Quem me dera ser um peixe
Ano novo.
A virada sempre me enche de esperanças pueris, como se a simples passagem de um dia para o outro fizesse tanta diferença no destino das pessoas. E o pior é que faz. De certa forma. Eu acredito. Por isso, invisto nas crendices de sempre. Ondinhas, roupa branca, contagem, guardar a rolha da birita aberta à meia-noite. Não faz mal a ninguém.
Passei a virada em Fortaleza, ao som de Raimundo Fagner, primeiro e único. Ninguém se deu ao trabalho de fazer uma contagem regressiva. A prefeita preferiu discursar sobre os avanços na área social alcançados por seu governo ou qualquer demagogia do gênero. Triste. Éramos nós mais 150 mil pessoas, mas havia espaço sobrando para movimentar-se entre a montanha de garrafas e areia suja. Não vi uma única vela acesa. Iemanjá deve estar em baixa por aquelas bandas, só pode.
No mais, foi uma semana cheia. Cheia de repentistas, turistas suecos, tchecos, húngaros e alemães, lagostas caríssimas, artesanato mal-feito, castanhas, licor de jenipapo, tapiocas, canoas quebradas, sol a pino, nativos simpáticos ("não andem por aqui a pé que é cheio de ladrão!"), desapego e despreocupações. Se antes eu já queria que o mundo se explodisse, agora então...
Um feliz 2006 pra você. E pra quem for da sua família também.
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Sem internet, sem computador, sem blog, sem celular. É como não existir. Ou é como viver. Depende do dia.
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Este é o layout velho-novo. Dê boas-vindas a ele. Valeu, Furnari.
Agora sim, voltamos. Valeu a paciência.
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Tem alguém aí?