível escutar conversas paralelas e cochichos da platéia até na hora dos hits.

Devo estar ficando too old for this shit, como diria o poeta. Qual poeta mesmo?

***

Pelo que eu entendi, o inferno astral termina hoje, 0h. Bom, já era tempo.

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