Dia desses morreu Lúcia Machado de Almeida.
Não diga "quem?", você sabe quem é - isso se tiver mais de 25. Se sim, leu ou ouviu falar de suas histórias lançadas pela Ática pelo selo Vaga Lume (e não me venha com Balão Mágico ou Comandos em Ação: isso sim é que é anos 80). Meu favorito dela é e sempre será Spharion (depois digo o porquê), mas o que todos lembram é O Escaravelho do Diabo. Até a chamada da Ilustrada de ontem era assim: "Morreu escritora de O Escaravelho do Diabo". É o tipo de situação que rola com o Marcos Rey até hoje: escreveu dezenas de livros, mas o povo só se lembra quem é quando se diz que é "o cara do Mistério do Cinco Estrelas". Claro, todo mundo leu esse na quinta série. Ou pelo menos deveria.
Ter um pai que trabalhava em editora colaborou com a formação de meu hábito de leitura constante durante a infância (era praticamente um livro novo para ler a cada semana, o paraíso). Ignorei Poe, Verne, Monteiro Lobato e outros clássicos indispensáveis (e as lacunas perduram até hoje). Em compensação, devorei Marcos Rey, Fernando Sabino, Maria José Dupré, Luis Puntel, Luis Fernando Veríssimo, Aristides Fraga Lima, Carlos Eduardo Novaes, Lúcia Machado de Almeida e tantos outros que a Ática quis lançar entre os anos 70 e 80. Tudo por minha conta, antes de dormir, usando a luz amarela do abajur fraquinho (a culpada pela miopia?). Tinha sete, oito anos. Enquanto isso, a professora de português da terceira série recomendava clássicos como A Bruxinha Domitila, Sangue Fresco e Pedrinho Esqueleto. Nada contra João Carlos Marinho e Stella Carr, mas mesmo moleque eu já achava aquilo meio mal escrito.
A Lúcia era diferente. Escrevia fácil sobre coisas difíceis. A série Xisto (que um dia sonhei que havia virado desenho animado) misturava viagens medievais, ficção-científica psicodélica, pássaros cósmicos azuis, vermes gigantes pré-Duna e um herói loirinho meio afeminado. O Caso da Borboleta Atíria, um policial protagonizado por insetos falantes, arrebenta qualquer enredo de desenho da Pixar. O Escaravelho do Diabo, uma das narrativas mais sinistras da literatura infanto-juvenil, está pronto para Hollywood desde os anos setenta. Se em cinco anos ninguém fizer um filme baseado no livro, eu prometo que faço. É só alguém me bancar.
Já o Spharion - Aventuras de Dico Saburó, eu curtia por um motivo especial. Foi um dos primeiros cujo nome do meu pai constava do expediente, como diagramador. E guardada em um envelope, junto à orelha do meu exemplar, havia uma foto dele com a Lúcia, tirada na noite do lançamento do livro. Era 1979. Hoje, admito que minha principal motivação de leitura era o orgulho de saber que meu pai havia participado de alguma forma daquela história. Na minha cabeça de moleque, isso significava que ela era mais minha do que de qualquer um. E se fosse?
Soube da morte de Lúcia e dei por falta dos livros. Sorte, encontrei todos. Estavam esquecidos atrás de grossos e hoje inúteis volumes de enciclopédia Larousse Cultural na estante da sala. A foto, uma pena, sumiu da orelha do livro. Sobrou a dedicatória em caneta azul e letra legível na página três:
"Para Antonio do Amaral Rocha, com meus agradecimentos por sua colaboração neste trabalho, e os mais lindos votos de Lúcia"
Que descanse em paz.
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Na verdade, eu curto notinhas mais do que longos textos.
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O caprichado e revelador documentário Gamer Br já está disponível para download. Clique e baixe os "parcos" 741 MB aqui.
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Gardenal sem fronteiras: o funk carioca despudorado nas linhas de Bruno "Urbe" Natal, na revista americana XLR8R.
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Elas conseguiram. Sai da gráfica essa semana o livro das Garotas que Dizem Ni. O título não poderia ser mais adequado. Li uma versão 75% pronta e recomendo - mesmo sendo suspeito para falar.
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Então, já que você não quis comprar uma camiseta Gardenal (pão-duro), não tem mais desculpa. Domingo, aqui, as três novas estampas. Não são exatamente camisetas do Gardenal por assim dizer, mas foi a gente quem fez. Com carinho. Sabe como é, altos planos. Se você gostar, vai ter que comprar.
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Make Believe, do Weezer, vazou duas semanas antes do lançamento. A essa hora todo mundo já ouviu, então, liberto o mundo de minha opinião. Ouça lá, conclua você. Afinal, nada mais chato que cagar regra como crítico musical.
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Dica do Inagaki. Gorilla Mask, compêndio de porcarias irresistíveis para assistir. Estou nele agora, vendo coisas importantes tipo isso.
Comments (1)
Estou no segundo grau e nas outras escolas eles só passam carbono no terceiro no e estou com muita dificuldade ois entrei nesta escola no segundo bimestre e já pegue a materia do ano todo e não consigo entender de jeito nenhum já li diversos livros e não consigo entender de jeito nenhum preciso de tudo o que emcontrar sobre carbo que possa me ajudar pesso isto até segunda feira pois terei uma prova sobre este tema e estou com muita duvida!
Posted by Fernanda | julho 1, 2007 7:43 PM
Posted on julho 1, 2007 19:43