Baviera Blues
Vi Munique numa seção noturna da segunda-feira, e me arrependi de não ter ido ao banheiro antes do início da sessão. É longo. Muito longo. Demais. Spielberg está cada vez mais prolixo, mas é ótimo ver que ele parou de fazer filmes somente para seus filhos assistirem. O discurso está furioso, as mensagens subliminares estão bem embutidas e o sangue jorra fácil, com direito a cadáveres pendurados no ventilador e o fuzilamento sumário de uma bela holandesa sem roupa.
Eric Bana, como terrorista judeu, é um ótimo Hulk. Já o Daniel Craig não é nem um bom terrorista judeu, muito menos será um bom James Bond (não vou queimar a língua). Os palestinos falam árabe. Os franceses falam francês. Os alemães, alemão. Mas os israelenses falam inglês. E explodem as pessoas como se não houvesse amanhã. E no caso deles, não houve mesmo.
Muita gente irá dizer que é um filme anti-semita. Um manifesto anti-terrorista. Um libelo pela paz e a tolerância. Qualquer nota tá valendo. É um puta filme. Mas me deixou com raiva. Com bode de terroristas, de judeus, de árabes e do Spielberg. E com um pouco de medo de ligar meu carro e tudo voar pelos ares.